Sexta-Feira 13 - Parte 2 () é um filme americano de terror de 1981, produzido e dirigido por Steve Miner e escrito por Ron Kurz. É a sequência de Friday the 13th (1980) e o segundo filme da franquia homônima. Amy Steel e John Furey interpretam os papéis principais, enquanto Adrienne King, Betsy Palmer e Walt Gorney retornam em seus papéis da primeira parte. No enredo, um grupo de monitores de acampamento chega a um centro de treinamento perto de Crystal Lake, porém, um agressor desconhecido começa a assassiná-los. O longa-metragem é o primeiro a apresentar Jason Voorhees como o principal antagonista, uma tendência que se manteve nas demais sequências da série.
A produção não foi inicialmente planejada como uma sequência direta, mas sim como parte de uma cinessérie antológica baseada na superstição da sexta-feira 13. No entanto, diante da popularidade do final surpresa do primeiro filme, os cineastas optaram por reviver Jason e continuar com a história e a mitologia em torno do acampamento de Crystal Lake. As filmagens ocorreram entre outubro e novembro de 1980 em regiões interioranas de Connecticut. Assim como o longa original, Friday the 13th Part 2 enfrentou oposição da Motion Picture Association of America, que considerou sua "violência acumulativa" como problemática e exigiu vários cortes para permitir que o filme fosse exibido nos cinemas com uma classificação etária mais branda.
O filme chegou aos cinemas da América do Norte em 1 de maio de 1981. Embora não tenha sido tão lucrativo quanto o original, Friday the 13th Part 2 estreou em primeiro lugar e obteve uma bilheteria estimada em 21,7 milhões de dólares nos Estados Unidos, ante seu orçamento 1,25 milhão de dólares. Apesar do moderado sucesso de público, o longa foi recebido negativamente pela maior parte da crítica especializada na época de seu lançamento. Contudo, passou a ser avaliado de forma mais positiva nos anos seguintes, principalmente por sua introdução de Jason, que posteriormente se tornaria uma das figuras mais reconhecíveis dos filmes de terror, como um vilão. Uma sequência direta, Friday the 13th Part III, foi lançada em 1982.
Enredo Dois meses após o massacre no acampamento Crystal Lake, a sobrevivente Alice tenta superar os traumas vividos naquela noite de sexta-feira 13, porém ao ir preparar comida para seu gato ela encontra a cabeça decapitada de Pamela Voorhees na geladeira e é morta por um intruso. Cinco anos depois, Paul Holt abre um centro de treinamento de monitores em Crystal Lake, ao lado do acampamento que agora está condenado. Quando os estagiários Jeff e Sandra chegam à cidade, Crazy Ralph os alerta para irem embora. No caminho, os dois se juntam a Ted, outro estagiário, que comenta que naquela área funcionou o "Acampamento Sangrento".
Já de noite, ao redor da fogueira, Paul conta aos monitores que, segundo a lenda local, Jason Voorhees não se afogou quando criança e ainda vive naquela região. Ralph vai ao acampamento, onde é estrangulado com arame farpado por um desconhecido. No dia seguinte, Sandra insiste que Jeff vá com ela até o acampamento Crystal Lake, mas ao entrarem no terreno um policial aparece e os escolta de volta ao centro de treinamento e adverte Paul que ele deveria mudar para um local mais distante do acampamento. Ao dirigir de volta à cidade, o policial avista um homem correndo em direção ao acampamento e o persegue até uma cabana em ruínas onde é assassinado com uma martelada no crânio.
À noite, Paul e sua namorada Ginny levam alguns monitores a um bar, mas Jeff, Sandra, Terry, Scott, o cadeirante Mark e Vickie ficam no acampamento. Terry sai para caminhar e resolve nadar nua no lago. Scott, que estava a espiando pega suas roupas e foge de Terry pela floresta mas acaba ficando preso numa armadilha de corda. Terry vai buscar uma faca para cortar a corda ao mesmo tempo que alguém mata Scott cortando sua garganta. Ao voltar, Terry encontra Scott morto e também é assassinada. Na cabana principal, Mark espera Vickie para um encontro sexual, mas ao sair pra fora acaba sendo assassinado com uma facada na cabeça. Logo depois, Sandra e Jeff morrem empalados por uma lança enquanto fazem sexo. Vickie não encontra Mark e procura por ele pela casa até se deparar com um homem com um saco de pano na cabeça que a esfaqueia fatalmente.
Paul e Ginny retornam para o centro e estranham que as luzes estão acesas e todos sumiram. Eles procuram os monitores pela casa e encontram uma cama coberta de sangue. O assassino agora revelado como Jason ataca Paul e o deixa inconsiente. Ginny corre e se tranca na cozinha, mas o assassino empurra um forcado pela porta. Ela escapa e se esconde debaixo de uma cama. O assassino tenta atacá-la com o forcado, mas ela o fere com uma motosserra e se esconde na velha cabana, onde encontra os cadáveres dos monitores e um altar à luz de velas improvisado sobre uma mesa, no qual estão a cabeça decepada e o suéter da Sra. Voorhees.
Ginny veste o suéter e finge ser a mãe de Jason, conseguindo enganá-lo por um tempo. Ao perceber o truque, ele corta a perna dela. Paul aparece e luta com Jason, Ginny então aproveita a distração do assassino para acertá-lo com um facão. Com Jason derrubado, Ginny tira sua máscara e os dois veem o rosto deformado dele. No acampamento, um barulho os assusta, mas é apenas Muffin, a cadela de estimação de Terry. Repentinamente, Jason ressurge e ataca Ginny. Na manhã seguinte, ela está sendo levada pelos médicos enquanto pergunta por Paul que desapareceu. Enquanto isso, a cabeça da Sra. Voorhees continua rodeada de velas acesas.
Elenco Este é o elenco principal do filme, na ordem dos créditos registrados pelo Instituto Americano de Cinema:
Amy Steel como Ginny John Furey como Paul Adrienne King como Alice Kirsten Baker como Terry Stu Charno como Ted Warrington Gillette como Jason Voorhees
Walt Gorney como Crazy Ralph Marta Kober como Sandra Tom McBride como Mark Bill Randolph como Jeff Lauren-Marie Taylor como Vickie Russell Todd como Scott
Betsy Palmer como Sra. Voorhees Cliff Cudney como Max Jack Marks como O policial Jerry Wallace como O vagante Steve Daskawisz como Dublê de Jason
Produção Desenvolvimento O sucesso de Friday the 13th (1980) motivou a Paramount Pictures e a Georgetown Productions a imediatamente planejarem uma sequência. Com os direitos de distribuição mundial adquiridos, Frank Mancuso, presidente da Paramount, declarou: "Queríamos que fosse um evento, onde os adolescentes correriam para os cinemas naquela sexta-feira para ver o novo episódio". A ideia inicial, proposta pelo diretor e produtor Sean S. Cunningham, era tornar Friday the 13th uma série de filmes de horror focada na sexta-feira 13, data relacionada ao azar; os longas-metragens seriam lançados anualmente, cada um com sua própria trama, sem continuidade entre si — essa ideia seria testada na franquia Halloween com o lançamento de Halloween III: Season of the Witch em 1982. O conceito de Cunningham foi abandonado quando os empresários Phil Scuderi (dono da rede de cinemas Theaters Esquire), Steve Minasian e Barsamian (um dos produtores do longa de 1980) insistiram que a sequência fosse centrada em Jason Voorhees, o filho da antagonista Pamela, embora a aparição dele tenha sido apenas uma brincadeira, uma forma de incluir um jump scare no final do primeiro filme.
Envolvido em alguns projetos de outros estúdios, Cunningham optou por não retornar à cadeira de diretor. Na época em que o filme começou a ser produzido, ele já estava receoso de ser rotulado como um "diretor de terror", opunha-se fortemente a fazer uma sequência centrada em Jason e abandonou o projeto definitivamente quando os produtores começaram a insistir nessa ideia. No documentário retrospectivo Crystal Lake Memories, lançado em 2013, assim ele justificou sua decisão: "Ter Jason saindo do lago [no final do primeiro Friday the 13th] foi um artifício. Era justificável, mas não era para ser o começo de uma história... Eu simplesmente não entendia. Friday the 13th foi baseado na realidade. Quando você adicionou Jason como um personagem empunhando um facão, você estava mudando [a história] para uma base mitológica".
Steve Miner, um dos produtores associados do primeiro longa, viu o potencial na figura de Jason: "Quem era aquele garoto que saiu do lago? Ele era um sonho? Ele era real?". O cineasta disponibilizou-se a assumir a direção da segunda e da terceira partes da franquia. Friday the 13th Part 2 foi o primeiro longa-metragem dirigido por Miner para o cinema, embora ele já tivesse trabalhado como diretor de segunda unidade em algumas dos filmes que produziu e dirigido alguns filmes patrocinados. Enquanto trabalhava nas sequências, ele contratou muitos profissionais da equipe do primeiro longa. O projeto foi inicialmente intitulado Jason e as filmagens só foram autorizadas depois que a Georgetown Productions assinou um acordo provisório com o Screen Actors Guild, sindicato que havia deflagrado uma greve em 1980.
Frank Mancuso Jr., filho do presidente da Paramount, elevou o orçamento da produção para 1,25 milhão de dólares. Ele seguiria trabalhando como produtor nas futuras sequências da franquia e em Friday the 13th: The Series, atração televisiva que aproveitou a ideia descartada da criação de uma antologia baseada no título do filme. Um artigo publicado em maio de 1981 na Daily Variety afirmou que chegou a ser investido 1,4 milhão de dólares em Friday the 13th Part 2. Segundo relatos, a Warner Bros., distribuidora da obra original em alguns países, estava pronta para assumir a franquia caso a Paramount optasse por não continuar produzindo a sequência. Em setembro de 1980, apenas alguns meses após a estreia do filme original, a produção do segundo longa-metragem já estava bastante adiantada.
Roteiro Eu vim para o projeto pensando que havia muitas coisas boas no primeiro roteiro, principalmente a estrutura. Senti que a estrutura geral — a maneira como a história foi contada — funcionou. Tentamos, no entanto, melhorar algumas das falhas de personagem e diálogo. Tentamos tornar os personagens um pouco mais realistas. — Steve Miner, sobre o roteiro do filme. A ideia de transformar Jason no vilão da sequência também não agradou a outros profissionais da equipe criativa do filme original. Além de Cunningham, o roteirista Victor Miller e o especialista em efeitos especiais e maquiagem Tom Savini recusaram-se a participar do projeto. Para Miller, a melhor parte do seu roteiro era que a história girava em torno da psicopatia da Sra. Voorhees, com a inesperada revelação de que uma figura materna havia se tornado uma assassina em série, movida pelo amor ao filho; Jason estava morto desde o início e foi idealizado como "uma vítima, não um vilão", funcionando apenas como o elemento motivador do enredo. Savini questionava por que Jason havia passado tantos anos sem entrar em contato com a mãe e outros detalhes que considerava inverossímeis: "Para Jason estar por perto hoje significa o quê? Ele sobreviveu vivendo de lagostins na margem do lago? Por 35 anos? Ninguém viu esse garoto andando por aí e crescendo?"