Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) é uma agremiação partidária brasileira de centro, com algumas alas minoritárias associadas à centro-esquerda ou à centro-direita. Fundado em 1988 e registrado definitivamente em 1989, surgiu a partir de uma cisão do PMDB que mesclava a social-democracia, a democracia cristã e o liberalismo econômico e social. Seu símbolo é um tucano nas cores azul e amarela. Por esta razão, seus membros são, eventualmente, chamados "tucanos", e raramente de "peessedebistas". Em janeiro de 2026, o partido tinha 1.267.591 filiados, sendo o quinto maior do país.

O PSDB foi formado no final da década de 80 durante a redemocratização do Brasil por uma dissidência do PMDB e de outros opositores do regime militar, formada principalmente por parlamentares e intelectuais que defendiam uma social-democracia moderna e reformista, sendo considerado como parte da chamada Terceira via, movimento que buscava conciliar políticas de mercado com compromissos sociais dentro de um modelo de centro reformista.

O PSDB governou o Brasil de 1995 a 2003, durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso (FHC), em um governo marcado pelo Plano Real, políticas de privatização e modernização do estado, e foi o segundo colocado em todas as eleições presidenciais de 2002 até 2014. O PSDB foi o maior partido de oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) de 2003 a 2016, atuando contra os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tanto no plano federal como em diversos estados e municípios onde detinha forças significativas. A rivalidade entre os dois partidos marcou a política brasileira por mais de uma década, estruturando um sistema de polarização entre PSDB e PT que dominou o cenário nacional até meados da década de 2010. Com o passar dos anos, o PSDB atraiu quadros e eleitores de perfil mais centro-direita e conservador, devido a sua aproximação com pautas econômicas liberais e oposição ao petismo. Desde 2016 o partido passou a enfrentar um processo de declínio político e eleitoral, marcado por disputas internas, perda de identidade ideológica e redução de sua base eleitoral. A ascensão do bolsonarismo a partir de 2018 atraiu a parte do eleitorado antipetista e de direita que antes apoiava o partido. Nas eleições de 2022, o PSDB registrou o pior desempenho de sua história, perdendo o governo de São Paulo após 27 anos e elegendo a menor bancada de deputados federais desde sua fundação. Em 2022 se juntou ao seu aliado histórico Cidadania (antigo PPS) para formar a Federação PSDB Cidadania.

Além de ser o partido do ex-presidente da república FHC, ao longo da história, o PSDB deu apoio aos ex-presidentes Itamar Franco e Michel Temer e fez oposição aos ex-presidentes Fernando Collor, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. No início, o PSDB deu apoio e participou da base do governo de Jair Bolsonaro, porém entrou para a oposição em setembro de 2021.

História Antecedentes e fundação

esquerda|miniaturadaimagem|Criação do PSDB em 25 de junho de 1988. Participantes - Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Afonso Arinos O embrião do que viria ser o PSDB surgiu logo após as Eleições Gerais de 1986, com o surgimento do Movimento de Unidade Progressista (MUP) em 1987, capitaneado entre outros por Fernando Henrique Cardoso (PMDB-SP). Tratava-se de uma resposta à estratégia política adotada pelo MDB na ordem de maximizar o seu capital político: a ampla vitória do partido em 1986 se deu em parte ao influxo de políticos provenientes do PDS (e por extensão da ARENA) que buscavam novas oportunidades de ganho político no MDB e no PFL. De forma ilustrativa, a bancada do PMDB aumentou de 224 parlamentares em fevereiro de 1985 para 246 em julho de 1986, ao passo que a bancada do PDS despencou de 196 para 81.

Nesse contexto, a cisão no PMDB ocorre diante do convencimento de quadros importantes que o partido se tornara permanentemente viciado por essa guinada conservadora. O PMDB se tornou ideologicamente heterogêneo aglomerando facções desde a esquerda até a direita. Concomitantemente a isso, o diretório paulista do PMDB era cada vez mais permeado por desentendimentos entre os membros da capital em relação ao governador Orestes Quércia (PMDB-SP). Os peemedebistas da capital paulista, liderados por Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso se identificavam como mais progressistas, o que causava estranhamentos com a influência do grupo quercista na liderança do partido. Um exemplo dessas disputas programáticas foi a adoção do sistema presidencialista pela Constituição Federal de 1988 que era combatida pelo MUP, mas pleiteada pelos quercistas.

O nome "PSDB" (então "Partido Socialista Democrático Brasileiro") é pela primeira vez sugerido para um novo partido derivado do MUP em outubro de 1987, num encontro supra-partidário que reuniu o MUP, o PSB e outros políticos de esquerda e centro-esquerda, incluindo o deputado Paulo Ramos (PMDB-RJ) e o professor Florestan Fernandes, o antigo mentor de FHC.Encontro de socialistas deverá lançar as bases de novo partido, página A-13 do caderno "Política" da Folha de S. Paulo, 4 de outubro de 1987miniaturadaimagem|Criação do PSDB em 1988

Em 25 de junho de 1988, os dissidentes do PMDB levaram a termo sua insatisfação perante o Governo Sarney, que haveria "de se constituir no primeiro da Nova República para se fazer o último da Velha República". Tal disparidade se acentuou durante a Assembleia Nacional Constituinte, onde os membros do partido votaram pelos quatro anos de mandato para o Presidente da República apesar de ter prevalecido a tese dos cinco anos, por influência do establishment peemedebista e de políticos conservadores agrupados no Centrão. Entre os fundadores do novo partido estavam Franco Montoro, José Serra, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, escudados por Sérgio Motta, Magalhães Teixeira e Geraldo Alckmin. Fora de São Paulo o novo partido arregimentou Pimenta da Veiga, Eduardo Azeredo, José Richa, Artur da Távola, Célio de Castro, Afonso Arinos, Chagas Rodrigues, Almir Gabriel, Teotônio Vilela Filho, Aécio Neves, Arthur Virgílio, João Gilberto Lucas Coelho e Maria de Lourdes Abadia. Posteriormente outros políticos, como Tasso Jereissati e Ciro Gomes, também migrariam para o partido.

Segundo levantamento feito pela Editora Três via enciclopédia Brasil 500 Anos, a bancada inaugural do PSDB no Congresso Nacional possuía nove senadores e trinta e nove deputados federais, representando dezesseis estados e o Distrito Federal. Destes, onze eram paulistas, porém a maior representação per capita era a de Alagoas, com quatro nomes numa bancada de onze membros contra os 63 oriundos de São Paulo. Ao todo, foram 60 deputados que ingressaram no PSDB.

Com este núcleo partidário, o PSDB foi formado pela confluência de diferentes pensamentos políticos contemporâneos: dos trabalhistas, adotou a primazia do trabalho sobre o capital; a ética, a solidariedade e a participação comunitária foram assimiladas dos pensadores católicos personalistas, e das ações políticas dos líderes europeus do pós-guerra. Não obstante, ainda que fosse um partido ideologicamente diversificado na sua fundação (mais que o Partido dos Trabalhadores, por exemplo), o PSDB era muito menos heterogêneo que o PMDB, tendo em vista que se fundou justamente para se contrapor ao ''declínio deste último em uma máquina eleitoreira clientelista.''

Apesar de recém-constituído e ainda com organização provisória, o PSDB participou das eleições municipais de 1988, disputando com candidatos próprios e conseguindo vitórias importantes como em Minas Gerais, onde conquistou as prefeituras de Belo Horizonte com Pimenta da Veiga, e de Contagem, com Ademir Lucas Gomes, além de mais cinco prefeituras nesse estado. No Ceará, elegeu Ciro Gomes a prefeitura de Fortaleza. Ao todo, o PSDB elegeu dezoito prefeitos, sendo sete em Minas Gerais, cinco em São Paulo, três no Espírito Santo, um no Mato Grosso do Sul, um em Pernambuco e um no Amazonas. Elegeu, nesses mesmos estados, cerca de 215 vereadores.

Governo Sarney e eleições de 1989 esquerda|upright|miniaturadaimagem|Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) com o então deputado federal José Serra (PSDB-SP) durante a Assembleia Nacional Constituinte

Os partidos da base de Governo Sarney, o PFL e o MDB, tentaram omitir os verdadeiros resultados do Plano Cruzado até o pleito de 1986, o que lhes proporcionou grande sucesso diante da penumbra dos efeitos de curto prazo que aparentavam resolver a calamidade monetária. Contudo, pouco após a eleição, o clima de deterioração econômica e a hiperinflação ficam evidentes para o eleitorado e a opinião pública rapidamente se estrutura em veemente descrédito dos políticos tradicionais. Todavia, a cisão no MDB provocou o deslocamento dos líderes dissidentes à Oposição durante o Governo Sarney. Assim, a primeira eleição que o PSDB concorre é Eleição Presidencial de 1989, animada por um sentimento antagônico às elites políticas. O PMDB lançou a candidatura de Ulysses Guimarães (PMDB-SP), o PFL lançou Aureliano Chaves (PFL-MG) e o PSDB lançou Mário Covas (PSDB-SP) sendo que nenhum dos três consegue capitalizar muito sucesso político: o PFL e o MDB devido ao seu papel no Governo Sarney, e o PSDB diante da carisma populista de Fernando Collor de Mello (PRN-AL). Collor era desconhecido do eleitorado fora de seu estado e fora lançado por um partido igualmente obscuro (o Partido da Reconstrução Nacional), que conduziu uma campanha demagógica explorando as animosidades da população brasileira à corrupção e à inflação, de forma a projetar sua imagem como a de um outsider político. Em 4º lugar na disputa, recolhendo 11,52% dos sufrágios, o PSDB foi inicialmente descartado como um partido promissor, ainda mais depois da dramática redução da bancada tucana que contava precipuamente com 60 deputados e passou a 37. Além disso, nas Eleições Gerais de 1990, o PSDB conseguiu eleger apenas um Governador e um Senador, ambos no Ceará. O partido consegue reverter essa trajetória em parte nas Eleições Municipais de 1992 quando elege 332 prefeitos, dos quais 5 em capitais. A capilaridade do PSDB se restringe portanto - durante os seus primeiros anos - à região Sudeste, com um notório exclave no estado do Ceará devido à influência de Tasso Jereissati (PSDB-CE). miniaturadaimagem|Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), Mario Covas (PSDB-SP) e José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB-SP)

Apesar de ter apoiado a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva do PT no segundo turno da majoritária de 1989, o PSDB se aproximou do Governo Collor no seu programa econômico de privatização, modernização e abertura para o exterior, mas não integrou a base do Governo. O Presidente Collor tentou seduzir o apoio do PSDB em diversos momentos, ao que algumas correntes do partido, notadamente lideradas pelo deputado José Serra e pelo Senador Fernando Henrique, eram simpáticas; no entanto, o protesto de Mário Covas fizera ruir a hipótese.

Sem embargo, diante dos incontáveis escândalos do Governo Collor, o PSDB se afastou integralmente do Palácio do Planalto. Após a célebre entrevista de Pedro Collor de Mello, o irmão do Presidente, à revista VEJA em que este acusa Fernando Collor e seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, de comandar um esquema de corrupção, os desdobramentos do impeachment do Presidente começam a deslanchar. O Partido dos Trabalhadores foi o primeiro a apoiar formalmente a abertura de processo de impedimento ao Presidente. Inicialmente, o PSDB denunciava os escândalos e se opunha ao Governo sem abraçar a causa do impeachment, mas com a evolução dos fatos, tornou-se inevitável apoiar a queda de Collor.

O PSDB no Governo Itamar Franco