é uma cor. Pode ser considerado um tom mais escuro e geralmente menos saturado de laranja, podendo frequentemente ser produzido pela combinação de vermelho e amarelo com outra cor, especificamente o azul.Shorter Oxford English Dictionary, (2002), Oxford University Press.Webster's New World Dictionary of the American Language: "A combination of red, blue, and yellow."Oxford English Dictionaries On-Line: "Of a colour produced by mixing red, yellow, and blue, as of dark wood or rich soil"
No modelo de cores RGB, usado para projetar cores em telas de televisão e monitores de computador, o marrom é criado pela mistura das três cores primárias: vermelho, amarelo e azul. Especificamente, a luz vermelha é emitida em intensidade média a baixa, a luz verde em intensidade menor e a luz azul com a menor presença na maioria dos tons da cor. No modelo de cores CMYK, usado na impressão e na pintura, o marrom geralmente é produzido pela combinação de tinta amarela com quantidades menores de tintas magenta e pretas.
A cor marrom está fortemente associada ao mundo natural, no qual é amplamente encontrada. Elementos do ambiente, como minerais, solo e madeira, frequentemente apresentam coloração marrom; consequentemente, muitos animais têm pelagem, escamas ou penas marrons para se camuflarem melhor em seus habitats. Da mesma forma, o marrom aparece com frequência na biologia dos seres humanos: cabelo castanho, olhos castanhos e pigmentação da pele são comuns na humanidade. A cor também é frequente em materiais de origem vegetal, como fibras vegetais, cascas, frutos, nozes e sementes.
História e arte
História antiga O marrom é utilizado na arte desde a pré-história. Pinturas feitas com umbra, um pigmento argiloso natural composto de óxido de ferro e óxido de manganês, foram datadas de 40 000 a.C.Varichon, Couleurs – pigments et teintures dans les mains des peuples. p. 254. Pinturas de cavalos marrons e outros animais foram encontradas nas paredes de Lascaux, datando de cerca de 17 300 anos atrás. As figuras femininas das pinturas de tumbas do Antigo Egito têm pele marrom, pintada com umbra. O castanho-claro era frequentemente usado em ânforas e vasos gregos pintados, como fundo para figuras negras ou de maneira inversa.
Os gregos e romanos antigos produziam uma fina tinta marrom-avermelhada, de uma cor chamada sépia, feita com a tinta de uma variedade de chocos. Essa tinta foi usada por Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e outros artistas durante o Renascimento, além de continuar sendo empregada por artistas até os dias atuais.
Na Roma Antiga, as roupas marrons eram associadas às classes inferiores ou aos bárbaros. O termo empregado para os plebeus, ou pobres urbanos, era "pullati", que significava literalmente "aqueles vestidos de marrom".Eva Heller, Psychologie de la couleur: Effets et symboliques. p. 219
História pós-clássica Na Idade Média, os frades da Ordem dos Frades Menores usavam hábitos marrons como sinal de humildade e pobreza. Esperava-se que cada classe social vestisse uma cor adequada à sua posição; cinza e marrom eram as cores dos pobres. O russet era um tecido grosseiro de lã, feito em casa e tingido com Isatis tinctoria e Rubia tinctorum para adquirir um tom discreto de cinza ou marrom. Pelo estatuto de 1363, os ingleses pobres eram obrigados a usar russet. O poema medieval Piers Plowman descreve o cristão virtuoso: E se alegra com um traje de russet cinzentoTanto quanto com uma túnica de Tars ou de verdadeiro escarlate.
Na Idade Média, pigmentos marrons escuros raramente eram usados na arte; os pintores e iluminadores de manuscritos daquele período preferiam cores vivas e distintas, como vermelho, azul e verde, em vez de cores escuras. As umbras não foram amplamente utilizadas na Europa antes do final do século XV; o pintor e escritor renascentista Giorgio Vasari (1511–1574) descreveu-as como relativamente novas em sua época.Daniel V. Thompson, (1956), The Materials and Techniques of Medieval Painting, p. 88-89
Os artistas passaram a empregar marrons em quantidade muito maior com a chegada da pintura a óleo, no final do século XV. Durante o Renascimento, geralmente utilizavam quatro marrons diferentes: umbra natural, a argila marrom-escura extraída do solo nas proximidades da Úmbria, na Itália; terra de Siena natural, uma terra marrom-avermelhada extraída perto de Siena, na Toscana; umbra queimada, a argila úmbria aquecida até adquirir um tom mais escuro; e terra de Siena queimada, aquecida até se tornar marrom-avermelhada escura. No norte da Europa, Jan van Eyck empregou ricos tons marrons terrosos em seus retratos para destacar as cores mais vivas.
História moderna
Séculos XVII e XVIII Os séculos XVII e XVIII registraram o maior uso do marrom. Caravaggio e Rembrandt empregaram marrons para criar efeitos de chiaroscuro, nos quais o tema parecia emergir da escuridão. Rembrandt também adicionava umbra às camadas de preparação de suas pinturas porque ela favorecia uma secagem mais rápida. Ele também começou a usar um novo pigmento marrom, chamado terra de Cassel ou terra de Colônia. Tratava-se de uma cor terrosa natural composta por mais de noventa por cento de matéria orgânica, como solo e turfa. Foi usada por Peter Paul Rubens e Anthony van Dyck e, posteriormente, tornou-se conhecida como marrom Van Dyck.
Séculos XIX e XX O marrom era geralmente detestado pelos impressionistas franceses, que preferiam cores vivas e puras. A exceção entre os artistas franceses do século XIX foi Paul Gauguin, que criou retratos luminosos em tons marrons dos habitantes e das paisagens da Polinésia Francesa.
No final do século XX, o marrom tornou-se, na cultura ocidental, um símbolo comum do que era simples, barato, natural e saudável. Refeições levadas de casa eram transportadas em sacos simples de papel pardo, enquanto encomendas eram embrulhadas em papel pardo comum. O pão integral e o açúcar mascavo eram considerados mais naturais e saudáveis que o pão branco e o açúcar branco.
Marrom na ciência e na natureza
Óptica O marrom é uma cor laranja escura. Pode ser considerado um laranja escuro, embora também possa ser produzido de outras maneiras. No modelo de cores RGB, que utiliza luz vermelha, verde e azul em diferentes combinações para formar todas as cores exibidas em telas de computador e televisão, ele é produzido pela mistura de luz vermelha e verde.
Em termos do espectro visível, "marrom" refere-se a matizes de comprimento de onda longo — amarelo, laranja ou vermelho — combinados com baixa luminância ou saturação."Some Experiments on Color", Nature 111, 1871, in Como o termo marrom pode abranger uma ampla faixa do espectro visível, utilizam-se adjetivos compostos, como marrom-avermelhado, marrom-amarelado, marrom-escuro ou marrom-claro.
Por ser uma cor de baixa intensidade, o marrom é uma cor terciária: uma mistura das três cores primárias subtrativas resulta em marrom quando o teor de ciano é baixo. O marrom existe como percepção cromática apenas na presença do contraste com uma cor mais clara."Color Vision", in Objetos amarelos, laranjas, vermelhos ou rosados continuam sendo percebidos como tais quando o nível geral de iluminação é baixo, apesar de refletirem a mesma quantidade de luz vermelha ou laranja que um objeto marrom refletiria em condições normais de iluminação.
Pigmentos, corantes e tintas marrons A umbra natural e a umbra queimada são dois dos pigmentos mais antigos usados pelos seres humanos. A umbra é uma argila marrom que contém grande quantidade de óxido de ferro e entre cinco e vinte por cento de óxido de manganês, responsáveis pela cor. Seu tom varia de marrom-esverdeado a marrom-escuro. O nome deriva da região italiana da Úmbria, onde era extraída antigamente. Atualmente, sua principal fonte é a ilha de Chipre. A umbra queimada é o mesmo pigmento depois de torrado — ou calcinado —, processo que o torna mais escuro e avermelhado.Isabellle Roelofs and Fabien Petillion, La Couleur explquée aux artistes, p. 30. A terra de Siena natural e a terra de Siena queimada também são pigmentos argilosos ricos em óxido de ferro, extraídos durante o Renascimento nas proximidades da cidade de Siena, na Toscana. A terra de Siena contém menos de cinco por cento de manganês. A terra natural apresenta uma cor ocre amarelo-escura; quando torrada, torna-se um marrom-avermelhado intenso chamado terra de Siena queimada. O marrom-múmia era um pigmento empregado em tintas a óleo e produzido com múmias egípcias moídas. Caput mortuum é um pigmento de óxido de ferro à base de hematita, usado na pintura. O nome também é empregado em referência ao marrom-múmia. O marrom Van Dyck, conhecido na Europa como terra de Colônia ou terra de Cassel, é outro pigmento terroso natural, composto em grande parte por matéria vegetal decomposta. Produzia um marrom-escuro intenso e foi amplamente utilizado desde o Renascimento até o século XIX. Seu nome deriva do pintor Anthony van Dyck, embora muitos outros artistas já o utilizassem antes dele. Era extremamente instável e pouco confiável; por isso, seu uso foi abandonado no século XX, embora o nome continue sendo aplicado a pigmentos sintéticos modernos. A cor do marrom Van Dyck pode ser recriada pela mistura de negro de marfim com malva ou vermelho veneziano, ou de vermelho de cádmio com azul-cobalto.Isabellle Roelofs and Fabien Petillion, La Couleur explquée aux artistes, p. 148. Marrom de Marte. Os nomes das cores terrosas ainda são utilizados, mas poucos pigmentos modernos com esses nomes realmente contêm terras naturais; atualmente, a maioria de seus componentes é sintética. O marrom de Marte é um exemplo típico dessas novas cores, produzido com pigmentos sintéticos de óxido de ferro. As novas cores têm maior poder de coloração e opacidade, mas não apresentam o tom delicado de suas homônimas. As nozes são usadas para produzir corante marrom desde a Antiguidade. O escritor romano Ovídio, no século I a.C., descreveu como os gauleses utilizavam o suco da casca verde ou do invólucro interno da noz para produzir um corante marrom para a lã ou um corante avermelhado para os cabelos.Anne Varichon, Couleurs- pigments et teintures dans les mains des peuples, pp. 264–265 O castanheiro também é usado desde a Antiguidade como fonte de corante marrom. A casca da árvore, as folhas e o invólucro das castanhas foram empregados na produção de corantes. As folhas eram usadas para produzir uma tintura bege ou marrom-amarelada e, no Império Otomano, o marrom-amarelado das folhas de castanheiro era combinado com azul de anil para formar tons de verde.Anne Varichon, Couleurs- pigments et teintures dans les mains des peuples, pp. 262–263
Olhos castanhos
Com poucas exceções, todos os mamíferos têm íris castanhas ou de pigmentação escura. Nos seres humanos, os olhos castanhos resultam de uma concentração relativamente elevada de melanina no estroma da íris, o que faz com que a luz de comprimentos de onda mais curtos e mais longos seja absorvida;Fox, Denis Llewellyn (1979). Biochromy: Natural Coloration of Living Things. University of California Press. p. 9. . em muitas regiões do mundo, essa é praticamente a única cor de íris presente. A pigmentação escura dos olhos castanhos é mais comum na Ásia Oriental, Ásia Central, Sudeste Asiático, Sul da Ásia, Ásia Ocidental, Oceania, África e Américas, além de partes da Europa Oriental e da Europa Meridional. A maioria das pessoas no mundo tem olhos castanho-escuros. As íris castanhas variam de olhos fortemente pigmentados, de cor castanho-escura, quase preta, até íris muito claras, quase âmbar ou avelã, compostas parcialmente de lipocromo. Olhos castanho-claros ou com pigmentação intermediária são comuns na Europa, no Afeganistão, no Paquistão e no norte da Índia, assim como em algumas regiões do Oriente Médio, e também podem ser encontrados em populações da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático, embora sejam proporcionalmente raros. Consulte cor dos olhos.
Cabelo castanho