O Palácio Monroe foi uma edificação eclética localizada na Cinelândia, no centro da cidade brasileira do Rio de Janeiro, no estado homônimo. Abrigou o Senado Federal entre 1925 e 1960, embora fosse considerado pequeno para a função. Entre 1914 e 1922, o edifício também abrigou a Câmara dos Deputados como sede temporária, enquanto o Palácio Tiradentes era construído.

Com metros quadrados de área construída, tinha elementos de sua composição arquitetônica que se inscrevem na linguagem geral do ecletismo, num estilo híbrido, caracterizado por uma combinação liberal de diversas origens que marcou uma época de transição na arquitetura brasileira.

O prédio foi demolido em 1976, por ordem da ditadura militar sob Ernesto Geisel, após a mudança da capital federal para Brasília, e uma campanha midiática em prol da demolição liderada por Lúcio Costa e pelo jornal O Globo, apesar de protestos da sociedade civil.

miniaturadaimagem|Palácio Monroe em 1910, na procissão fúnebre de Joaquim Nabuco. miniaturadaimagem|Palácio Monroe em 1912. miniaturadaimagem|O palácio em um cartão-postal. miniaturadaimagem|Fotografia do interior do palácio, mostrando o plenário do Senado. miniaturadaimagem|Demolição do Palácio Monroe. miniaturadaimagem|Alguns dos objetos oriundos do Palácio Monroe, encontrados em 2015.miniaturadaimagem|Planta do 1° pavimento do Palácio Monroe, 1924. Arquivo Nacional.

História Projeto e construção Inicialmente chamado de Pavilhão São Luiz, o prédio foi projetado para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de 1904, ocorrida em St. Louis, nos Estados Unidos. Conforme especificado pela Cláusula 1.ª do Aviso n.º 148 de 3 de julho de 1903:

"Na construção do Pavilhão se terá em vista aproveitar toda a estrutura, de modo a poder-se reconstruí-lo nesta capital."

Desse modo, o arquiteto e engenheiro militar, Coronel Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, concebeu uma estrutura metálica capaz de ser totalmente desmontada, erguendo-a, como previsto, em Saint-Louis. A imprensa norte-americana não poupou elogios à estrutura, destacando-a pela sua beleza, harmonia de linhas e qualidade do espaço. O pavilhão conquistou o principal prêmio arquitetônico da exposição.

Apesar da ideia original prever o completo desmonte, transporte e reconstrução do pavilhão no Rio de Janeiro, isto não aconteceu de fato devido a atrasos do governo brasileiro na execução do projeto. Ainda que baseado no projeto arquitetônico original, o pavilhão montado em Saint-Louis era feito de madeira e cal sobre uma estrutura de ferro, e apenas a cúpula e a estrutura que sustentava o pavilhão foram trazidas para o Brasil. Reinauguração Desmontado ao final do evento, o pavilhão foi reconstruído e reinaugurado em 1906, na Cinelândia, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, para sediar a Terceira Conferência Pan-Americana. Sua fachada eclética fazia parte de um conjunto arquitetônico na Cinelândia, com os edifícios da Biblioteca Nacional, do Theatro Municipal e do Museu Nacional de Belas Artes. O Barão do Rio Branco, por sugestão de Joaquim Nabuco, propôs que, ao Palácio de Saint-Louis, como era conhecido, fosse dado o nome de Palácio Monroe, em homenagem ao ex-presidente norte-americano James Monroe, criador do pan-americanismo.

Entre 1914 e 1922, o Palácio Monroe foi sede provisória da Câmara dos Deputados, enquanto o Palácio Tiradentes era construído. A imagem do local ilustrou cédulas de duzentos réis emitidas em 1919. O palácio também sediou a Comissão Executiva da Exposição do Centenário da Independência do Brasil, a partir de junho de 1922.

Com a inauguração do Palácio Tiradentes, o Senado Federal do Brasil passou a utilizar o Monroe como sua sede a partir de 1925, após obras de um ano e meio reformulando seu interior, que incluíram a instalação de elevadores, à época uma novidade; em substituição ao Palácio do Conde dos Arcos, que se considerava estar em estado precário. A sessão inaugural do Senado no Monroe ocorreu em 3 de maio de 1925, presidida pelo vice-presidente da República Estácio Coimbra.

Na Revolução de 1930, o palácio foi quartel-general das tropas de Getúlio Vargas. O Senado Federal esteve fechado durante o Estado Novo (1937-1945), ao longo do qual o edifício abrigou o Ministério da Justiça e o Departamento de Imprensa e Propaganda. Ao término do regime, serviu como sede provisória do Tribunal Superior Eleitoral, entre 1945 e 1946. Após o retorno do Senado, em meados da década de 1950, o Palácio sofreu uma obra de ampliação que lhe acrescentou um pavimento e ocupou o espaço das duas rotundas laterais, que eram vazias e serviam apenas como varandas decorativas. Com a mudança do Distrito Federal para Brasília, em 1960, o Monroe passou a exercer a função de escritório de representação do Senado no Rio de Janeiro, chamado de "Senadinho".

Na época da ditadura militar brasileira, foi transformado em sede do Estado-Maior das Forças Armadas. Em 1974, durante as obras de construção do metrô do Rio de Janeiro, o traçado dos túneis foi desviado para não afetar as fundações do palácio. Nessa época, o governo estadual decretou o seu tombamento. Uma campanha mobilizada pelo jornal O Globo, com o apoio de arquitetos modernistas como Lúcio Costa, pediu a demolição do Palácio Monroe, sob alegações estéticas e de que o prédio "atrapalhava o trânsito". No entanto, o então presidente Ernesto Geisel, que também não era favorável ao edifício, sob a alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, não concedeu o decreto federal de tombamento e, em 9 de outubro de 1975, ordenou sua demolição, que foi executada entre janeiro e junho de 1976. No terreno assim desocupado, foi construída uma praça (Praça Mahatma Gandhi) com um chafariz monumental, originalmente instalado na Praça XV; e um estacionamento privado subterrâneo inaugurado em 2002.

Protestos

Houve aqueles que lutaram pela permanência do palácio. O Clube de Engenharia, o Jornal do Brasil e o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), apoiados por Roberto Burle Marx e outras personalidades, lançaram um manifesto pela preservação do edifício, que contou com a adesão de 162 arquitetos e urbanistas. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro também defendeu a manutenção do Monroe. Uma enquete com transeuntes leigos no Centro do Rio, feita pelo jornal Ultima Hora em julho de 1975, apontou a oposição da maioria destes à demolição.

Na edição de 28/01/1976 do Jornal do Brasil (Primeiro caderno, pág. 7), era noticiada a tentativa de impedimento da demolição por meio de ação popular. Neste período, final de janeiro de 1976, o palácio já se encontrava sem janelas e cúpula. Segundo Durval Lobo, chefe da Divisão Técnica Especializada de Urbanismo do Clube de Engenharia, um mandado de segurança seria a única forma de salvar o prédio. Durante sua demolição, chegou a cogitar-se transformar o palácio em sede e museu do IAB, por meio do deputado Jorge Arbage (ARENA-PA), como noticiado pelo Jornal do Brasil em 9 de março de 1976, pág. 8.

No Diário de Notícias de 10 de janeiro de 1976 (pág. 2), Louis de Souza Aguiar, filho do construtor do palácio, reafirmou, em protesto, sua decisão de doar ao governo norte-americano a medalha conquistada pelo seu pai no concurso mundial de arquitetura.

Demolição A demolição foi realizada pela Aghil Comércio de Ferro Ltda., e foi orçada em cruzeiros. A firma contratada para a demolição afirmava que pretendia faturar o máximo com a venda de objetos de arte e material aproveitável do palácio, de forma a recuperar os duzentos mil cruzeiros investidos. Seis dos oito anjos de bronze que adornavam a cúpula foram vendidos por 10 mil cruzeiros, e os dois últimos, por 25 mil. Os vitrais de valor histórico, ainda não orçados, foram desmontados por uma empresa especializada contratada pela Aghil. O Diário de Notícias apurou, no início de 1976, que apenas com a venda de três mil toneladas de ferro, era possível arrecadar nove milhões de cruzeiros. As vendas dos objetos e materiais do Monroe foram conduzidas de modo informal por Antônio Gonçalves da Silva, funcionário da Aghil encarregado da demolição.

Dois dos quatro leões de mármore de Carrara que adornavam o palácio foram vendidos para o fazendeiro proprietário da Fazenda São Geraldo, em Uberaba; e os outros dois, inicialmente vendidos para outro fazendeiro de Teresópolis, foram adquiridos posteriormente pelo Instituto Ricardo Brennand, na cidade de Recife, onde hoje se encontram. Os vitrais e as colunas de mármore da fachada foram comprados pelo empresário Sérgio Castro, e doados ao acervo do Museu Histórico Nacional. Outros vitrais foram adquiridos por um restaurante da Barra da Tijuca, e por um grupo de arquitetos paulistas. Alguns objetos do Monroe, como as mesas e microfones do plenário, e um busto de Ruy Barbosa, encontram-se na atual sede do Senado, em Brasília. Há registro de itens oriundos do palácio vendidos em leilão eletrônico, em 2013, e outros que seguiam à venda.

O documentário "Crônica da Demolição" (2015), dirigido por Eduardo Ades, retrata a história do prédio, os interesses por trás da demolição, e usa o episódio como fio condutor para discutir as transformações da cidade do Rio de Janeiro.

Proposta de reconstrução Em 2002, o então prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, declarou ter a intenção de reconstruir o Palácio Monroe, no mesmo local onde ele se situava na Cinelândia. Pelo projeto, a parte externa do prédio seria idêntica à do palácio original, enquanto a área interna seria livremente planejada pelos arquitetos, podendo servir como local de cultos ou exposições. Após discussões e críticas, o projeto não seguiu adiante. Apesar disto, a proposta de reconstrução seguiu sendo tópico de debate ao longo dos anos seguintes, nos campos patrimonial e arquitetônico, assim como o legado do palácio e os efeitos de sua ausência, tanto do ponto de vista cultural, como para os arredores da Cinelândia.

Objetos encontrados em 2015

Em 2015, foram encontrados vários objetos perdidos do Monroe, que estavam no depósito do museu do Senado Federal. O material estava em 16 caixas que vieram do palácio e nunca haviam sido abertas. As peças passaram por higienização, identificação, fichamento e restauração. Entre as peças, encontram-se lustres de 1,8 m de altura, adornados com rosáceas douradas e bulbos de cristais, que agora fazem parte do patrimônio do Senado Federal.

Ver também Distrito Federal do Brasil (1891–1960) Palácio do Conde dos Arcos Palácio do Congresso Nacional Congresso Nacional do Brasil Senado Federal do Brasil Câmara dos Deputados do Brasil Belle Époque brasileira

Bibliografia

AGUIAR, Louis de Souza. Palácio Monroe: da Glória ao Opróbrio. Editora Arte Moderna. 1976. DRUMMOND, Carlos Eduardo. Tempos Modernos - O Rio metrópole, a Exposição de 1922 e a incrível história do Palácio que desapareceu durante a Ditadura Militar. Litteris Editora. 2024.

Ligações externas

Alma Carioca Fotos da Demolição do Palácio Monroe Palácio Monroe - UFRJ Reportagem do RJTV - Rede Globo Era uma vez um palácio: o Senado no Monroe: parte II [gravação de som]. Documentário em áudio da Rádio Senado, com depoimentos de Eduardo Ades, Cesar Maia, Fernando Atique (Unifesp), Leonardo Dantas (Instituto Brennand) e Rodrigo Paraizo (UFRJ). Lista de acervo museológico do Senado. Elenco de peças oriundas do Monroe e das demais sedes. Crônica da Demolição. Sinopse, apresentação e ficha do documentário sobre a derrubada do Monroe.

Monroe Categoria:Construções demolidas da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Arquitetura eclética no Brasil Categoria:Belle Époque fluminense Categoria:Senado Federal do Brasil Categoria:Antigas sedes de parlamentos nacionais