Moxabustão (também grafada moxibustão ) é uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva Artemisia sinensis e Artemisia vulgaris.
É uma técnica terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se nos mesmos princípios e conhecimento dos meridianos de energia trabalhados na acupuntura, sendo amplamente utilizada nos sistemas de medicina tradicional da China, Japão, Coreia, Vietnã, Tibete, e Mongólia.
Pressupõe-se que a moxabustão trate e previna doenças, através da aplicação de calor em pontos e/ou em certas regiões do corpo humano.Deng H, Shen X. The mechanism of moxibustion: ancient theory and modern research. Evid Based Complement Alternat Med. 2013;2013:379291. doi:10.1155/2013/379291
Desde 2010 que a acupuntura e a moxabustão estão classificadas pela UNESCO na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade
Etimologia Provém da aglutinação dos termos «moxa» e «combustão», com elisão do prefixo -com.
A moxa é o cone ou bastonete de algodão, misturado com substâncias vegetais, (tradicionalmente as já sobreditas artemísia-vulgar ou a artemísia-chinesa), que são queimadas e usadas com fins terapêuticos no ensejo da medicina tradicional chinesa, nomeadamente através da cauterização da pele.
A palavra «moxa», por seu turno, resulta do aportuguesamento do étimo japonês, mókusa, por seu turno uma aglutinação dos étimos moe kusa, que significam «erva para queimar».
Terminologia As primeiras referências ocidentais à moxabustão podem ser encontradas em cartas e relatórios escritos por missionários portugueses no Japão do século XVI. Eles a chamavam de "botão de fogo", uma expressão originalmente usada para ferros de cauterização ocidentais de cabeça redonda. Hermann Buschoff, que publicou o primeiro livro ocidental sobre o assunto em 1674, usou o termo japonês mókusa. Posteriormente, autores juntaram o termo "moxa" com o termo latino combustio ("queima").
O nome da erva artemísia usada na moxabustão é ài ou àicǎo (艾, 艾草) em chinêsExistem vários outros nomes em chinês, como bingtai 冰台、ecao 遏草、xiang'ai 香艾、qiai 蕲艾、aihao 艾蒿、jiucao 灸草﹑yicao 医草﹑huangcao 黄草﹑airong 艾绒 e yomogi (蓬) em japonês. Os nomes chineses para moxabustão são jiǔ (灸) e jiǔshù (灸術); os japoneses usam os mesmos caracteres e pronunciam kyū e kyūjutsu. Em coreano, a leitura é tteum (뜸). O folclore coreano atribui o desenvolvimento da moxabustão ao lendário imperador Dangun.
O ideograma chinês para moxabustão compõe metade da palavra chinesa zhēnjiǔ, ou japonesa "shinkyu" (針灸), que é geralmente traduzida como "acupuntura" no ocidente.
Teoria e prática A combustão da artemísia tem a propriedade de aquecer profundamente. A aplicação do calor produzido pela moxa nos pontos ou meridianos de acupuntura remove bloqueios de energia que obstruem o seu fluxo pelos meridianos. Ela também estimula a circulação suave de sangue no organismo. Alguns acreditam que ela elimine a umidade e o frio que promovem disfunções no organismo. Também se acredita que ela tenha o poder de virar bebês que estão com posição invertida no útero.
Os praticantes alegam que a moxabustão é especialmente efetiva no tratamento de problemas crônicos, "condições de deficiência" e gerontologia. Bian Que (fl. circa 500 a.C.), um semilendário médico chinês da antiguidade e primeiro especialista em moxabustão, discutiu as vantagens da moxabustão sobre a acupuntura na sua obra clássica Bian Que Neijing. Ele afirmou que a moxabustão podia adicionar nova energia ao corpo e podia tratar tanto condições de excesso quanto de deficiência.
Os praticantes podem usar agulhas de acupuntura de vários materiais em combinação com a moxabustão.
Existem vários métodos de moxabustão. Três deles são: direto com cicatrização, direto sem cicatrização e moxabustão indireta. O primeiro coloca um pequeno cone de moxa sobre a pele, no acuponto, e queima até que a pele forme uma bolha. Posteriormente, ocorre a cicatrização do local. O segundo método remove a moxa ardente da pele antes que ocorra lesão. A moxabustão indireta mantém um charuto de moxa aceso próximo à pele de modo a aquecer o acuponto, ou coloca o charuto sobre uma agulha de acupuntura inserida no acuponto de modo modo a aquecê-la.
Chuanwu lingji lu (Registro dos Ensinamentos Soberanos), de Zhang Youheng, foi um tratado de acumoxa completado em 1869. Ele apresentava várias ilustrações coloridas que mostravam os pontos onde a moxa podia ser aplicada para tratar as doenças.
O efeito do calor ou radiação infravermelha se soma à energia yang do corpo, potencializando esse aspecto (yang) da energia (chi), podendo inclusive ser conduzido até o seu extremo, ou seja, a transformação no aspecto oposto da energia (yin). O calor de um dia quente pode ser amenizado com xícara de chá.
Na patologia chinesa, as doenças reumáticas são classificadas como doenças do frio, da tristeza e da umidade. O frio patogênico tem características Yin e consome o Qi (Chi) Yang. Predomina no inverno, assim como as doenças do frio. Pode ser causado por contração e estagnação ou por exposição ao frio após transpirar, ou ser apanhado pelo vento e chuva.
A depleção do Yang pode ser percebida por: membros frios; palidez, diarreia com fragmentos de alimentos não digeridos nas fezes; urina límpida e abundante.
A umidade predomina no final do verão, época de chuvas, torna-se susceptível aos seus efeitos patogênicos com o uso de roupas molhadas e/ou residência em locais úmidos, ou mesmo contatos frequentes (ocupacionais) com a água. Se caracteriza por indolência e estagnação além de sintomas como tontura, cansaço, opressão no peito e epigástrio, náusea, vômitos, viscosidade e sabor adocicados na boca. Doenças de pele, alergias, abcessos, úlceras gotosas, leucorreia de fluxo abundante são manifestações de seu poder patogênico. Como foi dito, pode se combinar com o frio ou calor.
No ocidente, os efeitos da temperatura no corpo humano foram bastante estudados durante o final do século XIX e início do século XX consolidando-se no que é conhecido como hidroterapia ou termalismo. Atualmente, o tratamento com aplicação de calor (termoterapia) é administrado (geralmente com lâmpadas infravermelhas) por fisioterapeutas, embora ainda se utilizem saunas de vapor e banhos quentes. O ofurô, apesar de amplamente utilizado no Japão, aparentemente não integra o elenco das práticas médicas tradicionais da Ásia.
Apesar da concepção de saúde-doença e tratamento da moxabustuão e acupuntura serem essencialmente semelhantes, não se aplica a moxabustão em todos os pontos de acupuntura. Kikuchi, em sua prática e seu livro sobre o tema, selecionou 78 pontos (tsubo em japonês) com indicação clínica e resultados empíricos de eficácia.
Do ponto de vista ocidental, os efeitos da aplicação de calor são as alterações no comportamento metabólico/celular (elevação), circulatório (vaso-dilatação), na função nervosa (relaxamento muscular e sedação) Observe-se que, do ponto de vista da fisiologia chinesa, a energia yang corresponde à tonificação (aumento da taxa metabólica), e a diminuição da rigidez e espasmo favorecem o movimento e atividade.
thumb|180px|esquerda|Bastão e cones pré-fabricados de artemísia para moxa Efetividade e segurança A maior parte da pesquisa sobre moxabustão vem da China, e é geralmente de baixa qualidade. Seus praticantes, no entanto, a veem como uma panaceia.
Um artigo da Colaboração Cochrane encontrou evidências limitadas da efetividade da moxabustão no caso de bebês com posição invertida no útero, e pediu mais pesquisas sobre o tema.
A moxabustão também foi estudada no tratamento de dor, câncer, acidente vascular cerebral, colite ulcerosa, obstipação e hipertensão. Artigos concluíram que tais estudos foram, no entanto, de baixa qualidade, com possível viés de publicação.
A moxabustão tem o risco de efeitos adversos, incluindo queimadura e infecção. Efeitos colaterais da moxabustão incluem náusea, irritação da garganta e dor abdominal proveniente de contrações. Ver também Diatermia Termoterapia Forno de Bier Acupuntura Alquimia chinesa Auriculoterapia Fitoterapia chinesa Medicina tradicional chinesa Yin/Yang na Medicina Tradicional Chinesa Teoria dos Cinco Elementos
Bibliografia
Categoria:Medicina tradicional chinesa Categoria:Acupuntura Categoria:Património Cultural Imaterial da Humanidade na China