Cláudio Pêcego de Moraes Coutinho (Dom Pedrito, 5 de janeiro de 1939 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1981) foi um militar e treinador brasileiro, que comandou o e a Seleção Brasileira de Futebol na década de 1970.

Carreira militar Nascido na pequena cidade gaúcha de Dom Pedrito, na fronteira com o Uruguai, Coutinho mudou-se para o Rio de Janeiro quando tinha somente quatro anos de idade.

Coutinho ingressou na Escola Militar e seguiu carreira, chegando ao posto de capitão. Por outro lado, também demonstrava grande interesse para área esportiva, tanto que se graduou na Escola de Educação Física do Exército junto com outros oficiais que seriam seus grandes amigos, colaboradores e incentivadores.

Em 1968, foi escolhido para representar sua escola em um Congresso Mundial, realizado nos Estados Unidos. Lá conheceu o professor norte-americano Kenneth Cooper, idealizador do famoso método de avaliação física que leva o seu nome. Convidado pelo mesmo, frequentou o Laboratório de Estresse Humano da NASA. Dando prosseguimento às suas experiências internacionais, defendeu tese de mestrado na Universidade de Fontainbleau, na França.

Carreira no futebol Em 1970, foi chamado para ser preparador físico da Seleção Brasileira, tricampeã mundial na Copa do Mundo de 1970, no México. Nos treinamentos, passou a trabalhar com o Cooper, sendo a partir daí conhecido por ser o seu introdutor no Brasil.

Após a competição, trabalhou como supervisor na Seleção Peruana, no Vasco da Gama, como coordenador técnico do Brasil na Copa do Mundo de 1974, e como preparador físico do , da França.

Já desempenhando os cargos de preparador físico e supervisor da Seleção Brasileira Olímpica, assumiu também o cargo de treinador em 8 de julho de 1976, poucas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos de 1976, em Montreal, com a demissão de Zizinho. A Seleção obteria o quarto lugar.

Estreou como treinador do Flamengo em 12 de setembro de 1976, substituindo Carlos Froner. Neste dia, a equipe venceu o por 3 a 0, no Maracanã.

Treinador da Seleção Brasileira Na preparação para a Copa do Mundo de 1978, substituiu Osvaldo Brandão, que estranhamente renunciou ao cargo. Anunciado em 27 de fevereiro de 1977, pela CBD, presidida pelo militar Heleno Nunes, um almirante, o nome de Cláudio Coutinho, um capitão, causou surpresa, já que era considerado pouco experiente.

Pioneirismo da europeização no futebol brasileiro Essa era uma discussão polêmica e que dividia opiniões, e logo o treinador tratou de assumir que era um ardoroso defensor da europeização dos métodos. Para ele, a Seleção Brasileira já não dependia mais de craques foras-de-série, mas sim de um esquema em grupo, com disciplina tática. Ele também inventou uma terminologia confusa para descrever seu novo estilo de trabalho, com palavras como o overlapping, o "ponto futuro" (que descrevia o procedimento em que o jogador fazia a jogada com seu companheiro já se posicionando para receber a bola posteriormente) e a "polivalência" (em que cada jogador passaria a exercer mais de uma função em campo, conceito influenciado pelo Futebol total holandês de 1974).

Terminando de classificar o Brasil nas Eliminatórias, Coutinho passou a treiná-lo em uma série de amistosos. Mas em alguns desses, como um contra a Inglaterra que terminou empatado em 1 a 1, suas teorias, tão firmemente defendidas, não se aplicavam com muito sucesso. Às vésperas da Copa, Coutinho passou a rever seus conceitos, mas era tarde. Na convocação, causou controvérsia: deixou de levar Falcão, do , considerado por muitos o melhor armador do futebol brasileiro à época, para ir com Chicão, do , conhecido mais por sua garra e truculência, talvez pela questão da obediência tática.

Na estreia da competição, o Brasil enfrentou a Suécia. O resultado foi um desanimador empate em 1 a 1. O jogo seguinte foi contra a Espanha. Um novo empate, desta vez em 0 a 0, já fazia pipocar críticas contra seu estilo e contra um certo espírito "retranqueiro" da Seleção. Um dos problemas que Coutinho enfrentava era a falta de entrosamento do time como um todo, em especial entre Zico e Reinaldo, dois craques absolutos, mas que estavam rendendo aquém do esperado no torneio. A vitória sobre a Áustria por 1 a 0 não acalmou muito os ânimos e o presidente da CBD, Heleno de Barros Nunes, acabou por intervir. Ordenou a Coutinho que trocasse a dupla por Roberto Dinamite e Jorge Mendonça, e também que substituísse o zagueiro improvisado na lateral-esquerda Edinho (já que Coutinho não havia aprovado Júnior na posição) por um atleta do ofício, Rodrigues Neto. As mudanças podem ter surtido algum efeito, já que o Brasil, no primeiro jogo da segunda fase, goleou o Peru por 3 a 0. Mesmo não apresentando um futebol ideal, era visível a melhora da equipe, a maior vontade e determinação. O jogo seguinte, contra a anfitriã Argentina, a futura campeã, ficou marcado pela rivalidade e tensão. Um 0 a 0 truncado e disputado, com todo o tempero dessa "batalha". A decisão sobre qual dos dois rivais sul-americanos iria à grande final ficou então para a última rodada: o Brasil enfrentaria a Polônia, enquanto a Argentina duelava com os peruanos. Os jogos, marcados para o mesmo dia, originalmente transcorreriam também no mesmo horário, mas subitamente a FIFA decidiu adiar o jogo da Argentina, para que começasse apenas após o término da peleja brasileira. A Seleção então fez sua parte, vencendo sua partida por 3 a 1. Já os argentinos entraram em campo sabendo quantos gols precisariam fazer para superar seu adversário no saldo (primeiro critério de desempate). Em um jogo polêmico, marcado pela suspeita de irregularidade, o time goleou o Peru de forma surpreendente, por 6 a 0, contando com erros crassos do time adversário. Com isso, restou à Seleção disputar o terceiro lugar com a Itália, partida ganha por 2 a 1. O Brasil, embora não chegasse à final, foi o único time invicto da competição, um dos fatores que levaram Cláudio Coutinho a cunhar uma frase que se tornaria célebre: "Fomos os campeões morais dessa Copa".

Mesmo assim, o treinador acabou responsabilizado pela mídia e opinião pública pelo fracasso de seu selecionado. Ainda permaneceu à frente do time nacional até 31 de outubro de 1979, quando comandou a Seleção pela última vez, na semifinal da Copa América de 1979, no empate de 2 a 2 contra o Paraguai.

No Flamengo e, pouco tempo depois, conseguiria "dar a volta por cima" na equipe ao ser tricampeão estadual em 1978, 1979 e 1979 (especial) e campeão brasileiro em 1980, e, de certa forma, ao ser o criador da equipe que seria campeã do Mundial Interclubes de 1981, já sob o comando de Paulo César Carpeggiani. Deixou o clube após querer fazer uma reformulação no elenco, onde uma lista de dispensa foi vazada à imprensa e, com a repercussão, o presidente do clube à época, Márcio Braga, optou por demiti-lo. No total, comandou o clube em 76 jogos com 47 vitórias, 20 empates e nove derrotas.

Em 1981, treinou o Los Angeles Aztecs, dos Estados Unidos.

Na época da sua morte, estava em transição de empregos, pois o Los Angeles Aztecs tinha acabado e ele tinha sido contratado a peso de ouro pelo Al Hilal, da Arábia Saudita.

Morte No final da temporada de 1981, estava em férias no Rio de Janeiro. No dia 27 de novembro morreu afogado, aos 42 anos nas Ilhas Cagarras, arquipélago próximo à Praia de Ipanema. Coutinho, capitão do exército e com conexões políticas, era um exímio mergulhador e a pesca submarina um dos seus hobbies.

Em Porto Velho (RO), o maior ginásio da capital leva seu nome como homenagem.

A pista que contorna a base dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca pela face sul recebeu o nome de Pista Claudio Coutinho.

Títulos

Vasco da Gama Taça Eficiência: 1973 Taça José de Albuquerque: 1972 Torneio Extra do Rio de Janeiro: 1973 Troféu Pedro Novaes: 1973

Botafogo Taça Augusto Pereira da Mota: 1975 Taça Disciplina: 1975 Taça Eficiência: 1975 Troféu Mauro Cid Nunes: 1975

Flamengo Campeonato Brasileiro: 1980 Campeonato Carioca: 1978, 1979-I, 1979-II Taça Guanabara: 1978, 1979, 1980 Taça Duque de Caxias: 1976 Taça Geraldo Cleofas Dias Alves: 1976 Taça Governador Ary Ribeiro Valadão: 1979 Taça Innocêncio Pereira Leal: 1979 Taça Jorge Frias de Paula: 1979 Taça Luiz Aranha: 1979 Taça Prefeitura Municipal de Manaus: 1976 Taça Rio de Janeiro: 1978 Torneio Elmo Serejo: 1976 Troféu 40 Anos da Rádio Nacional: 1976 Troféu Anos de Ouro do Futebol Brasileiro: 1980 Troféu Antônio Valmir Campelo Bezerra: 1977 Troféu Cidade de Palma de Mallorca: 1978 Troféu Cidade de Santander: 1980 Troféu Governador Roberto Santos: 1976 Troféu João Batista de Oliveira Figueiredo: 1979 Troféu João Saldanha: 1980 Troféu Perugia: 1980 Troféu Ramón de Carranza: 1979, 1980

Seleção Brasileira Mundialito de Cáli: 1977 Troféu Coroa do Príncipe: 1978

Los Angeles Aztecs North American Soccer League (Western Division): 1980-81

Categoria:Naturais de Dom Pedrito Categoria:Militares do Rio Grande do Sul Categoria:Preparadores físicos do Brasil Categoria:Treinadores de futebol do Rio Grande do Sul Categoria:Dirigentes do Club de Regatas Vasco da Gama Categoria:Treinadores do Botafogo de Futebol e Regatas Categoria:Treinadores da Seleção Brasileira de Futebol Sub-23 Categoria:Treinadores da Seleção Brasileira de Futebol Categoria:Treinadores da Copa do Mundo FIFA de 1978 Categoria:Treinadores de futebol do Clube de Regatas do Flamengo Categoria:Treinadores campeões do Campeonato Brasileiro de Futebol Categoria:Sepultados no Cemitério do Caju Categoria:Dirigentes esportivos do Rio Grande do Sul