São Gonçalo do Amarante é um município brasileiro, localizado na Região Metropolitana de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, na Região Nordeste do país. Possui uma área territorial de aproximadamente 249,800 km². É o quarto município mais populoso do estado, atrás apenas de Natal, Mossoró e Parnamirim, com a população no ano de 2022 em 115.467 habitantes.
É um município brasileiro conhecido em todo o mundo por ter sido cenário de um dos eventos mais significativos de toda a história do Rio Grande do Norte e da religião católica brasileira, quando holandeses exterminaram oitenta pessoas no evento conhecido como Massacre de Uruaçu, ocorrido em 1645. Em 2017, esses mártires foram reconhecidos como santos, na Praça São Pedro, no Vaticano, em uma cerimônia presidida pelo Papa Francisco.
Ao longo de sua história, São Gonçalo do Amarante perdeu sua autonomia algumas vezes, até conseguir sua emancipação definitiva em 1958, quando se desmembrou de Macaíba. Abriga, desde 2014, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, um complexo aeroportuário brasileiro, que foi o primeiro aeroporto brasileiro a ser privatizado e atende à demanda do transporte de cargas e de passageiros da Região Metropolitana de Natal.
História thumb|esquerda|150px|Retrato de Felipe Camarão, por Victor Meirelles de Lima.
Antes, o território que corresponde ao atual município de São Gonçalo do Amarante era habitado pelos índios potiguaras, entre os quais destaca-se Poti, conhecido por Felipe Camarão, originário de uma comunidade de Extremoz.
O seu nome deriva de Gonçalo de Amarante, que foi um eclesiástico português, padroeiro da cidade de Amarante em Portugal.https://www.cm-amarante.pt/pt/s-goncalo-de-amarante São Gonçalo do Amarante teve seus primeiros habitantes apenas no século XVII, os membros da família de Estevão Machado de Miranda, logo sacrificados pelos holandeses no massacre de Cunhaú e Uruaçu, em 1645. Somente em 1689, teriam ocorrido as expedições que deram origem ao repovoamento do local, vindas de Pernambuco, após a expulsão dos invasores.
No século XVIII, em 1710, próximo ao Engenho Potengi, vieram de Pernambuco e instalaram-se, às margens do rio homônimo, Paschoal Gomes de Lima e Ambrósio Miguel Sirinhaém, naturais de Portugal, junto com suas famílias. Após a instalação, ambos construíram suas residências e foram responsáveis por construir uma pequena igreja, tendo como padroeiro o santo Gonçalo de Amarante. No altar dela, uma imagem do santo feita de pedra foi colocada, dando origem ao topônimo do município.
Em 11 de abril de 1833, durante o governo de Manoel Lobo de Miranda Henrique, foi criado o município de São Gonçalo do Amarante. Em 1856, durante o governo de Antônio Bernardes de Passos, São Gonçalo do Amarante foi atingida por uma epidemia de cólera, que matou um total de 171 pessoas. Em 1868, por meio de uma lei provincial sancionada pelo governador Gustavo Augusto de Sá, o município perdeu sua autonomia, sendo anexado ao município de Natal, capital da província do Rio Grande do Norte. Somente seis anos mais tarde a vila foi desmembrada e novamente elevada à condição de município.
Mas cinco anos depois (1879), a população de São Gonçalo do Amarante foi vitimada por um golpe que transferiu a sede do governo municipal para a vila de Macaíba, antes denominada Cuité. Em 1890, alguns meses após o episódio da proclamação da república, o vice-presidente do estado do Rio Grande do Norte, José Inácio Fernandes Barros, elevou a vila de São Gonçalo do Amarante, que pertencia a Macaíba, à condição do município.
Com o decreto-lei estadual nº 268 de 1943, São Gonçalo do Amarante mais uma vez perdeu sua autonomia política, voltando de novo a ser distrito de Macaíba, com o nome de Felipe Camarão, e perdendo parte de suas terras, que deram lugar ao atual município de São Paulo do Potengi. Foi somente com a sanção da lei estadual nº 2324, de 11 de dezembro de 1958, que o distrito obteve definitivamente sua emancipação política, e com seu nome alterado, de Felipe Camarão para seu nome atual, São Gonçalo do Amarante.
Geografia De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, São Gonçalo do Amarante pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Natal. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Macaíba, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Leste Potiguar.
Integrando a Região Metropolitana de Natal (RMN) e o Polo Costa das Dunas, São Gonçalo do Amarante está distante dezessete quilômetros do centro de Natal, capital estadual, com quem se limita a leste. Os demais limites do município são Ceará-Mirim e Extremoz a norte, Macaíba a sul e Ielmo Marinho a oeste. Sua área territorial é de 249,8 (0,473% da superfície estadual), dos quais constituem a área urbana (2019).
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No município predomina um relevo plano, formado por terrenos baixos compostos por argila, de cor amarela e/ou vermelha. Em sua formação, pode-se notar a presença de sedimentos costeiros, próximos às várzeas do Rio Potengi e nos terraços de tabuleiros do Grupo Barreiras. O solo predominante é o latossolo, existindo áreas menores de areias quartzosas (neossolos na nova classificação) a leste e, a sudoeste, planossolos e solos podzólicos vermelho-amarelos (este agora denominado de luvissolo). Às margens do rio Potengi estão tanto os solos aluviais quanto os solos de mangue, cobertos pelas matas de várzeas e manguezais, respectivamente, ambos parte do bioma da Mata Atlântica, que também se engloba as florestas subperifólia e subcaducifólia e os tabuleiros litorâneos. A maior parte do município, porém, está inserido nos domínios da Caatinga, que engloba 94% do seu território, estando os 6% restantes na Mata Atlântica, caracterizando-se assim uma transição entre os dois biomas.
A bacia hidrográfica predominante, que cobre 82,65% do território do município, é a do Rio Potengi, estando os 17,35% restantes na bacia hidrográfica do Rio Doce. O principal rio que corta o município é o rio Potengi, que nasce em Cerro Corá e possui um curso de 176 quilômetros, desaguando no Oceano Atlântico, em Natal. Outros rios importantes são Camaragibe e Prata. A hidrografia local é ainda marcada pela lagoa Bela Vista e os córregos dos Guajirus, Onça, Santo Antônio, Serrinha e Tapará.
O clima, por sua vez, é tropical chuvoso Aw, com chuvas concentradas entre os meses de março e julho. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1992, o maior acumulado de chuva em 24 horas registrado em São Gonçalo do Amarante chegou a em 30 de julho de 1998. Desde outubro de 2018, quando a EMPARN instalou uma estação meteorológica automática na cidade, a menor temperatura ocorreu em 25 de agosto de 2020 () e a maior em 12 de janeiro de 2019 ().
Demografia
A população de São Gonçalo do Amarante cresceu 32,1% no período compreendido entre os censos de 2010 e 2022, a uma taxa de crescimento geométrico de 2,32% do ano, saltando de em 2010 para em 2022, apresentando uma densidade demográfica de e uma média de 2,9 moradores por domicílio no último censo. Com 51,44% dos habitantes do sexo feminino de 48,56% do sexo masculino, a razão de sexo era de 94,4 ( homens para cada dez mil mulheres). No quesito de cor ou raça, 53% eram pardos, 34,06% brancos, 12,44% pretos, 0,35% indígenas e 0,16% amarelos. A idade mediana da população era de 32 anos, variando de 30 anos em brancos e indígenas a 37 em pretos, e a média de moradores por domic
Segundo o censo de 2010, o último com dados divulgados acerca de religião, 70,44% dos habitantes eram católicos, 20,2% evangélicos e 7,84% não tinham religião, enquanto outras denominações somavam 1,52%. Na Igreja Católica, o município pertence à Arquidiocese de Natal e possui três paróquias, sendo elas São Gonçalo (padroeiro), Santo Antônio, São Lucas e Santo Expedito. São Gonçalo do Amarante também possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, sendo a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus as principais denominações.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era 0,661, estando na 16ª posição a nível estadual e na ª colocação a nível nacional. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,829, o valor do índice de renda é 0,619 e o de educação 0,564. Em 2010, 78,75% da população viviam acima da linha de pobreza, 12,72% entre as linhas de indigência e de pobreza e 8,53% abaixo da linha de indigência. No mesmo ano, os 20% mais ricos acumulavam 48,63% do rendimento total municipal, enquanto os 20% mais pobres apenas 3,8%, sendo o valor do índice de Gini, que mede a desigualdade social, de 0,46.
Política De acordo com a lei orgânica de São Gonçalo do Amarante, promulgada em 3 de abril de 1990 e alterada por emendas posteriores, a administração municipal se dá por dois poderes, independentes e harmônicos entre si, o executivo e o legislativo. O primeiro é representado pelo prefeito e seu gabinete de secretários. O segundo é exercido pela Câmara Municipal, formada por dezessete vereadores. A sede da câmara, instalada em 1° de abril de 1960, é o Palácio Poti Cavalcanti, antiga cadeia pública.
Em complementação ao processo legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Direito da Criança e do Adolescente, Educação, da Mulher e Saúde. São Gonçalo do Amarante abriga uma comarca do poder judiciário estadual, de segunda entrância, instalada no Fórum Desembargador Ivan Meira Lima. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, São Gonçalo do Amarante pertence à 51ª Zona Eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em abril de 2022, eleitores, o que representa 2,836% do total do eleitorado potiguar.
Subdivisões A área urbana de São Gonçalo do Amarante é subdividida em quatorze bairros. Bairros por população (IBGE/2022) Bairro Ano decriação População Amarante 2012 Centro 2016No caso do Centro, a data refere-se à delimitação oficial do bairro, e não à sua criação histórica. Golandim 2011 Guajiru 2016 Jardim Lola 2011 Jardins 2011 Maçaranduba 2016 Novo Amarante 2012 Olho D'Água 2014 Parque dos Ipês2020 - Regomoleiro 2012 O bairro Parque dos Ipês foi criado a partir do desmembramento de quase metade do bairro Regomoleiro e de uma pequena parcela do bairro Santo Antônio do Potengi, passando, assim, a absorver parte da população anteriormente residente nesses bairros. Santa Terezinha 2016 Santo Antônio do Potengi 2014 O bairro Parque dos Ipês foi criado a partir do desmembramento de quase metade do bairro Regomoleiro e de uma pequena parcela do bairro Santo Antônio do Potengi, passando, assim, a absorver parte da população anteriormente residente nesses bairros.Arvoredo2025 -
Comunidades
A zona rural do município é composta por diversas comunidades tradicionalmente reconhecidas na organização territorial local.
Jacaré-Mirim Guanduba Oiteiros Coqueiros Jacobina Milharada UruaçuNessa comunidade localiza-se o Santuário dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Jacaraú Pajuçara Utinga Belo Horizonte Califórnia Campina Bela Vista Poço de Pedra Igreja Nova Tapará Ladeira Grande Olho d'Água do Chapéu Serrinha de Cima Serrinha do Meio Serrinha de Baixo Riacho do Meio Rio da Prata Alagadiço Grande Barro Duro Genipapo Chã do Moreno
Economia O Produto Interno Bruto de São Gonçalo do Amarante em 2010 era R$ mil, enquanto o PIB per capita era R$ .