Sociocracia (do latim socĭu-, «sócio» + grego krateín, «mandar» +-iasociocracia /só/, Infopédia), também chamada de "governança dinâmica”Sociocracia: uma nova forma de encarar o meio corporativo, por Barbara Passaretti, 24/06/2019, é um sistema de governo, encontrado na Democracia participativa, no qual as decisões são tomadas considerando-se a opinião dos indivíduos de sua sociedade.
É a forma de governo que proporciona às pessoas a condição de não apenas participar do processo, mas também de gerir em conjuntoSociocracia – O que é? Como funciona? Exemplos, Gestão Educacional e onde a soberania é exercida pela sociedade como um todo, não apenas por algumas de suas partes, na procura da melhor decisão para o conjunto da sociedade, ou no mínimo obtendo o consentimento dos que não concordarem com os pontos de vista da maioria.
Nesse sistema, o poder e a soberania são exercidos pelo conjunto, que possui uma inteligência coletiva e é capaz de se auto-organizarVocê sabe o que é a Sociocracia 3.0?, por Carolina Cozer, Whow, 4 de janeiro de 2021.
O poder decisório é exercido diretamente pela sociedade que substitui um parlamento. A população pode até eleger líderes ou representantes formais, porém ela participaria também de todas as tomadas de decisões. Assim, as medidas governamentais receberiam sempre a consulta popular. Na Sociocracia uma sociedade atua como organismo vivo, sempre opinando e decidindo.
A sociocracia, quando adoptada para facilitar a organização de qualquer grupo que partilha uma visão e missão, desde associações a fábricas, escolas a empresasO que é a sociocracia?, Mundo Minga, 19 de Abril de 2018, é o ponto intermediário entre uma gestão hierárquica e uma autogestão.
Do ponto de vista organizativa, a sociocracia combina momentos horizontais com momentos verticais. Apoia-se no poder do círculo, em que as decisões são tomadas de forma horizontal. No entanto, este círculo pode inserir-se numa hierarquia mais complexa, cujos mecanismos de comunicação – sempre em dois sentidos através de uma dupla representação – foram discutidos com algum pormenor.
História
O termo sociocracia foi cunhado em 1851 por Augusto Comte e depois utilizada num artigo de 1881 por Lester Frank Ward, que falou mais do assunto posteriormente em alguns livros de sua autoria.
O conceito teve início de sua aplicação prática com Kees Boeke na educação, o qual atualizou e expandiu o trabalho de Ward, implementando a primeira estrutura organizacional sociocrática numa escola, na Holanda. Em que usou tomadas de decisões por consenso, inspirado pelo grupo religioso Quakers, o qual ele parece ter descrito como a primeira organização sociocráticaSociocracia, Holacracia e Sociocracia 3.0 (S3), por Cali (Renato Caliari), Tentaculus, 8 de setembrop de 2016.
Entre o fim de 1960 e o início de 1970 o engenheiro Gerard Endenburg, ex-estudante de Boeke, continuou a desenvolver e aplicou os princípios do professor na companhia de engenharia elétrica que ele primeiro gerenciou e depois se tornou dono, e criou um método organizacional formal chamado Sociocratic Circle-Organization Method — SCM.
Esse conceito, como ferramenta de gestão, se popularizou dentro das organizações após o lançamento do livro “We the People”, de Sharon Villines e John Buck, em 2007. Mas só passou a se tornar viral quando os palestrantes James Priest e Bernhard Bockelbrink cocriaram a sociocracia 3.0 (S3).
Regras clássicas Boeke definiu três regras fundamentais: Os interesses de todos os membros deveriam ser considerados e o indivíduo deveria respeitar o interesse do todo. Nenhuma acção poderia ser tomada sem a solução que todos pudessem aceitar, e Todos os membros deveriam aceitar as decisões de forma unânime. Se um grupo não fosse capaz de tomar uma decisão, a decisão deveria ser tomada pelo nível mais alto de representantes escolhidos por cada grupo.
O tamanho do grupo para tomada de decisões deveria estar limitado a 40 pessoas com uma pequena delegação de 5 a 6 pessoas para tomar decisões mais detalhadas. Para grupos maiores uma estrutura de representantes é escolhida por esses grupos para tomadas de decisões.
Princípios da S3
Mantendo três princípios básicos que são a igualdade, transparência e eficiência (que não deve ser confundido com eficácia). Temos:
Princípio da eficácia. - O tempo deve ser dedicado apenas naquilo que nos aproxima de nossos objetivos. Reuniões desnecessárias e que não geram insights são descartadas no modelo S3. Portanto, é importante que todos os indivíduos gastem algum tempo aprendendo a priorizar atividades. Princípio do empirismo. - Mais importante do que discutir hipóteses é estar pautado em evidências. Portanto, tudo deve ser testado, experimentado, revisado e avaliado de acordo com a realidade. O valor é dado para aquilo que envolve informações concretas de sua eficácia. Princípio do consentimento. - Na sociocracia 3.0, o poder está nas mãos dos bons argumentos, e não de líderes ou gestores. Assim, as tomadas de decisões são baseadas em argumentações. Não é preciso que 100% do grupo esteja em conformidade, mas é preciso que exista coerência e democracia nas deliberações. Ou se, que todas as decisões tomadas precisam ser consentidas pelas partes envolvidas. Princípio de melhoria contínua. - A evolução é orgânica, portanto, é preciso ter abertura para mudanças. Só assim é possível acomodar novos aprendizados e transformações. Também é importante documentar e compartilhar novos aprendizados para evitar gerar gargalos com a repetição de padrões antigos e pouco eficazes. Princípio da equivalência. - Durante uma tomada de decisões, é preciso envolver as pessoas que serão afetadas por aquela decisão. Afinal, se uma pessoa será afetada, isso significa que ela é a pessoa ideal para ser ouvida sobre aquele assunto. Princípio da transparência. - Transparência total é um dos principais valores da S3. Todas as informações precisam ser compartilhadas em conjunto, pois só assim é possível que todos sejam aptos a contribuir com as decisões. Acordos de confidencialidade são feitos apenas com propósitos muito bem estabelecidos. Princípio da responsabilidade. - Uma sociedade sem soberanos só funciona com base na responsabilidade individual. Cada pessoa precisa estar completamente ciente de suas funções para cumprir os próprios acordos e fazer a gestão de si mesma.
Ver também
Socialismo libertário Lei policêntrica Autorregulamentação Subsidiariedade Pensamento sistêmico Inteligência coletiva Decisão por consenso Cooperativismo Democracia direta Heterarquia Democracia inclusiva
Bibliografia
Ligação externa Sociocracia, “A Sociedade no Poder”
www.sociocratie.net(em francês)
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