A Região Metropolitana de Aracaju (RMA), também conhecida como Grande Aracaju, foi criada pela Lei Complementar Estadual nº 25, de 29 de dezembro de 1995, e é composta pelos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão. Tem, como sede, o município de Aracaju, a 19ª capital mais populosa do Brasil. A RMA possui uma população estimada de 961.120 habitantes, e concentra mais de 40% da população do estado de Sergipe. Possui, também, a quarta maior densidade demográfica entre as regiões metropolitanas das capitais estaduais brasileiras, superada apenas pelas áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
A região compreende os mesmos municípios que a antiga Microrregião de Aracaju, extinta pelo IBGE em 2017.
Foi a Metrópole Estadual (Capital Regional A) do Nordeste Meridional que mais cresceu na última década, e, junto com João Pessoa e São Luís, teve o maior crescimento demográfico metropolitano dentre as capitais da região Nordeste. Das menores capitais-metrópoles litorâneas que apresentaram maior expansão na última década, é a única que com menos de um milhão de habitantes na zona metropolitana. Sua área de influencia se estende do sudeste alagoano até o nordeste baiano.
A população de Aracaju e regiões limítrofes vem crescendo aceleradamente, devido à migração de pessoas provenientes de outros municípios de Sergipe, especialmente de áreas rurais, bem como de outros estados da Federação, especialmente de cidades do norte e nordeste da Bahia, como Paulo Afonso, Jeremoabo, Paripiranga, Entre Rios e Alagoinhas, por serem municípios que têm tido maior proximidade econômica com o estado de Sergipe.
Ademais, apresenta-se um novo e importante eixo de integração interiorizado com o pólo de Juazeiro-Petrolina, que se localiza na divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco, principalmente no que concerne ao escoamento econômico pela BR-235.
Municípios
{| class="wikitable sortable" |- !Município !Legislação !Área (km²)IBGE, Área Territorial Oficial, Resolução nº 5 de 10 de outubro de 2002. Acessado em 26 de fevereiro de 2008. !População !PIB em R$(2008) !IDH(2010)PNUD, Ranking decrescente do IDH dos municípios do Brasil 1991-2000. Acessado em 26 de fevereiro de 2008 !Distância aAracaju (km) |- |Aracaju |LCE 25/1995 |align=right|174,053 | align="right" |672.614 |align=right|6.946.347.867 |align=right|0,770 |align=right| - |- |Barra dos Coqueiros |LCE 25/1995 |align=right|91,101 | align="right" |31.439 |align=right|228.948.467 |align=right|0,649 |align=right|3 km |- |Nossa Senhora do Socorro |LCE 25/1995 |align=right|157,515 | align="right" |187.733 |align=right|1.025.106.899 |align=right|0,664 |align=right|8 km |- |São Cristóvão |LCE 25/1995 |align=right|437,437 | align="right" |90.072 |align=right|413.952.834 |align=right|0,662 |align=right|26 km |- |Total | |align=right|860,106 | align="right" |983.876 |align=right|8.614.356.067 |align=right|0,763 |align=right||}
Expansão urbana miniatura|230px|esquerda|Avenida Hermes Fontes, entre os bairros Suissa, São José e Salgado Filho. miniatura|230px|direita|Rodoviária Nova (Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite), no bairro Capucho, Zona Oeste de Aracaju.
A partir da década de 1960, a exploração dos minerais e a industrialização trouxeram para o Estado de Sergipe - sobretudo, para Aracaju - meios para o desenvolvimento local, com a chegada de novas empresas e a criação de empregos especializados. Dessa forma, Aracaju se tornou o destino da maioria dos migrantes oriundos dos municípios do interior de Sergipe, que antes se dirigiam para outros estados com maior oferta de trabalho, como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A política habitacional iniciada a partir da criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) e desenvolvida pela Companhia de Habitação Popular (COHAB), por meio da qual foram construídos vários conjuntos habitacionais em Aracaju, também contribuiu consideravelmente para o crescimento urbano da capital, acentuando a migração. A distribuição de moradias em conjuntos habitacionais feita pelo poder público incentivou a migração de uma população de baixa renda, que chegou à cidade com a esperança de ganhar uma casa. A parte dessa população que não teve êxito passou a pressionar o poder público ocupando os entornos dos conjuntos habitacionais ou áreas de fragilidade ambiental, tais como regiões de manguezais, margens de rios e encostas de colinas, fazendo surgirem os assentamentos precários que hoje se encontram por toda a cidade.
Os conjuntos habitacionais foram construídos em áreas distantes da malha urbana, sendo, inicialmente, núcleos urbanos isolados; gradualmente, foram integrados ao tecido urbano.
O processo de urbanização resultou na expansão da mancha urbana sobre áreas rurais e, por efeito, reduziu a população rural. Em 1980, havia, em Aracaju, uma população rural de 5.200 habitantes, que representava 1,77 % da população do município. Em 1982, a Prefeitura definiu uma nova delimitação do perímetro urbano e dos bairros, que passou a dividir a área do município em uma "zona urbana" e uma "zona de expansão", extinguindo, portanto, a zona rural. miniatura|230px|direita|Avenida João Ribeiro, no bairro Santo Antônio, vista da colina do Santo Antônio, na Zona Norte de Aracaju. Na década de 1980, a mancha urbana de Aracaju començou a avançar em direção aos seus municípios vizinhos, devido à construção de grandes conjuntos habitacionais nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros, que passaram a atrair migrantes, o que resultou num crescimento desses três municípios muito superior ao da capital, configurando uma das características do fenômeno da metropolização. Assim, os municípios que integram a área metropolitana de Aracaju passaram a concentrar uma parcela significativa da população sergipana. As populações dos municípios da periferia metropolitana crescem mais que o dobro do que cresce a população da capital. Na década de 1980, os quatro municípios da Grande Aracaju somados tinham uma população de 338.882 habitantes, dos quais 86,5% residiam em Aracaju, ao passo que, em 2010, a população da área metropolitana de Aracaju era de 835.816 habitantes, com apenas 68,33% vivendo em Aracaju; desse modo, ocorreu, ao longo dos anos, um crescimento demográfico mais significativo nos municípios periféricos que no município-núcleo, fenômeno semelhante ao que vem ocorrendo em outras áreas metropolitanas brasileiras.
A população que mora na franja periférica de Aracaju tem um vínculo direto com as atividades desenvolvidas no núcleo metropolitano, e grande parte dessa população trabalha no núcleo, voltando para casa todos os dias, o que gera uma alta demanda de serviços públicos comuns a toda a área metropolitana, principalmente de um sistema de transporte urbano que atenda a toda essa região. Na prática, os municípios periféricos da Grande Aracaju são extensões de Aracaju, e as zonas urbanas conurbadas desses municípios são como bairros da capital, pressionando sua infraestrutura.
As construções de pontes sobre rios limítrofes, como os rios do Sal, Sergipe e Poxim, fortalecem as ligações e intensificam a ocupação das áreas vizinhas. Por exemplo, na década de 2000, a inauguração da ponte sobre o Rio Sergipe contribuiu para acelerar a expansão urbana de Aracaju sobre a Barra dos Coqueiros, o que adensou significativamente a mancha urbana principal deste município.https://ewsdata.rightsindevelopment.org/files/documents/11/IADB-BR-L1411_WbttEZe.pdf
Instituição da RMA e o fenômeno metropolitano Com o aumento do volume e da intensidade dos deslocamentos pendulares entre a capital e seus municípios vizinhos, o governo do Estado de Sergipe criou, em 1982, a Região Metropolitana da Grande Aracaju (RGA). Essa região era composta, inicialmente, pelos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Laranjeiras, Maruim e Santo Amaro das Brotas; posteriormente, os municípios de Itaporanga d'Ajuda e Riachuelo foram integrados à região. Em 1995, o governo de Sergipe, por Lei Complementar, redefiniu a Região da Grande Aracaju (RGA) instituindo a Região Metropolitana de Aracaju (RMA), formada pelos municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros.https://www.redalyc.org/pdf/5528/552856409025.pdf
A Lei Complementar que instituiu a RMA no ano de 1995 (assim como a iniciativa do governo do Estado de Sergipe de criar a RGA na década anterior) reconhece oficialmente o espaço de natureza econômica formado pelo processo de metropolização ocorrido nessa área. Esse espaço é caracterizado pela expansão da mancha urbana do núcleo metropolitano de Aracaju em direção aos municípios de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros (todos vizinhos à capital), pelos movimentos pendulares da população entre os municípios dessa área, principalmente com destino ao núcleo, entre outros fenômenos próprios da metropolização.
A instituição da Região Metropolitana pelo Estado condiciona a governança metropolitana; ou seja, a execução de políticas públicas que atendam às demandas que são comuns a todos os municípios localizados dentro do espaço metropolitano.
Embora Aracaju seja considerada uma Metrópole Estadual (Capital Regional A (REGIC) e os quatro municípios que integram essa área metropolitana sejam fortemente integrados entre si (por contiguidade de manchas urbanas, movimentos pendulares, integração do sistema de transporte urbano etc.), a área metropolitana de Aracaju é uma das menores do Brasil, tendo sido o seu processo de metropolização bem menos complexo que os das grandes áreas metropolitanas do país.https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/wp-content/uploads/2020/01/N%C3%8DVEIS-DE-INTEGRA%C3%87%C3%83O-DOS-MUNIC%C3%8DPIOS-BRASILEIROS-EM-RMs-RIDEs-e-AUs-%C3%80-DIN%C3%82MICA-DA-METROPOLIZA%C3%87%C3%83O.pdf
Ocupação do solo A área metropolitana de Aracaju se divide, basicamente, em duas partes. Na primeira, há um núcleo urbano densamente povoado que se estende da Zona Sul à Zona Norte e do Centro à Zona Oeste, e se expande em quatro direções: da Zona Norte para o Complexo da Taiçoca, em Socorro; da Zona Oeste para o Complexo do Jardim, também em Socorro, e para o Complexo do Rosa Elze, em São Cristóvão; da Zona Sul para os bairros da Zona de Expansão de Aracaju mais próximos à Zona Sul (Santa Maria, 17 de Março etc.); do centro de Aracaju, no extremo leste do município, para o centro da Barra dos Coqueiros - estão, neste núcleo urbano principal, o núcleo metropolitano (composto pelo Centro e alguns outros bairros de Aracaju, especialmente da Zona Sul) e quase toda a área urbana da periferia metropolitana. Na segunda, estão as regiões mais remotas dos quatro municípios da aglomeração metropolitana de Aracaju, onde há grandes áreas menos povoadas e áreas rurais localizadas no entorno do núcleo urbano principal; destacam-se, nesta segunda parte da RMA, a sede do município de São Cristóvão, que é um núcleo urbano populoso afastado do núcleo principal, e a maior parte da Zona de Expansão de Aracaju, que, embora ainda não seja muito populosa, não possui, oficialmente, nenhuma área rural.https://pdfs.semanticscholar.org/f0c8/6d45688773f5b390bb1ac03cabb5da18ace1.pdf
Galeria de fotos do núcleo urbano principal
Áreas urbanas dos municípios da Região Metropolitana de Aracaju
Posição Município Áreaurbana(km²) 1 Aracaju 115,108 2 Nossa Senhora do Socorro 41,848 3 São Cristóvão 15,15 4 Barra dos Coqueiros 3,119
Todos os municípios da RM possuem densidade demográfica superior a 150 hab./km², e são, portanto, considerados urbanos de acordo com os critérios utilizados pela OCDE.http://www.uel.br/cce/geo/didatico/omar/modulo_b/a12.pdfhttps://cidades.ibge.gov.br/brasil/se/aracaju/panoramahttps://www.cidade-brasil.com.br/municipio-aracaju.html
Subdivisões do município-núcleo