thumb|direita|240px|As três irmãs de Calígula, Agripina Menor, Drusila e Júlia Lívila. Júlia Agripina Menor ( (edd.), Prosopographia Imperii Romani saeculi I, II et III (PIR), Berlin, 1933 – I 641), também conhecida como Agripina, a Jovem ou Agripinila e, depois de 50, como Júlia Augusta Agripina, foi uma imperatriz-consorte romana e uma das mais poderosas mulheres da Dinastia júlio-claudiana. Ela era bisneta do imperador Augusto, sobrinha-neta e neta adotiva de Tibério, irmã de Calígula, sobrinha e quarta esposa de Cláudio e mãe de Nero.

Ela foi descrita nas fontes modernas e antigas com adjetivos como "implacável", "ambiciosa", "violenta" e "dominadora". Ela era bela, tinha boa reputação e, de acordo com Plínio, o Velho, ela tinha um canino duplo na direita da mandíbula superior, um sinal de boa sorte na época. Muitos dos historiadores antigos acusam Agripina de ter envenenado o imperador Cláudio, mas os relatos divergem entre si.Tácito, Anais XII.66; Dião Cássio, História romana LXI.34; Suetônio, Vidas dos Doze Césares, Vida de Cláudio 44; Josefo já não tem tanta certeza: Josefo, Antiguidades Judaicas XX.8.1

Família Agripina quarta filha de Agripina Maior e Germânico, primeira menina. Ela tinha três irmãos, Nero César, Druso César e o futuro imperador Calígula, e duas irmãs mais novas, Júlia Drusila e Júlia Lívila. Os dois irmãos mais velhos e sua mãe caíram vítimas das intrigas palacianas do prefeito pretoriano Lúcio Élio Sejano.

Ela tinha o mesmo nome da mãe, que era lembrada como uma modesta e heroica matrona. Agripina Maior era a segunda menina, quarta filha de Júlia, a Velha, com Marcos Vipsânio Agripa. Júlia era a única filha biológica do imperador Augusto com sua segunda esposa, Escribônia, uma parente de Pompeu Magno e Lúcio Cornélio Sula.

Germânico, o pai dela era general e um político popular. Sua mãe era Antônia Menor e seu pai, Nero Cláudio Druso. Ele tinha dois irmãos mais novos, Lívila e o futuro imperador Cláudio. Antônia era filha de Otávia Menor de seu segundo marido com o triúnviro Marco Antônio e Otávia, uma irmã mais velha de Augusto. O pai de Germânico, Nero Cláudio Druso (Druso, o Velho) era o segundo filho da imperatriz Lívia Drusila de seu segundo casamento com o pretor Tibério Nero e irmão mais novo de Tibério. Ambos eram filhos adotivos de Augusto. No ano 9, Augusto forçou Tibério a adotar Germânico, seu sobrinho, como filho e herdeiro e esperava que ele, seu favorito, o sucedesse. Por conta disso, Tibério era também avô adotivo de Agripina além de ser seu tio-avô.

Nascimento e primeiros anos Agripina nasceu em Ópido dos Úbios, um posto avançado romano na região do rio Reno que se localizava perto de onde hoje está Colônia. Ainda criança, ela viajou com os pais por todo o império até que ela e os irmãos (menos Calígula) voltaram para Roma para viverem com Antônia, que os criou. Seus pais, neste ínterim, foram até a Síria para completar outras missões oficiais. Um ano depois, em outubro, Germânico morreu subitamente em Antioquia.

A morte do pai no ano 19 provocou grande pesar no povo romano e deu origem a rumores de que ele teria sido assassinado por Cneu Calpúrnio Pisão e Munácia Plancina a mando de Tibério quando a viúva, Agripina Maior, chegou na capital trazendo as cinzas do finado marido. Agripina passou então a ser criada pela mãe, pela avó, Antônia, e pela bisavó, Lívia, todas elas nobres muito poderosas de quem ela aprendeu a arte de sobreviver na corte romana. Ela vivia no monte Palatino em Roma. O seu tio-avô Tibério já havia se tornado imperador e era o chefe da família depois da morte de Augusto em 14.

Primeiro casamento com Cneu Domício Enobarbo Depois de seu décimo-terceiro aniversário, em 28, Tibério arranjou para que Agripina se casasse com seu tio de segundo grau pelo lado paterno Cneu Domício Enobarbo e ordenou que o casamento fosse celebrado em Roma. Domício vinha da distinta família dos Enobarbos, de status consular. Pelo lado da mãe, Antônia Maior, Domício era sobrinho neto de Augusto, primo de Cláudio e primo de segundo grau de Agripina e Calígula. Ele tinha duas irmãs, Domícia Lépida, a Velha, e Domícia Lépida, a Jovem, esta a mãe da imperatriz Messalina.

Antônia Maior era também a irmã mais velha de Antônia Menor e a primeira filha de Otávia com Marco Antônio. De acordo com Suetônio, Domício era um homem rico de caráter desprezível e desonesto, "um homem que era todos os aspectos da vida, detestável" e que serviu como cônsul em 32. Agripina e o marido viveram entre Âncio e Roma, mas pouco se sabe da relação entre eles.

Reinado de Calígula Tibério morreu em 16 de março de 37 e o único irmão sobrevivente de Agripina, Calígula, se tornou o novo imperador, o que aumentou ainda mais sua influência.

Ela e as duas irmãs mais novas, Júlia Drusila e Júlia Lívila receberam várias honras do irmão: Elas receberam os direitos reservados às virgens vestais, como a liberdade de assistir aos jogos nos estádios nos melhores assentos. Moedas foram cunhadas com as imagens de Calígula e suas irmãs, algo que jamais fora feito antes. Calígula adicionou os nomes das irmãs em suas moções, inclusive os juramentos de lealdade ("Eu não valorizarei a minha vida ou de meus filhos acima do que valorizo a segurança do imperador e de suas irmãs") e as consulares ("Boa fortuna ao imperador e suas irmãs").

Na época que o imperador Tibério morreu, Agripina estava grávida e Domício reconhecia a paternidade da criança. Nas primeiras horas da manhã de 15 de dezembro de 37, em Âncio, Agripina deu à luz um filho. Ela e Domício o chamaram de "Lúcio Domício Enobarbo" em homenagem ao recém-falecido pai de Domício. Esta criança seria o futuro imperador Nero e foi o único filho de Agripina. Suetônio afirma que Domício foi cumprimentado pelos amigos pelo nascimento do filho, ao que ele respondia "Eu não acredito que qualquer coisa que tenha sido produzida por mim e por Agripina possa de alguma maneira ser boa para o estado ou para o povo".

Calígula e suas irmãs eram acusados na época de manterem relações incestuosas. Em 10 de junho de 38, Drusila morreu, provavelmente de uma febre que grassava na cidade na época. Ele gostava particularmente dela, tratando-a como ele faria com sua própria esposa (Lolia Paulina), mesmo sendo Drusila casada com Marco Emílio Lépido. Depois da morte dela, a relação de Calígula com Agripina e Lívila mudou e ele passou a não mais demonstrar um respeito especial ou amor por elas. Acredita-se que a partir daí ele começou a perder a sanidade.

Em 39, as duas, juntamente com o primo e viúvo de Drusila, Marco Emílio Lépido, se envolveram numa trama fracassada para matar Calígula e que ficou conhecida como Trama das Três Adagas, que tinha por objetivo colocar Lépido no trono. Eles foram descobertos e julgados: Lépido foi executado e Agripina e Lívila foram exiladas nas ilhas Pontinas. Calígula confiscou e vendeu todas as possas dos três. Em janeiro de 40, Domício morreu de edema (hidropisia) em Pirgos. Lúcio (Nero) foi viver com sua tia Domícia Lépida, a Jovem, pois o imperador tomou-lhe a herança.

Calígula e sua esposa, Milônia Cesônia, e a filha do casal, Júlia Drusila, foram assassinados em 24 de janeiro de 41. O tio de Agripina, Cláudio, irmão de seu pai, se tornou o imperador.

Reinado de Cláudio

Retorno do exílio Cláudio retirou as penas de exílio de Agripina e Lívila. A primeira se reuniu com o filho e a segunda, com o marido. Depois da morte de seu primeiro esposo, Agripina se aproximou desavergonhadamente do futuro imperador Galba, que, devotado à esposa Emília Lépida, não demonstrou interesse algum. Numa certa ocasião, a sogra de Galba, no meio de um grupo de mulheres casadas, admoestou publicamente Agripina e deu-lhe um tapa na cara.

Cláudio restituiu a herança de Lúcio Nero, que havia sido confiscada por Calígula. Ele então se tornou ainda mais rico logo depois que Caio Salústio Crispo Passieno se divorciou de sua tia, Domícia Lépida, a Velha (tia paterna), para se casar com Agripina, sua mãe. Crispo era um homem proeminente, influente, rico, inteligente e poderoso, que serviu duas vezes como cônsul. Ele era também o neto adotivo e o sobrinho-bisneto do historiador Salústio. Pouco se sabe do casamento e da relação entre Crispo e Agripina, mas ele morreu logo depois e deixou toda sua fortuna para Nero.

Nos primeiros anos de seu reinado, Cláudio se casou com a infame imperatriz Messalina, uma prima paterna de segundo grau de Agripina que, apesar de muito influente, se manteve discretamente longe do palácio imperial e da corte do imperador. Entre as vítimas das intrigas de Messalina estava a Lívila, que foi acusada de adultério com Sêneca, o Jovem, e foi exilada. Ele, por outro lado, foi logo chamado de volta para ser o tutor de Nero.

Messalina considerava o filho de Agripina uma ameaça à posição de seu filho, Britânico, e enviou assassinos para estrangulá-lo enquanto dormia, mas eles fracassaram. Em 47, Crispo morreu e, no seu funeral, rumores se espalharam de que Agripina o teria envenenado para herdar sua fortuna. Depois de ficar viúva novamente, Agripina estava agora muito rica. Ainda no mesmo ano, durante os Jogos Seculares, numa apresentação de beleza masculina, Messalina compareceu juntamente com o filho. Agripina também estava presente com Nero e os dois receberam mais aplausos do público do que a imperatriz e seu filho.

Ascensão Depois que Messalina foi executada no ano seguinte por conspirar com Caio Sílio para derrubar o marido, Cláudio queria se casar pela quarta vez. Historiadores modernos conjecturam que o Senado romano teria pressionado para que ele se casasse com Agripina para terminar a disputa entre os ramos juliano e claudiano da Dinastia júlio-claudianaScramuzza (1940) pp. 91–92. ver também Tácito, Anais XII 6, 7; Suetônio. Vida de Cláudio 26., que remontava a época da mãe de Agripina, que terminou punida juntamente com os filhos Nero César e Druso César por Tibério depois da morte de Germânico.

Seja por pressão do Senado ou pelos talentos de Agripina, Cláudio acabou se casando com ela, mesmo sendo o casamento de um tio com sua sobrinha algo mal visto na sociedade romana da época.

Casamento com Cláudio Agripina e Cláudio se casaram no dia de Ano Novo de 49, desaprovado por todos. Escritores antigos argumentam que este efeito era parte do plano de Agripina para colocar Nero no trono. Ela rapidamente eliminou Lolia Paulina, a viúva de Calígula e sua rival, acusando-a no mesmo ano de magia negra. A acusada sequer foi julgada e teve todas as suas posses confiscadas, foi exilada e, por ordens de Agripina, foi forçada a cometer o suicídio.

Nos meses anteriores ao casamento com Cláudio, o primo de segundo grau de Agripina, o pretor Lúcio Júnio Silano Torquato ficou noivo da filha do imperador, Cláudia Otávia. O noivado, porém, foi desfeito em 48 quando Agripina, articulando com cônsul Lúcio Vitélio, o Velho, o pai do futuro imperador Vitélio, acusou falsamente Silano de incesto com sua irmã Júnia Calvina. Silano foi forçado a renunciar e o noivado foi desfeito. Otávia agora estava livre para se casar com Nero, filho de Agripina.

Silano se matou no dia do casamento de Agripina com Cláudio e Calvina foi exilada da Itália no início de 49 (ela só conseguiu retornar à corte quando a imperatriz morreu). No final de 54, Agripina ainda ordenaria o assassinato do irmão mais velho de Silano, Marco Júnio Silano Torquato, sem o conhecimento de Nero, para que ele não buscasse vingança contra ela pelo destino do irmão.

Imperatriz Agripina era agora a mulher mais poderosa do Império Romano. Na posição de madrasta de Cláudia Antônia, a filha de Cláudio com Élia Petina, e de Cláudia Otávia e Britânico, filhos dele com Messalina, ela passou a eliminar todos no palácio que ela acreditasse serem leais e dedicados à memória da finada Messalina e também quaisquer ameaças à posição de Nero como sucessor de Cláudio.