Os romenos (em romeno: români ou historicamente e hoje raramente e apenas regional rumâni) são um grupo étnico; eles são os habitantes majoritários da Romênia. Em uma proeminente interpretação do resultado do censo na Moldávia, os moldávios são contados como romenos, o que significaria que estes últimos formam a maioria também neste país.O rótulo 'moldávio indica nacionalidade, assim como os moldávios "étnicos" são etnicamente romenos - Ethnic Groups Worldwide: A Ready Reference Handbook By David Levinson, Published 1998 - Greenwood Publishing Group.Na época do censo de 1989, a população total da Moldávia era de 4.335.400. A maior nação na república, os romenos étnicos, contavam 2.795.000 pessoas, representando 64,5% da população. --> Fonte : U.S. Library of Congress. (no entanto, é uma interpretação dos resultados do censo. O assunto da etnicidade moldávia x romena toca num tópico sensível da identidade nacional moldávia , page 108 sqq.) Os romenos são também minorias étnicas em vários países vizinhos.
O povo romeno é uma nação no sentido de um ethnos (em romeno: popor), definido mais pelo senso compartilhado comum da cultura romena e tendo uma língua materna romena, que pela cidadania ou por estar sujeito a qualquer país em particular. A lei de cidadania romenaRomanian Citizenship Law de março de 1991 estabelece os direitos para a segunda e terceira gerações de descendentes de cidadãos romenos para obter a cidadania romena, se eles falarem romeno fluente e serem capazes de demonstrar conhecimento suficiente de história e culturas romenas. No mundo atualmente, 24 milhões de pessoas tem o romeno como língua materna. Dados de acordo com a União Latina Se uma distinção é feita entre romenos e romenos étnicos, os últimos são diferenciados por viverem fora da Romênia e não possuírem cidadania romena.
Origens étnicas
miniaturadaimagem|A Linha Jirecek divide os tipos de achados arqueológicos: ao norte da linha, a maioria das inscrições está em latim; ao sul, em grego. Mais de 85% dos habitantes da Romênia são romenos por ancestralidade. As origens étnicas dos romenos surgiram devido à romanização da província romana da Dácia. Os romenos são descendentes dos dácios, daco-getas, trácios e de legionários romanos enviados para lutar contra eles.
Os geto-dácios, os getas do sul e do leste dos Cárpatos, e os dácios do planalto da Transilvânia e do Banato, formando uma grande unidade cultural, étnica e linguística, são mencionados pela primeira vez por Heródoto, junto com a expedição de 514 a.C. de Dario I.
Burebista conseguiu a unificação política e militar dos geto-dácios. Após sua morte (44 a.C.), o estado dácio centralizado se dividiu em várias formações políticas, que foram reunificadas sob a liderança de Decébalo (87-106 d.C.) em um estado unitário com seu centro político, militar e religioso na Transilvânia, mais precisamente em Sarmizegetusa, nas montanhas Orăștie.
Durante as duas guerras com as legiões romanas, entre 101-102 e 105-106 respectivamente, o imperador Trajano teve sucesso após ferozes batalhas e conseguiu derrotar os dácios, com a maior parte da Dácia se tornando uma província romana. A forte colonização com elementos romanos ou romanizados, o uso do latim e a assimilação da civilização romana, assim como o intenso desenvolvimento de centros urbanos conduziu à romanização da população autóctone. Os casamentos entre dácios e colonizadores romanos formou a população daco-romana, que é o processo de formação étnica do povo romeno.
Alguns estudos genéticos recentes revelam que a contribuição das populações nativas de trácios e daco-getas realmente fizeram uma contribuição significante aos genes da moderna população romena, como também contribuíram com outras populações balcânicas (albaneses, gregos) e com grupos italianos.
O haplogrupo J é principalmente encontrado no sudeste da Europa, especialmente no centro e no sul da Itália, Grécia e Romênia. Ele é também comum na França e no Oriente Médio. Ele é relacionado com os antigos romanos, gregos e fenícios (J2), assim como com árabes e judeus (J1). Subclados J2a e J2a1b1 são encontrados principalmente na Grécia, Anatólia e sul da Itália, e são associados aos antigos gregos.
História
thumb|left|300px|Origens étnicas romenas Antiguidade Habitado pelos antigos dácios, o território atual da Romênia foi conquistado pelo Império Romano em 106, quando o exército de Trajano derrotou o de Decébalo. A administração romana se retirou dois séculos depois, sob a pressão dos godos e carpianos.
Idade Média thumb|right|250px|Regiões habitadas por populações romenas significativas (Verde: Daco-romenos; Rosa: Aromenos; Laranja: Megleno-romenos; Amarelo: Istro-romenos) As migrações tribais que se seguiram - tais como as dos eslavos, proto-búlgaros (depois búlgaros), húngaros e tártaros - não permitiram aos romenos desenvolver algum grande estado centralizado, o que foi conseguido apenas no e especialmente no século XIV, quando os principados do Danúbio da Moldávia e da Valáquia emergiram para combater o Império Otomano.
Toda a península Balcânica foi anexada pelo Império Otomano, mas Moldávia, Valáquia e Transilvânia permaneceram autônomos sob a suserania otomana. Os três principados foram unificados em 1600 sob a autoridade do príncipe valáquio Miguel, o Valente.
Até 1541, a Transilvânia era parte do Reino da Hungria. Depois (devido à conquista da Hungria pelo Império Otomano), foi um principado auto-governado pela nobreza húngara. Em 1699, tornou-se parte das terras dos Habsburgos. No século XIX, o Império Austríaco foi premiado pelo otomanos com a região de Bucovina e, em 1812, os russos ocuparam a metade oriental da Moldávia, conhecida como Bessarábia.
Idade Moderna thumb|left|Territórios habitados por romenos antes da Primeira Guerra Mundial Em 1821 e 1848, duas rebeliões ocorreram, e ambas falharam; mas elas tiveram um papel fundamental na disseminação da ideologia liberal. Em 1859, a Moldávia e a Valáquia elegeram o mesmo governante - Alexandre João Cuza (que reinou como Domnitor) e foram assim unificadas de facto.
Em fevereiro de 1849 uma delegação chefiada pelo bispo metropolitano Andrei Şaguna entrega ao imperador Francisco José I da Áustria a Petição Geral dos líderes romenos na Transilvânia, Banato e Bukovina, que exige que a nação romena seja reconhecida.Liviu Maior, 1848-1849. Români și unguri în revoluție, Bucharest: Editura Enciclopedică, 1998
O recém-fundado Reino da Romênia, liderado pelo príncipe Hohenzollern Carol I, guerreou pela independência contra os otomanos, independência que foi reconhecida em 1878. No começo da Primeira Guerra Mundial, apesar de aliada da Áustria-Hungria, a Romênia se recusou a entrar em guerra ao lado das Potências Centrais, porque a Romênia estava obrigada a entrar em guerra somente se a Áustria-Hungria fosse atacada. Em 1916, a Romênia entrou na guerra ao lado da Tríplice Entente. Por isso, no final da guerra, Transilvânia, Bessarábia e Bucovina foram cedidas à Romênia, resultando na Grande Romênia.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Romênia perdeu territórios tanto no leste como no oeste, como a Transilvânia do Norte, que se tornou parte da Hungria através do Segundo Arbitral de Viena, enquanto a Bessarábia e a Bucovina do Norte foram tomadas pelos soviéticos e incluídas na RSS da Moldávia e na RSS da Ucrânia respectivamente. As perdas dos territórios orientais foram facilitados pelo pacto de não-agressão soviético-alemão Molotov-Ribbentrop.
A União Soviética impôs um governo comunista e o rei Miguel I foi forçado a abdicar e se exilar. Nicolae Ceaușescu se tornou o chefe do Partido Comunista Romeno em 1965 e seu governo draconiano da década de 1980 foi interrompido pela Revolução Romena de 1989.
A revolução romena trouxe para o poder o dissidente e ex-comunista Ion Iliescu. Ele permaneceu no poder até 1996, e então novamente entre 2000 e 2004. Emil Constantinescu foi presidente de 1996 a 2000, e Traian Băsescu começou seu mandato em 2004.
A Romênia passou a fazer parte da OTAN em 2004 e da União Europeia em 2007.
História do termo miniaturadaimagem|Retrato de Miguel, o Bravo (1558-1601), príncipe da Valáquia, Transilvânia e Moldávia, feito por Aegidius Sadeler II. Antonio Bonfini (1434-1503) se opõe à teoria de Eneias Sílvio (1405-1464) de que os romenos foram batizados em virtude do nome do líder militar Flaccus, governador da Mésia. Ele liga a origem do nome vlach/voloch à habilidade deles no arco-e-flecha (grego: ballo significa "arremessar", "atirar"), mas também é possível que o nome seja uma versão falha (devido à pronúncia pobre dos dálmatas) de Valéria, uma província nomeada em homenagem à filha de Diocleciano. Com o passar do tempo, o líder militar Flaccus é omitido como a fonte do nome: vlach (valáquio) para romeno (romano), mas por um longo tempo a visão prevalente era de que romenos eram na realidade os italianos.
Em parte, a razão para esta opinião fez com que os acadêmicos italianos acreditassem que a língua romena fosse "meio-italiana" ou "italiano imperfeito". Outra razão: os poloneses usam um nome similar para italianos e romenos. A primeira referência a este fator pode ser encontrado nos escritos de Júlio Pompônio Leto (1425-1498). Ele estava viajando pela Europa Oriental, inclusive pela Polônia, por volta de 1480. Leto afirma: "A Dácia é uma província que se estende em ambas as direções para além do Hister (Danúbio) que, nos nossos dias, era chamada Volochia e seus habitantes, volochs. A Volochia é Itália, visto que os dácios (romenos) falam italiano".A. Marcu: Riflessi di storia rumena in opere italiane dei secoli XIV. e XV. - Ephemeris Dacoromana I (1923), p. 381.
Orichovius (Stanislaw Orzechowski, 1513-1566) registra em 1554 que na sua própria língua, os romenos são chamados romîn (derivado de "romanos"), e em polonês de walachs (por causa dos italianos) - (qui eorum lingua Romini a Romanis, nostra Walachi, ab Italis appellantur). Esta versão do nome aparece novamente nesta curta sentença de Francesco della Valle: Sti Romineste? (ști românește?). no século XVII, rumîn aparece como rumun (Johann Tröster), rumuny (Paul Kovács de Lisznyai), rumuin (Laurentius Toppeltinus) e rumen (Johannes Lucius e Martin Szentiványi). Todos eles se referem aos nomes pelos quais os romenos se referiam a si próprios.I. Bogdan: Vechile cronici moldovenești pânã la Ureche. Bucharest 1891, p. 185-187. (Hungarian translation by G. Lükõ: On the Legend about the Founding of Moldavia. Ethnographia 47 (1936).
O exônimo valáquios também é compartilhado por outras populações românicas da península Balcânica. Estas populações também dividiram, e dividem, um autônimo comum, com as variantes dialetais rumân, armân, rumâr, etc. Estas populações, muitas vezes consideradas separadamente hoje em dia, têm sido geralmente consideradas como um único povo com uma autoidentidade coesa, possuindo uma língua comum dividida em dialetos principais: o daco-romeno, a língua dominante das modernas Romênia e Moldávia; o aromeno (também conhecido como macedo-romeno), falado atualmente por cerca de 300 000 pessoas nos vários países ao sul do Danúbio; o megleno-romeno, faldo atualmente por cerca de 10 000 pessoas na Grécia e na República da Macedônia; e o istro-romeno, falado atualmente por menos de 1 000 pessoas em algumas poucas vilas na península da Ístria na Croácia. No entanto, a separação e a interpretação modernas, embora agrupe os romenos modernos com os macedo-romenos, megleno-romenos e istro-romenos, nunca concluiriam ou teriam como resultado final a percepção dessas populações como grupos étnicos distintos e separados.