Alfredo Roque Gameiro (Minde, Porto de Mós, 4 de abril de 1864 – Benfica, Lisboa, 5 de agosto de 1935) foi um pintor e desenhador português, especializado na arte da aguarela.

Biografia

Filho de Manuel Roque Gameiro, um proprietário local conhecido como "Migança", e de sua segunda mulher Ana de Jesus e Silva, ambos naturais de Minde, que então pertencia ao concelho de Porto de Mós (atualmente Alcanena). Era neto paterno de Joaquim Gameiro e de sua mulher Maria de São Bernardo."Costados", D. Gonçalo de Mesquita da Silveira de Vasconcelos e Sousa, Livraria Esquina, 1.ª Edição, Porto, 1997, N.º 94

Estudou na Academia de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluno de Manuel Maria de Macedo, José Simões de Almeida e Enrique Casanova. Frequentou também a Escola de Artes e Ofícios de Leipzig, como bolseiro do Governo português, onde estudou litografia com Ludwig Nieper. De regresso a Portugal, em 1886, dirigiu a Companhia Nacional Editora.

A 14 de abril de 1888, casou na igreja paroquial do Sacramento, em Lisboa, com Maria da Assunção de Carvalho Forte (Pena, Lisboa, c. 1872 – ?), filha de José da Conceição Forte e de sua mulher Guilhermina Eugénia de Carvalho.

Fez parte do Grémio Artístico, tendo sido premiado logo na primeira exposição, em 1891.

Em 1894 foi nomeado professor na Escola Industrial do Príncipe Real. Com o seu nome existem três instituições em Portugal, duas delas na Amadora: a Escola Roque Gameiro (2.º e 3.º ciclo do Ensino Básico) e a "Casa Roque Gameiro" residência do artista e da família (actualmente espaço de exposições do município); a outra existe em Minde, sua terra Natal: o Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, que inclui o Museu de Aguarela Roque Gameiro. A maioria das suas obras encontra-se no acervo do Museu de Minde (obras pertencentes ao museu e obras de familiares e da Fundação Gulbenkian em depósito).

Tem colaboração artística em diversas publicações periódicas: em 1884 o seu nome surge no periódico Lisboa creche: jornal miniatura; seguem-se o jornal humorístico A Comédia Portuguesa, começado a editar em 1888, o semanário Branco e Negro (1896–1898) e as revistas Brasil-Portugal (1899–1914), Serões (1901–1911), Atlântida (1915–1920) e Arte e Vida (1904–1906). Ilustrou, juntamente com Manuel de Macedo (1839–1915), a Grande edição illustrada de Os Lusíadas, publicada em Lisboa, pela Empreza da História de Portugal, em 1900.

Morreu a 5 de agosto de 1935, vítima de uremia, no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, freguesia de Benfica (atualmente freguesia de São Domingos de Benfica), em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Família de Artistas thumb|upright|Retrato da filha, Màmía. Roque Gameiro não deixou apenas uma vasta colecção de obras; deixou também uma família de artistas. Todos os seus cinco filhos foram importantes artistas por direito próprioLuís Cabral, A family of artists: Raquel Roque Gameiro Ottolini (1889–1970) foi uma reconhecida aguarelista e recebeu inúmeros prémios, incluindo a Medalha de Honra da S.N.B.A. Manuel Roque Gameiro (1891–1944) trabalhou com diversos materiais, destacando-se na aguarela. Helena Roque Gameiro (1895–1984) é conhecida pelas suas aguarelas de paisagens. Aos 14 anos de idade já ajudava o pai a ministrar um curso de pintura no seu ateliê. Casou com o realizador de cinema Leitão de Barros (1896–1967). Maria Emília (Màmia) Roque Gameiro (1901–1996) pintava a aguarela, guache e óleo. Em 1926, casou-se com o pintor Jaime Martins Barata (1899–1970). Ruy Roque Gameiro (1906–1935) morreu relativamente jovem, mas era já um escultor reconhecido, com obras em Portugal e Moçambique.

Obra conhecida thumb|A partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497 thumb|A chegada de Vasco da Gama a Calecute em 1498 thumb|Praia da Adraga thumb|Casa no Largo do Menino Deus

thumb|right|Porta d’Armas do Quartel da Cova da Moura, em Lisboa miniaturadaimagem|Retrato do El-Rei Carlos I por Alfredo Roque Gameiro Na colecção do Museu do Chiado: Praia das Maçãs Provando o jantar Nazaré Castelo de S. Julião

No Museu da Cidade de Lisboa: Rua do Arco do Marquês de Alegrete - Lisboa

No Museu de Arte Contemporânea de Madrid: Ribeira da Praia das MaçãsNo Museu Grão VascoArribas do MarNa Biblioteca-Museu Almeida Moreira:Quadro de figuraNa Colecção da família do artista:Retrato da Mãe do Artista (1904) Retrato da Mulher do Artista Praia da Adraga (1916) Bailarico saloio Saloio de colaresOutras:Mar (1916) Gruta marinha (1917) Fortaleza das Berlengas (1924) Forte da Nazaré (1924) Praia do Cavalo (1916) Foz – Nazaré (1923) Mar depois da chuva Cova do Sono (Berlengas, 1924) Chegada das naus Lisboa do século XVI Carlos I de Portugal Obras ilustradas:' Álbum de Costumes Portugueses (1888) Retalhinhos, de Eduardo Coelho Junior (1888) De braço dado, do Conde de Sabugosa e B. de Pindella (1894) Contos e Histórias, da Empresa do Jornal O Século (1897) Guerreiro e Monje (1898) História de Portugal, popular e ilustrada, da Empreza da História de Portugal (1899) Portugal Vinícola, de Cincinnato da Costa (1900) As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Diniz (1900) Descoberta do Brasil, de Faustino da Fonseca (1900) A Sereia, de Camilo Castelo Branco (1900) Os Lusíadas, de Luís de Camões (1900) História das Toiradas, de Eduardo de Noronha (1900) Mysterios da inquisição, de Gomes da Silva, com Manuel de Macedo (1900) História Geral dos Jesuítas, de Tomás Lino D'Assumpção (1901) Portugal pittoresco e illustrado, de Alfredo Mesquita (1903) Leonor Telles, de Marcelino Mesquita, com Manuel de Macedo (1903) Obras completas de Almeida Garret (1904) A Ambição de um Rei, de Eduardo de Noronha (1904) O Rabbi da Galileia, de Augusto de Lacerda (1904) Da minha Terra: figuras gradas, de José Queiroz (1909) A Árvore, de Delfim de Guimarães (1910) A máscara d'um actor: Cabeças d'expressão, de Azevedo Neves (1914) Quadros da História de Portugal, de Chagas Franco e João Soares, com Alberto de Sousa (1917) História da Colonização Portuguesa do Brasil, de Carlos Malheiro Dias (1921) História do Palácio Nacional de Queluz, de António Caldeira Pires - Afonso de Ornelas (1924) Lisboa Velha, com prefácio de Afonso Lopes Vieira (1925): 100 imagens O Romance das Ilhas encantadas, de Jaime Cortesão (1926) Livro das cortesãs, de Albino Forjaz Sampaio e Bento Mântua (1929) - 1 ilustração: "A Severa" A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Diniz (1930) Os costumes antigos / Portugal de algum dia, de Gustavo de Matos Sequeira (1933) Oscar e Amanda, de Regina Rocha, com Alfredo de Morais Bocage O Reinado Venturoso, de Artur Lobo d'Ávila Os amores do Príncipe Perfeito'', de Artur Lobo d'Ávila

Prémios Medalha de Honra de Mérito Municipal (Lisboa) 3.ª medalha na 1.ª Exposição do Grémio Artístico, em 1891 1.ª medalha em aguarela e em desenho no Grémio Artístico (1897–1898) Medalha de honra na Sociedade Nacional de Belas-Artes (1910) Medalha de ouro do Salon de Paris (1900) Grand prix, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro (1908) Medalha de honra de 1.ª classe na Exposição Internacional Comemorativa da Independência do Brasil. Eleito membro da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando, de Madrid (1923)

Ver também Jardim Roque Gameiro, em Lisboa História da Colonização Portuguesa do Brasil

Ligações externas

Site dedicado a Alfredo Roque Gameiro e descendentes Biografia Museu de Aguarela Roque Gameiro "Visita Guiada - Casa Roque Gameiro, Amadora", episódio 8, 22 de maio de 2017, temporada 7, programa de Paula Moura Pinheiro, na RTP Obras de Alfredo Roque Gameiro na Biblioteca Nacional de Portugal

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