Martins é um município brasileiro localizado no interior do estado do Rio Grande do Norte, a uma distância de 370 quilômetros da capital estadual, Natal. Com uma área territorial de 169 quilômetros quadrados (km²), sua população no censo de 2022 era de habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Localizado a uma altitude de mais de 700 metros de altitude em relação ao nível do mar, Martins recebe as alcunhas Princesa Serrana e Campos do Jordão do Rio Grande do Norte, devido ao seu clima considerado agradável em contraste com a vizinhança. Nos meses de julho ou agosto, época mais fria do ano, a cidade realiza um festival gastronômico de rua, considerado o maior do estado.

Um dos principais destinos turísticos do interior potiguar, Martins se destaca no turismo de aventura, abrigando a segunda maior caverna de mármore do país, a Casa de Pedra, com 100 metros de comprimento. No ramo cultural destaca-se, além do festival gastronômico, a festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição, realizada a partir do final de dezembro, estendendo-se até o início de janeiro.

O município foi emancipado de Portalegre em 1841, com a denominação de Maioridade, em alusão ao Golpe da Maioridade, ocorrido no ano anterior. Seis anos depois, a denominação foi alterada para Imperatriz e, desde 1890, tornou-se definitivamente Martins, em referência a Francisco Martins de Roriz, fundador da capela de Nossa Senhora da Conceição, hoje igreja do Rosário. Com o passar do tempo, sua área territorial foi encolhendo devido aos sucessivos desmembramentos, até chegar à sua configuração atual, restando apenas a sede e o distrito de Salva Vida.

História thumb|esquerda|Rua Francisco Martins Roriz, onde nasceu Martins, cujo nome é uma referência ao fundador da cidade thumb|esquerda|Capela Nossa Senhora do Rosário, primeira igreja de Martins; à direita a estátua de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município

Em 20 de julho de 1736, Aleixo Teixeira, capitão-mor da Aldeia de São João do Apodi dos Tapuias Paiacus (atual Apodi), recebeu a carta de data da sesmaria de terras no alto da serra conhecida como Serra do Campo Grande (assim chamada em virtude da proximidade da povoação de Campo Grande), posteriormente conhecida como Serra da Conceição. Seis anos depois, Francisco Martins Roriz, habitante da Ribeira do Jaguaribe, na capitania do Ceará-Grande, fundou, no alto da serra, uma capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição (atual Igreja do Rosário), tomando posse daquelas terras situadas entre os rios Apodi/Mossoró e Umari.

Em 2 de novembro de 1840, é criada a paróquia de Martins, desmembrada da paróquia de Pau dos Ferros, tendo como primeiro pároco o padre Pedro José de Queiroz e Sá. A criação da paróquia foi um dos marcos da emancipação política do município, que ocorreu em 10 de novembro de 1841, através da lei provincial nº 71, desmembrado de Portalegre, com o nome de Maioridade, assim nomeada em homenagem à maioridade antecipada do imperador Dom Pedro II, ocorrida no ano anterior.

Em 1842, Agostinho Pinto de Queiroz tornou-se o primeiro intendente municipal, ocupando o cargo por dois anos. Nesse mesmo ano foi criada a comarca de Maioridade, a terceira da província do Rio Grande do Norte, depois de Natal e Assu. Em 30 de outubro de 1847, Maioridade passa a ser denominado Imperatriz, em homenagem à D. Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, esposa de D. Pedro II e imperatriz do Brasil por quase meio século, desde 1843 até a queda do regime monárquico, em 1889. Através da lei provincial n° 35, sancionada pelo governador Pedro de Albuquerque Maranhão em 7 de julho de 1890, "Imperatriz" passa a ser definitivamente denominado de "Martins", em referência a Francisco Martins de Roriz.

Quando emancipado, Martins se limitava a norte com Apodi, Portalegre a oeste e a Paraíba nas demais direções, detendo uma área territorial que ocupava boa parte do extremo oeste da província. Com o passar do tempo, através de leis provinciais/estaduais, essa área foi encolhendo devido aos sucessivos desmembramentos para a criação de novos municípios, até restar a área atual. De Martins foram desmembrados os seguintes municípios: Patu (25 de setembro de 1890), parte de Alexandria (7 de novembro de 1930), Umarizal (ex-distrito de Divinópolis, desmembrado em 27 de novembro de 1958), Antônio Martins (ex-Demétrio Lemos, 8 de maio de 1963), Frutuoso Gomes (ex-Mineiro, 20 de dezembro de 1963), Lucrécia (27 de dezembro de 1963) e Serrinha dos Pintos (31 de outubro de 1993). Nos dias atuais, o município é formado administrativamente pelo distritos de Martins, onde se localiza a sede municipal, e Salva Vida, criado pela lei estadual nº 2792, datada de 11 de maio de 1962.

Geografia Martins ocupa uma área territorial de (0,3209% do território estadual) e se limita a norte com Viçosa e Umarizal; a sul com Antônio Martins e Serrinha dos Pintos; a leste com Lucrécia e Frutuoso Gomes e a oeste com Serrinha dos Pintos e Portalegre. Está a 370 de Natal, capital estadual, e a de Brasília, capital federal. De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, Martins pertence à região geográfica intermediária de Mossoró e à região imediata de Pau dos Ferros. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Umarizal, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.

O relevo do município, com altitudes predominando entre 400 e 800 metros, é constituído pelo Planalto da Borborema, formado por terrenos rochosos antigos provenientes do período Pré-Cambriano, com as serras de Bom Princípio, Macapá, Martins, Mundo Novo e dos Picos, bem como os serrotes Jacu e do Saquinho; e pela Depressão Sertaneja, que compreende uma série de terrenos de menor altitude, de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi. O município está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, formados entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos, assim como das rochas da Formação Serra de Martins, com idade de aproximadamente sessenta milhões de anos, originárias da idade terciária inferior.

Situado na bacia hidrográfica do Rio Apodi/Mossoró, os principais riachos são Corredor, Comissário, Forquilha, dos Picos e Sampaio. Os maiores reservatórios, com capacidade igual ou superior a cem mil metros cúbicos de água (m³), são: Lajes ou Serra Nova (), Ribeiro () e Alívio (). Os tipos de solos do município são o latossolo vermelho amarelo, em áreas de relevo plano, com textura de argila e pouca fertilidade; os luvissolos ou solos bruno não cálcicos, pedregoso e característico de áreas onduladas, com nível de fertilidade entre médio a alto e textura formada por areia ou argila; e os neossolos ou solos litólicos eutróficos, de baixa profundidade, presente em áreas com relevo ondulado ou fortemente ondulado, além de ser altamente fértil e apresentar textura média. Esses solos são cobertos principalmente pela caatinga hiperxerófila, de pequeno porte, sem folhas na estação seca, além da floresta caducifólia, com espécies caducas e de porte maior.

thumb|centro|1000px|Vegetação da serra de Martins durante o período chuvoso

Martins possui maior o índice pluviométrico do interior do Rio Grande do Norte, que ultrapassa milímetros (mm) anuais,DINIZ; PEREIRA, 2015, p. 500. apresentando assim clima tropical chuvoso Aw, com chuvas concentradas no primeiro semestre. Esse elevado índice, em comparação às regiões vizinhas, deve-se à ocorrência comum de chuvas orográficas no lado a barlavento da serra, onde está situada a cidade.DINIZ; PEREIRA, 2015, p. 499. A altitude de Martins também faz com que a cidade experimente temperaturas mais amenas, rendendo ao município as alcunhas de "Campos do Jordão do Rio Grande do Norte" e "Princesa Serrana". Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de precipitação (chuva) em 24 horas registrado em Martins chegou aos em 15 de maio de 2009, enquanto o mês mais chuvoso da série histórica foi abril de 1985, com acumulados.

Demografia

Com habitantes em 2010, a população do município decresceu 0,5% em relação ao censo de 2022, quando foram contabilizadas residentes, com uma densidade demográfica de . Com 51,2% dos habitantes do sexo feminino e 48,8% do sexo masculino, a razão de sexo era de 95,3. Ao mesmo tempo, 74,02% dos habitantes viviam na zona urbana e 25,98% na zona rural.

thumb|esquerda|Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição por dentro

No quesito cor ou raça, 46,25% da população autodeclarou-se parda, 44,43% branca e 9,22% preta e 0,05% amarela. Ainda segundo o mesmo censo, 73,27% dos habitantes acima dos dez anos se declararam católicos, 19,16% evangélicos, 0,32% espíritas, além de 5,22% sem religião; outras denominações, 2,05%.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,622, sendo o 55º maior do Rio Grande do Norte e o ° do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,772, o valor do índice de renda é 0,580 e o de educação 0,538.

De 2000 a 2010, o índice de Gini passou de 0,59 para 0,49 e a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até 140 reais caiu 41,9%. Em 2010, 64,7% da população vivia acima da linha de pobreza, 20,4% abaixo da linha de indigência e 14,9% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 51,3% do rendimento total municipal, valor pouco mais de 23 vezes superior à dos 20% mais pobres, de apenas 2,2%.

Política

De acordo com a lei orgânica de Martins, promulgada em 3 de abril de 1990, a administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo, independentes e harmônicos entre si. O poder executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O legislativo, por sua vez, é exercido pela Câmara Municipal, constituída por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Existem também alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Direitos da Criança e do Adolescente, Desenvolvimento Rural, Educação, FUNDEB, Saúde, Turismo e Tutelar. Martins é sede de uma comarca do poder judiciário estadual, cujos termos são os municípios de Antônio Martins e Serrinha dos Pintos. O município pertence à 38ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte.

Economia thumb|esquerda|300px|Mercado público de Martins Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Martins em 2015 era de R$ , dos quais R$ de investimentos da administração pública, R$ do setor terciário, R$ de impostos, R$ do setor secundário e R$ do setor primário. O PIB per capita era de R$ .

Em 2015 o município possuía um rebanho de galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), bovinos, 600 suínos, 550 ovinos, trezentos caprinos e 140 equinos. Na lavoura temporária de 2015 foram produzidos cana-de-açúcar (), mandioca (), batata-doce (), milho (), feijão () e fava (), e na lavoura permanente coco-da-baía (oito mil frutos), castanha de caju (), banana (, em cacho), goiaba () e manga (). Ainda no mesmo ano o município também produziu 169 mil litros de leite de trezentas vacas ordenhadas; 33 mil dúzias de ovos de galinha e 3,2 mil quilos de mel de abelha.

thumb|Rua Desembargador Hemetério Fernandes, no centro de Martins