Maputo é a capital e a maior cidade de Moçambique. É também o principal centro financeiro, corporativo e mercantil do país. Localiza-se na margem ocidental da baía de Maputo, no extremo sul do país, perto da fronteira com a África do Sul e da fronteira com o Essuatíni e, por conseguinte, da tripla fronteira dos três países (onde se situa a vila da Namaacha).
Fundada no século XVI, serviu como o principal entreposto português naquele ponto do oceano Índico, graças à sua baía privilegiada, tornando-se, em 1898, a capital da colónia; até 13 de março de 1976, a cidade era denominada "Lourenço Marques" em homenagem ao explorador português homónimo.
A cidade constitui administrativamente um município com um governo eleito e tem também, desde 1980, o estatuto de província.Resolução da Comissão Permanente da Assembleia Popular (CP AP) n° 5/80, de 26/06/1980, publicada no BR nº 025, I Série, 2º Supl. de 26 de junho de 1980, pág. 82-(1) a 82-(2). Não deve ser confundida com a província de Maputo, que ocupa a parte mais meridional do território moçambicano, excetuando a cidade de Maputo.
O município tem uma área de 346,7 km² e uma população de habitantes (Censo de 2017). A sua área metropolitana, que inclui o município da Matola e os distritos de Boane e Marracuene, tem uma população de habitantes.
Etimologia Foi fundada em 1782, na forma de uma feitoria com o nome de Lourenço Marques. A 9 de dezembro de 1876, foi elevada a vila e, em 10 de novembro de 1887, a cidade, por meio de um Decreto do Rei de Portugal (formalmente intitulado Decreto Régio). A cidade passou a designar-se Maputo depois da independência nacional, uma decisão anunciada pelo então presidente Samora Machel num comício a 3 de fevereiro de 1976Corvaja, Luigi (2003), Maputo: Desenho e Arquitectura. Edições FAPF, Maputo, p. 58. e formalizada em 13 de março.Decreto-Lei nº 10/76 de 13 de março de 1976. O nome provém do Rio Maputo, nomeado em homenagem ao Rei Mabhudu do clã Tembe no seculo XVIII.Kloppers, Roelie J. (2003). The History and Representation of the History of the Mabudu-Tembe (MA thesis). University of Stellenbosch. Retrieved 11 November 2025. Este rio nasce em Mpumalanga na África do Sul, passando por Essuatíni e desagua na baía da cidade, marcando parte da fronteira sul do país e que, durante a guerra pela independência de Moçambique, adquirira grande ressonância através do slogan "Viva Moçambique unido do Rovuma ao Maputo" (o Rovuma é o rio que forma a fronteira com a Tanzânia, a norte). Com a independência, a cidade sofreu um imenso afluxo populacional, devido à guerra civil travada no interior do país (1976–1992) e à falta de infraestruturas nas zonas rurais. O natural crescimento demográfico faria também com que a cidade se transformasse muito ao longo dos anos 1980 e 1990.
Para além destas duas designações, a cidade e a sua área também foram conhecidas por outros nomes, tais como Baía da Lagoa, Xilunguíne ou Chilunguíne (local onde se fala a língua portuguesa), Mafumo, Camfumo ou Campfumo (do clã dos M'pfumo), Delagoa e Delagoa Bay, sendo esta designação mais conhecida internacionalmente pelo menos até aos primeiros anos do século XX.Sopa, António e Bartolomeu Rungo (2006), Maputo — Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade. Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil, Maputo.
Entre 1980 e 1988, a cidade de Maputo incluiu a cidade da Matola, formando o Grande Maputo, com uma área de 633 km2.Resolução nº 5/80 de 26 de junho de 1980.
História
Domínio português
thumb|esquerda|Vista de Lourenço Marques em 1905 Na margem norte do Estuário do Espírito Santo Estuário da Baía de Maputo, em uma entrada para o oceano Índico, a cidade de Lourenço Marques foi fundada e nomeada em homenagem ao navegador português que, com António Caldeira, foi enviado em 1544 pelo governador de Moçambique em uma viagem de exploração. Britannica, Maputo, britannica.com, USA, acessado em 12 de janeiro de 2020 As fortalezas e feitorias que os portugueses estabeleceram, abandonaram e reocuparam na margem norte do rio tinham todas o nome de "Lourenço Marques". A cidade desenvolveu-se em torno de uma fortaleza portuguesa concluída em 1787, mas o actual assentamento europeu data de cerca de 1850, visto que o anterior foi totalmente destruído pelos nativos.
Em 1871, a povoação era descrita como um lugar pobre e com ruas estreitas, mas a crescente importância de Transvaal levou a um maior interesse do Império Português. Uma comissão foi enviada pelo governo português em 1876 para drenar a terra pantanosa perto do assentamento e construir um hospital e uma igreja. Cidade desde 1887, Lourenço Marques passou a substituir a Ilha de Moçambique como capital de Moçambique em 1898. Em 1895, a construção de uma ferrovia para Pretória, na África do Sul, causou um aumento populacional.
No início do século XX, com um porto bem equipado, com píeres, cais, armazéns de desembarque e guindastes elétricos, o que permitia que grandes navios pudessem descarregar cargas directamente para o transporte ferroviário, a cidade de Lourenço Marques desenvolveu-se sob domínio português e alcançou grande importância como uma cidade cosmopolita.
Com o crescimento contínuo da população da cidade e de sua economia em expansão centrada no porto, a partir de 1940 o governo de Portugal construiu uma rede de escolas primárias e secundárias, escolas industriais e comerciais, bem como a primeira universidade na região, a Universidade de Lourenço Marques, inaugurada em 1962. As comunidades de portugueses, islâmicos (incluindo ismaelitas), indianos (inclusive do Estado Português da Índia) e chineses (incluindo macaenses) conseguiram alcançar grande prosperidade através do desenvolvimento de setores industriais e comerciais da cidade. No entanto, a maioria da população africana nativa não conseguia se desenvolver economicamente. Antes da independência de Moçambique em 1975, milhares de turistas da África do Sul e da Rodésia (atual Zimbábue) frequentavam a cidade e suas praias, hotéis, restaurantes, casinos e bordéis. A Frente de Libertação de Moçambique, ou FRELIMO, formada na Tanzânia em 1962 e liderada por Eduardo Mondlane, lutou pela independência do domínio português. A Guerra de Independência de Moçambique durou mais de 10 anos, terminando apenas em 1974, quando o regime do Estado Novo foi derrubado em Lisboa por um golpe militar de esquerda — a Revolução dos Cravos. O novo governo português então concedeu independência a todos os territórios ultramarinos portugueses.
Depois da independência moçambicana thumb|esquerda|Imagem da Estação do Caminho de Ferro da cidade de Maputo em 1988
A República Popular de Moçambique foi proclamada em 25 de junho de 1975, em conformidade com o Acordo de Lusaka, assinado em setembro de 1974. Roman Adrian Cybriwsky, Capital Cities around the World: An Encyclopedia of Geography, History, and Culture, ABC-CLIO, USA, 2013, p. 181 Um desfile e um banquete de Estado concluíram os festejos da independência na capital, que se esperava ser rebatizada "Can Phumo", ou "Lugar de Phumo ", um chefe tsonga que morava na região antes de o navegador e comerciante português Lourenço Marques visitar o local pela primeira vez em 1545 e lhe dar o seu nome."Dismantling the Portuguese Empire", Time Magazine (July 7, 1975) No entanto, após a independência, o nome da cidade foi alterado (em fevereiro de 1976) para Maputo, que tem origem no rio Maputo. Em 1975, ainda no Governo de transição liderado pela FRELIMO de Samora Machel, governando Lourenço Marques Alberto Massavanhane, as estátuas de heróis portugueses foram removidas e, na sua maior parte, armazenadas na fortaleza. Por toda a cidade, soldados negros com fuzis soviéticos substituíram os militares do Exército Português (brancos e negros) com armas ocidentais. As ruas de Maputo, originalmente nomeadas em homenagem a heróis portugueses ou a datas importantes da história de Portugal, tiveram seus nomes mudados para referências africanas e passaram a homenagear figuras revolucionárias ou nomes históricos pré-coloniais.
Após a Revolução dos Cravos, que teve lugar em Portugal em 1974, mais de 250 mil portugueses saíram de Moçambique, deixando a economia e a administração do país seriamente comprometidas. Com o êxodo de portugueses especializados e não tendo sido formada uma capacidade técnica local, o país recém-independente não teve tempo de atribuir recursos para manter a sua infraestrutura ao nível de desenvolvimento alcançado.Constructing a History of Independent Mozambique, 1974-1982: A Study in Photography, 2013.
Neste contexto, a economia moçambicana ficou numa condição extremamente precária desde o seu início, e a FRELIMO, agora o partido do governo, pediu ajuda aos governos comunistas da União Soviética e da Alemanha Oriental, e adotou uma política económica socialista com planeamento centralizado. Até ao início dos anos 1980, o país encontrava-se falido e, devido à alta inflação, o dinheiro perdeu muito do seu valor. Dificuldades de abastecimento esvaziaram os estabelecimentos comerciais. Estas dificuldades foram agravadas por uma guerra civil longa e violenta entre a FRELIMO e a RENAMO, que assolou o país logo após a independência, de 1977 a 1992. O conflito interrompeu a estabilidade económica e política da cidade. Desde o acordo de paz assinado em 1992, o país voltou a níveis de estabilidade política pré-independência."Mozambique: Mining an Opportunity," August 2009, The World Bank
Geografia thumb|Maputo vista da Estação Espacial Internacional A cidade de Maputo está localizada no sul de Moçambique, a oeste da Baía de Maputo, no Estuário do Espírito Santo, onde desaguam os rios Tembe, Umbeluzi, Matola e Infulene. A sua altitude média é de 47 metros. Os limites do município se encontram entre as latitudes 25º 49' 09" S (extremo norte) e 26º 05' 23" S (extremo sul) e as longitudes 33° 00' 00" E (extremo leste — considerada a ilha da Inhaca) e 32° 26' 15" E (extremo oeste).
O município de Maputo ocupa uma área de 346,77 m2 e confina com o distrito de Marracuene, a norte; o município da Matola, a noroeste e oeste; o distrito de Boane, a oeste; e o distrito de Matutuíne, ao sul; todos pertencentes à província de Maputo. A cidade de Maputo está situada a 120 km da fronteira com a África do Sul e a 80 km da fronteira com o Essuatíni.
Clima O clima de Maputo é tropical seco. O período mais quente do ano compreende os meses de novembro a abril e o mais frio os meses de maio a outubro. O período de maior precipitação ocorre nos meses mais quentes, entre novembro e março.
A humidade relativa média é de 66,6%, com pouca oscilação durante o ano. O mês com maior humidade relativa é março com 71,0%, e o mês como menor humidade é junho com 63,5%.
Demografia thumb|Vista geral da cidade Os resultados definitivos do censo de 2017 apontam para um ligeiro aumento da população, dos registados no censo de 2007 para , mais ou 0,8%. Este aumento teve lugar depois de um crescimento de 13,2% dos habitantes enumerados no censo de 1997. O crescimento populacional entre 1997 e 2007 equivale a 1,2% ao ano, metade da média nacional de 2,4%. Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística), este crescimento populacional lento em Maputo é resultado da migração para a província de Maputo, principalmente para as zonas de expansão habitacional nos distritos de Boane, Marracuene e cidade da Matola. O INE relata ainda que entre 2006 e 2007, a cidade de Maputo recebeu de outras províncias 26 038 pessoas, mas por outro lado, 39 614 saíram para a província de Maputo. No início de 2013 a população do município estava estimada em 1 209 993 habitantes.
População da Cidade de Maputo1980199720072017