Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Padre Miguel (ou simplesmente Unidos de Padre Miguel e UPM) é uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro. Entre os sambistas cariocas é carinhosamente chamada de UPM ou só de Unidos. Foi fundada no dia 12 de novembro de 1957, no bloco da Rua D, em Vila Vintém, no bairro de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Tendo como símbolo o Boi Vermelho, a escola foi criada como uma das representantes da Zona Rural do Rio, tornando-se campeã em seu primeiro desfile na Praça XI, no carnaval de 1959, quando adquiriu o direito de se apresentar entre as grandes escolas em 1960. Suas cores são o vermelho e branco em homenagem a Guilherme da Silveira Filho, dono da Fábrica de Tecidos Bangu que, na época, doava os tecidos utilizados nos desfiles da escola. Está sediada na Rua Mesquita 8, na comunidade da Vila Vintém, no bairro carioca de Padre Miguel. Possui sete campeonatos conquistados em grupos de acesso. Em 2022, a escola foi declarada patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

História

Primeiros anos Em seu primeiro desfile na Praça Onze em 1959, sagrou-se campeã e adquiriu o direito de se apresentar entre as grandes em 1960. Entretanto, a má colocação que obteve, a fez retornar às categorias inferiores.

Um de seus primeiros símbolos era o boi vermelho, que acabou substituído posteriormente por um aperto de mão interracial.

A escola voltou a desfilar entre as grandes em 1964, 1971 e 1972. Após o incremento financeiro de Castor de Andrade à Mocidade Independente de Padre Miguel, a escola se distanciou dos principais grupos cariocas, chegando, inclusive, a não desfilar em alguns anos.

Década de 2000 Paradoxalmente, nos anos 2000, após uma fase de estagnação da coirmã de Padre Miguel, a Unidos trilhou um caminho de sucesso. Com dois campeonatos seguidos. Em 2005 no Grupo D e em 2006 no Grupo C, saiu do último grupo do carnaval carioca até o retorno ao desfile no sambódromo em 2006, pelo Grupo B.

2005: "Abram alas que eu quero passar. Sou carnaval carioca sou Unidos de Padre Miguel"

Com o carnavalesco André Cézari Unidos de Padre Miguel fez um desfile Maravilhoso falando sobre o Carnaval Carioca e sua História. Com um samba que é lembrado até hoje na sua quadra, "Eu sou Unidos, Amor... Vermelho e Branco, Eu sou..." a Unidos conseguiu o seu 3° campeonato. Este samba é usado como o Samba-Exaltação da escola atualmente.

2006: "Das lágrimas de Tupã nasce o fruto divino - O Guaraná"

Ganhou seu 2° Campeonato seguido, com o carnavalesco estreante Edson Pereira falando da História do Guaraná, a Unidos Impactou com seu desfile impecável.{

2007: "Unidos pelos caminhos da fé - Desbravando carnavais"

Em 2007, a Unidos de Padre Miguel voltava à Marquês de Sapucaí depois de mais de duas décadas. A escola contou o seu cinquentenário a começar pela comissão de frente de guerreiros prateados em defesa da fé. Um dos pontos altos do desfile foi o segundo carro, com televisões, mesas de bate-papo e varais de roupa, em um visual que formava um barraco, preenchido pela comunidade da Vila Vintém. As baianas da escola vieram douradas em comemoração à boda de ouro. Quadrilha de festa junina, natal, páscoa, pipas foram lembrados como rituais em alas irreverentes. O público se animou com a escola, que passou acelerada e teve de se arrastar no final para não terminar o desfile com menos de 40 minutos. A escola conseguiu a sexta colocação no grupo B.

2008: "No Reinos das águas de Olokun"

Em 2008, a mídia dava como certa a ascensão da escola para o Grupo de acesso A, porta de entrada para o Grupo Especial, mas, inexplicavelmente, a escola obteve apenas a terceira colocação, adiando assim o seu retorno ao Grupo A. A Unidos de Padre Miguel não passou de um terceiro lugar. Desde a comissão de frente até o último carro, a escola mostrou alegorias luxuosas, para contar a importância das águas, seja dos mares, dos rios ou dos oceanos, por meio da história de Olokum, Deus das Águas.

2009: "Vinho, néctar dos Deuses - A celebração da vida"

Em 2009, a Unidos de Padre Miguel apresentou alegorias e fantasias altamente luxuosas para contar o enredo sobre o vinho, denominado Vinho, néctar dos deuses - A celebração da vida, conquistou o Grupo Rio de Janeiro 1, empatada com a Acadêmicos do Cubango, ascendendo ao Grupo A. A escola mergulhou na mitologia do deus Dionísio, para mostrar que o vinho foi amadurecido em Roma, apadrinhado pela Igreja Cristã, na Idade Média, desprezado pelo Islamismo e fortalecido no Renascimento, até ser relacionado com a celebração da vida, estando presente em todas as cerimônias e festas comemorativas. A bebida embarcou em naus, na época das Grandes Navegações, chegando ao Mundo Novo. No Brasil, criou-se com os imigrantes italianos, no sul do país, sendo homenageado na Festa da Uva, realizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

Década de 2010 2010: "Aço, Universo presente na riqueza da terra - O Futuro a ti pertence"

Em 2010, a escola sentiu o peso de abrir o desfile com as arquibancadas vazias. Com problemas na comissão de frente, que representava a estrela cadente, cujas fantasias atrasaram e obrigaram os componentes a se vestir na avenida, a escola contou a história do aço através de uma grande bola de fogo, que chocada com a crosta terrestre, deu origem ao minério de ferro, matéria-prima do metal. O abre-alas causou impacto pelas cores e luzes e representou a explosão de meteoritos, cuja principal escultura era a de um pássaro de fogo. A escola mostrou as grandes civilizações que usavam o ferro principalmente para fabricação de armamento, como os romanos, fenícios e celtas. O segundo carro representou a evolução do aço na era medieval. Em outra alegoria, uma grande locomotiva antecedeu os altos-fornos, que tornaram possível a construção das siderúrgicas. Um Robocop de cinco metros estava à frente da quarta alegoria, que retratou o aço presente no nosso dia a dia, nas mais diversas situações - cozinhas industriais, hospitais, laboratórios, empresas e indústrias em geral. O último carro trouxe São Jorge, que no sincretismo religioso é Ogum, o Orixá do ferro, da guerra. A bateria veio fantasiada de alquimista. Apesar de apresentar fantasias e alegorias bem acabadas, os efeitos de luz e fumaça planejados pela escola acabaram sendo prejudicados pelo sol. Na apuração, a escola terminou em 11º lugar sendo rebaixada junto com a Paraíso do Tuiuti para o Grupo de Acesso B.

2011: "Hilária Batista de Almeida" miniaturadaimagem|300x300px|Desfile da Unidos no carnaval de 2011. Paulo César e Helaine Bispo formaram o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola; enquanto Hugo Júnior assumiu como intérprete oficial. Edward Moraes e Marcus Ferreira assinaram o enredo sobre Tia Ciata, sambista e mãe de santo brasileira, considerada como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca. Os carnavalescos deixaram a agremiação durante a preparação para o desfile, sendo substituídos por Fábyo Santos. A UPM foi a nona escola a se apresentar no sambódromo pelo Grupo B do carnaval de 2011. Desfilou com cerca de mil e quinhentos componentes. O desfile, luxuoso, foi elogiado pela crítica especializada, que apontou a escola como uma das favoritas. A Unidos recebeu o prêmio Gato de Prata de melhor escola do Grupo B. Com o desfile, a UPM obteve a terceira colocação, se mantendo na terceira divisão do carnaval para o ano seguinte. miniaturadaimagem|300x300px|Ala de baianas da Unidos no carnaval de 2012.|esquerda 2012: "Arte - Um Universo Fascinante" Para o carnaval de 2012, a escola realizou mudanças em sua equipe, contratando o intérprete Igor Vianna; montando uma comissão de carnavalescos com Reyla Ravache, Wallacy Vinicyos e Wilsinho Mendes; e promovendo mestre Dinho a diretor de bateria. Décima, e penúltima, agremiação a se apresentar pelo Grupo B de 2012, a Unidos realizou um desfile sobre a arte. Fantasias e alegorias fizeram menção a diversos tipos de arte, como pintura, música e cinema. Com o desfile, a escola obteve o terceiro lugar do Grupo B, garantindo seu retorno para a segunda divisão, de onde foi rebaixada em 2010. Devido a reorganização dos grupos de acesso, as oito primeiras colocadas do grupo foram promovidas. 2013: "O Reencontro Entre o Céu e a Terra no Reino de Alá Àfin Oyó" miniaturadaimagem|300x300px|Carro abre-alas da UPM no carnaval de 2013. A partir de 2013, a segunda divisão do carnaval carioca passou a se chamar "Série A", sendo dividida em dois dias de desfiles, realizados na sexta e no sábado de carnaval. Para o carnaval de 2013, Marquinho Art'Samba assumiu o posto de intérprete oficial da escola. O carnavalesco Edson Pereira retornou a escola, desenvolvendo um enredo sobre o encontro entre orixás da mitologia africana e seres humanos. Nona, e penúltima, escola a se apresentar na segunda noite da Série A de 2013, a UPM desfilou debaixo de chuva. O desfile teve 1.900 componentes divididos em 24 alas e quatro carros alegóricos. A escola teve problemas de evolução com o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que abriam grandes espaços durante suas apresentações para os jurados. Com o desfile, a agremiação se classificou em sétimo lugar, garantindo sua permanência na segunda divisão. miniaturadaimagem|300x300px|Desfile da Unidos no carnaval de 2014.|esquerda 2014: "Decifra-me ou Te Devoro: Enigmas - Chaves da Vida"

Para o carnaval de 2014, David Lima assumiu o comando da comissão de frente e Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira formaram o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola. Os demais segmentos foram mantidos. O carnavalesco Edson Pereira desenvolveu um enredo sobre enigmas e mistérios da Humanidade. Oitava, e penúltima, escola a se apresentar na segunda noite da Série A de 2014, a UPM animou o público com fantasias e alegorias luxuosas. Cerca de dois mil e duzentos componentes participaram do desfile. Com o desfile, a escola se classificou em terceiro lugar. O conjunto de alegorias e fantasias da escola recebeu diversos prêmios, sendo o mais premiado do ano.

2015: "O Cavaleiro Armorial Mandacariza o Carnaval" miniaturadaimagem|300x300px|Carro abre-alas da UPM no carnaval de 2015. Grávida, a rainha de bateria Karina Costa se ausentou do cargo, sendo substituída por Ana Paula Evangelista. Os demais segmentos da agremiação foram mantidos no cargo. Para o carnaval de 2015, a escola anunciou um enredo sobre a obra de Ariano Suassuna. O escritor paraibano confirmou presença no desfile. Dias após o anúncio, em 23 de julho de 2014, Ariano morreu, aos 87 anos de idade. A Unidos foi a quarta escola a se apresentar na segunda noite da Série A de 2015. O desfile animou o público, que saudou a escola com gritos de "campeã", sendo apontada pela imprensa como uma das favoritas ao título. A UPM recebeu sete prêmios de melhor escola/desfile da Série A: Estandarte de Ouro; Estrela do Carnaval; Gato de Prata; SRzd; S@mba-Net; Troféu Jorge Lafond; e OSK do Samba. Apesar do favoritismo, obteve o vice-campeonato, perdendo o título por três décimos de diferença para a campeã, Estácio de Sá.

2016: "O Quinto dos Infernos" miniaturadaimagem|300x300px|Desfile da Unidos no carnaval de 2016.|esquerda