Jamaladim Abu Alfaraje Maomé ibne Baracate ibne Haçane ibne Ajelane (; Meca, Ramadã de 840 A.H. (março/abril de ) – Marre Azarã, 11 de Moarrão de 903 A.H. ()) foi um xarife catádida e emir de Meca de 859 a 903 A.H. (1455–1497). Filho e sucessor de Baracate I, governou durante cerca de quatro décadas e sua autoridade estendeu-se para além de Meca a outras regiões do Hejaz. Durante a última parte de seu governo, teve como associado seu filho , que o sucedeu após sua morte.

Vida

Maomé nasceu em Meca em Ramadã de 840 A.H. (março–abril de 1437). Era filho de e de Xacra binte Zuair. Pela linha paterna, pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, enquanto sua mãe descendia da linhagem haçânida dos xarifes de Medina. Foi criado em Meca sob os cuidados do pai e recebeu licenças de transmissão de diversos estudiosos. Na noite de 16 de Rajabe de 855 A.H. (1451), casou-se com sua prima Zaila, filha de Abu Alcácime ibne Haçane. Nos últimos meses de vida, Baracate procurou assegurar a sucessão do filho. Já idoso, pediu ao representante mameluco em Gidá que solicitasse à corte que Maomé fosse associado ao governo durante sua vida e assumisse o emirado após sua morte. A autorização chegou a Meca em 20 de Xabã de 859 A.H. (1455), um dia depois da morte de Baracate. Maomé encontrava-se então ausente no Iêmem, para onde havia sido enviado pelo pai, e regressou a Meca em 7 de Ramadã, quando foram lidos os decretos relativos à sua investidura.

O longo governo de Maomé caracterizou-se pela consolidação de sua posição no Hejaz e pela manutenção das relações políticas com a corte mameluca. Em 877 A.H. (1472–1473), quando uma caravana proveniente do Iraque chegou ao Hejaz acompanhada por tropas e por um cádi, Maomé suspeitou das intenções de seus dirigentes e mandou prender o cádi e o comandante da expedição, enviando-os ao Cairo. A medida recebeu a aprovação da corte mameluca. Como recompensa, foram-lhe enviados uma espada, um cavalo e um diploma que reforçava sua autoridade sobre territórios do Hejaz. Sua posição foi posteriormente ampliada. As fontes atribuem-lhe autoridade sobre os lugares santos e diferentes regiões do Hejaz, incluindo Medina, onde interveio na nomeação dos governantes locais. Em Jumada I de 887 A.H. (1482), nomeou um representante para o governo da cidade.

Maomé também se destacou por suas atividades construtivas. Segundo al-Ziriklī, possuía alguma instrução e diversas qualidades pessoais e mandou realizar em Meca obras de proporções até então sem precedente entre os emires da cidade. Em 878 A.H. (1473–1474), seu filho foi associado ao emirado. Baracate havia ido ao Cairo em lugar do pai, após este ser convocado pelo sultão Caitebai, e foi recebido pela corte mameluca. O sultão determinou então que fosse associado a Maomé no governo do Hejaz. Maomé teve numerosa descendência e, ao morrer, deixou dezesseis filhos homens, além de filhas. Entre seus filhos estavam Baracate II, Hazá, Xarafadim, Caitebai, Rumaita, Amade, Humaida, Abu Algaite, Haxime, Naide, Raji, Xumaila, Xacrane, Abu Daje, Saíde e Zaíde. Maomé morreu na terça-feira, 11 de Moarrão de 903 A.H. (9 de setembro de 1497), em Marre Azarã. Seu corpo foi transportado para Meca, onde recebeu a oração fúnebre e foi sepultado no Cemitério de Almuala. Posteriormente foi construída uma cúpula sobre seu túmulo. Foi sucedido por Baracate II, que já estava associado ao governo desde 878 A.H. (1473–1474). A morte de Maomé, contudo, inaugurou um período de disputas entre seus numerosos filhos pelo controle do emirado.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século XV Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Árabes do Sultanato Mameluco do Cairo Categoria:Catádidas Categoria:Naturais de Meca Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Almuala