The Office é uma série de televisão norte-americana em formato de mocumentário criada por Greg Daniels e exibida pela NBC. É baseada na sitcom homônima britânica, transmitida entre 2001–2003 pela BBC e concebida por Ricky Gervais e Stephen Merchant. O programa retrata o cotidiano dos funcionários da filial da empresa de papel Dunder Mifflin em Scranton, Pensilvânia, e foi ao ar de 24 de março de 2005 a 16 de maio de 2013, com um total de nove temporadas consistindo em 201 episódios. Foi coproduzido pela Deedle-Dee Productions, Reveille Productions (mais tarde Shine America) e 3 Arts Entertainment (embora não seja creditada) em associação com a Universal Television. A produção executiva original foi composta por Daniels, Gervais, Merchant, Howard Klein e Ben Silverman, com muitos outros sendo promovidos nas temporadas posteriores.
Assim como a versão original, a série foi filmada em câmera única sem plateia no estúdio ou risadas de fundo, para imitar a aparência de um documentário real. Seu elenco principal original foi composto por Steve Carell, Rainn Wilson, John Krasinski, Jenna Fischer e B. J. Novak. O programa passou por numerosas mudanças em sua equipe durante a exibição, com destaque para saída de Carell após a sétima temporada. Outras pessoas que integraram o elenco incluem Ed Helms, Rashida Jones, Amy Ryan, Mindy Kaling, Craig Robinson, James Spader, Ellie Kemper e Catherine Tate.
The Office recebeu críticas moderadamente positivas durante sua curta primeira temporada (exceto pelo episódio piloto, que recebeu críticas mistas), mas as temporadas seguintes foram aclamadas pelos críticos de televisão à medida que os personagens, conteúdo, estrutura e tom da série divergiram consideravelmente da versão britânica. Ganhou diversas premiações, incluindo um Prêmio Peabody, dois Screen Actors Guild, um Globo de Ouro pela atuação de Carell e cinco Emmys, incluindo um de Melhor Série de Comédia. O programa foi criticado pela queda na qualidade após a saída de Carell, no entanto, a nona e última temporada recebeu uma resposta geralmente positiva. O último episódio foi assistido por cerca de 5,7 milhões de telespectadores e ganhou aclamação da crítica. Em 2016, a Rolling Stone nomeou The Office como um dos 100 melhores programas de todos os tempos.
Produção
Equipe técnica e desenvolvimento Greg Daniels adaptou a série britânica The Office para a televisão estadunidense e atuou como showrunner nas primeiras quatro temporadas. Ele então deixou o cargo quando co-criou a sitcom Parks and Recreation com seu colega Michael Schur, e dividiu seu tempo entre os dois programas. Com sua ausência, Paul Lieberstein e Jennifer Celotta foram nomeados desenvolvedores. Celotta deixou a série após a sexta temporada e Lieberstein permaneceu na função por mais dois anos. Ele abandonou o posto em seguida com a expectativa da produção de um spin-off sobre Dwight Schrute, intitulado The Farm, que acabou sendo recusado pela NBC. Daniels retornou ao cargo original para a nona e última temporada. Outros produtores executivos incluem B. J. Novak e Mindy Kaling.
Kaling, Novak, Daniels, Lieberstein e Schur formaram a equipe principal de roteiristas. Kaling, Novak e Lieberstein também desempenharam múltiplas funções, pois interpretaram personagens regulares, além de terem dirigido e produzido. Creditada com vinte e quatro episódios, Kaling é a roteirista mais prolífica entre a equipe. Ricky Gervais e Stephen Merchant, que criaram a série original, são creditados como produtores executivos e escritores tanto do piloto quanto de "The Convict", da terceira temporada. Merchant mais tarde dirigiu "Customer Survey", enquanto Gervais apareceu brevemente em "The Seminar" e "Search Committee", reprisando seu papel como David Brent da versão britânica. Randall Einhorn é o diretor mais frequente da sitcom, com quinze episódios. O programa também teve muitos diretores convidados, incluindo o co-criador de Lost, J. J. Abrams, o criador de Buffy the Vampire Slayer, Joss Whedon, ambos fãs de The Office, e os cineastas Jon Favreau, Harold Ramis, Jason Reitman e Marc Webb. Vários atores dirigiram episódios, incluindo Carell, Wilson, Krasinski, Helms e Baumgartner.
Antes de "Diversity Day", os roteiristas conduziram pesquisas em escritórios. Este processo foi usado em outros programas de Daniels, como King of the Hill e Parks and Recreation. O piloto é baseado integralmente no primeiro episódio da série original. Daniels escolheu seguir este caminho porque "começar completamente do zero seria muito arriscado" devido ao fato de ser uma adaptação. Ele considerou brevemente usar a ideia de "The Dundies" na estreia. Depois que os roteiristas conheceram o elenco, eles puderam escrever se baseando nos atores, o que permitiu que o programa se tornasse mais original. Após a reação mista em relação à primeira temporada, a produção buscou tornar a sitcom mais "otimista" e fazer com que Michael Scott fosse mais agradável. Eles também estabeleceram melhor os papéis secundários, dando-lhes personalidades com as quais o público pudesse se identificar, e deixaram as luzes do escritório mais brilhantes, o que permitiu que a comédia se diferenciasse de sua inspiração.
Um problema comum com os roteiros, de acordo com Novak, é que eles tendiam a ser muito longos para o tempo regular de 22 minutos, levando a vários cortes. Por exemplo, o texto do episódio "Search Committee" tinha inicialmente 75 páginas, dez a mais do que o ideal. Todas as falas dos personagens eram escritas; no entanto, os atores tinham oportunidades de criar durante as filmagens. Fischer disse: "Nosso programa é 100% roteirizado. Eles colocam tudo no papel. Mas também podemos improvisar um pouco. Steve e Rainn são improvisadores brilhantes". Essas improvisações levaram a um grande número de cenas deletadas em quase todas as gravações de The Office, todas as quais são consideradas parte do cânone da série por Daniels. Trechos cortados às vezes foram restaurados em reprises para alongar sua duração ou atrair pessoas que já tinham visto a primeira transmissão. Em um experimento, uma cena deletada de "The Return" foi disponibilizada via NBC.com e iTunes, explicando a ausência de um personagem nos vários episódios seguintes. Daniels esperava que a propaganda boca a boca entre os fãs espalhasse a informação, mas acabou considerando o experimento um fracasso.
Escolha do elenco thumb|Steve Carell, que interpreta o personagem principal Michael Scott|esquerda
De acordo com Jenna Fischer, a série utilizou um processo de seleção incomum que não envolvia um roteiro. Por exemplo, os produtores faziam várias perguntas aos atores e eles respondiam como os personagens para os quais estavam fazendo o teste. O executivo da NBC, Kevin Reilly, originalmente sugeriu Paul Giamatti ao produtor Ben Silverman para o papel de Michael Scott, mas o ator recusou. Martin Short, Hank Azaria e Bob Odenkirk demonstraram interesse. Silverman ofereceu o personagem a Ricky Gervais, que interpretou David Brent na versão britânica, mas ele não aceitou, pois sentiu que não faria sentido e não queria se mudar para os Estados Unidos.
Em janeiro de 2004, a Variety noticiou que Steve Carell, do programa The Daily Show with Jon Stewart do Comedy Central, estava em negociações para assumir o protagonista. Na época, ele já estava comprometido com outra comédia da NBC, Come to Papa, mas o programa foi cancelado, permitindo seu total comprometimento com The Office. Mais tarde, Carell disse que só tinha visto cerca de metade do episódio piloto da série original antes de fazer o teste. Ele não continuou assistindo por medo de começar a copiar as características de Gervais. Outras pessoas que foram consideradas incluíram Ben Falcone, Alan Tudyk, Jim Zulevic e Paul F. Tompkins. Rainn Wilson, que assistiu a todos os episódios da sitcom britânica, foi escalado como Dwight Schrute. Ele originalmente buscava interpretar Michael, mas sua performance foi descrita como uma "terrível imitação de Ricky Gervais"; por fim, os diretores de elenco gostaram de sua atuação como Dwight e o contrataram. Seth Rogen, Matt Besser, Patton Oswalt e Judah Friedlander também fizeram testes para o papel. Carell foi posteriormente acompanhado por sua esposa Nancy Walls quando ela foi escalada como Carol Stills, um interesse amoroso de Scott. Quando perguntado sobre como era trabalhar com Nancy, Carell disse que ela se sentiu intimidada no início, pois havia se aposentado da atuação anos antes, mas que se divertiram juntos.
John Krasinski e Jenna Fischer foram escalados para seus respectivos papéis como Jim e Pam, o principal interesse amoroso do programa. Krasinski estudou com B. J. Novak e os dois eram melhores amigos. Antes de conseguir o personagem, ele considerou abandonar a atuação. Krasinski relatou no The Late Show with Stephen Colbert que se mudou para Nova Iorque e deu a si mesmo dois a três anos para que sua carreira de ator tivesse sucesso ou desistiria. Ele não gostava de trabalhar como garçom e de ter dificuldade em encontrar papéis, mas sua mãe lhe disse para esperar até o final do ano. Apenas três semanas depois foi confirmado em The Office. Fischer se preparou para o teste parecendo o mais entediada possível e criando o penteado original de Pam. Em uma entrevista no Fresh Air da NPR, ela relembrou as últimas fases do processo de escolha, onde os produtores juntaram os potenciais casais para avaliar a química deles. Quando Fischer terminou sua cena com Krasinski, ele lhe disse que ela era sua Pam favorita, ao que ela retribuiu afirmando que ele era seu Jim favorito. Adam Scott, John Cho e Kathryn Hahn também buscaram o cargo.
O elenco de apoio inclui atores conhecidos por seu trabalho de improvisação: Angela Kinsey, Kate Flannery, Oscar Nunez, Leslie David Baker, Brian Baumgartner, Melora Hardin e David Denman. Kinsey originalmente buscou o papel de Pam. Os produtores acharam que ela era "muito espirituosa" para a personagem, mas a chamaram de volta para interpretar Angela Martin. Flannery fez o primeiro teste para Jan Levinson-Gould antes de assumir Meredith Palmer. Já Baumgartner buscava interpretar Stanley, mas acabou sendo escalado como Kevin. Ken Kwapis, o diretor do episódio piloto, gostou da maneira como Phyllis Smith, uma assistente de elenco, lia com outros atores e a escalou como Phyllis. No início da terceira temporada, Ed Helms e Rashida Jones se juntaram ao grupo como integrantes da Dunder Mifflin em Stamford. Jones mais tarde deixou o programa, tornando-se regular em Parks and Recreation em fevereiro de 2007, e a NBC anunciou que Helms seria promovido a membro regular.
Quatro dos roteiristas da série também apareceram no programa. B. J. Novak foi escalado como Ryan Howard depois que Daniels viu sua apresentação de stand-up. Lieberstein recebeu o papel de diretor dos recursos humanos Toby Flenderson por sugestão de Novak, após as leituras iniciais do roteiro. Kaling ganhou falas de última hora em "Diversity Day", onde Michael precisava ser esbofeteado por uma pessoa de minoria racial. "Desde [aquele tapa], estou no programa [como Kelly Kapoor]", disse Kaling. Michael Schur também fez várias aparições como convidado como o primo de Dwight, Mose, e o produtor consultor Larry Wilmore interpretou Mr. Brown, que realiza uma palestra sobre diversidade. Planos foram feitos para que Mackenzie Crook, Martin Freeman e Lucy Davis, da série britânica, aparecessem na terceira temporada, mas conflitos de agenda os impediram; no entanto, Gervais fez duas aparições na sétima temporada como David Brent.
Filmagens 270px|thumb|Estúdio que representa a filial da Dunder Mifflin em Scranton, Pensilvânia