thumb|208x208px|Círculo cromático do livro Teoria das Cores (1810), de Goethe. A cor é um fenômeno fisiológico de como o cérebro (dos seres vivos animais) interpreta os sinais eletronervosos vindos da visão (olho), que são resultados da reemissão da luz vinda de um objeto, que foi emitida por uma fonte luminosa por meio de ondas eletromagnéticas (por exemplo sol ou lâmpada); e que corresponde à parte do espectro eletromagnético que é visível (380 a 700 nanômetros - 4,3x10^14 Hz a 7,5x10^14 Hz).

A Cor não é um fenômeno físico. Um mesmo comprimento de onda pode ser percebido diferentemente por diferentes pessoas (ou outros seres vivos animais), ou seja, cor é um fenômeno fisiológico, de caráter subjetivo e individual.

Espectro visível Os comprimentos de ondas visíveis se encontram aproximadamente entre os 380 e 750 nanômetros ou frequências ( 4,3x10^14 Hz a 7,5x10^14 Hz). Ondas mais curtas (ou com maiores frequências) abrigam o ultravioleta, os raios-X e os raios gama. Ondas mais longas (com menores frequências) contêm o infravermelho, o calor, as micro-ondas e as ondas de rádio e televisão. O aumento de intensidade pode tornar perceptíveis ondas até então invisíveis, tornando os limites do espectro visível algo elástico. CorFrequênciaComprimento de ondavioleta668–789 THz380–450 nmazul631–668 THz450–475 nmciano606–630 THz476–495 nmverde526–606 THz495–570 nmamarelo508–526 THz570–590 nmlaranja484–508 THz590–620 nmvermelho400–484 THz620–750 nmthumb|Espectro da luz visível|nenhum

O olho humano direita|thumb|200px|Esquema do olho humano, mostrando a retina (H) e o nervo óptico (G) O olho humano é um mecanismo complexo desenvolvido para a percepção de luz e cor. É composto basicamente por uma lente e uma superfície fotossensível dentro de uma câmara, que pode grosseiramente ser comparada a uma máquina fotográfica. A córnea e a lente ocular formam uma lente composta cuja função é focar os estímulos luminosos. A íris (parte externa colorida) comanda a abertura e o fechamento da pupila da mesma maneira que um diafragma. O interior da íris e da coroide é coberto por um pigmento preto que evita que a luz refletida se espalhe pelo interior dos olhos.

O interior do olho é coberto pela retina, uma superfície não maior que uma moeda de um real e da espessura de uma folha de papel. Neste ponto do processo da visão, o olho deixa de se assemelhar a uma máquina fotográfica e passa a agir mais como um scanner. A retina é composta por milhões de células altamente especializadas que captam e processam a informação visual a ser interpretada pelo cérebro. A fóvea, no centro visual do olho, é rica em cones, um dos dois tipos de células fotorreceptoras. O outro tipo, o bastonete, se espalha pelo resto da retina. Os cones, segundo a teoria tricromática (teoria de Young-Helmholtz), são responsáveis pela captação da informação luminosa vinda da luz do dia, das cores e do contraste. Os bastonetes são adaptados à luz noturna e à penumbra.

As cores percebidas pelo olho humano dividem-se em três tipos e respondem preferencialmente a comprimentos de ondas diferentes de luz. Temos cones sensíveis aos vermelhos e laranjas, aos verdes e amarelos e aos azuis e violetas. Aos primeiros se dá o nome de R (red/vermelho), aos segundos G (green/verde) e aos últimos B (blue/azul).

Os cones são distribuídos de forma desequilibrada sobre a retina. 94% são do tipo R (vermelhos e laranjas) e G (verdes e amarelos), enquanto apenas 6% são do tipo B (azuis e violetas). Esta aparente distorção é um equilíbrio inicialmente supremo, que regrediu com o tempo.thumb|550x550px|A estrutura celular da retina (à direita, 1 cone e 9 bastonetes; ao centro, 2 células bipolares; à esquerda, 3 axónios de células ganglionares que pertencem ao nervo óptico)|centro

Sistemas de cores

Os sistemas de cores são tentativas de organizar informações sobre a percepção cromática humana.

Pode-se tipificá-los como sistemas de Síntese Aditiva, onde a cor é percebida diretamente a partir da fonte luminosa; ou de Síntese Subtrativa nos quais a cor é percebida a partir do reflexo da luz sobre uma superfície.

Sistemas pictóricos Também conhecidos por sistemas de síntese subtrativa, os principais são os que tentam determinar as cores primárias para impressão gráfica ou para as belas artes.

Cores primárias seriam um número mínimo de pigmentos a partir dos quais se poderiam obter as demais cores.

O sistema clássico é o utilizado em belas artes, que utiliza como cores primárias o vermelho, azul e amarelo (conhecido também por sua sigla em inglês RYB). Na pintura acadêmica clássica teoricamente as demais cores poderiam ser obtidas através destes pigmentos.

Atualmente as artes gráficas utilizam o sistema CMYK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto). O sistema é baseado nas cores primárias propostas por Goethe (púrpura, azul-celeste, amarelo), convertidas em CMY (ciano, magenta e amarelo), e que foi padronizado pela DIN com a adição do preto (K) para destacar as sombras, sendo o branco do papel responsável pela ilusão impressa da luz.

A Pantone possui o mais conceituado sistema para cores exatas e também possui um sistema baseado em seis cores primárias, chamado de Pantone Hexachrome.

Um método bastante utilizado para organizar as cores são a chamadas rodas de cores.

Podem representar qualquer sistema de cor.

A mais famosa delas é a Roda de Oswald baseada no sistema RBY utilizado nas belas artes.

O sistema de Chevreul propõe uma esfera onde as matizes e tons estão representadas no equador e um eixo vertical indica o brilho e saturação.

Outro exemplo é o sistema esférico de Otto Runge.

Sistemas de luz Também chamados de sistemas de síntese aditiva, os sistemas aditivos são utilizados principalmente em luminotécnica e em equipamentos de cinefoto e eletrônicos. O mais utilizado é o sistema RGB (vermelho, verde e azul).

Pode-se destacar também os sistemas HSB (matiz, saturação e brilho), HLS e Lab.

Classificação conforme temperatura As cores são classificadas em dois conceitos de acordo com a temperatura: quentes e frias. A temperatura das cores refere-se à sensação fisiológica que cada tonalidade causa no observador. Onde a sensação é estabelecida pela porcentagem de azul, amarelo e vermelho presente em cada cor. Cores quentes: são aquelas cores que tem um fundo mais amarelado (mais pigmento amarelo), assim predominam a presença das cores primárias vermelho e o amarelo na sua composição. Estão presentes no lado direito do círculo cromático: Vermelho; Amarelo; Laranja; Rosa; Roxo. Cores frias: são aquelas cores cuja composição tem um fundo mais azulado (mais pigmento azul), que em uma determinada escala de tonalidades, sugerem a sensação de frio, calma e, pureza. Estas são associadas a elementos da natureza (como céu, água e gelo). Estão presentes no lado esquerdo do círculo cromático, na gradação entre o verde e o violeta : Verde; Azul; Violeta; Índigo; Ciano; Turquesa.

Psicologia e Fisiologia da Cor Uma vez de se tratar não de uma propriedade do objeto, mas de um elemento perceptivo, a cor tem uma série de implicações na Psicologia. Dessa Forma, a percepção da cor pode causar uma série de sensações, de acordo com cada cultura, que costuma ser muito explorada pela publicidade. A cultura ocidental faz associar, por exemplo, o verde a esperança, o vermelho à fome, o púrpura ao luxo e o roxo ao luto.

A Gestalt (psicologia da forma) também se preocupou com a percepção das cores.

Constância da Cor O fenômeno da constância da cor faz com que as superfícies pareçam manter aproximadamente a mesma cor sob diferentes iluminações. O sistema nervoso aparentemente extrai aquilo que é invariante sob as mudanças de iluminação. Embora a radiação luminosa mude, nossa mente mantém os padrões sob a luz branca, agrupa-os e classifica-os como se fossem sempre os mesmos.

Simbologia das cores Há a crença de que as cores teriam diferentes efeitos psicológicos sobre as pessoas, embora isso seja extremamente duvidável conforme a comunidade científica. Os supostos efeitos seriam: Vermelho é paixão, entusiasmo, encontro entre pessoas. Estimula ações agressivas; Amarelo é concentração, disciplina, comunicação, ativa o intelecto. Está associado a positividade e a boa sorte; Laranja é equilíbrio, generosidade, entusiasmo, alegria. Além de ser atraente e aconchegante; Verde é esperança, abundancia, cura. Estimula momentos de paz e equilíbrio. É a cor da revelação, também representa a ganância. Azul é purificação, expulsa energias negativas. Favorece a amabilidade, a paciência a serenidade. Estimula a busca da verdade interior; Púrpura é a cor que tem mais influencia em emoções e humores. Também está ligada a intuição e a espiritualidade; Branco é purificador e transformador. Representa a perfeição e o amor divino. Estimula a imaginação e a humildade. Produz a sensação de limpeza e claridade, além de frieza e esterilidade; Preto, pode ser representado como uma capa de aço, onde aquilo que está dentro não sai e aquilo que está fora não entra. Rosa Pode ser representado pela humildade e amizade

Teoria da Cor Aristóteles A mais antiga teoria sobre cores que se tem notícia é de autoria do filósofo grego Aristóteles. Aristóteles concluiu que as cores eram uma propriedade dos objetos. Assim como peso, material, textura, eles tinham cores. E, pautado pela mágica dos números, disse que eram em número de seis, o vermelho, o verde, azul, amarelo, preto e branco .

Idade média O estudo de cores sempre foi influenciado por aspectos psicológicos e culturais. O poeta medieval Plínio certa vez teorizou que as três cores básicas seriam o vermelho vivo, o ametista e uma outra que chamou de conchífera. O amarelo foi excluído desta lista por estar associado a mulheres, pois era usado no véu nupcial.

Renascença Na renascença a natureza das cores foi estudada pelos artistas.

Leon Battista Albert Leon Battista Alberti, um discípulo de Brunelleschi, diria que seriam quatro as mais importantes, o vermelho, verde, azul e o cinza- as cores em número de quatro estão relacionadas aos quatro elementos (Fogo-vermelho; Ar-cinzento; Água-azul; Terra-verde) (como escreve em sua obra "De Pictura") . Essa visão reflete os seus gostos na tela. Alberti é contemporâneo de Leonardo da Vinci, e teve influencia sobre ele.

Leonardo da Vinci Leonardo da Vinci reuniu anotações em meio do século XV para dois livros distintos e seus escritos foram posteriormente reunidos em um só livro intitulado Tratado da Pintura e da Paisagem. Ele se oporia a Aristóteles ao afirmar que a cor não era uma propriedade dos objetos, mas da luz. Havia uma concordância ao afirmar que todas as outras cores poderiam se formar a partir do vermelho, verde, azul e amarelo. Afirma ainda que o branco e o preto não são cores mas extremos da luz. Da Vinci foi o primeiro a observar que a sombra pode ser colorida, pesquisar a visão estereoscópica e mesmo tentou construir um fotômetro.

Isaac Newton Newton acreditava na teoria corpuscular da luz tendo grandes desavenças com Huygens que acreditava na teoria ondulatória. Posteriormente, provou-se que a teoria de Newton não explicava satisfatoriamente o fenômeno da cor. Mas sua teoria foi mais aceita devido ao seu grande reconhecimento pela gravitação. Apesar disso, Newton fez importantes experimentos sobre a decomposição da luz com prismas e acreditou que as cores eram devidas ao tamanho da partícula de luz.