Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (ou simplesmente Estação Primeira de Mangueira) é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Mangueira. A agremiação foi fundada em 28 de abril de 1928 por sambistas como Cartola, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Saturnino Gonçalves, Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pedro Caim (Paquetá) e Abelardo da Bolinha. A escola tem como cores oficias o verde e o rosa, cores que segundo conta a história foram escolhidas pelo compositor Cartola que também foi quem a batizou escolhendo o nome "Estação Primeira". A sua quadra, conhecida como "Palácio do Samba", fica localizada na Rua Visconde de Niterói, número 1072, em Mangueira.
A Mangueira ocupa o posto de segunda maior vencedora do carnaval do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas da Portela. A verde-e-rosa possui vinte títulos, conquistados nos carnavais de , , , , , , , , , , , , 1984 (campeã e supercampeã), , , , , e . Também é a escola com mais vice-campeonatos (dezenove). Venceu o primeiro desfile de escola de samba da história, realizado no carnaval de 1932 realizado pelo Jornal Mundo Sportivo. Na inauguração do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no carnaval de 1984, conquistou dois títulos: Campeã e Supercampeã, naquele ano que marcou a inauguração do Sambódromo, foram realizados duas competições. Foi a primeira escola a criar uma Ala de Compositores, fundada em 20 de janeiro de 1939, por iniciativa de Cartola. Em 2020, a Ala de Compositores foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Em 2024, a Velha Guarda da Mangueira foi declarada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da cidade do Rio de Janeiro. A Mangueira é a maior vencedora do prêmio Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval carioca", além de possuir diversas outras premiações. Em 2001, a escola foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural.
Entre os clássicos sambas da escola estão: "Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?" (1988); "E Deu a Louca no Barroco" (1990); "Atrás da Verde e Rosa Só não Vai Quem Já Morreu" (1994); "Brazil com 'Z' É pra Cabra da Peste, Brasil com 'S' É Nação do Nordeste" (2002); e "História pra Ninar Gente Grande" (2019). A escola tem um vasto histórico de desfiles em homenagem a ícones da cultura popular brasileira. Alguns renderam títulos pra escola como Monteiro Lobato em 1967; Braguinha em 1984; Dorival Caymmi em 1986; Getúlio Vargas em 1956; Carlos Drummond de Andrade em 1987; Chico Buarque em 1998; e Maria Bethânia em 2016. A escola também já homenageou Heitor Villa-Lobos em 1966, Tom Jobim em 1992, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 1981, a compositora Chiquinha Gonzaga, em 1985, a cantora Alcione, em 2024, entre outros.
A bateria da escola é chamada de "Tem que Respeitar Meu Tamborim" e tem como característica usar o surdo de primeira como única marcação. Entre os baluartes que fizeram história na escola estão Dona Neuma; Dona Zica; o cantor Jamelão (intérprete da escola por 57 anos); os compositores Nelson Sargento e Hélio Turco; o mestre-sala Delegado; as porta-bandeiras Neide e Mocinha; o diretor de harmonia e intérprete Xangô da Mangueira, o cantor, ritmista, compositor, ator e comediante Mussum, Fora do carnaval, a Mangueira mantém diversos projetos sociais com o auxílio de empresas parceiras e dos governos federal, estadual e municipal, como a Vila Olímpica da Mangueira, atualmente denominada de Programa Social da Mangueira, a escola de samba mirim Mangueira do Amanhã, o Camp Mangueira , a Associação Ambiental Mangueira Sustentável, o Instituto Profissionalizante Mangueira, entre outros.
Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|O Morro da Mangueira, berço da escola de samba, em imagem de 2014.|300x300px A Estação Primeira de Mangueira teve origem no Morro de Mangueira, posteriormente bairro de Mangueira, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. A Mangueira serviu de abrigo e moradia para escravos, alforriados e seus descendentes, concentrados principalmente na região conhecida como Candelária, localizada próximo a Quinta da Boa Vista, e no Buraco Quente, também habitava a Mangueira, muitos portugueses migrantes, principalmente no Telégrafo, onde eram maioria e no Buraco Quente com forte presença, ao longo de toda a Visconde de Niterói, havia ainda espanhóis, franceses, ciganos, italianos e mais tarde libaneses cada povo levando parte de suas manifestações para a localidade os negros as manifestações culturais e religiosas características das nações africanas, como o omolocô, o candomblé e a batucada. Alguns casebres serviam de templos religiosos, como o terreiro de Dona Gerônima mãe de Tia Tomázia, mais tarde outros terreiros como o de de Tia Fé (Benedicta de Oliveira), onde eram realizadas cerimônias religiosas seguidas de cantoria e batucada. A partir da década de 1910, começaram a surgir grupos carnavalescos em Mangueira, como os cordões Guerreiros da Montanha (com sede na casa de Tia Chiquinha Portuguesa) e Trunfos da Mangueira (sediado na casa de Leopoldo da Santinha), ambos na localidade conhecida como Buraco Quente. Nos cordões, um grupo de mascarados, conduzidos por um mestre com um apito, acompanhava uma orquestra de percussão. Menos primitivos que os cordões, surgiram os ranchos, que se destacaram por permitir a participação das mulheres nos cortejos e por trazerem inovações tais como: alegorias, uso do enredo, instrumentação de sopro e cordas e o casal de dançarinos baliza e porta-estandarte (o que mais tarde originaria o casal de mestre-sala e porta-bandeira). Três ranchos se destacaram em Mangueira: Pérolas do Egypto (fundado em 1910 por Tia Fé), Pingo de Amor e Príncipes da Mata (depois renomeado para Príncipe da Floresta). A partir de 1920, surgiram os blocos carnavalescos, unindo elementos dos cordões e dos ranchos. Em Mangueira, destacaram-se os blocos de Tia Tomázia e Mestre Candinho, o de Zé das Pastourinhas, o Velha Guarda de Mangueira (Não confundir com a Ala da Velha Guarda) entre outros, todos tradicionais e que permitiam apenas a participação de grupos familiares. Os rapazes jovens e solteiros moradores da localidade não eram autorizados a participar, por estarem constantemente embriagados e causar confusões o que resultou em 1923, na fundação do Bloco dos Arengueiros. O bloco era formado majoritariamente por homens e, como o próprio nome sugere, foi criado com o intuito de reunir os sambistas arruaceiros da região. Os participantes saiam às ruas vestidos de mulher, caçando briga com os outros blocos que encontrassem desfilando. Algumas confusões resultaram em prisões. Participaram da fundação do bloco: Carlos Cachaça, Cartola, Babaú da Mangueira, Saturnino Gonçalves, Arthur Gonçalves, Antonico, Fiúca, Francisco Ribeiro (Chico Porrão), Homem Bom, Gradim, Manoel Joaquim, Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pimenta, Rubens e Zé Espinguela, seu mentor O Bloco dos Arengueiros conquistou popularidade no Morro de Mangueira, sendo convidados para participar de outros blocos da região. Ainda assim, havia uma divisão entre os blocos tradicionais e o bloco dos arruaceiros, e os participantes dos Arengueiros não conseguiam se encaixar nos demais blocos. Após cinco carnavais, os participantes do Bloco dos Arengueiros propuseram unir todos os blocos de Mangueira para desfilar na Praça Onze. Na época, Cartola escrevera o samba "Chega de demanda", que seria o primeiro samba da Estação Primeira de Mangueira. No samba, Cartola conclama a união de todos os blocos da região ("Chega de demanda, chega / Com este time temos que ganhar / Somos da Estação Primeira / Salve o Morro de Mangueira").
Fundação miniaturadaimagem|O cantor e compositor Cartola foi um dos fundadores da escola.|300x300px Segundo a própria escola de samba, a Estação Primeira de Mangueira foi fundada no dia 28 de abril de 1928, por Cartola, Zé Espinguela, Saturnino Gonçalves, Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pedro Caim (Paquetá) e Abelardo da Bolinha. A fundação foi no Terreiro de Tia Fé, pessoa de grande importância na história do Morro de Mangueira. Carlos Cachaça foi reconhecido como fundador, apesar de não estar presente durante a reunião de fundação. Os participantes do Bloco dos Arengueiros se reuniram na casa de Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), na Travessa Saião Lobato, número 21, no Buraco Quente, em Mangueira e fundaram o Bloco Carnavalesco Estação Primeira. A denominação "escola de samba", criada pelos sambistas do Estácio, só foi incorporada em 1931, mas há registros históricos do uso do sufixmo "Bloco Carnavalesco", ainda em 1938. Em 1934 houve a inclusão dos termos "Grêmio Recreativo". E apenas no final da década de 1960 houve a inclusão "de Mangueira". Foram escolhidos: Saturnino Gonçalves como primeiro presidente da escola; Francisco Ribeiro (Chico Porrão) como tesoureiro; Pedro Caim como secretário; Carlos Cachaça como orador; e Cartola como diretor de harmonia. A primeira sede da agremiação foi instalada na Travessa Saião Lobato, número sete, no Buraco Quente, em Mangueira.
Atributos
Nome O nome da agremiação foi escolhido por Cartola, por ser, a Estação Mangueira, a primeira estação no trajeto entre a Central do Brasil e o subúrbio carioca, onde havia samba.
Cores A Mangueira tem como cores o verde e o rosa, escolhidas por Cartola em referência ao Rancho do Arrepiado, frequentado por seu pai, quando morava em Laranjeiras. Há outras versões que as cores foram escolhidas por motivações políticas sendo as cores do Bloco Pingo do Amor, já existente em Mangueira
Símbolos No início de sua história, a Mangueira não tinha um símbolo definido. A cada ano era bordado um símbolo diferente na bandeira da agremiação. Já foram utilizados como símbolos: violão, pandeiro, tamborim, clarin, e até mesmo uma águia, igual a da Portela. No início da década de 1960, na gestão de Roberto Paulino como presidente, a escola instituiu seu símbolo definitivo. Idealizado por Manuel Pereira Filho (Beleléu) e desenhado por Darque Dias Moreira (Sinhôzinho), o símbolo da Mangueira consiste em um tambor surdo, encimado por uma coroa, e com ramos de louro em volta. O tambor simboliza o samba; a coroa representa a Mangueira como a "rainha do samba"; e os louros significam as vitórias da agremiação. O símbolo foi registrado por Beleléu no Departamento de Censura, sendo adotado definitivamente pela escola.
Bandeira A bandeira da escola é formada por um retângulo com dezesseis polígonos ou raios, dispostos em cores alternadas — oito verdes e oito rosas —, que convergem para um octógono verde, com bordas douradas, situado no centro do pavilhão. O Pavilhão Oficial mede 1,22 metro por 0,89 metro e possui franjas douradas em suas bordas. O octógono central contém o brasão da agremiação.
Conforme os artigos 7.º e 8.º do Estatuto Social registrado em 2023, o brasão apresenta estrelas douradas em número igual ao dos campeonatos conquistados pelo Grêmio nos desfiles oficiais das escolas de samba. Entre elas, destaca-se uma estrela maior, posicionada ao centro, que representa o título de Supercampeã do Carnaval de 1984. Abaixo das estrelas encontra-se uma coroa dourada, com bordados em formato de pedras preciosas nas cores verde — Pantone 341 C ou U — e rosa — Pantone 053C ou U Process Magenta. Na impressão em policromia, o Estatuto também admite, para o verde, a composição de 100% de ciano, 100% de amarelo e 40% de magenta e, para o rosa, 100% de magenta. Os elementos em forma de losango presentes na coroa simbolizam as Folias de Reis, manifestações que estiveram na origem dos ranchos carnavalescos e, posteriormente, das escolas de samba.