Ponte de Lima é uma vila portuguesa do Distrito de Viana do Castelo sendo parte da sub-região do Alto Minho, pertencente à região do Norte, e sendo sede do Município de Ponte de Lima que tem uma superfície de 320 km² e 41 169 habitantes em 2021, tendo, por isso, uma densidade populacional de 128 habitantes por km2,Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. estando subdividido por 39 freguesias.
Situada nas margens do rio Lima, e com uma área urbana de 2,72 km2,Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado) a vila é frequentemente referida como a vila mais antiga de Portugal, tendo recebido a sua carta de Foral em 1125. O seu nome deriva da ponte que atravessa o rio Lima, construída pelos romanos e posteriormente ampliada na Idade Média.
A vila possui um património arquitectónico e histórico significativo, como a ponte romana/medieval, a Torre da Cadeia Velha ou o Paço do Marquês. Além disso, conta com um conjunto de igrejas, capelas e solares que refletem a evolução histórica, tanto a nível arquitectónico como a nível político e cultural. O centro histórico preserva elementos medievais e renascentistas.
A economia do município é representada na sua maioria no sector secundário, com destaque para serviços como reparação e construção. Em 2016, o município era o 9.º maior exportador de material de transporte da região Norte. Pelo município existe também produção de vinho verde e turismo, impulsionado pelo património histórico e pelos eventos culturais, como as Feiras Novas. Outro dos atractivos da região é a gastronomia local, onde se incluem pratos como o arroz de sarrabulho e o bacalhau de cebolada ou a lampreia.
Além do património edificado, Ponte de Lima apresenta ainda uma série de áreas naturais, como a Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro de Arcos, onde se promove a conservação da biodiversidade e o ecoturismo.
Designação Enquanto burgo medieval, a designação era terra da Ponte, nome que ficou registado na carta de Foral outorgada pela rainha D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques, a 4 de Março de 1125.
Em finais da década de 1950, a vila debateu a designação a adoptar para o município, debatendo entre as designações de Ponte do Lima e Ponte de Lima. Até 1982, os escritos da Câmara Municipal, ainda referiam à vila como Ponte do Lima, pouco depois passando a Ponte de Lima.
O ponto mais elevado do município encontra-se na serra do Corno do Bico, no alto do Gavião, a 843 m de altitude.
História A presença humana em Ponte de Lima remonta à Pré-História, com vários vestígios com mais de três mil anos e pela Idade do Ferro, altura na qual os povoados, conhecidos como castros, ocuparam diversas posições elevadas na área que constitui hoje o concelho. Perto da sede do concelho são identificados dois castros de grandes dimensões, um no Monte das Santas, actualmente designado por Santa Maria Madalena, e outro localizado na margem oposta do rio Lima, no Monte de Santo Ovídio. Com a chegada dos romanos nesta parte da Península Ibérica, Ponte de Lima ganhou importância devido à sua posição associada ao rio Lima. Foi aqui que os romanos construíram uma ponte de pedra e outras duas em localidades próximas, empreendimento que enriqueceu a rede viária local. O conselho é atravessado de Sul para Norte pela Via XIX de Antonino, a mesma via mais tarde restaurada na Idade Média e ainda em uso na actualidade, fazendo parte do caminho para Santiago de Compostela.
Uma das vilas mais antigas de Portugal, já na Baixa Idade Média, a terra da Ponte, nome pelo qual era conhecida a localidade, recebeu uma carta de Foral da rainha D. Teresa e do seu filho D. Afonso Henriques; nesta carta, ficou definido os limites do território, inferior ao que é actualmente, assim como uma imposição da rainha para a protecção das pessoas que frequentassem uma feira. Mais tarde, durante o reinado de D. Afonso II, Ponte de Lima recebeu mais um Foral, voltando mais tarde a ter mais um outorgado pelo D. Manuel I, a 1 de Junho de 1511.thumb|esquerda|250px|Vista de Ponte de LimaFoi também na Idade Média que Ponte de Lima obteria a importância militar que haveria de manter até ao século XIX, graças à reconstrução da ponte romana na Idade Média e das muralhas da cidade, com torres e portas, cuja construção estaria já terminada em 1370. Durante a crise de 1383–1385 Ponte de Lima assiste ao confronto entre Lopo Gomes de Lira, governador e meirinho-mor da Comarca de Entre-Douro e Minho, que se insurgia contra D. João, o Mestre de Avis, num confronto onde a cidade acabou por apoiar o Mestre de Avis. No século XV a vila deixa de ser real e é instituída a Alcaidaria, um feito atribuído a D. Leonel de Lima, fidalgo e filho de Fernão Eanes de Limia, que apoiara D. João I no cerco de Tui e que, por este serviço, recebera do próprio rei a Casa da Giela e a jurisdição cível e criminal da terra de Arcos de Valdevez. Deve-se ainda a D. Leonel a construção do Convento de Santo António dos Capuchos, onde se encontra actualmente o Museu dos Terceiros e, aos seus descendentes, a configuração do actual Paço do Marquês, edifício onde está instalado o Centro de Interpretação da História Militar de Ponte de Lima.
Durante o século XVI realizaram-se obras na ponte, com a renovação do pavimento e a colocação de merlões, e é também aproveitada uma das torres da muralha para estabelecer uma prisão. Estas reformas foram promovidas por D. Manuel I, cujas armas continuam presentes nas paredes da torre onde se encontrava a prisão. É também neste século que é estabelecida a Misericórdia de Ponte de Lima, é instalado o Hospital da Praça, em frente à Igreja Matriz. No século XVII são lançadas uma série de obras com o objectivo de melhorar as infra-estruturas na vila, como a construção de edifícios como a capela de Nossa Senhora da Penha de França, o Hospital de S. João de Deus em 1659, e o Chafariz Nobre para abastecimento de água potável. No século XX, este chafariz foi deslocado para o Largo de Camões, onde ainda hoje se encontra. miniaturadaimagem|Chafariz de Ponte de Lima Com os séculos XVIII e XIX a urbe de Ponte de Lima passaria por diversas transformações devido aos novos ideais do liberalismo, ocorrendo uma proliferação de solares barrocos. Por outro lado, as muralhas e as torres, que haviam deixado de ter importância militar, passaram a ser um alvo para quem quisesse roubar pedras como, por exemplo, para a construção de novas casas. A cidade passou por profundas alterações, com a abertura de novos arruamentos, a construção de espaços dedicados à cultura, como o Teatro Diogo Bernardes ou a Sociedade Limarense, inaugurada a 1 de Dezembro de 1868, ou a reforma administrativa implantada após 1836, em que a área de Ponte de Lima aumentou consideravelmente sem, porém, alterar o sector de actividade mais disseminado pelo seu território, o sector primário, que duraria até ao século XX.
A partir de 2025, Ponte de Lima vai passar a celebrar o feriado municipal a 4 de Março, data da outorga do foral pela Rainha D. Teresa em 1125, segundo aviso publicado em 23 de Maio de 2023 em Diário da República. Anteriormente, o feriado municipal celebrava-se no dia de Terça-feira depois das Feiras Novas, no mês de Setembro. A proposta de alteração foi aprovada por unanimidade pela Câmara e pela Assembleia Municipal. Esta alteração faz parte da celebração dos 900 anos do foral. Geografia
Ponte de Lima é um concelho localizado no Norte de Portugal, no Distrito de Viana do Castelo. A Norte, é limitado pelo município de Paredes de Coura, a Leste por Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, a Sudeste por Vila Verde, a Sul por Barcelos, a Oeste por Viana do Castelo e Caminha e a Noroeste por Vila Nova de Cerveira.
Dentro das suas fronteiras administrativas, o concelho subdivide-se em 39 freguesias, fruto de uma reorganização administrativa que reduziu o número de freguesias de 51 para 39.
Com cerca de 320 km², Ponte de Lima representa cerca de 14,43% da área da NUTIII, 1,51% da área da Região Norte e 0,36% de Portugal Continental. Freguesias thumb|350px|direita|Freguesias do município de Ponte de Lima O município de Ponte de Lima está dividido em 41 freguesias:Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de Janeiro, Anexo I. Acedido a 19 de Julho de 2013. Anais Arca e Ponte de Lima (urbana) Arcozelo (urbana) Ardegão, Freixo e Mato Bárrio e Cepões Beiral do Lima Bertiandos Boalhosa Brandara Cabaços e Fojo Lobal Cabração e Moreira do Lima Calheiros Calvelo Correlhã (urbana) Estorãos Facha Feitosa (urbana) Fontão Fornelos e Queijada Friastelas Gaifar Gandra Gemieira Gondufe Labruja Labrujó, Rendufe e Vilar do Monte Navió e Vitorino dos Piães Poiares Refoios do Lima Ribeira (urbana) Sá Sandiães Santa Comba Santa Cruz do Lima Santa Maria de Rebordões São Pedro d'Arcos Souto de Rebordões Seara Serdedelo Vilar das Almas Vitorino das Donas
Rio Lima miniaturadaimagem|Rio Lima, atravessado pela ponte de Ponte de Lima Outrora chamado de rio Limia (pelos romanos), o nome do rio está associado à palavra Lethes, que em grego significa "Esquecimento". Existe em Ponte de Lima uma lenda de que aqueles que o atravessassem perderiam a sua memória; desta lenda surge um episódio de uma legião romana que, ao ter chegado ao rio Lima, se recusou a galgar as suas margens e, perante este cenário, o comandante da legião lançou-se ao rio e nadou até à margem direita, na qual chamou cada legionário pelo seu nome, provando aos seus combatentes que a perda de memória não passava de um mito.
O rio nasce no monte Talarinho, atravessa Xinzo de Limia e percorre parte da Galiza até entrar em Portugal, percurso no qual fica Ponte de Lima, por onde o rio continua até Viana do Castelo, desaguando no Oceano Atlântico. O rio é navegável e a população podia pescar, lavar a roupa ou brincar na água, e continua a ser importante quer ambientalmente, quer para o desporto local.
Acessos Ponte de Lima, em termos de acessibilidade, possui uma vasta rede de rodovias. Duas auto-estradas atravessam e cruzam-se no concelho, a A27 e a A3. A A27 permite o acesso directo a Viana do Castelo, enquanto a A3 permite o acesso à cidade do Porto ou a Valença, uma cidade na fronteira entre Portugal e Galiza. Outra rodovia de importância é o IC28, que permite o acesso a Arcos de Valdevez e a Ponte da Barca. A nível interno, as principais vias rodoviárias usadas dentro do concelho são as estradas nacionais 201, 202, 203, 204, 306 e 307. A sede do concelho encontra-se ainda a uma distância de 84 quilómetros (km) por auto-estrada da cidade do Porto, a 32 km de Braga, a 29 km de Viana do Castelo, e a 75 km de Vigo, na Galiza. O aeroporto internacional mais próximo encontra-se em Vigo, a 68 km, enquanto o aeroporto internacional português mais próximo encontra-se a 81 km, no Porto.
Caminho de Santiago miniaturadaimagem|Parte do Caminha de Santiago, na fase em que passa pela ponte de Ponte de Lima