O glifosato (N-(fosfonometil)glicina) é um herbicida sistêmico de amplo espectro e dessecante de culturas. É um composto organofosforado, especificamente um fosfonato. É usado para matar ervas daninhas, especialmente as folhosas perenes e gramíneas que competem com as culturas. Suas propriedades herbicidas foram descobertas por volta de 1970, pelo químico John E. Franz, da Monsanto.US patent 3799758, Franz JE, "N-phosphonomethyl-glycine phytotoxicant compositions", registrado em 26-03-1974, atribuído à Monsanto Company

O glifosato é absorvido através das folhas, e minimamente através de raízes,Sprankle P, Meggitt WF, Penner D (1975). "Rapid inactivation of glyphosate in the soil". Weed Science: 224–228"Glyphosate technical fact sheet (revised June 2015)". National Pesticide Information Center. 2010. Retrieved September 1, 2015"The agronomic benefits of glyphosate in Europe" (PDF). Monsanto Europe SA. Fevereiro 2010. e transportado para pontos de crescimento. Ele inibe uma enzima vegetal envolvida na síntese de três aminoácidos aromáticos: fenilalanina, triptofano e tirosina. Portanto, é eficaz somente em plantas em crescimento ativo e não é eficaz como um herbicida de pré-emergência.

Um número crescente de culturas foram geneticamente modificadas para serem tolerantes ao glifosato (por exemplo, a soja Roundup Ready, a primeira cultura Roundup Ready, também criada pela Monsanto), que permite que os agricultores usem o glifosato como um herbicida pós-emergente contra ervas daninhas.

O desenvolvimento de resistência ao glifosato em espécies de ervas daninhas está tornando-se um problema grave.

Apesar de o glifosato e suas formulações, tais como Roundup, terem sido aprovados por várias entidades reguladoras em todo o mundo, persistem preocupações sobre seus efeitos no ser humano e no meio ambiente.

História O glifosato foi sintetizado pela primeira vez na Suíça, em 1950, pelo químico Henry Martin, mas não se conhecia a sua função herbicida, e a pesquisa nunca foi publicada. A substância foi inicialmente patenteada como um agente quelante.

Em 1969, John E. Franz, a serviço da Monsanto, fez experiências com compostos que tinham alguma atividade herbicida até chegar ao glifosato. Franz recebeu a Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação do governo dos Estados Unidos em 1987 e a medalha Perkin em 1990 pela descoberta.

Após alguns anos de desenvolvimento, estudos e avaliação pelos órgãos reguladores, em 1974, o herbicida baseado em Glifosato com nome comercial Roundup, passou a ser vendido nos EUA. e era anunciado que respeitava o ambiente, era inteiramente biodegradável e não deixava resíduos no solo, o que era falso . Nos EUA, a empresa foi mais tarde (em 1996) forçada a retirar tais alegações, consideradas publicidade enganosa. Dois anos mais tarde, foi condenada por sugerir que o produto poderia ser espalhado nas águas ou perto delas sem perigo.

Os agricultores rapidamente adotaram o glifosato, especialmente depois de a Monsanto introduzir culturas resistentes ao glifosato — as culturas Roundup Ready, permitindo aos agricultores matar as ervas daninhas sem matar as suas culturas. O desenvolvimento desde a década de 1990 de culturas transgênicas, como a soja, o milho e o algodão, resistentes ao glifosato, fez disparar as vendas deste herbicida. Além da agricultura, o herbicida também é usado nos jardins das cidades.

Desde então, muitas variações do produto foram sendo produzidas. Em 2000, a patente da Monsanto expirou e outras empresas apostaram neste químico. Só na Europa, 300 herbicidas à base de glifosato de 40 empresas diferentes são comercializados. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância, que é o agrotóxico mais usado no mundo. Em 2007, o glifosato foi o herbicida mais utilizado no setor agrícola dos Estados Unidos e o segundo mais usado em casa e jardim, pelo governo e indústria, e no comércio. A frequência e o volume de aplicações de herbicidas à base de glifosato (HBGs) aumentaram mais de 100 vezes entre o final dos anos 1970 e 2016, provavelmente devido ao surgimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato, o que, por sua vez, deve causar mais crescimento em seu uso.

Química O glifosato é um aminofosfonato análogo ao aminoácido natural glicina, que portanto ocupa o lugar desta na síntese proteica. Seu nome é uma contração de glicina + fosfato.

Bioquímica O glifosato mata as plantas por inibir a enzima 5-enolpiruvoil-shikimato-3-fosfato sintetase (EPSPS), que sintetiza os aminoácidos aromáticos: fenilalanina, tirosina e triptofano. A EPSPS catalisa a reação do shikimato-3-fosfato (S3P) e do fosfoenolpurivato para formar EPSP e fosfato. Os aminoácidos aromáticos são usados também para produzir metabólitos secundários como folatos, ubiquinonas e naftoquinas. A via do shikimatoPurdue University, Department of Horticulture and Landscape Architecture, Metabolic Plant Physiology Lecture notes, Aromatic amino acid biosynthesis, The shikimate pathway – synthesis of chorismate. não está presente em animais.

Toxicidade Muitas avaliações acadêmicas e de entidades reguladoras atestaram a baixa toxicidade relativa do glifosato como um herbicida, porém as muitas controvérsias tem se confirmado em estudos mais recentes sua toxidade onde se reivindica que, devido a associações desta "toxicidade de tais formulações estar atualmente bem comprovada e requerer uma revisão do regulamento".

Formulações comerciais de glifosato contêm, além de sais de glifosato, certos aditivos, tais como surfactantes de diferentes tipos e em concentrações variáveis. Toxicologistas têm estudado os efeitos do glifosato isoladamente, dos aditivos isoladamente e das formulações. Análises toxicológicas sugerem que outros ingredientes em combinação com o glifosato podem ter maior toxicidade do que o glifosato isoladamente.

Em março de 2015, a Agência Internacional de Pesquisas em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde, classificou o glifosato como "provavelmente cancerígeno em humanos" (Categoria 2A) com base em estudos epidemiológicos, estudos em animais e estudos in vitro.Guyton KZ, Loomis D, Grosse Y, El Ghissassi F, Benbrahim-Tallaa L, Guha N, Scoccianti C, Mattock H, Straif K (May 2015). "Carcinogenicity of tetrachlorvinphos, parathion, malathion, diazinon, and glyphosate". The Lancet. Oncology. 16 (5): 490–1. doi:10.1016/S1470-2045(15)70134-8. PMID 25801782."Press release: IARC Monographs Volume 112: evaluation of five organophosphate insecticides and herbicides" (PDF). International Agency for Research on Cancer, World Health Organization. 20 de março de 2015.

Mas, alguns meses depois, em novembro de 2015, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA ou EFSA) reavaliou as conclusões da IARC e publicou um outro relatório acerca da carcinogenicidade potencial do glifosato ou de herbicidas contendo glifosato. A conclusão foi de que dificilmente o glifosato representaria risco de câncer para os seres humanos e que não havia evidências nesse sentido.Conclusion on the peer review of the pesticide risk assessment of the active substance glyphosate1 European Food Safety Authority (EFSA). EFSA Journal 2015;13(11):4302, p. 11 Citação: "... regarding the potential carcinogenicity of glyphosate or glyphosate-containing plant protection products in the on-going peer review of the active substance, EFSA concluded that glyphosate is unlikely to pose a carcinogenic hazard to humans and the evidence does not support classification with regard to its carcinogenic potential according to Regulation (EC) No 1272/2008." Segundo a EFSA, embora formulações contendo glifosato sejam provavelmente cancerígenas, estudos que consideram exclusivamente a substância ativa glifosato não mostram este efeito.European Food Safety Authority. "EFSA explains risk assessment. Glyphosate report" (PDF). EFSA. European Food Safety Authority. "Glyphosate: EFSA updates toxicological profile | European Food Safety Authority". www.efsa.europa.eu. O relatório da AESA acrescenta que há várias razões que explicam as divergências em relação ao relatório da IARC. Uma delas é que o IARC não avaliou somente o glifosato, isoladamente, mas também as formulações à base de glifosato, enquanto a revisão interpares da AESA considerou apenas a substância ativa pura. A AESA reconheceu que a questão da toxicidade das formulações contendo glifosato deve ser considerada mais aprofundadamente, uma vez que alguns estudos de genotoxicidade publicados (não de acordo com o Genetic Literacy Project ou com as directrizes da OCDE) sobre tais formulações apresentaram resultados positivos in vitro e in vivo. Em especial, considerou-se que o potencial genotóxico dessas formulações deve ser abordado. Além disso, a AESA salientou que outros parâmetros devem ser esclarecidos, como a toxicidade e a carcinogenicidade a longo prazo, a toxicidade na reprodução e no desenvolvimento e o potencial de desregulação endócrina das formulações contendo glifosato.

Em maio de 2016, o Encontro sobre Resíduo de Pesticidas, promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde, concluiu ser pouco provável que o glifosato constitua um risco cancerígeno para os seres humanos em exposição através da dieta", mesmo em doses tão altas quanto 2.000 mg/kg de massa corporal por via oral."Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues" (PDF). Maio de 2016.

Em novembro de 2017, os países da União Europeia votaram pela renovação da licença do glifosato, apesar das campanhas contra a substância.

Em humanos Em uma avaliação de risco de 2017, a Agência Europeia das Substâncias Químicas (ECHA) escreveu: "As informações sobre irritação da pele em humanos é muito limitada. Onde foi relatado irritação da pele, não está claro se está relacionada ao glifosato ou a outros componentes presentes na formulação do herbicida." A ECHA concluiu que os dados disponíveis sobre humanos era insuficiente para dar suporte a uma classificação para corrosão ou irritação da pele. A inalação é uma via de exposição menor, mas a névoa da pulverização pode provocar desconforto oral ou nasal, um sabor desagradável na boca, ou formigamento e irritação na garganta. Contato nos olhos pode resultar em conjuntivite leve. Danos superficiais às córneas é possível se os olhos não forem lavados em tempo ou de forma adequada após exposição.

Os relatórios das agências de avaliação de risco de diversos países, bem como os de autoridades transnacionais, consensualmente classificam o glifosato como seguro e não carcinogênico. Em 2012, uma meta-análise de estudos epidemiológicos de exposição a formulações de glifosato não encontrou correlação com nenhum tipo de câncer. A revisão sistemática de 2013 pelo Instituto Alemão de Avaliação de Risco dos estudos epidemiológicos de trabalhadores que usam pesticidas não encontrou evidência de risco significativo com glifosato para vários tipos de câncer, incluindo o Linfoma não-Hodgkin (LNH), dizendo que "os dados disponíveis são contraditórios e estão longe de serem convincentes". Em 2014, outra meta-análise identificou um risco elevado de um tipo de NHL em trabalhadores expostos a formulações com glifosato. Uma revisão sistemática e meta-análise de 2016 não encontrou relação causal de exposição ao glifosato com nenhum tipo de câncer linfohematopoiético, incluindo LNH. De acordo com o estudo, quando associações estatísticas fracas foram encontradas, estas observações podem ser atribuídas a viés e a fatores de confusão, devido a trabalhadores normalmente estarem expostos a outros produtos potencialmente carcinogênicos. A revisão relatou que estudos indicando um efeito entre o uso de glifosato e linfoma não-Hodgkin tem sido criticados por não considerar estes fatores, bem como a qualidade subjacente dos estudos sob revisão, ou se a relação é causal ou meramente correlacional.

Documentos internos da Monsanto