A Carolina do Norte () é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na região sudeste do país. A Carolina do Norte possui um dos litorais mais traiçoeiros e acidentados do país, por causa da grande presença de recifes e bancos de areia ao longo da costa, e pelo estado imprevisível das condições dos oceanos na região, que ao longo da história da Carolina do Norte provocaram diversos acidentes marítimos e naufrágios, especialmente ao longo do Cabo Hatteras, que possui o cognome de Graveyard of the Atlantic (o cemitério do Atlântico).

A geografia da Carolina do Norte é variada. A região oeste do estado possui um terreno altamente acidentado, coberto por diversas altas cadeias montanhosas e vales profundos. O ponto mais alto do leste dos Estados Unidos localiza-se na Carolina do Norte. É o Monte Mitchell, com seus 2 037 metros de altitude. À medida que se viaja, as cadeias montanhosas e os vales dão lugar gradualmente a terrenos relativamente planos. A região da Carolina do Norte próxima ao oceano Atlântico é coberta por diversos pântanos e lagos.

A Carolina do Norte é um grande centro industrial. Sua principal fonte de renda é a indústria de manufatura. A Carolina do Norte é a maior produtora nacional de cigarro, que utiliza muito do tabaco — do qual o estado é a maior produtor nacional — cultivado no estado. Outras fontes de renda importantes são o turismo, a prestação de serviços educacionais, financeiros e imobiliários.

O primeiro assentamento inglês no continente americano foi a Colônia de Roanoke, fundada na ilha de Roanoke, em 1585. Parte dos colonos desta colônia retornaram à Inglaterra ainda em 1585. Quando estes colonos retornaram para Roanoke, em 1587, os colonos que haviam ficado, haviam desaparecido misteriosamente, deixando como único vestígio uma misteriosa palavra gravada em uma árvore: "Croatoan".

A região que atualmente constitui a Carolina do Norte posteriormente faria parte da colônia inglesa de Carolina, nomeado em homenagem ao rei Carlos II de Inglaterra. Em 1712, a colônia de Carolina separou-se em duas distintas colônias, a Carolina do Norte e a Carolina do Sul. A Carolina do Norte, então, incluía toda a região que atualmente constitui o estado de Tennessee.

A Carolina do Norte foi a primeira colônia britânica a votar oficialmente pela independência após o início da guerra da independência. Após o fim da revolução e da independência dos Estados Unidos, a Carolina do Norte tornou-se o 12º estado norte-americano, em 21 de novembro de 1789. Em 1861, a Carolina do Norte foi um dos 11 estados sulistas que secederam-se da União e formaram os Estados Confederados da América, desencadeando a guerra civil. Nenhum estado confederado perdeu mais soldados do que a Carolina do Norte; soldados provenientes do estado responderam no total por cerca de 25% das baixas confederadas.

Segundo diz a lenda, foi na guerra civil que a Carolina do Norte ganhou seu atual cognome, The Tar Heel State (O estado do calcanhar de piche). O piche fora uma das principais fontes de renda da Carolina do Norte durante o período colonial. Durante uma dada batalha ocorrida no estado vizinho da Virgínia, tropas confederadas recuaram, deixando tropas da Carolina do Norte sozinhas contra as forças da União. Após a batalha, que resultou em vitória confederada, os soldados da Carolina do Norte teriam afirmado que fariam uso de piche nos calcanhares de tropas aliadas para evitar que estes "desgrudassem" (fugissem) da batalha. Outro cognome do Estado é Old North State (Velho estado do norte).

História Até 1712 Cerca de 30 tribos nativos norte-americanos viviam na região que atualmente constitui a Carolina do Norte, à época da chegada dos primeiros exploradores europeus na região. Estas tribos incluíam os cherokees na região das Montanhas Blue Ridge do oeste da Carolina do Norte, os hattera, que viviam ao longo do litoral do atual estado, e os catawba, chowanoc e os tuscarora da região do Piemonte.

O primeiro explorador europeu a explorar e desembarcar na costa da atual Carolina do Norte foi o italiano Giovanni da Verrazzano, a serviço da coroa francesa, que desembarcou no cabo Fear em 1524. Verrazzano enviou relatórios onde descrevia a região como "deslumbrante", e sugeriu ao rei francês, Francisco I de França, que iniciasse a colonizar a região, tendo o último ignorado a sugestão de Verrazzano. Apenas dois anos depois, o explorador espanhol Lucas Vásquez de Ayllón também desembarcou no cabo Fear, buscando por uma região adequada para a fundação de um assentamento espanhol, embora também não tenha se interessado pela região. Nas sete décadas que se seguiriam, diversos exploradores franceses e espanhóis explorariam a região, os primeiros atrás de peles de animais e os últimos atrás de metais preciosos. Ambos não fundariam nenhum assentamento de caráter permanente na Carolina do Norte.

No início da década de 1580, os ingleses iniciaram seus esforços de colonização da costa atlântica da América do Norte. Em 1584, Walter Raleigh enviou diversos exploradores à costa atlântica, mais exatamente para o trecho de litoral que faz parte atualmente do litoral da Carolina do Norte. No ano seguinte, em 1585, o primeiro assentamento britânico em todo o continente americano foi fundada, na ilha de Roanoke.

Severos problemas como o inverno rigoroso e a falta de suprimentos forçaram os colonos da colônia inglesa de Roanoke a voltarem para a Inglaterra. Um novo grupo de colonos retornaria à ilha de Roanoke em 1587, comandados por John White, que atuaria como o governador da colônia. Uma nova colônia seria estabelecida na ilha. Em 18 de agosto de 1587 nasceu Virgina Dare, a primeira pessoa de ascendência inglesa a nascer nos Estados Unidos. Ainda em 1587, White e parte dos colonos partiram de volta à Inglaterra, com a missão de trazer suprimentos para a recém-fundada colônia inglesa, que seria futuramente conhecida como Colônia de Roanoke. Porém, o início da guerra entre a Inglaterra e a Espanha e outros problemas adiaram a viagem de volta de White, que somente retornou à Roanoke em 1590, onde a colônia — e todos os seus habitantes — haviam desaparecido misteriosamente.

Após o fracasso de Roanoke — que ficaria conhecido como a "Colônia Perdida" — os ingleses não iniciariam novas tentativas de colonizar a região até o final da década de 1620, neste período concentrando-se no povoamento do norte das Treze Colônias. Em 1629, o rei cedeu o sul das Treze Colônias para Robert Heath. Esta colônia incluía as regiões que atualmente constituem a Carolina do Norte e Carolina do Sul. Futuramente, seriam adicionadas à Carolina a Geórgia e o Tennessee. Heath nomeou esta colônia de Carolana, uma palavra latim, que significa "Terra de Charles".

As primeiras tentativas de Heath em colonizar a província de Carolina falharam. Foi somente em 1650 que o primeiro assentamento inglês foi fundado na Carolina, onde está localizado atualmente Albermarle Sound. Em 1663, o rei Carlos II de Inglaterra confiscou a província de Carolina dos descendentes de Heath, e cedeu a colônia a oito lordes — conhecidos como lords proprietors (lordes proprietários) — que administrariam em conjunto a província de Carolina. Carlos II assim fez em recompensa aos lordes, que haviam apoiado sua ascensão ao poder. A província de Carolina foi subdividida em três condados: Albermarle (norte da atual Carolina do Norte e o Tennessee), Clarendon (atual cabo Fear) e Craven (atuais Carolina do Sul e Geórgia).

Os lordes proprietários indicavam os governadores dos dois condados que constituíam a província de Carolina. Estes governadores pouco interesse tinham em governar os condados, possuindo primariamente interesses financeiros e políticos. Albermarle entrou em um período de instabilidade política entre meados da década de 1660 até o final da década de 1680. Entre 1664 e 1689, todos os governadores de Albermarle indicados pelo governador da província de Carolina foram depostos pela população. Em 1677, uma grande revolta popular ocorreu em Albermarle contra o governo da colônia. A população do condado governou por um ano Albermarle antes que tropas inglesas restabeleceram o poder ao governador, em 1678.

Em 1691, os lordes proprietários passaram a indicar um governador que administraria a província de Carolina como um todo. Este governador teria a responsabilidade de indicar um deputado governador, com o intuito de administrar os dois condados da Carolina. Estes governadores governaram a Carolina e os condados honestamente, e tornaram-se populares entre a população. A colônia passou a atrair crescentes números de europeus - que instalavam-se em sua maior parte no Condado de Albermarle. Em 1705, Bath tornou-se oficialmente a primeira cidade da Carolina. Em 1710, diversas comunidades espalhavam-se ao longo do litoral e do interior da atual Carolina do Norte.

Os tuscarora realizaram um grande ataque nas comunidades habitadas por colonos de ascendência europeia no interior do condado de Albermarle, em 22 de setembro de 1711. Estes nativos estavam enfurecidos pela crescente perda de suas terras aos europeus. Os tuscarora mataram centenas de pessoas, roubaram pertences e queimaram colheitas e residências. Este ataque iniciou a Guerra Tuscarora, que perduraria até 25 de março de 1713, com vitória dos colonos.

As crescentes diferenças econômicas e políticas entre a população dos condados de Albermarle e Craven causaram eventualmente a dissolução da província de Carolina. Em seu lugar, foram fundados duas distintas províncias coloniais: a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, no que eram anteriormente os condados de Albermarle e Craven.

1712–1789 A população da Carolina do Norte continuou a aumentar rapidamente durante as décadas que se seguiram à sua criação, enquanto o crescimento populacional da Carolina do Sul foi significantemente menor. Apesar da divisão, porém, ambas as Carolinas eram oficialmente administradas pelos lordes proprietários ou seus descendentes. Estes cederam ambas as Carolinas à coroa britânica em 25 de julho de 1729, e ambas tornaram-se colônias da coroa, passando a ser governadas por governadores indicados pelo monarca britânico. Os novos governadores continuaram a governar a Carolina do Norte de forma relativamente honesta, tendo grande apoio popular, estimulando o crescimento populacional e atraindo grandes quantidades de imigrantes europeus à região. De uma população de 39 mil pessoas em 1729, a população da Carolina do Norte passou para 350 mil em 1775. A Carolina do Norte então prosperava com a indústria do tabaco, cujo cultivo iniciara-se por volta da década de 1730 e do algodão. Grandes latifúndios movidos a mão-de-obra escrava gradualmente substituíram pequenas fazendas de subsistência, especialmente ao longo do litoral da Carolina do Norte.

A Carolina do Norte fora uma das Treze Colônias mais leais à coroa britânica durante o século XVIII, tendo contribuído financeiramente e militarmente para diversas campanhas militares britânicas no continente americano, mais notavelmente, a Guerra Franco-Indígena. Porém, esta lealdade diminuiu consideravelmente após a instituição de diversas leis que instituíam impostos ou diminuíam a independência das Treze Colônias em relação à metrópole, o Reino Unido. Diversos grupos militantes, tais como o Sons of Liberty e os Regulators foram fundados. Os membros do Sons of Liberty realizaram diversos protestos, exigindo pela remoção destas leis. Os regulators, por sua vez, constituídos por fazendeiros do interior da Carolina do Norte, que viviam primariamente da agricultura de subsistência, revoltaram-se contra os latifúndios do litoral e o governo, em 1771, tendo sido derrotados em 16 de maio do mesmo ano por cerca de mil soldados britânicos.