Materialização (ou manifestação), no espiritualismo, na literatura paranormal e em algumas religiões, é a criação ou aparição de matéria de fontes desconhecidas. A existência de materialização não é confirmada por experimentos de laboratório.

As sessões de materialização podem ser de duas formas: Materialização física é quando os espíritos usam objetos físicos ou criam ruídos para se comunicar. Materialização espiritual é quando o espírito usa o ectoplasma para criar imagens ou para alterar a aparência do médium.

História

thumb|250px|direita|Uma das materializações do espírito Katie King, segundo Sir William Crookes (esquerda).

Em 1870, os espiritualistas desenvolveram grande interesse em fenômenos visuais como a percepção extrassensorial, a fotografia espírita e a clarividência , o que gerou uma pressão sobre os médiuns em gerar formas mais espetaculares de conjuração de espíritos, nomeadamente, a materialização das aparições. A primeira materialização de aparição no Reino Unido ocorreu em 1873 quando Florence Cook produziu Katie King em uma sessão que a tornou a médium mais popular do país. William Crookes e outros entusiastas empregaram vários métodos científicos para tentar legitimar estas materializações, no entanto, vários médiuns, incluindo Florence foram humilhantemente desmascarados publicamente.

Alimentando o crescente cetismo sobre o espiritualismo no final do século XX, estavam publicações de sátira como as revistas Punch e The Idler, além de várias teorias psicológicas que caracterizavam as aparições como produto de alucinações, doenças mentais ou "restos de sonhos" como sugerido pelo psicólogo James Sully. Apesar de membros da "Society for Psychical Research" compilar vários relatos de aparições em estudos como Phantasms of the Living (Gurney et al. 1886), em 1920 Lewis Spence declarou na Encyclopaedia of the Occult que "até o presente momento aparições são apenas referidas como alucinações".

Leah Underhill, uma das Irmãs Fox foi a primeira médium a produzir um espírito materializado nos EUA durante uma sessão para Robert Dale Owen em 1860. Owen afirmou que uma figura velada e luminosa apareceu e caminhou durante a sessão, desaparecendo em seguida. Um tempo depois, a irmã de Leah, Kate, produziu a materialização de Estelle, a falecida esposa do banqueiro Charles Livermore; ela também materializou Benjamin Franklin. A inglesa Agnes Guppy-Volckman foi a primeira médium a produzir materializações, algumas das figuras materializadas durante a sessão caminhava livremente pela sala, permitindo ser tocada pelos participantes. Tanto as Irmãs Fox quanto Agnes confessaram ou foram expostas como charlatãs.Pearsall, Ronald. (1972). The Table-Rappers. Book Club Associates. pp. 82–122. Slotten, Ross A. (2004). The Heretic in Darwin's Court: The Life of Alfred Russel Wallace. Columbia University Press. p. 316. Nickell, Joe. (2012). The Science of Ghosts: Searching for Spirits of the Dead. Prometheus Books. pp. 301–302.

Uma série de exposições de fraude levaram ao rápido declínio das sessões de materialização e de ectoplasmas apesar da popularidade da substância no meio espiritualista. Alguns exemplos de fraudes expostas: O poeta inglês Robert Browning e sua esposa Elizabeth participaram de uma sessão de Daniel Dunglas Home em 23 de julho de 1855 em Ealing. Durante a sessão, materializou-se um rosto que, segundo Home, era o filho de Browning que morrera ainda na infância. Browning agarrou a "materialização" e descobriu ser o pé descalço de Home, outro fato era que Browning nunca havia perdido um filho ainda na infância. O filho de Browning, Robert Barrett Browning, escreveu em uma carta ao The Times, de 5 de dezembro de 1902, contando o incidente: "Home foi pego em uma fraude vulgar".

A médium britânica Rosina Mary Showers foi flagrada em muitas sessões fraudulentas durante toda a sua carreira. Em 1874, durante uma sessão com Edward William Cox, uma babá olhou para o armário e trancou o "espírito", a touca do suposto espírito caiu e foi revelado ser a própria Rosina. Rosina chegou a escrever uma confissão onde descrevia seu método de trabalho, consistia em vestir um vestido facilmente removível com vários camadas e esconder rolos de musselina dentro da roupa de baixo.

Frank Herne, um médium que formou uma parceria com Charles Williams, foi repetidamente exposto em sessões fraudulentas de materialização. Em 1875, foi pego fingindo ser um espírito durante uma sessão em Liverpool e foi encontrado "vestindo cerca de dois metros de musselina engomada, enrolada em volta da cabeça e pendendo até a coxa". Florence Cook tinha sido "treinada nas artes da sessão espírita" por Herne e foi repetidamente exposta como médium fraudulenta.

Em 29 de março e 21 de maio de 1874 Florence Cook realizou sessões em seu próprio lar com William Crookes. Foi alegado que um espírito chamado "Katie King" materializou-se, no entanto, de acordo com o autor Walter Mann "Katie" era um cúmplice de Florrie Cook. Foi a coisa mais fácil do mundo descobrir este truque, uma vez que o quarto, descrito por Sir William como o "gabinete", era o quarto de Florrie".Walter Mann. (1919). The Follies and Frauds of Spiritualism. Rationalist Association. London: Watts & Co. p. 89

Os pesquisadores psíquicos W. W. Baggally e Everard Feilding expuseram o médium britânico de materialização Christopher Chambers como uma fraude em 1905. Um bigode falso foi encontrado na sala das sessões, era usado para fabricar as materializações espirituais.

O médium britânico Charles Eldred foi exposto como uma fraude em 1906. Eldred sentava-se em uma cadeira em uma área acortinada na sala conhecida como "gabinete da sessão". Várias figuras espirituais saíam do gabinete e se moviam pela sala da sessão, no entanto, descobriu-se que a cadeira tinha um compartimento secreto que continha barbas postiças, tecidos, máscaras e perucas que Eldred vestia para fingir ser os espíritos.

Albert von Schrenck-Notzing investigou a medium Eva Carrière e alegou que as "materializações" do ectoplasma eram o resultado de uma "ideoplastia" na qual o médium podia formar imagens no ectoplasma de sua mente. Schrenck-Notzing publicou o livro Phenomena of Materialisation (1923) , que incluía fotografias do ectoplasma. Os críticos apontaram que as fotografias dos ectoplasmas revelaram marcas de recortes de revistas, alfinetes e um pedaço de barbante.Carlos María de Heredia. (1922). Spiritism and Common Sense. P. J. Kenedy & Sons. pp. 186-198 Schrenck-Notzing admitiu que, em várias ocasiões, Carrière enganosamente introduziu alfinetes na sala das sessões. O jesuíta e mágico Carlos María de Heredia replicou o ectoplasma de Carrière usando um pente, gaze e um lenço. Donald West escreveu que o ectoplasmas de Carrière eram falsos e feitos de fotos de rostos recortados de jornais e revistas da época onde era possível observar marcas de dobras. Uma fotografia de Carrière tirada da parte de trás do rosto do ectoplasma revelou que era feita de uma revista recortada com as letras "Le Miro". O rosto bidimensional havia sido retirado da revista francesa Le Miroir.Donald J. West. (1954). Psychical Research Today. Chapter Séance-Room Phenomena. Duckworth. p. 49 Fotos das edições anteriores da revista também correspondiam a alguns dos rosto do ectoplasma de Carrière. As fotos de rostos recortados que ela usou incluem Woodrow Wilson, Fernando I da Bulgária, o presidente francês Raymond Poincaré e a atriz Mona Delza. Depois que Schrenck-Notzing descobriu que Carrière havia tirado os rostos de ectoplasma das revistas, ele a defendeu alegando que as imagens era semelhantes porque ela havia lido essas revistas e que sua memória recordou as imagens que então se materializaram no ectoplasma.Por causa disso, Schrenck-Notzing foi descrito como crédulo. Joseph McCabe escreveu: "Na Alemanha e na Áustria, o barão von Schrenck-Notzing é motivo de riso entre seus colegas médicos".

Em 1907, Hereward Carrington expuseram os truques de médiuns fraudulentos, como os usados na escrita em lousa, mesas girantes, toques de trombeta, nas materializações, na leitura de cartas lacradas e na fotografia espírita. Entre 8 de novembro e 31 de dezembro de 1920 Gustav Geley do Institute Metapsychique International participou de catorze sessões com o médium Franek Kluski em Paris. Uma tigela de parafina derretida foi colocada na sala e, de acordo com Kluski, os espíritos mergulharam seus membros na cera e depois em um banho de água para se materializar. Três outras séries de sessões foram realizadas em Varsóvia, no próprio apartamento de Kluski, durante um período de três anos. Kluski não foi procurado em nenhuma das sessões. As fotografias dos moldes foram obtidas durante as quatro séries de experimentos e foram publicadas por Geley em 1924. Pelos da pele humana foram encontrados nos moldes o que indicou fraude.Michael Coleman. (1994). The Kluski moulds: a reply. Journal of the Society for Psychical Research. Volume 60: 98-103. Harry Houdini replicou os moldes de materialização de Kluski usando as mãos e uma tigela de parafina quente.

Mina Crandon era uma médium famosa conhecida por produzir ectoplasmas durante suas sessões, ela produziu uma pequena mão ectoplásmica de seu estômago que acenou na escuridão. Sua carreira terminou, no entanto, quando os biólogos examinaram a mão e descobriram que era um pedaço de fígado de animal esculpido no formato de mão.Ghosts, Apparitions and Poltergeists: An Exploration of the Supernatural through History Walter Franklin Prince descreveu o caso Crandon como "o mais engenhoso, persistente e fantástico complexo de fraudes na história da pesquisa psíquica".C. E. M. Hansel. (1989). The Search for Psychic Power: ESP and Parapsychology Revisited. Prometheus Books. p. 245.

Alguns dos investigadores que expuseram fraudes de ectoplasma, materialização e outros fenômenos eram ilusionistas de palco como William Marriott que observou vários médiuns espíritas nas sessões e os pegou em fraudes, ele afirmou que poderia produzir por meios naturais todos os efeitos produzidos pelos espiritualistas."Spiritualistic Frauds". Colonist, Volume LII, Issue 12771, 18 de abril, p. 4 O jesuíta Carlos María de Heredia passou a vida investigando e expondo os truques do espiritismo assim como o mais popular dos ilusionistas, Houdini que a partir de 1920 voltou suas energias para desmascarar médiuns, uma busca que inspirou e foi seguida por vários mágicos de palco em final de carreira.

O controverso guru e líder espiritual Sathya Sai Baba eventualmente materializou vibhuti (cinza sagrada) e outros objetos pequenos, como anéis, colares e relógiosAlguns os analisaram como sendo meros truques de mão; enquanto seus devotos os consideravam sinais de sua divindade.Search for the Guru, Peter Mt. Shasta, p.245-p.266

Espiritismo brasileiro

Entre os médiuns brasileiros mais conhecidos que realizaram materializações estão Anna Prado, Carmine Mirabelli, Francisco Peixoto Lins, o "Peixotinho" e Chico Xavier. Em uma publicação em rede social, o médium Divaldo Franco está expelindo ectoplasma que "se materializou em flores".

Carmine Mirabelli Mirabelli foi um prolífico médium físico tendo materializado os espíritos de um marechal e de um bispo, mortos há tempos mas que foram reconhecidos pelos participantes da sessão.

Francisco Peixoto Lins Peixotinho iniciou o seu desenvolvimento mediúnico orientado pelo major Viana de Carvalho tornando-se conhecido por materializações luminosas e outros efeitos físicos.

Chico Xavier