Roma ( ) é a capital da Itália e da região do Lácio, além de ser o centro da Cidade Metropolitana de Roma e de uma comuna especial. Com 2 860 009 residentes em 1 285 km², Roma é a comuna mais populosa do país e a terceira cidade mais populosa da União Europeia. A Cidade Metropolitana de Roma, com uma população de 4 355 725 habitantes, é a cidade metropolitana mais populosa da Itália e sua área metropolitana é a terceira mais populosa do país. A cidade está localizada na porção centro-oeste da Península Itálica, ao longo das margens do rio Tibre. Cidade do Vaticano (menor país do mundo) é um país independente dentro dos limites de Roma, o único exemplo existente de um país dentro de uma cidade no mundo. Roma é muitas vezes referida como a "Cidade das Sete Colinas" devido à sua localização geográfica, e também como a "Cidade Eterna", por conta de sua longa história, e porque ele inicia como uma cidade, mas depois ela se torna em um império. Roma é geralmente considerada o "berço da cultura e da civilização ocidental e cristã" e o centro da Igreja Católica.

A história de Roma abrange 28 séculos. Apesar da mitologia romana datar a fundação de Roma por volta de 753 a.C., o local é habitado há muito mais tempo, tornando-se um importante assentamento humano por quase três milênios e uma das mais antigas cidades continuamente ocupadas da Europa. A população inicial da cidade originou-se de uma mistura de latinos, etruscos e sabinos. Eventualmente, a cidade tornou-se sucessivamente a capital do Reino Romano, da República Romana e do Império Romano, sendo considerada por muitos como a primeira cidade e metrópole imperial. Foi chamada pela primeira vez de "Cidade Eterna" (; ) pelo poeta romano Tibulo no século I a.C. e a expressão também foi adotada por Ovídio, Virgílio e Lívio.Stephanie Malia Hom, "Consuming the View: Tourism, Rome, and the Topos of the Eternal City", Annali d'Igtalianistica 28:91–116 Roma também é chamada de "Caput Mundi" (Capital do Mundo).

Após a queda do Império Romano do Ocidente, que marcou o início da Idade Média, Roma caiu lentamente sob o controle político do Papado e, no século VIII, tornou-se a capital dos Estados Papais, que duraram até 1870. A partir do Renascimento, quase todos os papas desde Nicolau V (1447–1455) seguiram um programa arquitetônico e urbano coerente ao longo de quatrocentos anos, visando tornar a cidade o centro artístico e cultural do mundo. Desta forma, Roma tornou-se primeiro um dos principais centros do período renascentista e depois o berço do estilo barroco e do neoclassicismo. Artistas, pintores, escultores e arquitetos famosos fizeram de Roma o centro de sua atividade, criando obras-primas por toda a cidade. Em 1871, Roma tornou-se a capital do Reino da Itália, que, em 1946, tornou-se a República Italiana.

Em 2019, Roma foi a 11ª cidade mais visitada do mundo, com 10,1 milhões de turistas, a terceira mais visitada na União Europeia e o destino turístico mais popular da Itália. O seu centro histórico está classificado pela UNESCO como um Patrimônio Mundial. Cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 1960, Roma é também a sede de várias agências especializadas das Nações Unidas, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). A cidade também abriga a Secretaria da Assembleia Parlamentar da União para o Mediterrâneo (UpM), bem como a sede de muitas empresas internacionais, como Eni, Enel, TIM, Leonardo S.p.A., e bancos nacionais e internacionais, como Unicredit. O distrito de negócios EUR de Roma é o lar de muitas empresas da indústria petrolífera, farmacêutica e de serviços financeiros. A presença de renomadas marcas internacionais na cidade fez de Roma um importante centro de moda e design, e os estúdios Cinecittà foram cenário de muitos filmes vencedores do Oscar.

Etimologia De acordo com o mito fundador da cidade dos próprios romanos antigos, acredita-se que a longa tradição da origem do nome "Roma" venha do fundador e do primeiro rei da cidade, Rômulo.

No entanto, é uma possibilidade que o nome Rômulo tenha sido derivado da própria Roma. Já no século IV, havia teorias alternativas propostas sobre a origem do nome da cidade. Várias hipóteses foram lançadas com foco em raízes linguísticas incertas:Claudio Rendina, Roma Ieri, Oggi, Domani, Newton Compton, Roma, 2007, pg. 17

De Rumon ou Rumen, nome arcaico do rio Tibre, que por sua vez tem a mesma raiz do verbo grego ῥέω (rhèo) e do verbo latino ruo, que significam "fluxo";Hipótese originária do gramático romano Mário Sérvio Honorato. Da palavra etrusca ruma, cuja raiz é *rum-"tetina", com possível referência à loba que adotou e amamentou os gêmeos Rômulo e Remo, ou à forma dos montes Palatino e Aventino; Da palavra grega ῥώμη (rhōmē), que significa "força";Hipótese originária de Plutarco Na Bíblia (em Gênesis) o irmão de Abraão, Nacor, tinha uma concubina chamada Roma.

A origem do nome da divindade protetora de Roma é desconhecida. Provavelmente com a finalidade dos romanos se protegerem contra a fórmula que utilizavam antes de atacar as cidades inimigas; invocando o nome dessa divindade em seu benefício. Segundo os textos antigos o nome místico de Roma, Amor não podia ser reproduzido publicamente.

História

Fundação

Há evidências arqueológicas de ocupação humana da área de Roma há aproximadamente 14 000 anos, mas a camada densa de detritos muito mais jovens obscurece os sítios paleolíticos e neolíticos.Heiken, G., Funiciello, R. and De Rita, D. (2005), The Seven Hills of Rome: A Geological Tour of the Eternal City. Princeton University Press. Evidências de ferramentas de pedra, cerâmica e armas de pedra atestam cerca de 10 000 anos de presença humana. Várias escavações apoiam a visão de que Roma cresceu a partir de assentamentos pastorais no monte Palatino, construído acima da área que viria a se tornar o Fórum Romano. Entre o final da era do bronze e o início da era do ferro, cada colina entre o mar e o Capitólio era coberta por uma vila (no Capitólio, uma aldeia é atestada desde o final do ).Coarelli (1984) p. 9 No entanto, nenhuma delas ainda tinha uma característica urbana.

Atualmente, existe um amplo consenso de que a cidade nasceu gradualmente através da agregação ("sinecismo") de várias aldeias ao redor do maior, localizadas acima do Palatino. Esta agregação, que sinaliza a passagem de uma situação proto-urbana para uma situação urbana, foi permitida pelo aumento da produtividade agrícola acima do nível de subsistência, o que permitiu o estabelecimento de atividades secundárias e terciárias: por sua vez, isso impulsionou o desenvolvimento do comércio com as colônias gregas do sul da Itália (principalmente Ísquia e Cumas). Todos esses acontecimentos, que de acordo com as escavações arqueológicas ocorreram mais ou menos em meados do , podem ser considerados como o "nascimento" da cidade. Apesar das recentes escavações na colina do Palatino, a visão de que Roma foi fundada propositalmente em meados do , como a lenda sugere (a data da tradição de Rômulo), continua a ser uma hipótese marginal.

Lenda da fundação de Roma thumb|esquerda|Loba Capitolina amamenta os gêmeos Rômulo e Remo

As histórias tradicionais transmitidas pelos próprios antigos romanos explicam a história mais antiga de sua cidade em termos de lendas e mitos. O mais familiar desses mitos, e talvez o mais famoso de todos os mitos romanos, é a história de Rômulo e Remo, os gêmeos que foram amamentados por uma loba. Eles decidiram construir uma cidade, mas depois de uma discussão, Rômulo matou seu irmão e a cidade tomou seu nome. De acordo com os análogos romanos, isso aconteceu em 21 de abril de .Hermann & Hilgemann(1964), p.73 Esta lenda tinha que ser reconciliada com uma tradição dupla, estabelecida anteriormente, que o refugiado de Troia, Eneias, escapou para a Itália e criou a linhagem dos romanos através de seu filho Iulo, o homônimo da dinastia júlio-claudiana.

Monarquia e república

esquerda|thumb|O Fórum Romano foi durante a maior parte do período da Roma Antiga o centro político, jurídico, religioso e econômico da cidade e o centro nevrálgico de toda a civilização romana

Após a lendária fundação por Rômulo, Roma foi governada por um período de 244 anos por um sistema monárquico, inicialmente com soberanos de origem latina e sabina, mais tarde por reis etruscos. A tradição transmitiu sete reis: Rômulo, Numa Pompilius, Tullus Hostilius, Ancus Marcius, Tarquinius Priscus, Servius Tullius e Tarquínio, o Soberbo.

Em 509 a.C., os romanos expulsaram o último rei de sua cidade e estabeleceram uma república oligárquica. Roma então começou um período caracterizado por lutas internas entre patrícios (aristocratas) e plebeus (pequenos proprietários de terras), e por constantes guerras contra as populações da Itália central: etruscos, latinos, volscos, équos e marsos. Depois de se tornar mestre do Lácio, Roma liderou várias guerras (contra os gauleses, osci-samnitas e a colônia grega de Taranto, aliada de Pirro, rei de Epiro) cujo resultado foi a conquista da península italiana, da área central até a Magna Grécia.

Os séculos III e II a.C. testemunharam o estabelecimento da hegemonia romana sobre o Mediterrâneo e os Bálcãs, por meio das três Guerras Púnicas (264–146 a.C.) contra a cidade de Cartago e as três guerras romano-macedônicas (212–168 a.C.) contra a Macedônia. As primeiras províncias romanas foram estabelecidas nesta época: Sicília, Córsega e Sardenha, Hispânia, Macedônia, Acaia e África. thumb|A morte de César, por Vincenzo Camuccini , na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea, Roma

Desde o início do século II a.C., o poder era disputado entre dois grupos de aristocratas: os optimates, representando a parte conservadora do Senado, e os populares, que contavam com a ajuda da plebe (classe baixa urbana) para conquistar o poder. No mesmo período, a falência dos pequenos fazendeiros e o estabelecimento de grandes propriedades escravistas causaram a migração em grande escala para a cidade. A guerra contínua levou ao estabelecimento de um exército profissional, que se revelou mais leal aos generais do que à república. Por isso, na segunda metade do século II e durante o século I a.C. ocorreram conflitos internos e externos: após a tentativa fracassada de reforma social dos populares Tibério e Caio Graco, e a guerra contra Jugurta, houve uma primeira guerra civil entre Caio Mário e Sula. Seguiu-se uma grande revolta de escravos sob a liderança de Espártaco e, em seguida, o estabelecimento do Primeiro Triunvirato com César, Pompeu e Crasso.

A conquista da Gália tornou César imensamente poderoso e popular, o que levou a uma segunda guerra civil contra o Senado e Pompeu. Após sua vitória, César se estabeleceu como ditador perpétuo. Seu assassinato levou a um Segundo Triunvirato entre Otaviano (sobrinho-neto e herdeiro de César), Marco Antônio e Lépido, e a outra guerra civil entre Otaviano e Antônio.

Império

thumb|esquerda|O Império Romano em sua maior extensão no ano 117, aproximadamente 6,5 milhões de quilômetros quadrados de superfície terrestre thumb|esquerda|Maquete da Roma Antiga durante o reinado de Constantino (306–337)