A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado é o terceiro álbum de estúdio da banda brasileira de rock Os Mutantes, lançado em março de 1970 pela Polydor Records.

A faixa-título, "Ando Meio Desligado", foi a 75ª mais tocada no Brasil em 1970. Em outubro de 2007, a revista Rolling Stone Brasil divulgou uma lista dos "100 Maiores Discos da Música Brasileira", na qual A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado ocupou a 22ª posição.

Produção O álbum foi gravado em outubro de 1969, no estúdio Scatena, em São Paulo. Foi a primeira participação de Dinho Leme como membro da banda, apesar de ter sua participação registrada como baterista acompanhante. O baixista Liminha, que veio a se tornar membro da banda posteriormente, também tocou nas faixas "Hey Boy" e "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo". Além disso, o músico Naná Vasconcelos toca percussão em "Ando Meio Desligado" e "Desculpe, Babe".

A faixa "Desculpe, Babe" inclui um efeito de talkbox, feito por Cláudio César, irmão mais velho de Sérgio e Arnaldo, para distorcer a voz de Sérgio.

A faixa-título, "Ando Meio Desligado", foi apresentada originalmente no Festival Internacional da Canção de 1969, da TV Globo.

Arte da capa A capa apresenta uma reprodução de uma gravura do ilustrador francês Gustave Doré para a obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, que representa um morto saindo de sua sepultura. A releitura foi feita no jardim da casa dos irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista, por ideia do irmão mais velho, Cláudio César. Para replicar a gravura, os irmãos cavaram um buraco para imitar a sepultura, onde colocaram uma pequena fogueira. A pedra da lápide foi feita com isopor, que também cobria as laterais do buraco. Arnaldo representou o morto saindo da sepultura, enquanto Sérgio e Rita ficam acima, vestidos em mantos e com folhas de louro nas cabeças, observando-o.

A contracapa do álbum mostra o trio (Arnaldo, Rita e Sérgio) em uma cama, aparentando estarem nus, cobertos apenas por um cobertor. O baterista Dinho Leme aparece ao lado, de pé, fantasiado de oficial nazista.

Recepção crítica

Avaliações retrospectivas O sítio AllMusic dá ao disco uma avaliação de quatro de cinco estrelas, e em revisão, o crítico musical Ari Wiznitzer escreve: "Esses três adolescentes, ao tentarem imitar seus heróis estadunidenses, conseguiram superá-los. (...) Este álbum é um dos melhores e mostra a capacidade da banda de transformar gêneros em sua própria originalidade distorcida", e completa: "A cada audição, A Divina Comédia no Ando Meio Desligado revela novos segredos, fazendo valer o preço ao acesso."

Lista de faixas De acordo com o sítio Discos do Brasil:

Ficha técnica Os Mutantes Arnaldo Baptista – vocais principais, vocais de apoio, piano, órgão, baixo Rita Lee – vocais principais, percussão, efeitos Sérgio Dias – vocais de apoio, guitarra, baixo Dinho Leme – bateria

Músicos adicionais

Raphael Vilardi – vocais, guitarra acústica (faixa 6) Naná Vasconcelos – percussão (faixas 1 e 4)

Produção musical

Arnaldo Saccomani – produção

Rogério Duprat – arranjo orquestral Não creditados

Liminha - baixo (faixas 6 e 7)

Ligações externas

Fontes

. Os Mutantes: hibridismo tecnológico na música popular brasileira dos anos 60/70. Revista Sonora, nº 7, v. 4, 2012, pp. 1–7. . . Os Mutantes: o mito que permeia a história ou a contracultura que salva, amém-te!. Anais do I Congresso Internacional de Estudos do Rock, UNIOESTE, 2013.

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