O Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) é um teatro brasileiro, localizado no bairro da República, região central de São Paulo. Foi construído e inaugurado em 1948, por iniciativa do industrial italiano Franco Zampari, com o apoio financeiro de parte da elite paulistana.

No período que se sucedeu a sua inauguração, até 1964, o TBC foi a sede de uma companhia teatral homônima, que nasceu com o objetivo de ser um espaço para o teatro amador da cidade de São Paulo. Após o encerramento das atividades da companhia, o Teatro continuou a receber apresentações teatrais até 2008, quando fechou as portas para o público.

Sua edificação arquitetônica é multiplamente protegida pelos órgãos de proteção ao patrimônio histórico: foi tombada em 1982, pelo Condephaat, órgão de preservação do Estado de São Paulo, decisão reconhecida em 1991, pelo Conpresp órgão municipal de preservação da cidade de São Paulo, e reforçada em 2002, quando a rua Major Diogo, onde o TBC está localizado, foi incluída no processo que reconheceu como patrimônio histórico e cultural todo o bairro da Bela Vista.

Entre os artistas que se apresentaram no Teatro, estão Cacilda Becker, Paulo Autran, Cleyde Yáconis e Fernanda Montenegro. O terreno foi desapropriado em 2008 pela Funarte, que o adquiriu com o objetivo de providenciar sua reabertura ao público, com reinauguração prevista para 2013.

História Fundação O Teatro Brasileiro de Comédia, conhecido como TBC, foi fundado em 1948, por Franco Zampari, um engenheiro das renomadas Indústrias Matarazzo, com o apoio financeiro da burguesia paulistana. Nascido em 1898, na cidade de Nápoles, no sul da Itália, ele imigrou para o Brasil em 1922, casando-se com Débora Prado Marcondes, proveniente de uma tradicional família paulistana.

Antes mesmo da fundação do TBC, Zampari, que detinha duas cadeiras no Teatro Municipal de São Paulo, passou a se dedicar à atividade teatral a partir de 1945, quando escreve, produz e apresenta, no quintal de sua casa, a peça A Mulher de Braços Alçados. Agora próximo ao movimento de teatro amador da capital paulista, ele e os companheiros alugam um edifício, um velho casarão, na rua Major Diogo, e o reformam, para abrigar uma infraestrutura de carpintaria e iluminação. Inaugurado após quatro meses, em 11 de outubro de 1948, o TBC detinha uma estrutura "de luxo" para a época, com "duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som".

A abertura do Teatro foi comemorada com a apresentação de duas encenações, La Voix Humaine, de Jean Cocteau, monólogo declamado em francês pela atriz Henriette Morineau, e A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida. A inauguração do TBC trouxe aos palcos uma atriz que viria a ser um dos principais nomes da história do teatro no Brasil, Cacilda Becker.

A compannhia A partir de 1949, Zampari decide que a companhia, que começou com o teatro amador, precisa se profissionalizar para poder gerar recursos e se manter. Para tanto, contrata um grupo de encenadores estrangeiros, com destaque para o também italiano Adolfo Celi, que se tornou o primeiro diretor artístico do TBC. Celi dirigiu a primeira montagem do grupo considerada profissional, uma apresentação de Nick Bar... Álcool, Brinquedos, Ambições, escrita pelo dramaturgo estadunidense William Saroyan. O Teatro Brasileiro de Comédia passou a contar, nos anos seguintes, com um grupo de atores que viriam a ser alguns dos principais nomes do teatro brasileiro, como Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Tônia Carrero, Cleyde Yáconis, Cacilda Becker, Walmor Chagas, Nydia Licia, Fernanda Montenegro e Fernando Torres (ator), entre outros.

Os primeiros sinais de crise da companhia vieram em 1956 e tem, como possíveis razões apontadas, produções muito caras com baixo retorno financeiro e a saída de parte considerável dos principais integrantes para montarem companhias próprias, incluindo o próprio diretor artístico Adolfo Celi, que se juntou em sociedade com Paulo Autran e Tônia Carrero. Para o lugar dele, acabou sendo escolhido Maurice Vaneau, diretor belga que conheceu o TBC durante uma visita do Teatro Nacional da Bélgica ao Brasil em 1955.

Os anos seguintes representam uma fase de altos e baixos do conjunto, mas o teatro conquista, sob a direção de Vaneau, alguns sucessos consideráveis, como as montagens de A Casa de Chá do Luar de Agosto, de John Patrick, e Gata em Teto de Zinco Quente, de Tennessee Williams. Em 1957, já sob uma nova direção, de Alberto D'Aversa, se destaca a apresentação do texto Rua São Luís, 27 - 8º andar, de Abílio Pereira de Almeida.

Mesmo em dificuldades, o TBC recebe homenagens em 1958, por conta dos seus dez anos de atividade, como o Prêmio Saci e o prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT). Pessoalmente, Franco Zampari é agraciado com o Título de Cidadão Paulistano e com a Taça de Ouro do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Criada um ano depois do TBC, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, outro empreendimento de Zampari e uma das primeiras produtoras audiovisuais do Brasil, acaba se tornando um problema para a companhia teatral, uma vez que, deficitária, passa a receber o pouco lucro que esta dava àquele momento. A crise financeira da época foi contornada com a ajuda do Estado de São Paulo mas, em 1960, Franco Zampari decide entregar a direção para uma administradora jurídica, chamada de Sociedade Brasileira de Comédia, e a direção artística para Flávio Rangel, primeiro brasileiro a ocupar a função. Com a mudança, iniciou-se o que período que ficaria conhecido como a "fase nacionalista" do Teatro Brasileiro de Comédia, que teve, como primeira montagem a encenação da peça O Pagador de Promessas, do dramaturgo Dias Gomes.

Em 1962, a companhia tem sua direção artística reassumida por Maurice Vaneau, que, a essa altura, já havia pedido o direito à cidadania brasileira. Em uma tentativa de ampliar o alcance dos textos a todas as classes sociais, ele convidou autores populares da época, como Jorge Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e José Lins do Rego para escreverem peças para o Teatro. Foi de autoria de Jorge Andrade a última peça encenada pela companhia, Vereda Salvação, em 1964. Sem conseguir driblar as constantes crises financeiras, o Teatro Brasileiro de Comédia encerrou a sua atuação, enquanto companhia, naquele mesmo ano. Após esta mudança, o TBC continuou, sob direção da Sociedade Brasileira de Comédia, como teatro autônomo, recebendo várias montagens e apresentações até o fechamento, em 2008.

A Escola de Arte Dramática (EAD) A Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo popularmente conhecida como EAD é uma das principais escolas de Teatro da América Latina e foi fundada em 1948 no último andar do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) sob a coordenação de Alfredo Mesquita, e contava com professores como Cacilda Becker.

Arquitetura thumb|esquerda|Estrutura do TBC é composta por quatro pavimentos e um subsolo A estrutura arquitetônica que abrigou o Teatro Brasileiro de Comédia, localizada no nº 315 da rua Major Diogo, na Bela Vista, é identificada como um pequeno prédio composto por um pavimento térreo e três pavimentos superiores, em um total de quatro pavimentos, e um subsolo, em uma construção realizada a partir do método de alvenaria de tijolos.

Reformando a partir da garagem do edifício original, o edifício, depois de inaugurado em 1948, ficou dividido da seguinte forma: os pavimentos térreo e superior abrigam o palco principal, a marcenaria, o salão de ensaios, a platéia, superior e inferior, e um par de sanitários destinados ao público, enquanto o primeiro pavimento era composto, basicamente, por uma área descoberta. No segundo ficava localizado outro palco, com projeção de arco, o poço de iluminação e ventilação e outros sanitários.

O terceiro pavimento era menor e não tinha acesso do público, já o subsolo abrigava o terceiro palco com plateia da edificação, o hall, uma segunda sala de ensaios, o controle de iluminação do Teatro, o depósito, outro sanitário e a caixa de água subterrânea. Um aspecto importante e inovador da estrutura do TBC, no que diz respeito à arquitetura de construções teatrais, é a existência de toda uma oficina, espaços para ateliê, guarda-roupa, marcenaria e arquivo no próprio Teatro.

Significado Histórico e Cultural Marco na história da arte dramática thumb|Busto da atriz Cacilda Becker, um dos maiores nomes do teatro brasileiro e estrela do TBC Diferente do que ocorria no teatro brasileiro até então, o Teatro Brasileiro de Comédia, apesar de ter sido tido sua administração centrada na figura de Franco Zampari, inovou por não girar em torno de poucos atores ou atrizes e por buscar, em uma fase de profissionalização do teatro brasileiro, artistas de renome internacional para a sua direção.

O conhecimento trazido ao país por esses profissionais, sobretudo diretores, junto com um rigor estético e técnicas que nunca haviam sido praticadas por aqui, teve um papel essencial no desenvolvimento da atividade teatral no país. O TBC foi o embrião para algumas das principais iniciativas que viriam no Brasil na sequência, como o Teatro Oficina, o Teatro de Arena e as companhias de Cacilda Becker; Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Nydia Lícia e Paulo Autran.

Também são consideradas inovações artísticas do Teatro, além da profissionalização e da estrutura física da construção, união entre divertimento e cultura, com a preocupação com rendimentos e bilheteria e a formação do ator para a dedicação ao espetáculo e para se submeter condução cênica do diretor.

Ponto O pedido de tombamento do Teatro Brasileiro de Comédia foi protocolado em 1979, junto ao Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio histórico, pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e aceito em 1982, através da Resolução nº 63, publicada no Diário Oficial em 22 de outubro daquele ano. A decisão contemplou as quadras compreendidas pelas ruas São Domingos, Catorze de Julho e Jaceguai, nas quais fica expressamente proibida a construção de novas edificações de altura superior ao prédio que abriga o TBC.

Apesar de ter apresentado inovações na estrutura arquitetônica de um teatro, e por ter recebido uma estrutura invejável para a época o relato registrado no Livro do Tombo do Estado esclarece que as razões para o tombamento são, antes de estruturais, históricas e culturais.

Posteriormente, o tombamento foi reconhecido "ex-officio", sem alterações, pelo respectivo órgão municipal, o Conpresp, pela Resolução nº 05, de 1991, em que a instância municipal confirmou a preservação, para os critérios e benefícios conferidos pela Prefeitura de São Paulo, de 89 edificações já protegidas anteriormente no Estado.

A proteção ao em torno foi, mais uma vez, reforçada com a decisão do Conpresp, publicada na Resolução nº 22, de dezembro de 2002, que tombou todo o bairro da Bela Vista, distrito da região central da cidade, onde se localiza a rua Major Diogo e o TBC. Na prática, a decisão implica que em toda a região de abrangência, entre outras coisas, reformas, seja em espaços públicos, imóveis públicos ou privados, só poderão ser feitas após a autorização do Conselho e do Departamento do Patrimônio Histórico.

Estado Atual thumb|esquerda|Com o fechamento do teatro, a frente do TBC passou por pichações nos últimos anos. No final de 2008, pouco tempo depois do fechamento do TBC ao público, a Fundação Nacional de Artes tomou a decisão de desapropriar o imóvel, com fins de reformá-lo e reabri-lo ao público. A expectativa, à época, é que o empreendimento custasse entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões aos cofres públicos.