O TRS-80 Color Computer da RadioShack (também chamado Tandy Color Computer ou tão somente CoCo, por seus usuários) foi um computador doméstico, lançado em 1980. Apesar do nome, o TRS-80 Color Computer representou um grande afastamento dos modelos TRS-80 anteriores, em particular porque empregava o microprocessador Motorola MC6809E ao invés do Zilog Z-80, usado nos modelos TRS-80.
Por outro lado, o MC6809 era um processador bastante avançado, mas bem mais caro, de modo que máquinas concorrentes, como o Commodore 64 e o Atari 400, adotavam uma outra estratégia para conquistar o mercado, combinando o processador 6502 (bem mais barato) com outros processadores dedicados para tratar gráfico e som. Com efeito, obtiveram maior sucesso.
Origem e história thumb|320px|Cerca de 1980: Terminal de Videotexto TRS-80 O TRS-80 Color Computer começou sua história em 1977 como resultado de uma joint-venture entre a Tandy Corporation, sediada em Fort Worth, e a Motorola Semiconductor Inc., então sediada em Austin, visando o desenvolvimento de um computador doméstico de baixo custo.
O objetivo inicial deste projeto, denominado "Green Thumb", era produzir um terminal de videotexto de baixo custo para ser usado por fazendeiros, pecuaristas e outras pessoas ligadas ao campo. Este terminal seria então conectado a uma linha telefônica e a um aparelho comum de televisão, e permitiria ao usuário acessar, em tempo quase-real, informações úteis para as suas atividades cotidianas na fazenda.
O chip gerador de vídeo (VDG: Video Display Generator) Motorola MC6847 foi lançado quase ao mesmo tempo pela joint-venture, causando especulações de que teria sido desenvolvido para ser empregado neste projeto. O protótipo do terminal "Green Thumb" tornou-se realidade por volta de 1978 e tinha como componentes principais o VDG MC6847 e a unidade microprocessadora (MPU) MC6808. Porém, o protótipo continha também muitos outros chips que o tornava comercialmente inviável. A Motorola resolveu este problema integrando todas as funções dos chips menores em um único chip, o SAM MC6883 (SAM: synchronous address multiplexer). Mais ou menos nessa mesma época, fins de 1979, o novo e poderoso processador Motorola MC6809 foi lançado; e combinado com o SAM e o VDG, fez surgir o terminal AgVision.
O terminal AgVision foi também vendido, por volta de 1980, nas lojas RadioShack como um terminal de videotexto. Eventuais diferenças internas - se as houve - permanecem obscuras uma vez que não restam hoje muitos terminais AgVision.
Em seu projeto, o citado terminal de videotexto continha todos os componentes básicos para compor um computador doméstico de propósito geral. O modem interno foi removido, mas foram providenciadas conexões de entrada e saída para armazenamento em fita cassete, porta serial e joysticks. Um conector também foi adicionado ao lado direito do gabinete, para futuras expansões e conexão de cartuchos de programas; além disso, uma placa indicando a quantidade de memória instalada na máquina foi colocada sobre o buraco onde se encontrava o led indicador de dados do modem. Assim, em 31 de julho de 1980, a Tandy anunciava o TRS-80 Color Computer, que possuía o mesmo gabinete, teclado e layout dos terminais AgVision e VideoTex, tornando difícil diferenciar o TRS-80 Color Computer de seus predecessores.
O primeiro modelo que apareceu no catálogo da RadioShack, sob o número 26-3001, possuía 4 kbytes de Memória Dinâmica de Acesso Aleatório (DRAM) e um interpretador Microsoft BASIC embutido em uma ROM interna de 8 kbytes. Seu preço era de US$ 399,00. Poucos meses depois, as lojas RadioShack dos Estados Unidos e Canadá começaram a receber e vender o novo computador.
Diferenças em relação aos modelos TRS-80 anteriores
O Color Computer, com seu processador Motorola MC6809E, representou um radical afastamento dos modelos TRS-80 I/II/III/4/4p baseados no processador Zilog Z80 (daí o sufixo "80" na expressão "TRS-80"). Por certo tempo, o CoCo foi chamado internamente de "TRS-90" em razão do "9" existente no número "6809", contudo isto foi deixado de lado e todos os CoCo's vendidos pela RadioShack foram chamados "TRS-80" não obstante a referida mudança de processador.
Assim como seus predecessores baseados no Z80, o CoCo já vinha embutido de fábrica com a linguagem BASIC, mas neste caso a Tandy licenciou para uso o Microsoft BASIC. Também como nos sistemas Z80, houve vários "níveis" de BASIC, mas os padrões foram o "Color BASIC" e o "Extended Color BASIC"; o "Disk Extended Color BASIC" vinha com a controladora de disquetes e, no caso específico do CoCo 3, o "Super Extended Color BASIC" trazia extensões acrescentadas pela Microware.
O CoCo, que podia apresentar nove cores ao mesmo tempo, foi projetado para ser ligado a um aparelho de televisão colorido (as máquinas Z80 tinham vídeo monocromático, algumas traziam o monitor embutido no próprio gabinete). O CoCo também possuía um conector de expansão para acoplar cartuchos de programas (jogos principalmente) e outros dispositivos, tais como controladoras de disquete e modems. Neste caso, tinha alguma semelhança com o Atari 400/800/2600 e outros videogames e computadores compatíveis com cartuchos de ROM. A Tandy chegou a lançar uma interface para múltiplos cartuchos que permitia ao usuário selecionar rapidamente um entre quatro cartuchos acoplados; conceitualmente, esta interface era similar à interface de expansão do TRS-80 Modelo I.
Ao contrário de alguns modelos Z80, o CoCo não vinha de fábrica com um drive de disquete embutido. O CoCo foi projetado para salvar e carregar programas e dados a partir de um simples gravador cassete. Embora lento e às vezes pouco confiável, isto tornava o CoCo mais indicado para ser usado como computador doméstico. Posteriormente a Tandy ofereceu uma controladora de disquete para ser conectada ao CoCo como um cartucho; desta forma, tanto o CoCo quanto os modelos TRS-80 mais antigos compartilhavam das controladoras de disquete série WD17xx, que faziam uso de disquetes de 35 trilhas (mais tarde, 40 trilhas), padrão da indústria naquela época.
Mesmo com o acréscimo do drive de disquete, o CoCo não teve um verdadeiro Sistema Operacional de Disco (DOS) até que terceiros o fizessem: Frank Hogg Laboratories distribuiu o TSC FLEX9 para CoCo e a Microware disponibilizou o OS-9, que era multiusuário e multitarefa. Por outro lado, o CoCo com drive de disco possuía uma ROM com o "Disk Extended Color BASIC" embutida na controladora de disquete, oferecendo ao usuário da linguagem BASIC a habilidade de salvar e carregar programas a partir do disquete, bem como armazenar e recuperar dados de diversas formas no disquete.
Entre os cartuchos de expansão disponíveis para o CoCo pode-se citar, entre outros: um sintetizador de som/voz (que facilitava a acessibilidade ao CoCo por parte de usuários portadores de necessidades especiais), um modem com velocidade de 300 bps, um cartucho com conector RS232, uma controladora de disco rígido, um adaptador musical stéreo, uma controladora de disquete e uma mesa digitalizador. O CoCo foi também o primeiro computador da Tandy a possuir um mouse disponível especialmente para ele.
Descrição das diferentes versões
Existiram três versões do Color Computer:
Color Computer 1 (1980-1983) thumb|320px|Cerca de 1981: o TRS-80 Color Computer I de 4 Kbytes (26-3001) A versão original do Color Computer foi montada em um grande gabinete cinza-prata, com um teclado do tipo "chiclete" (semelhante ao das calculadoras) e com memória de 4K (modelo 26-3001), 16K (26-3002) ou 32K (26-3003). Todas as versões vinham com o Microsoft Color BASIC instalado ou, opcionalmente, o Extended Color BASIC desde que a máquina tivesse pelo menos 16K de memória. Por usar um televisor colorido comum como monitor, a saída de TV era a única conexão disponível para vídeo.
O teclado das primeiras versões do CoCo 1 era circundado por uma área na cor preta, a plaqueta de identificação "TRS-80" ficava à esquerda do teclado e uma indicação da quantidade de memória RAM ficava à direita do gabinete. Versões posteriores tiraram a área negra que circundava o teclado e a indicação da memória RAM, movendo a plaqueta de identificação "TRS-80" para a parte central do gabinete.
As versões iniciais do CoCo eram expansíveis para até 32K mediante a colocação de dois bancos de memória de 16K e a adição de alguns jumpers e fios. A versão seguinte da placa-mãe extinguiu a opção de RAM de 4K e a expansão para até 32K era possível a partir de um chip de memória de 64K "metade-ruim". Estas placas tinham jumpers com uma indicação "High/Low" para determinar qual metade do chip de memória estaria boa. Essa medida inicial de redução de custos era transparente para o programador BASIC, uma vez que apenas 32K de memória RAM estavam disponíveis; no entanto, à medida que a porcentagem de chips de memória bons aumentou e os custos de produção baixaram, muitos - talvez a maioria - dos chips de memória dos CoCo 1 produzidos eram, de fato, de 64K perfeitamente bons; assim, muitos utilitários e programas começaram a tirar proveito dos 32K "ocultos".
thumb|320px|O TRS-80 Color Computer I, com gabinete branco Inclusive, versões posteriores do CoCo 1 abandonaram por completo a opção de 32K de memória e passaram a estar disponíveis em versões de 16K ou 64K. Todas as versões que vinham com o Color BASIC padrão podiam ser atualizadas para o Extended Color BASIC simplesmente com a colocação de uma ROM em um soquete vazio existente na placa-mãe.
Até o final da produção do CoCo 1, alguns modelos foram montados em um gabinete branco e teclado modificado, denominado "derretido" por possuir teclas maiores que davam ao usuário a sensação de estar pressionando goma. Mais ou menos na mesma época, outro CoCo com gabinete branco, o TDP-100, foi produzido pela Tandy Data Products (TDP) e comercializado através de uma outra rede de distribuição. Com exceção da plaqueta de identificação e do gabinete, o TDP-100 era totalmente idêntico ao CoCo 1. O TDP-100 tinha ranhuras para ventilação que percorriam toda a dimensão longitudinal do gabinete, ao invés de existir apenas nas laterais. Este modelo de ventilação foi posteriormente adotado para o CoCo 2. thumb|320px|left|O TDP-100, com 64 Kbytes
Um bom número de periféricos estava disponível: gravador de fita cassete, impressoras seriais, uma unidade de disquete de 5-1/4", caneta e mesa digitalizadora (chamada "X-Pad"), geradores de voz e sons e joysticks.
Color Computer 2 (1983-1986)
thumb|right|250px|TRS-80 Color Computer 2
Enquanto ocorria a produção do CoCo 1, muitos dos circuitos de suporte discreto foram reprojetados para constituírem circuitos integrados próprios, o que fez com que, ao final, muitas áreas da placa-mãe do CoCo 1 ficassem vazias. Para reduzir, então, os custos de produção, o gabinete foi reduzido em cerca de 25%, a fonte de alimentação foi diminuída e a placa-mãe redesenhada. Fisicamente foi mantido o teclado "derretido" e adotadas as ranhuras de ventilação do TDP-100. Apesar da nova aparência e da eliminação da fonte de 12 volts para o conector de expansão, o computador continuava 100% compatível com a versão anterior. No entanto, a exclusão da fonte de alimentação de 12 volts prejudicou o uso de alguns periféricos, entre eles a controladora de disquete original, que precisou então ser atualizada, instalada em uma interface para múltiplos cartuchos ou ser diretamente conectada a uma fonte de alimentação externa.
Durante a produção do CoCo 2, a fabricação foi parcialmente transferida para a Coreia (muitos proprietários de máquinas fabricadas na Coreia se referem a estas como "KoKo's"). Para aumentar a confusão [histórica], a produção dos Estados Unidos e da Coreia ocorreram em paralelo e usaram os mesmos códigos de catálogo, apesar de poder ter havido algumas diferenças, se é que houve, entre os CoCo's 2 americanos e os coreanos.
thumb|320px|O Color Computer 2 de 64 Kbytes, em sua versão final (26-3127B)