"Lucent" redireciona para este artigo. Para a empresa formada após a aquisição pela Alcatel em 2006, veja Alcatel-Lucent.
Lucent Technologies, Inc. foi uma multinacional estadunidense de equipamentos de telecomunicações, com sede em Murray Hill, Nova Jersey. Foi criada em 30 de setembro de 1996, com a cisão da AT&T Technologies, divisão da AT&T Corporation que reunia a Western Electric e o Bell Labs.
A Lucent foi adquirida pela empresa francesa de tecnologia Alcatel em 1 de dezembro de 2006, formando a Alcatel-Lucent.
Nome Lucent significa "portador de luz" em latim. O pedido de registro do nome foi feito em 1996, durante a separação da AT&T.
O nome recebeu muitas críticas dentro e fora da empresa, assim como ocorreria com o logotipo. A comunicação da empresa e os cartões de visita usavam o slogan "Bell Labs Innovations", ou "Inovações do Bell Labs", para manter o prestígio do laboratório de pesquisa de renome internacional em uma empresa cujo nome ainda era desconhecido.
A mesma raiz linguística deu origem a Lúcifer, "o portador de luz", de lux, "luz", e ferre, "portar". Lúcifer também é um personagem do poema épico Inferno, de Dante. Pouco depois da adoção do nome Lucent em 1996, a equipe do projeto Plan 9 lançou, em 1997, o sistema operacional Inferno, desenvolvido a partir de seu trabalho. As referências a Lúcifer e a Dante se estenderam aos nomes dos componentes do Inferno, com trocadilhos como Dis, Limbo, Charon e Styx, o protocolo 9P. Quando os direitos sobre o Inferno foram vendidos em 2000, foi criada a empresa Vita Nuova Holdings para administrá-los. O nome manteve a referência a Dante, dessa vez ao poema La Vita Nuova, em vez da Divina Comédia.
Logotipo O logotipo da Lucent, chamado Innovation Ring, ou "Anel da Inovação", foi criado pela Landor Associates, consultoria de marcas de São Francisco. Dentro da Lucent, o desenho foi interpretado como uma versão modificada do ensō, símbolo do budismo zen para a "verdade eterna", girado em 90 graus. Outra interpretação o aproximava do ouroboros, a serpente mítica que segura a própria cauda com a boca. O logotipo também recebeu o sentido de recriação e reflexão constantes. Carly Fiorina, cuja mãe era pintora, escolheu o desenho por rejeitar os logotipos geométricos que julgava impessoais e que eram comuns entre as empresas de alta tecnologia.
Depois que a imprensa comparou o logotipo à mancha circular deixada por uma caneca de café no papel, uma tira de Dilbert mostrou Dogbert como um consultor muito bem pago encarregado de criar um novo logotipo. Ele pega a folha sobre a qual estava sua xícara e chama a mancha de "Anel Marrom da Qualidade". Um comentarista de telecomunicações chamou o desenho de "um grande zero vermelho" e previu perdas financeiras.
História Uma das razões para a AT&T Corporation separar sua divisão de fabricação de equipamentos era permitir que ela lucrasse com vendas a operadoras de telecomunicações concorrentes. Esses clientes tinham receio de comprar de um concorrente direto. O Bell Labs trouxe prestígio à nova empresa e receitas provenientes de milhares de patentes.
Na cisão, Henry Schacht assumiu a direção da Lucent para conduzir sua passagem de divisão da AT&T a empresa independente. Richard McGinn, presidente e diretor de operações, sucedeu Schacht como diretor executivo em 1997. Schacht permaneceu na presidência do conselho de administração. No fim dos anos 1990, as ações da Lucent tornaram-se "queridinhas" dos investidores. O preço de US$ 7,56 por ação na cisão, ajustado pelos desdobramentos, chegou a US$ 84. O valor de mercado atingiu US$ 258 bilhões, e a empresa tinha 5,3 milhões de acionistas, o maior número entre as companhias naquele momento.
Em 1995, Carly Fiorina dirigia as operações corporativas e respondia ao diretor executivo Henry B. Schacht."Systems and technology company headquarters, top execs announced". Comunicado de imprensa. 20 de novembro de 1995. Ela participou do planejamento e da execução da oferta pública inicial de 1996 e da estratégia de lançamento da empresa e de suas ações."AT&T announces board members, SEC filing for new company". Comunicado de imprensa. 5 de fevereiro de 1996. Sob sua direção, a cisão captou US$ 3 bilhões.
Ainda em 1996, Fiorina foi nomeada presidente do setor de produtos de consumo da Lucent, subordinada ao presidente e diretor de operações Rich McGinn. Em 1997, assumiu a presidência do grupo que atendia operadoras em todo o mundo, um negócio de US$ 19 bilhões, e passou a supervisionar o marketing e as vendas para o maior segmento de clientes da empresa."Lucent Technologies appoints chief operating officers, organizes business around fastest growth opportunities". Comunicado de imprensa. 23 de outubro de 1997. Naquele ano, presidiu uma empresa conjunta de US$ 2,5 bilhões entre a divisão de comunicações para consumidores da Lucent e a Royal Philips Electronics, chamada Philips Consumer Communications, ou PCC. O empreendimento pretendia colocar as duas empresas entre as três primeiras em tecnologia, distribuição e reconhecimento de marca.
O negócio enfrentou dificuldades e foi desfeito um ano depois, após alcançar apenas 2% do mercado de telefones celulares. O prejuízo chegou a US$ 500 milhões sobre vendas de US$ 2,5 bilhões. Com o fracasso da parceria, a Philips anunciou o fechamento de um quarto de suas 230 fábricas no mundo, e a Lucent encerrou sua fabricação de aparelhos sem fio no empreendimento. Analistas atribuíram o fracasso a problemas de tecnologia e gestão. Com o fim da PCC, 5.000 funcionários retornaram à Philips, muitos dos quais foram demitidos, e 8.400 voltaram à Lucent.
Durante a gestão de Fiorina, a empresa criou 22.000 empregos, e suas receitas pareciam ter passado de US$ 19 bilhões para US$ 38 bilhões. O aumento das vendas, porém, vinha de empréstimos concedidos pela própria Lucent aos clientes. A revista Fortune criticou o procedimento como uma "mágica contábil", em que o dinheiro dos empréstimos entrava na demonstração de resultados como nova receita, enquanto as dívidas de cobrança duvidosa eram registradas no balanço como ativos supostamente seguros. O preço das ações da Lucent multiplicou-se por dez.
Em 1997, a Lucent comprou a Octel Communications Corporation, líder do mercado de correio de voz sediada em Milpitas, por US$ 1,8 bilhão. A aquisição tornou o Business Systems Group lucrativo de imediato. No mesmo ano, comprou a Livingston Enterprises Inc. por US$ 650 milhões em ações. A Livingston havia criado o protocolo RADIUS e o PortMaster, produto muito usado por provedores de internet por linha discada. Em 1999, a Lucent adquiriu a Ascend Communications, fabricante de equipamentos de comunicação de Alameda, na Califórnia, por US$ 20 bilhões. A empresa negociou a compra da Juniper Networks, mas optou pela Nexabit Networks.
No início de 2000, a "bolha particular" da Lucent estourou, enquanto concorrentes como a Nortel Networks e a Alcatel ainda iam bem. A bolha do setor de telecomunicações só entraria em colapso meses depois. A Lucent havia superado as expectativas dos analistas por 14 trimestres consecutivos, o que elevou as projeções para o 15.º, encerrado em 31 de dezembro de 1999. Em 6 de janeiro de 2000, fez o primeiro de sucessivos anúncios de que não havia atingido suas estimativas trimestrais. O diretor executivo Rich McGinn informou que a empresa enfrentara problemas específicos no trimestre, entre eles dificuldades no negócio de redes ópticas, e apresentou receitas estagnadas e forte queda nos lucros. As ações caíram 28%, eliminando US$ 64 bilhões do valor de mercado. A descoberta de procedimentos contábeis e comerciais questionáveis usados para compor resultados trimestrais anteriores abalou a reputação da Lucent. A resistência de McGinn em aceitar a queda após os primeiros sucessos recebeu críticas. Ele havia afirmado que impunha metas "audaciosas" aos gerentes, por acreditar que a pressão por desempenho produziria resultados excepcionais. Henry Schacht defendeu a forma de gestão de McGinn e observou que ele não vendera ações da Lucent enquanto era diretor executivo. Em junho de 2000, a Lucent anunciou a compra da Chromatis, fabricante israelense de equipamentos de redes ópticas, por US$ 4,5 bilhões. Em novembro, informou à Securities and Exchange Commission um erro contábil de US$ 125 milhões no terceiro trimestre de 2000. Em dezembro, anunciou que havia superestimado as receitas do trimestre mais recente em quase US$ 700 milhões. Embora não se tivesse constatado irregularidade de sua parte, McGinn foi obrigado a deixar o cargo de diretor executivo, que Schacht assumiu interinamente. A diretora financeira Deborah Hopkins saiu em maio de 2001, quando a ação valia US$ 9,06, ante US$ 46,82 na época de sua contratação. Em agosto de 2001, a Lucent fechou a Chromatis.
Em abril de 2000, a Lucent vendeu sua divisão de produtos de consumo à VTech. Em outubro, separou a divisão Business Systems, que se tornou a Avaya, Inc. Em junho de 2002, fez o mesmo com a divisão de microeletrônica, que se tornou a Agere Systems. A separação dos negócios de redes corporativas e sem fio, que concentrariam o crescimento do setor a partir de 2003, deixou a Lucent sem capacidade para atender a esse mercado.
Em maio de 2000, o Product Realization Center de Mount Olive, em Nova Jersey, recebeu o prêmio Shingo de excelência em manufatura.
Em maio e dezembro de 2001, Lucent e Alcatel negociaram uma fusão pela qual a Lucent seria adquirida por seu valor de mercado, sem prêmio. A sede da nova empresa ficaria em Murray Hill. As negociações fracassaram quando Schacht exigiu uma divisão igualitária do conselho de administração, com sete cadeiras para cada empresa. O diretor executivo da Alcatel, Serge Tchuruk, queria oito das 14 cadeiras para sua empresa, por ela estar em posição mais forte. O fracasso das negociações derrubou o preço das ações da Lucent, que atingiu o mínimo de US$ 0,55 em outubro de 2002.
Em agosto de 2001, parte dos ativos de fabricação da Lucent em Oklahoma City, no estado de Oklahoma, e Columbus, em Ohio, entrou em um acordo de fornecimento de cinco anos com a Celestica. A empresa passou a ser uma das fornecedoras de serviços de fabricação de eletrônicos da Lucent para sistemas de redes sem fio, acesso e comutação na América do Norte. A Lucent tornou-se uma das três clientes responsáveis, individualmente, por mais de 10% da receita da Celestica em 2001. As outras eram IBM e Sun Microsystems. O acordo rendeu à Lucent US$ 570 milhões em dinheiro e poderia gerar até US$ 10 bilhões para a fabricante contratada. Com a parceria, a Lucent pretendia concentrar-se no desenvolvimento dos sistemas de rede e transferir a fabricação à Celestica.
Em 7 de janeiro de 2002, Patricia Russo foi nomeada presidente do conselho e diretora executiva da Lucent em caráter permanente. Ela havia sido vice-presidente executiva do escritório corporativo da empresa antes de assumir a direção de operações da Eastman Kodak. Russo sucedeu Schacht, que permaneceu no conselho de administração.
O quadro de funcionários caiu de cerca de 165.000, no auge da empresa, para 30.500. A demissão de tantos profissionais experientes enfraqueceu a Lucent e impediu que ela se recuperasse quando o mercado voltou a crescer em 2003. No início daquele ano, o valor de mercado era de US$ 15,6 bilhões, dos quais US$ 6,8 bilhões correspondiam ao valor da Avaya e da Agere Systems, recém-separadas da empresa. Isso equivalia a cerca de US$ 2,13 por ação, muito abaixo dos aproximadamente US$ 84 alcançados na bolha da internet, quando a Lucent valia US$ 258 bilhões.
A Lucent manteve suas atividades em comutação telefônica e em redes ópticas, de dados e sem fio.
Em 2004, a Securities and Exchange Commission aplicou à empresa uma multa de US$ 25 milhões por falta de cooperação na investigação de fraude.