Rodolfo Gonçalves Leite de Abrantes (Sobradinho, 20 de setembro de 1972), é um cantor, compositor, músico e ministro evangélico brasileiro.
Rodolfo se tornou conhecido em todo o país com a banda Raimundos. A mistura de hardcore punk e forró (forrocore) e as letras escrachadas deram fama ao grupo em 1994 com o primeiro disco, auto-intitulado. Em 1995, Lavô Tá Novo os fez estourar, com músicas de altíssima rotação em rádios e na MTV. Em 1997 a banda lançou Lapadas do Povo, mas seu maior sucesso foi em 1999, com a canção "Mulher de Fases", do disco Só no Forévis. Com o Raimundos, vendeu em torno de 5 milhões de cópias.
Em junho de 2001, após se converter ao protestantismo, anunciou que estava deixando o Raimundos por considerar que as letras das canções e o estilo de vida que levava na banda haviam tornando-se incompatíveis com sua visão religiosa. Em seguida, começou um novo grupo, chamado Rodox, com o qual gravou dois discos: Estreito (2002) e Rodox (2003). Por causa de uma briga em um show em Salvador, a banda teve seu fim anunciado em 2004. Desde 2006, tem uma carreira como artista solo e já lançou quatro discos. Atualmente, segue carreira solo no cenário cristão, passeando do chamado "worship" ou "música de igreja", até o hardrock, por exemplo. Está em turnê com banda, tocando clássicos da sua carreira solo e Rodox.
Biografia Formação Como muitos brasilienses, Rodolfo é filho de nordestinos. Seus pais eram médicos provenientes do estado da Paraíba. Na sua infância seu pai teve uma filha fora do casamento, e apesar de não se divorciarem o casal começou a brigar constantemente, gerando o que Rodolfo declarou ser um clima que desagradava muito ele e o irmão.
O orgulho de ser brasiliense se afirmou nos anos 80 com as bandas do Rock brasileiro vindas de Brasília. Em particular o grupo Detrito Federal o tornou entusiasta do punk rock. Também foi fã do cantor Zenilton, que declarou ser o único forró que ele gostava: "Minha família é da Paraíba, e eu me lembro que desde os dez anos, eu sempre ia naqueles churrascos com os meus pais. Tocava forró o tempo inteiro, e eu achava aquilo um saco. Só gostava das canções do Zenilton, por causa das letras sacanas, achava aquilo muito fera." Enquanto tocava bateria em casa, no Lago Sul, chamou a atenção de seu vizinho Digão, que também tinha interesse em música, e ambos se tornaram amigos, tocando ao ponto de formarem uma banda junto do guitarrista Dedé Maden, que se desmanchou quando Digão se uniu à banda Filhos de Mengele. Digão também levava Rodolfo no clube Gilbertinho, onde se enturmou com os punks da cidade e foi introduzido à maconha. Também conheceram Canisso, que era sete anos mais velho que Rodolfo e além de acompanhar a dupla voltando do Gilbertinho passou a levá-los de carro para outros lugares.
Carreira Raimundos
Digão trazia o Filhos de Mengele para ensaiar em sua casa, e como deixavam equipamento para trás, ele trazia para tocar Rodolfo, bem como Canisso e o cantor do Filhos de Mengele, Martin "Telo" Luthero. Naquela época, Rodolfo tocava guitarra e Digão bateria. Logo, se reuniram para jogar conversa fora e tocar as músicas de seu grupo favorito, os Ramones. Segundo Rodolfo, o amplificador utilizado por ele era tão ruim que ficava igual. Mas faltava um baixista. A sugestão de Rodolfo foi chamar Canisso, pois ele daria um visual "arrojado" para a banda. A influência nordestina dos Raimundos é, em boa parte, de Rodolfo: a cultura nordestina sempre esteve presente em sua vida. Quando ele conseguiu tocar "Rio das Pedras", de Zenilton, na guitarra, o grupo percebeu que tinha a simplicidade musical do punk e podiam fazer forró no ritmo hardcore, e estava definida a fonte de inspiração da banda. Também batizaram o grupo como Raimundos para evocar o "forró tocado pelos Ramones" transplantando a outra banda para um contexto brasileiro.
O negócio começou a ficar um pouco mais sério, e as primeiras composições começaram a surgir. E foi no réveillon de 1988, na casa do amigo Gabriel Thomaz, que aconteceu o considerado primeiro show dos Raimundos. O próximo passo era a divulgação através de shows em pequenos bares de Brasília e, principalmente, festas. Em 1990, a banda se separa. Depois, Rodolfo se casou e foi morar no Rio de Janeiro.
Em 1992, surgiu uma oportunidade de tocar em um bar em Goiânia e a decisão foi unânime: a banda seria ressuscitada. Porém, como não tinham mais baterista (Digão agora era guitarrista, deixando Rodolfo livre para o vocal), a saída foi apelar para uma bateria eletrônica. Fred, que já era fã do grupo, foi recrutado para a bateria, dando um direcionamento mais sério para a banda. A fita demo do grupo foi gravada em 1993, e continha quatro músicas: "Nêga Jurema", "Marujo", "Palhas do Coqueiro" e "Sanidade".
Com a gravação da fita demo, o grupo cresceu, e foi no festival JuntaTribo, realizado pelo fanzine Broken Strings em Campinas, que a banda começou realmente a chamar a atenção. Depois disso, começaram a abrir shows: para o Camisa de Vênus, Ratos de Porão no Circo Voador e uma temporada completa para os Titãs. Um jornalista brasiliense, tendo uma cópia da fita demo em mãos, entrou em contato com um amigo jornalista da revista musical Bizz, Carlos Eduardo Miranda. Este trouxe o grupo para seu selo Banguela Records e produziu o álbum Raimundos, lançado em 1994 com grande sucesso. A partir daí a banda passa a morar em São Paulo. Quando o grupo foi apresentado aos seus maiores ídolos, os Ramones, Rodolfo foi conhecer sua eventual esposa Alexandra, que era tradutora dos Ramones.
Depois do primeiro disco vender quase 200 mil cópias, a banda lançou o segundo álbum, Lavô Tá Novo, pela gravadora Warner. Com o sucesso, a turnê aumentou e se estendeu (inclusive com shows no exterior), e para cobrir um espaço sem lançar nada e, aproveitando a época de natal, a banda resolveu lançar em 1996 um kit para os fãs. Batizado de Cesta Básica, o Box-Set contendo CD, fita de vídeo (com clipes, entrevistas contando a carreira da banda e trechos de shows) e revista em quadrinhos, baseada na história da música "Puteiro em João Pessoa", que aborda a perda da virgindade de Rodolfo em um Motel da Paraíba, o kit se esgotou em poucos meses.
Em 1997 vão até Los Angeles para gravar Lapadas do Povo. O disco deixa de lado letras e melodias engraçadas, investe no peso e em letras mais sérias. O grupo considerou o disco "um presente para os fãs", mas apesar de boas críticas vendeu menos que os predecessores. A turnê também foi marcada por um desastre, onde após um show em Santos, a falta de uma quantidade ideal de saídas para o público culminou em um aglomerado em apenas uma das saídas, resultando em um acidente causado pela queda de um corrimão em uma escada de dois metros e meio. Vários fãs foram pisoteados pela multidão assustada, causando a morte de oito presentes. O grupo, que só foi informado do ocorrido quando já estava no hotel, ficou chocado e bastante triste com o ocorrido. Por causa disto, a divulgação inicial do álbum foi prejudicada por dois meses. Parte da imprensa culpou o grupo pelo acidente, o que atrapalhou ainda mais a turnê.
Finalizada a turnê do Lapadas do Povo, a banda começa a planejar e a traçar os preparativos para o novo álbum. Em mente, tinham apenas a certeza que o melhor seria que o álbum fosse todo gravado no Brasil, com a participação ou presença de vários amigos, pois só assim conseguiriam retornar ao verdadeiro estilo da banda, e sobretudo fazer um álbum alegre, para cima. Em maio de 1999, o grupo lançou o CD Só no Forévis. A música "Mulher de Fases" já estava estourada nas rádios e o clipe em rotação extrema na MTV, garantindo à banda dois prêmios no VMB. Depois de "Mulher de Fases", veio a balada "A Mais Pedida", que também recebeu muitos elogios e uma boa aceitação do público. A terceira música do álbum foi "Me Lambe". O sucesso destas músicas garantiu ao grupo participações em programas de rádio e tevê. O resultado desta excelente aceitação foram mais de 500 mil cópias do álbum vendidas, batendo todos os anteriores, e a maior turnê que a banda já fez.
Depois do Só no Forévis, em 2000, veio o disco ao vivo, intitulado MTV Ao Vivo (Raimundos). O MTV Ao Vivo era um novo projeto da MTV que consistia em gravações de shows de bandas consagradas que viriam a se transformar em CD e DVD. E a primeira banda escolhida foi, então, os Raimundos. A banda se encarregou de gravar o material em várias apresentações. O álbum foi lançado no final de outubro de 2000. O álbum, como Só no Forévis, teve vendagem muito boa, fazendo que os Raimundos, em 1999 e 2000, vendessem mais de um milhão de cópias. Uma das músicas do show, "Reggae do Manêro", canção escrita à época de Lapadas do Povo mas que Rodolfo não quis incluir no álbum por achar que essa música era uma brincadeira e tinha coisas muito escrachadas, acabou se tornando sucesso nas rádios. Rodolfo ressentiu a gravadora "querer um reggae horroroso pra ser música de trabalho", com uma música escrita como deboche "tocando mil vezes na rádio falando a maior besteira do mundo." Depois do final da turnê do disco MTV Ao Vivo, Rodolfo abandonou a banda em junho de 2001, pois havia se convertido ao protestantismo e a banda já não fazia mais sentido para ele. Acrescentou que apesar do sucesso ter vindo de canções debochadas "eu não quero levar a minha vida na brincadeira, eu não sou dos Trapalhões", e considerava que a banda não teria espaço para composições mais sérias. Embora não credite o fato de ter deixado a banda à conversão à igreja, assuma que uma coisa esteja ligada a outra, além de estar abusando demais das drogas. A maconha, como ele diz, "dava as coordenadas". Além da erva, usou também ácido, ecstasy e cocaína.
Rodox
Rodolfo Abrantes, depois de sair dos Raimundos no auge da carreira, sumiu por um tempo do cenário musical. Muitos pensavam que ele não iria mais tocar, mas por esse período ele estava compondo, tocando e gravando junto com o DJ Bob. Tom Capone foi chamado para produzir e tocar, e para a bateria foi chamado o Fernando Schaefer (ex-Pavilhão 9 e Korzus). Foi formado em 2002 o Rodox, banda que foi batizada com o apelido de Rodolfo, quando ele precisava gravar dois álbuns como dívida contratual à gravadora dos Raimundos. Seguindo uma sonoridade um tanto mais pesada que sua ex-banda, puxando mais pro hardcore que pro punk rock, surgiu Estreito, totalmente composto por Rodolfo com participações de DJ Bob, responsável pelas pitadas experimentais de música eletrônica, com samplers e sintetizadores, soando nu metal em algumas faixas.
Depois de provar que era uma banda que podia ter futuro, em 2003, Rodox entra no estúdio, já como uma banda formada, com Bob, Fernandão, Patrick Laplan, Marcão, Pedro e Rodolfo, e começam a compor, tocar, gravar e mixar, fazendo músicas com barulhos eletrônicos, bateria irrequieta, guitarras simplesmente pesadas e um baixo de agitar multidões. A banda lança seu segundo e último álbum, seguindo a linha de Estreito, Rodox é melhor elaborado e igualmente pesado, mas sua temática pouco mudou. Durante a turnê deste álbum, Patrick Laplan sai da banda, e Canisso que sairá dos Raimundos em 2002 assume o baixo. A banda contou ainda com algumas mudanças em sua formação, e com Rodolfo cancelando shows em decorrência de suas pregações como pastor evangélico, o cenário foi ficando cada vez pior e a situação insustentável. Rodolfo declara que a banda acabou pois ele tentou evangelizar os demais integrantes da banda, o que não deu certo.
Carreira solo
Em 2006, Rodolfo lançou seu primeiro trabalho solo de música cristã, Santidade ao Senhor, com letras ainda mais explícitas quanto a sua nova fase.
Em 2007, lançou o segundo CD da carreira solo, Enquanto É Dia.