Carlos José Castilho, mais conhecido como Castilho (Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1927 Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 1987), foi um futebolista e treinador brasileiro, que atuava como goleiro.
Foi campeão das Copas do Mundo FIFA de 1958 e 1962, sendo o goleiro reserva em ambas.
Atuou por 704 vezes pelo , se tornando o recordista de partidas pelo clube carioca.https://fluzao.xyz/mostra_ranking/800805000000
Origens e família Vida pessoal Castilho nasceu em uma família de seis filhos, sendo o terceiro deles. Era filho de Ezequiel José Castilho e Mariana Raya, espanhola nascida em Málaga que imigrou ainda criança para o Brasil. Através da convivência com a mãe e a tia materna, Castilho chegou a aprender castelhano. miniaturadaimagem|Mariana Raya, mãe de Castilho. Nunca demonstrou grande interesse pelos estudos, que abandonou aos 12 anos de idade para trabalhar como entregador de carvão em uma carvoaria. No ano seguinte, empregou-se em uma leiteria (trabalho de que, por ironia do destino, Castilho gostava muito), onde acordava de madrugada para lavar e encher as latas de leite antes de distribuí-las pela vizinhança. Aos 15 anos, após a morte prematura da mãe, passou a trabalhar ao lado de um de seus irmãos em uma fábrica de artefatos de galalite. miniaturadaimagem|Fotografia de casamento de Castilho. Aos 25 anos, casou-se com Wilma Lopes, com quem teve dois filhos, Carlos Roberto Lopes de Castilho e Shirley Lopes de Castilho. O casal divorciou-se posteriormente.miniaturadaimagem|Castilho e o filho Carlos Roberto jogando futebol de botão.
Primeiros contatos com o futebol miniaturadaimagem|Castilho no começo da carreira. Paralelamente à vida profissional, mantinha o sonho de tornar-se jogador de futebol, participando de rachões e peladas de rua. Apesar da idolatria por Batatais, Castilho atuava como atacante em seu primeiro clube, o amador Tupan F.C., do bairro de Brás de Pina.
Certa vez, o goleiro da equipe não apareceu para uma partida e Castilho, julgado como o “pior jogador do time”, foi improvisado na posição, da qual gostou imediatamente, embora viesse a se fixar nela apenas anos mais tarde.
Aos 17 anos, conseguiu a promessa de um jogador do Olaria Atlético Clube de que seria apresentado ao “Coronel” Menezes, pai de Ademir de Menezes e intermediário entre jogadores (muitas vezes pernambucanos) e clubes cariocas. Tímido, Castilho teria apenas perguntado:“O Sr. quer arranjar-me uma vaguinha para treinar entre os juvenis do Olaria?”
Olaria Após o encontro, Castilho foi aprovado nos testes do Olaria e inscrito no quadro de juvenis do clube. Inicialmente escalado na ponta-esquerda durante os treinamentos, convenceu posteriormente o treinador a transferi-lo para o gol.
Permaneceu no Olaria de 1944 a 1946. Apesar do período no clube, não chegou a disputar partidas pelo calendário oficial das equipes da base olariense.
Fluminense
Primeiros anos miniaturadaimagem|Castilho (ao centro) posa com a equipe antes de sua estreia pelo Fluminense, em outubro de 1946. Castilho chegou ao Fluminense Football Club também através do “Coronel” Menezes, pai de Ademir de Menezes, que havia negociado a transferência do filho para o clube. Submetido a uma série de treinamentos sob a supervisão de Gentil Cardoso, Castilho não teve bom desempenho inicial; ainda assim, no terceiro dia de avaliações, Gentil solicitou ao Fluminense que lhe oferecesse um contrato.
Foi inscrito pelo clube na condição de “não amador” em 12 de setembro de 1946.
Sua estreia ocorreu um mês após o ingresso formal no clube, durante uma excursão a Pouso Alegre. O Fluminense apresentou uma equipe reserva composta majoritariamente por jogadores das categorias de base e, entre eles, o jovem goleiro Castilho (então conhecido como “Carlinhos”) que, na ocasião, defendeu o primeiro pênalti de sua carreira para manter o placar de 4 a 0 favorável ao Tricolor.
Em 1947, foi vice-campeão carioca no campeonato de aspirantes e recebeu suas primeiras oportunidades na equipe principal do Fluminense já durante o returno do Campeonato Carioca.
Afirmação no clube No Fluminense, Castilho viveu praticamente toda a sua trajetória profissional. Tricolor desde a infância, estreitou seus laços com a torcida do clube à medida que acumulava temporadas cada vez mais regulares, títulos e o prestígio dos companheiros, principalmente os mais jovens, embora nunca tenha sido capitão do Fluminense.miniaturadaimagem|Castilho em 1948, ano em que assumiu o posto de titular do Fluminense.
Castilho apontou o período de 1949 a 1953 como o auge de sua carreira e destacou duas partidas disputadas na Bulgária, durante a excursão do Fluminense pela Europa em 1961, como as melhores de sua trajetória.miniaturadaimagem|Castilho beija a taça da Copa Rio após a partida final do torneio.Entre seus momentos de maior destaque esteve a campanha da Copa Rio de 1952, na qual Castilho enfrentou alguns dos principais ataques do futebol mundial, foi vazado em apenas dois dos sete jogos do Fluminense no torneio e defendeu um pênalti de Alfred Bickel, centroavante do Grasshopper Club Zürich. Outro desempenho notável do goleiro foi sua campanha no Campeonato Carioca de 1959, quando sofreu apenas seis gols em 21 partidas e foi eleito "craque do ano".miniaturadaimagem|Jair Marinho, Castilho e Escurinho comemoram a conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1960 no vestiário do Maracanã. Também enfrentou episódios difíceis, como na decisão do ano seguinte, em que uma falha sua culminou no título do America Football Club; e em 1955, quando sucessivas lesões restringiram Castilho a atuar, na soma das temporadas, em apenas 19 jogos, período em que dividiu a titularidade da equipe com Veludo e lhe foi sugerido abandonar a profissão.miniaturadaimagem|Castilho em disputa com Murilo no Fla-Flu do primeiro turno do Campeonato Carioca de 1964.Viu sua carreira encerrar em alta ao conquistar o Campeonato Carioca de 1964. Aos 37 anos, terminou a competição sendo o goleiro menos vazado do certame e defendeu um pênalti cobrado por Parada, que viria a ser eleito craque do campeonato.
Foi elevado ao status de exceção histórica pelas crônicas esportivas de Nelson Rodrigues, que o citavam como um goleiro capaz de realizar defesas "sobrenaturais". Castilho admitia ter uma inacreditável sorte, que deu origem a muitos de seus apelidos.
Embora frequentemente atribuída à sorte, a “Leiteria” era creditada, por contemporâneos de Castilho no futebol, à sua apurada capacidade de colocação. Dedicação ao Tricolor miniaturadaimagem|Castilho atuando sem luvas em partida do Torneio Rio-São Paulo de 1959, expondo o dedo parcialmente amputado. Em 1957, após fraturar pela quinta vez o dedo mínimo da mão esquerda, Castilho foi aconselhado pela equipe médica do Fluminense a permanecer em repouso por três meses para tratar a deformidade óssea no membro. No entanto, optou pela amputação parcial do dedo, por julgar que a intervenção lhe permitiria retornar o quanto antes às atividades e cessaria as dores. Duas semanas após a cirurgia, ele já havia voltado a defender o Fluminense.
Castilho também teve ambos os meniscos extraídos entre 1953 e 1955, em decorrência de lesões, dores e incômodos. Anos depois, queixou-se das diversas lesões e cirurgias a que foi submetido, afirmando que elas limitaram sua carreira.
Marcas históricas miniaturadaimagem|Castilho cumprimenta Fábio Carneiro de Mendonça em solenidade promovida pelo Fluminense ao término do Campeonato Carioca de 1951. No ano de 1952, Castilho foi citado como o melhor jogador de futebol do Brasil. Naquela temporada, defendeu seis cobranças de pênalti e consolidou as alcunhas "São Castilho", "Leiteria" e "Cortina Metálica", esta última difundida pela imprensa internacional. A distinção veio após Castilho se destacar no Campeonato Carioca, no Torneio Rio-São Paulo, no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, no Campeonato Panamericano de Futebol e na Copa Rio, sagrando-se campeão invicto nas duas últimas competições.
Foi apontado, pelo jornal O Globo, como o melhor goleiro do Campeonato Carioca em 1950, 1951, 1952, 1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1961, 1963 e 1964.
Pelo Fluminense, jogou 704 vezes, sofreu 770 gols e jogou 269 partidas sem sofrê-los entre os anos de 1946 e 1965, números que permanecem inigualados na história do clube.
Empréstimo ao Paysandu thumb|right|350px|O Paysandu na tarde da vitória sobre o Peñarol: Oliveira, Beto, Jota Alves, Abel, Castilho e Carlinhos; Quarentinha, Pau Preto, Edson Piola, Milton Dias e Ércio. Após a estreia no segundo turno do Torneio Rio-São Paulo de 1965, Castilho realizou uma amigdalectomia e, concluído o período de recuperação, solicitou ao Fluminense a rescisão do contrato que havia renovado em março daquele ano, visando encerrar a carreira. O clube, contudo, recusou o pedido e informou que pretendia fazê-lo cumprir integralmente o vínculo. Castilho insistiu na rescisão, afirmando que não seria capaz de receber ordenados sem trabalhar, pois considerava isso uma desonestidade, e declarou-se disposto a devolver o valor que havia recebido como adiantamento pelo novo contrato.
O impasse se prolongou por algumas semanas, até que Castilho recebeu uma proposta do Paysandu Sport Club, que lhe oferecia um salário cerca de cinco vezes superior ao que recebia no Fluminense. Diante da oportunidade, solicitou à diretoria tricolor seu empréstimo ao clube paraense, sendo liberado para atuar até o fim de 1965.
Sua breve passagem pelo Paysandu ficou marcada pela conquista do Campeonato Paraense de 1965 e pela vitória sobre o Club Atlético Peñarol, então em uma de suas fases mais vitoriosas. Em votação promovida pelo jornalista e historiador Ferreira da Costa, por ocasião das comemorações dos 98 anos do Paysandu, cem eleitores ligados à agremiação elegeram Castilho como o maior goleiro da história do clube.
Encerrado o empréstimo, Castilho voltou a despertar o interesse de outros clubes. Foi noticiado que Zezé Moreira pretendia levá-lo ao Club de Regatas Vasco da Gama, seu nome foi associado à Ponte Preta, e o próprio Fluminense demonstrou interesse em sua permanência. Apesar das propostas e sondagens, Castilho manteve a decisão de encerrar a carreira.
Seleção Brasileira miniaturadaimagem|Castilho e Gilmar em Poços de Caldas com a Seleção Brasileira. Entre 1953 e 1962, foram os principais goleiros da equipe nacional. Castilho integrou a Seleção Brasileira de Futebol e realizou seus primeiros treinamentos com a equipe em 1949. Aprovado na "peneira" de 41 selecionáveis, ficou entre os 22 jogadores que disputariam o Campeonato Sul-Americano de Futebol (atual Copa América) sediado no Brasil. Porém acabou dispensado às vésperas do campeonato em razão de uma hepatite, que viria a afastá-lo dos gramados por cerca de 120 dias. miniaturadaimagem|Seleção Brasileira antes da partida contra o México na estreia do Panamericano de 1952. Em pé: Araty, Brandãozinho, Nílton Santos, Bauer, Castilho e Pinheiro; agachados: Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Ademir de Menezes e Rodrigues. Conquistou o Campeonato Panamericano de Futebol de 1952, competição recordada por representar a primeira campanha vitoriosa da Seleção Brasileira em solo estrangeiro e pela recepção prestada aos campeões no regresso ao Brasil. Titular da equipe, Castilho sofreu apenas dois gols no torneio, ambos diante do Uruguai. miniaturadaimagem|Jogadores da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1962 posam para fotografia. Em pé: Djalma Santos, Zito, Zózimo, Altair, Castilho e Mauro; agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo.Jogou três edições do Sul-Americano: 1953, 1957 e 1959, somando três vice-campeonatos. Participou ainda de quatro edições da Copa do Mundo FIFA: 1950, 1954, e das equipes campeãs de 1958 e 1962, tendo sido titular em 1954.miniaturadaimagem|Castilho disputa a bola com Jenő Buzánszky em partida que ficou conhecida como a "Batalha de Berna", válida pelas quartas de finais da Copa do Mundo de 1954.