Praça Sete de Setembro, frequentemente chamada de Praça Sete, é uma praça no Centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no Brasil. Está localizada no encontro da Avenida Afonso Pena com a Avenida Amazonas, duas das principais avenidas da cidade, e é atravessada pela Rua Rio de Janeiro e pela Rua dos Carijós. A praça é conhecida como marco zero do Hipercentro de Belo Horizonte e também funciona como espaço de manifestações culturais e ponto de referência no centro da cidade.

A praça ocupa um ponto central do traçado original de Belo Horizonte, elaborado por Aarão Reis no fim do século XIX. Antes de receber o nome atual, o local apareceu associado aos nomes Praça Doze de Outubro e Praça 14 de Outubro. A denominação Praça Sete de Setembro foi adotada em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil.

No centro da praça fica um obelisco, o Monumento Comemorativo do Centenário da Independência Nacional, conhecido popularmente como Pirulito. O obelisco de granito foi projetado pelo arquiteto Antônio Rego após um concurso para o monumento do centenário da Independência e foi inaugurado em 7 de setembro de 1924. O monumento foi doado a Belo Horizonte por moradores de Capela Nova do Betim, atual município de Betim.

O monumento foi retirado da praça no início da década de 1960, armazenado no Museu Histórico Abílio Barreto e reinstalado na Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, em 1963. Ele retornou à Praça Sete em 1980.

História

Cidade planejada e primeiros nomes

A Praça Sete de Setembro ocupa um dos pontos centrais do traçado original de Belo Horizonte, elaborado por Aarão Reis no fim do século XIX. A praça fica no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Amazonas, dois dos principais eixos da capital planejada. O encontro dessas vias marcava o centro da nova capital no projeto urbano original.

Antes da adoção do nome atual, o local aparece associado a mais de uma denominação. O Portal Oficial de Belo Horizonte informa que a praça já se chamou Praça Doze de Outubro, nome relacionado à data tradicional da chegada de Cristóvão Colombo à América. Outras fontes sobre a história da cidade registram a denominação Praça 14 de Outubro, vinculada à criação da comissão responsável pelos estudos para a escolha da nova capital de Minas Gerais.

Em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil, a praça recebeu o nome de Praça Sete de Setembro. O nome se refere a 7 de setembro de 1822, data tradicionalmente associada à independência brasileira.

Obelisco do Centenário da Independência

O marco mais conhecido da praça é o Monumento Comemorativo do Centenário da Independência Nacional, chamado popularmente de Pirulito. O monumento foi criado para o centenário da Independência do Brasil. Seu desenho foi escolhido em concurso e é de autoria do arquiteto Antônio Rego. Embora a pedra fundamental tenha sido lançada em 1922, o obelisco só foi inaugurado em 7 de setembro de 1924.

O monumento de granito foi construído com pedra extraída em Capela Nova de Betim, atual município de Betim, e foi doado a Belo Horizonte por aquela comunidade. Antônio Gonçalves Gravatá foi o engenheiro responsável pela construção. O monumento tem 13,57 metros de altura e é formado por 28 peças de cantaria. O pedestal, ou plinto, traz quatro placas de bronze de Francisco de Paula Rocha.

Nos vértices da base havia postes de ferro sobre pedestais, originalmente modelados pelo escultor austríaco João Amadeu Mucchiut. Esses elementos desapareceram e foram substituídos em 2003.

Transferência e retorno do Pirulito

O obelisco não permaneceu continuamente na Praça Sete. Em 1962, foi guardado no Museu Histórico Abílio Barreto. No ano seguinte, durante a administração do prefeito Amintas de Barros, foi reinstalado na Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi. Ele retornou à Praça Sete em 1980, depois de obras de modernização da praça.

O monumento recebeu proteção patrimonial estadual em 1977. O conselho curador do IEPHA-MG aprovou seu tombamento em março daquele ano, e o Decreto Estadual nº 18.531, de 2 de junho de 1977.

Edifícios do entorno

A Praça Sete é emoldurada por edifícios de diferentes momentos da história arquitetônica e comercial do Centro de Belo Horizonte. O Cine Theatro Brasil, construído em 1932 na esquina da Avenida Amazonas com a Rua dos Carijós, tornou-se um dos marcos mais conhecidos do entorno da praça.

Outros edifícios próximos incluem o antigo prédio do Banco da Lavoura, também conhecido como Edifício Clemente Faria, projetado por Álvaro Vital Brazil em 1946. O edifício, de estilo modernista, foi construído entre 1946 e 1950 na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua Rio de Janeiro e recebeu prêmio na 1.ª Bienal de Arquitetura de São Paulo.

O antigo edifício do Banco Mineiro da Produção, hoje conhecido como P7, foi projetado por Oscar Niemeyer em 1953 e inaugurado em 1959 em um lote triangular voltado para a praça. Mais tarde, recebeu proteção patrimonial estadual. Com 26 andares, desenho modernista e localização destacada na Praça Sete, tornou-se um dos marcos da verticalização de Belo Horizonte em meados do século XX.

O edifício onde funciona a UAI Praça Sete, antiga unidade PSIU, também integra o conjunto histórico do entorno. Construído no fim do século XIX, o imóvel abrigou a sede do Banco Hipotecário e Agrícola do Estado de Minas Gerais. A unidade de atendimento funciona na Avenida Amazonas, 478.

O Edifício Acaiaca, um arranha-céu art déco próximo, na Avenida Afonso Pena, também se tornou parte da identidade visual do Centro de Belo Horizonte. Projetado por Luiz Pinto Coelho em 1943 e inaugurado em 1947, foi durante décadas o edifício mais alto de Minas Gerais e, por um período, o mais alto do Brasil.

Quarteirões de pedestres, reformas posteriores e uso atual

A configuração atual da Praça Sete surgiu a partir do fechamento de quatro quarteirões em torno do cruzamento central. No início da década de 1970, a praça passou por uma reconfiguração com a criação desses quarteirões fechados, que ampliaram o espaço destinado à permanência e à circulação de pedestres.

Depois que o obelisco retornou da Savassi, a área foi reorganizada com quarteirões de pedestres batizados com nomes de povos indígenas ligados a Minas Gerais. O quarteirão fechado da Rua dos Carijós entre a Praça Sete e a Rua Espírito Santo recebeu o nome Pataxó. O quarteirão da Rua dos Carijós entre a Praça Sete e a Rua São Paulo tornou-se Krenak. O quarteirão da Rua Rio de Janeiro entre a Praça Sete e a Rua dos Tamoios recebeu o nome Xacriabá, e o quarteirão da Rua Rio de Janeiro entre a Praça Sete e a Rua dos Tupinambás tornou-se Maxakali.

Uma revitalização realizada em 2003 renovou a praça e seus quatro quarteirões de pedestres, dando nova configuração a cada trecho fechado e melhorando a área para uso público. Depois da reforma, a praça e o obelisco passaram a integrar o acervo operacional do Museu Histórico Abílio Barreto.

Em 2023, os quarteirões fechados da Praça Sete passaram por novas intervenções dentro do Programa Centro de Todo Mundo, da Prefeitura de Belo Horizonte. As obras incluíram melhorias nas calçadas e pisos, recuperação de bancos e mobiliário urbano e ações voltadas à acessibilidade e à mobilidade.

A área também mantém uma função de atendimento cívico. O governo de Minas Gerais mantém a UAI Praça Sete, uma Unidade de Atendimento Integrado,As Unidades de Atendimento Integrado, conhecidas pela sigla UAI, reúnem diferentes serviços públicos em um mesmo local em Minas Gerais. na Avenida Amazonas, 478, oferecendo serviços públicos no Centro de Belo Horizonte.

A Praça Sete permanece como um ponto movimentado de encontro e referência no Centro de Belo Horizonte. O cruzamento das avenidas, o Pirulito, os edifícios do entorno e os quarteirões de pedestres fazem dela um dos espaços públicos mais reconhecíveis da cidade.

Celebrações esportivas, manifestações e eventos públicos

A Praça Sete recebe encontros de torcedores, atos políticos, mobilizações sociais e eventos cívicos. A localização no hipercentro, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Amazonas, ajuda a explicar esse uso. O obelisco conhecido como Pirulito também facilita a concentração de pessoas, por funcionar como ponto visível de encontro no meio da praça.

A Praça Sete também virou lugar de protesto. Fabiano Rosa de Magalhães escreveu que esse uso não estava dado desde a criação da praça. Ele se formou na rua, com manifestações, concentrações populares e disputas pelo direito de ocupar aquele espaço no centro da cidade. Outra pesquisa, defendida na Universidade Federal de Minas Gerais, examinou manifestações na Praça Sete, na Praça da Estação e na Praça da Liberdade. O trabalho aproxima a Praça Sete da Praça da Estação como lugares de protesto, conflito urbano e ocupação popular em Belo Horizonte. Entre 1.º de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2019, o Observatório dos Conflitos Urbanos de Belo Horizonte mapeou 1.321 manifestações coletivas na cidade.

As comemorações de futebol também levam torcedores à praça. Em 2013, depois da conquista da Copa Libertadores pelo Clube Atlético Mineiro, torcedores ocuparam a Praça Sete em uma festa que teve a presença de alguns jogadores. Em 2014, após o título atleticano da Copa do Brasil, a Praça Sete e a Avenida Olegário Maciel estiveram entre os pontos de concentração da torcida em Belo Horizonte.

A torcida atleticana voltou à praça em 2021. Depois da conquista do Campeonato Brasileiro de 2021, jogadores do Atlético chegaram a Belo Horizonte e desfilaram em carro aberto até a Praça Sete, onde milhares de torcedores comemoraram durante a madrugada. A festa teve trios elétricos perto do obelisco e avançou pela madrugada. Às 6 horas, a Superintendência de Limpeza Urbana iniciou uma operação de limpeza com 95 garis, três caminhões-pipa e sete caminhões basculantes nas imediações da Praça Sete e da sede do clube. Poucos dias depois, após a conquista atleticana da Copa do Brasil de 2021, a Praça Sete voltou a receber torcedores em comemoração.

Torcedores do Cruzeiro também usam a Praça Sete para comemorações. Em 2013, durante a campanha do título brasileiro, cruzeirenses foram à Praça Sete e à Praça da Estação para celebrar uma vitória do clube. Em 2022, após a vitória que garantiu o retorno do Cruzeiro à Série A do Campeonato Brasileiro, centenas de torcedores lotaram a Praça Sete, cantaram o hino do clube e soltaram fogos. O trânsito teve interdição parcial, e a Polícia Militar isolou a área do obelisco para evitar incidentes. Na semana seguinte, o elenco e a comissão técnica participaram de uma festa no Centro de Belo Horizonte. A estimativa foi de 40 mil pessoas, com fechamento de trânsito e estrutura para receber torcedores, imprensa, jogadores, funcionários do clube, amigos e familiares.

A praça também recebe ações públicas e mobilizações sociais. Em 2025, uma mobilização pelos direitos das mulheres foi realizada no local pelo Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. A programação teve serviços públicos, apresentações musicais, rodas de conversa, tendas de apoio e intérprete de Libras.

Galeria

Ver também

Avenida Afonso Pena, importante avenida que cruza a praça Obelisco da Praça Sete Praça da Liberdade, praça histórica de Belo Horizonte planejada para abrigar edifícios do governo estadual Praça Raul Soares, outra praça pública próxima no Centro de Belo Horizonte Parque Municipal Américo Renné Giannetti, parque público histórico próximo à Praça Sete e ao Centro de Belo Horizonte Edifício Acaiaca, arrancho-céu art déco próximo à Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte Lista de praças de Belo Horizonte

Notas

Referências

Leitura adicional

Ligações externas

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