direita|474x474px O Alfabeto Fonético Internacional (referenciado pela sigla AFIBorba, Francisco da Silva. Pequeno vocabulário de linguística moderna. 2ª edição. Companhia Editora Nacional, 1976. pp. xxvi. e pela sigla em inglês IPA,O alfabeto fonético internacional é referenciado por considerável parte do meio acadêmico pela sigla em inglês IPA, que foi adotada pela ABRALIN e pela APL. de International Phonetic Alphabet) é um sistema de notação fonética composto por 157 caracteres, baseado no alfabeto latino, criado em 1886 no projeto orientado pelo linguista francês Paul Passy (Associação Fonética Internacional), com objetivo de ter uma representação padronizada dos sons do idioma falado.International Phonetic Association (IPA), Handbook. O AFI é utilizado por linguistas, fonoaudiólogos, professores e estudantes de idiomas estrangeiros, cantores, atores, lexicógrafos e tradutores.
O AFI foi projetado para representar apenas aquelas características da fala que podem ser distinguidas no idioma falado: fonemas, entonação e a separação de palavras e sílabas. Para representar características adicionais da fala, como o ranger dos dentes, sigmatismo (língua presa) e sons feitos com lábios leporinos, utiliza-se de um conjunto ampliado de símbolos, chamados de extensões ao AFI.
Ocasionalmente letras ou diacríticos são adicionados, removidos ou modificados pela Associação Fonética Internacional. A partir da alteração mais recente em 2015, existem 107 letras, 52 diacríticos e quatro marcas de prosódia no AFI.
Os símbolos do alfabeto fonético internacional são divididos em três categorias: letras (que indicam os sons básicos), diacríticos (que especificam mais esses sons básicos) e suprassegmentais (que indicam características, como velocidade, tom e acento tônico). Essas categorias são divididas em seções menores: as letras podem ser vogais ou consoantes e os diacríticos e suprassegmentais são classificados de acordo com o que indicam: articulação, fonação, tom, entonação ou acentuação tônica.
História
Precursores Os alfabetos precursores:
1845 - Alfabeto fonotípico inglês (EPA), de Sir Isaac Pitman (1813-1897) 1852 - Alfabeto standard, de Karl Richard Lepsius (1810-1884) 1869 - Alfabeto paleótipo (EPA), de Alexander John Ellis (1814-1890). 1877: Alfabeto rômico, de Henry Sweet (1845-1912) - Sweet, Henry. A handbook of phonetics, including a popular exposition of the principles of spelling reform. Oxford: Clarendon Press, 1877. Sweet, Henry. A Primer of Phonetics. Oxford: Clarendon Press, 1892.
Alfabeto Universal Em 1686, o linguista holandês Francis Lodwick propôs a criação de um alfabeto universal, com objetivo de escrever muitas línguas de forma eficiente, após observar a dificuldade que existia para escrever de forma precisa o que era falado, e de pronunciar corretamente o que era escrito (em essência, uma escrita fonética sofisticada).
Considera-se que, Lodwick pode ter sido influenciado pelo estudo das línguas indianas e pela escrita Brahmi, fonologicamente sistemática (século III a.C.). Ele organiza as consoantes em séries, baseado na localização e no modo de articulação (plosiva sonora, plosiva surda, nasal, fricativa sonora, fricativa surda) e; também identificou 14 vogais distintas, representadas pelas palavras (em inglês, francês e baixo holandês) tall, tallow, tale, tell, teal, till, dure (fr.), muis (hol.), tile, tone, tunne, une (fr.), tool e could. citado em .
As consoantes foram agrupadas em 10 colunas de 6 linhas, porém algumas foram omitidas porque seus sons seriam tão parecidos que causariam confusão. Por exemplo, a coluna 2 continha as consoantes dark, tart, name, this, thing e dante (fr.); em cada coluna estão consoantes que são pronunciadas pelas mesmas partes da boca.
Em 1886, o linguista Paul Passy cria o grupo Dhi Fonètik Tîtcerz' Asóciécon (FTA), composto por professores de idiomas franceses e britânicos - o que passaria a ser conhecido de 1897 em diante como a Associação Fonética Internacional (do francês L'Association Phonétique Internationale (API), em inglês International Phonetic Association (IPA).. Em 1888, o grupo fez o primeiro esboço do International Phonetic Alphabet no artigo nomeado "aur rivàizd ælfəbit", publicado na edição 7/8 da revista Le Maître Phonétique (volume 3). O alfabeto original teve como base uma reforma ortográfica do inglês conhecida como alfabeto rômico, porém para adequá-lo a outros idiomas os valores dos símbolos tornaram-se variáveis de acordo com as características de cada língua."Originalmente, a meta era tornar disponível um conjunto de símbolos fonéticos para os quais seriam dados valores articulatórios diferentes, se necessário, em diferentes idiomas." ("Originally, the aim was to make available a set of phonetic symbols which would be given different articulatory values, if necessary, in different languages."). Associação Fonética Internacional, Handbook, pp 195–196 Por exemplo, o som IPA ʃ (ch em "chave") era representado originalmente com a letra <c> no inglês, porém com a letra <x> em francês. Em 1888, entretanto, o alfabeto foi revisado e uniformizado em todos os idiomas, e adquiriu assim uma base para todas as revisões futuras.
Desde a sua criação o AFI passou por diversas revisões. Depois das principais revisões e expansões, permaneceu inalterado até a convenção de Kiel, realizada em 1989. Uma revisão de menor importância ocorreu em 1993, com a adição de quatro vogais semicentrais, e a eliminação dos símbolos para as implosivas surdas.Pullum and Ladusaw, Phonetic Symbol Guide, pp 152 & 209 O alfabeto foi revisado pela última vez em maio de 2005, com a adição de um símbolo para o flape labiodental. Além da adição e eliminação de símbolos, as mudanças no AFI consistiram na sua maior parte da renomeação dos símbolos e de suas categorias, e na modificação das fontes utilizadas.
Recentemente o alfabeto foi expandido: As extensões do alfabeto fonético internacional foram criadas em 1990, e oficialmente adotadas pela Associação Internacional de Linguística e Fonética Clínica em 1994.International Phonetic Association, Handbook, p. 186
A maioria das letras do alfabeto é originária do alfabeto romano ou derivada dele, algumas são do alfabeto grego e outras não parecem pertencer a alfabeto nenhum.
Esse alfabeto especial, chamado também quadro fonético, passou por inúmeras mudanças através dos estudos promovidos por esse grupo. Sua última atualização foi feita em 2005.
Revisões As revisões e expansões do Alfabeto Fonético Internacional:
1900: primeiro quadro do IPA (Association phonétique internationale. "Exposé des principes de l'Association phonétique internationale". Le Maître Phonétique. 1900); 1904: segundo quadro (Association phonétique internationale. "Aim and Principles of the International Phonetic Association". Le Maître Phonétique. 1904); 1912: terceiro quadro (Association phonétique internationale, "The Principles of the International Phonetic Association". Le Maître Phonétique, 1912); 1921: quarto quadro (Association phonétique internationale, L'Ecriture phonétique internationale: exposé populaire avec application au français et à plusieurs autres langues, 2ª edição) 1927/1928: Revisões 1932: quinto quadro (Association phonétique internationale "The International Phonetic Alphabet (revised to 1932)". Le Maître Phonétique. Troisième série,1932); 1938: sexto quadro (Association phonétique internationale, "The International Phonetic Alphabet (revised to 1938)". Le Maître Phonétique. Troisième série,1938); 1947: sétimo quadro (Association phonétique internationale, "The International Phonetic Alphabet (revised to 1947)". Le Maître Phonétique. Troisième série, 1947); 1951: oitavo quadro (Association phonétique internationale, "The International Phonetic Alphabet (revised to 1951)". Le Maître Phonétique. Troisième série,1952); 1978: nono quadro do IPA International Phonetic Association, "The International Phonetic Alphabet (Revised to 1979)". Journal of the International Phonetic Association, 1978); 1989: décimo quadro (Convenção de Kiel, International Phonetic Association. "Report on the 1989 Kiel Convention". Journal of the International Phonetic Association.1989. doi:10.1017/S0025100300003868); 1993: décimo primeiro quadro (International Phonetic Association. "Council actions on revisions of the IPA". Journal of the International Phonetic Association, doi:10.1017/S002510030000476X); 1999: décimo segundo quadro (International Phonetic Association. Handbook of the International Phonetic Association: A Guide to the Use of the International Phonetic Alphabet. Cambridge University Press, 1999, ISBN 0-521-63751-1); 2005: décimo terceiro quadro (Nicolaidis, Katerina. "Approval of new IPA sound: the labiodental flap". Journal of the International Phonetic Association. 2005, doi:10.1017/S0025100305002227).
Descrição O princípio geral do alfabeto fonético internacional é fornecer um símbolo para cada som ou segmento de fala distinto.<ref>"Desde seus primeiros dias a Associação Fonética Internacional teve como meta fornecer 'um sinal separado para cada som distinto; isto é, para cada som que, sendo usado no lugar de outro, no mesmo idioma, pode mudar o significado de uma palavra'." ("From its earliest days… the International Phonetic Association has aimed to provide ‘a separate sign for each distinctive sound; that is, for each sound which, being used instead of another, in the same language, can change the meaning of a word’.". Associação Fonética Internacional, Handbook, p. 27)</ref> Isto significa que o alfabeto não se utiliza de combinações de letras para representar sons únicos, ou de letras únicas para representar mais de um som (como o <x> pode representar [ks] no português). Não existem letras que têm valores sonoros diferentes de acordo com o contexto (como o <c> possui no português e em outros idiomas europeus) e, finalmente, o AFI não costuma ter letras separadas para dois sons, se nenhuma língua conhecida fizer distinção entre eles (uma propriedade conhecida como "seletividade").
Entre os símbolos do alfabeto, 107 representam consoantes e vogais, 31 são diacríticos utilizados para especificar ainda mais estes sons, e 19 são utilizados para indicar características como quantidade, tom, tonicidade e entonação.
Formatos das letras Os símbolos escolhidos para o alfabeto fonético internacional têm como intenção a harmonia com o alfabeto latino. Por este motivo, a maioria dos símbolos ou é derivada das próprias letras latinas ou das gregas, ou modificações de ambas. Existem, no entanto, símbolos que não pertencem a nenhuma das duas: por exemplo, o símbolo que indica a oclusiva glotal, <>, tem a forma de uma espécie de ponto de interrogação, e era originalmente um apóstrofo. Outros símbolos, como aqueles da faringal fricativa sonora <>, embora modificados para serem utilizados em conjunto com o alfabeto latino, foram inspirados por glifos em outros sistemas de escrita (neste caso, a letra ﻉ, `ain, do alfabeto árabe).
Apesar desta preferência por letras que se harmonizem com o alfabeto latino, a Associação Fonética Internacional admitiu ocasionalmente símbolos que não têm esta propriedade. Por exemplo, antes de 1989, os símbolos do AFI para os cliques eram <>, <>, <> e <>, todos derivados tanto de símbolos já existentes para representá-los, ou de letras greco-latinas. No entanto, com a exceção de <>, nenhum destes símbolos era utilizado pelos hotentotistas ou bantólogos, e, como resultado disso, foram substituídos por símbolos não latinos porém mais difundidos entre os povos que os utilizam: <>, <>, <>, <>, e <> na Convenção de Kiel, realizada em 1989.Laver, Principles of Phonetics,pp 174–175
Símbolos e sons