Acufeno, zumbido ou tinido é a sensação de ouvir som na ausência de qualquer som externo. Embora muitas vezes descrito como semelhante a um zumbido no ouvido, pode também assemelhar-se a um tinido, sibilo ou rugido. Muito raramente, os sons podem-se assemelhar a vozes ou música. O som pode ser grave ou agudo, quase imperceptível ou alto, e aparentar ter origem apenas num dos ouvidos ou em ambos. Na maior parte dos casos aparece de forma gradual. Em algumas pessoas, o som persistente pode causar depressão, ansiedade ou interferir na concentração. É a percepção de sons sema presença de uma fonte sonora externa correspondente, podendo manifestar-se como chiados, apitos ou sons pulsáteis e impactar significativamente a qualidade de vida dos indivíduos afetados.
O zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma que pode ter várias causas subjacentes. Uma das causas mais comuns é a perda auditiva induzida por ruído, caracterizada pela exposição a elevados níveis de pressão sonora por um determinado período de tempo, que danifica as células ciliadas do ouvido interno. Entre outras causas possíveis estão stresse emocional, cerúmen, infeções dos ouvidos, doenças cardiovasculares, doença de Ménière, tumores cerebrais, exposição a determinadas substâncias ou uma lesão na cabeça anterior. A condição é mais comum entre pessoas com depressão.
O diagnóstico de acufeno geralmente baseia-se na descrição dos sintomas feita pela pessoa. Existem diversos questionários que determinam o grau de interferência da condição na vida da pessoa. O diagnóstico é geralmente complementado com um audiograma e um exame neurológico. Quando são observados determinados problemas, pode-se recorrer a imagiologia médica, como ressonâncias magnéticas (embora as ressonâncias magnéticas muito ruidosas, dependo da origem do acufeno, possam piorar temporária ou permanentemente o mesmo). Quando o acufeno se manifesta ao mesmo ritmo do batimento cardíaco, estão disponíveis outro tipo de exames. Ocasionalmente, o zumbido pode ser ouvido por outra pessoa com um estetoscópio, sendo designado nesse caso "zumbido objetivo".
A prevenção consiste em evitar a exposição a níveis de pressão sonora elevados. Quando existe uma causa subjacente, o seu tratamento pode melhorar o zumbido. Quando isso não é possível, o tratamento consiste em psicoterapia. Em algumas pessoas, aparelhos que mascaram os sons ou aparelhos auditivos podem ter utilidade. Em 2013, ainda não existiam medicamentos eficazes. O zumbido é uma condição comum que afeta entre 10 e 15% das pessoas; contudo, a maior parte tolera bem o incomodo, constituindo-se um problema significativo para apenas 1–2% dos indivíduos.
Sinais e Sintomas O zumbido pode ser percebido em uma orelha, em ambas ou na cabeça. É descrito como um ruído ouvido pela pessoa na ausência de estímulo auditivo. O ruído é geralmente descrito como barulho, mas, em alguns pacientes, assume a forma de um som agudo, assobio, chiado, sussurro, tique-taque, clique, rugido, "grilos", "pererecas", "gafanhotos (cigarras)", toada, canções, apitos ou sons que se assemelham um pouco a vozes humanas ou mesmo um tom puro constante como aquele ouvido durante um teste de audição. O zumbido pode ser intermitente ou contínuo: no último caso, pode ser a causa de grande sofrimento. Em alguns indivíduos, a intensidade pode ser alterada pelos movimentos do ombro, cabeça, língua, mandíbula ou olho. A maioria das pessoas com zumbido tem algum grau de perda auditiva.
O som percebido pode variar de um ruído detectado em ambiente silencioso até sons que podem ser ouvidos mesmo na presença simultânea de sons externos fortes. Um tipo específico de zumbido, chamado zumbido pulsátil, é caracterizado por sons relacionados ao fluxo sanguíneo do pescoço ou rosto. Devido a variações nos desenhos do estudo, os dados sobre o curso do zumbido mostraram poucos resultados consistentes. Geralmente, a prevalência aumenta com a idade em adultos, enquanto as classificações de incômodo diminuem com a duração.
Zumbidos podem ser caracterizados como subjetivos ou objetivos.
Identificar o zumbido persistente como tom puro ou como ruído, distinguindo se ocorre em frequências altas ou baixas, possibilita compreender suas particularidades e o impacto que esse sintoma pode causar na rotina dos pacientes.
Zumbido objetivo Em casos muito raros, o zumbido pode ser ouvido por outra pessoa usando um estetoscópio e, em casos menos raros - mas ainda incomuns -, pode ser medido como uma emissão otoacústica espontânea no meato acústico. Nesses casos, é o zumbido objetivo, também chamado de "pseudo-zumbido" ou zumbido "vibratório". O zumbido objetivo pode ser detectado por outras pessoas e, às vezes, é causado por espasmos involuntários de um músculo ou grupo de músculos (mioclonia) ou por uma condição vascular. Em alguns casos, o zumbido é gerado por espasmos musculares ao redor da orelha média. As emissões otoacústicas espontâneas, que são tons fracos de alta frequência produzidos na orelha interna e que podem ser medidos no meato acústico com um microfone sensível, também podem causar zumbido. Cerca de 8% das pessoas com emissões otoacústicas espontâneas e zumbido têm zumbido associado às emissões, enquanto a porcentagem de todos os casos de zumbido causado por emissões otoacústicas espontâneas é estimada em cerca de 4%.
Zumbido pulsátil Algumas pessoas percebem um som que bate no ritmo do pulso, conhecido como zumbido pulsátil ou zumbido vascular. O zumbido pulsátil é geralmente objetivo por natureza, resultante de fluxo sanguíneo alterado pelo aumento da turbulência sanguínea perto da orelha, causada por aterosclerose, mas também pode surgir como um fenômeno subjetivo de uma maior conscientização do fluxo sanguíneo na orelha. Raramente, o zumbido pulsátil pode ser um sintoma de condições potencialmente fatais, como aneurisma da artéria carótida ou dissecção da artéria carótida. O zumbido pulsátil também pode indicar vasculite ou, mais especificamente, arterite de células gigantes; hipertensão intracraniana idiopática, podendo ser um sintoma de anormalidades vasculares intracranianas e deve ser avaliado quanto a ruídos irregulares do fluxo sanguíneo (braquetes).
Zumbido subjetivo O zumbido geralmente é subjetivo, o que significa que não há som detectável por outros meios. O zumbido subjetivo também foi chamado de "zumbido aurium", "zumbido não auditivo" ou "não vibratório". Ele é o tipo mais frequente de zumbido. Pode ter muitas causas possíveis, mas geralmente resulta de perda auditiva. Quando o zumbido é causado por distúrbios da orelha interna ou nervo auditivo, é chamado ótico (da palavra grega para ouvido). Essas condições otológicas ou neurológicas incluem aquelas desencadeadas por infecções ou drogas. Uma causa frequente é a exposição ao ruído que danifica as células ciliadas da orelha interna. Quando não parece existir uma conexão com um distúrbio da orelha interna ou nervo auditivo, o zumbido é chamado de não-ótico (ou seja, não-auditivo). Em cerca de 30% dos casos de zumbido, há influência do sistema somatossensorial, por exemplo, as pessoas podem aumentar ou diminuir o zumbido movendo o rosto, a cabeça ou o pescoço. Esse tipo é chamado de zumbido somático ou craniocervical, uma vez que apenas os movimentos da cabeça ou do pescoço têm efeito. Há um crescente corpo de evidências sugerindo que o zumbido é uma consequência de alterações neuroplásticas na via auditiva central. Presume-se que essas alterações resultem de uma entrada sensorial perturbada, causada por perda auditiva. A perda auditiva pode realmente causar uma resposta homeostática dos neurônios no sistema auditivo central e, portanto, causar zumbido.
Fatores associados Os fatores associados ao zumbido incluem: Problemas auditivos e perda auditiva: Perda auditiva condutiva: Choque acústico; Barulho forte ou música; Derrame da orelha média; Otite; Otosclerose; Disfunção da tuba auditiva. Perda auditiva sensorioneural: Ruído excessivo ou forte; Presbiacusia (perda auditiva associada à idade); Doença de Ménière; Hidropsia endolinfática; Deiscência do canal superior; Neurinoma acústico (schwannoma vestibular); Intoxicação por mercúrio ou chumbo; Medicações ototóxicas. Distúrbios neurológicos: Malformação de Arnold-Chiari; Esclerose múltipla; Ferimento na cabeça; Disfunção da articulação temporomandibular; Arterite de células gigantes. Distúrbios metabólicos: Deficiência de vitamina B12; Anemia por deficiência de ferro. Diabetes Distúrbios psiquiátricos: Depressão; Transtornos de ansiedade. Outros fatores: Vasculite; Genética Conflito neurovascular Alguns medicamentos psicodélicos podem produzir sintomas temporários semelhantes ao zumbido como efeito colateral: 5-MeO-DMT; Diisopropiltriptamina (DiPT). Retirada de benzodiazepina; Hiper ou hipotensão intracraniana causada, por exemplo, por encefalite ou vazamento de líquido cefalorraquidiano.
Perda de audição A causa mais comum de zumbido é a perda auditiva induzida por ruído. A perda auditiva pode ter muitas causas diferentes, mas, entre as pessoas com zumbido, a principal causa é o dano coclear. Os medicamentos ototóxicos também podem causar zumbido subjetivo, assim como perda auditiva ou aumentar os danos causados pela exposição a ruídos de forte intensidade. Esses danos podem ocorrer mesmo em doses não consideradas ototóxicas. Mais de 260 medicamentos têm sido relatados como causadores de zumbido como um efeito colateral. Em muitos casos, no entanto, nenhuma causa subjacente pode ser identificada.
O zumbido também pode ocorrer devido à descontinuação de doses terapêuticas de benzodiazepínicos. Às vezes, pode ser um sintoma prolongado da retirada da benzodiazepina e pode persistir por muitos meses. Medicamentos como bupropiona também podem causar zumbido. Em muitos casos, no entanto, nenhuma causa subjacente pode ser identificada.
Fatores Psicológicos O zumbido persistente pode causar ansiedade e depressão. O incômodo do zumbido está mais fortemente associado à condição psicológica do que ao volume ou à faixa de frequência. Problemas psicológicos, como depressão, ansiedade, distúrbios do sono e dificuldades de concentração, são comuns naqueles com zumbido fortemente irritante. Em algum momento da vida, 45% das pessoas com zumbido têm um distúrbio de ansiedade.
Pesquisas psicológicas têm analisado a reação de angústia do zumbido para explicar as diferenças na gravidade do zumbido. Esses achados sugerem que, na percepção inicial, o zumbido é associado a emoções negativas, como medo e ansiedade de estímulos desagradáveis na época. Isso melhora a atividade no sistema límbico e no sistema nervoso autônomo, aumentando a percepção e o incômodo com o zumbido.
Fisiopatologia Os mecanismos do zumbido subjetivo são frequentemente obscuros. Embora não seja surpreendente que o trauma direto na orelha interna possa causar zumbido, outras causas aparentes (por exemplo, disfunção da articulação temporomandibular) são difíceis de explicar. O zumbido pode ser causado por um aumento da atividade neural no tronco encefálico onde o cérebro processa sons, fazendo com que algumas células nervosas auditivas fiquem hiperexcitadas. A base dessa teoria é que muitos dos indivíduos com zumbido também têm perda auditiva. São muitas as possíveis combinações de patologias envolvidas no zumbido, que, por sua vez, resultam em uma grande variedade de sintomas que exigem terapias especificamente adaptadas.
Diagnóstico Apesar dos avanços na literatura sobre o zumbido e sua fisiopatologia, a etiologia ainda é de difícil determinação. Sabe-se que ela pode ser multifatorial, sendo associada a problemas auditivos, perda auditiva condutiva, perda auditiva sensorioneural, distúrbios metabólicos, neurológicos e psiquiátricos, dentre outros fatores. Quando o zumbido é associado à perda auditiva do tipo sensorioneural, os indivíduos referem ter uma percepção mais prejudicial desse sintoma do que das implicações negativas da perda auditiva em si.