Sherlock Holmes é um personagem de ficção da literatura britânica criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle. Holmes é um investigador do final do século XIX e início do século XX. Sua primeira aparição foi em 1887 na revista Beeton's Christmas Annual na história Um Estudo em Vermelho. Em fevereiro de 1891, o romance O Sinal dos Quatro foi publicado em outra revista, a Lippincott’s Magazine. Em junho de 1891, Holmes estreia na Strand Magazine com o conto "Um Escândalo na Boêmia". Página visitada em 29 de Janeiro de 2011 O conto obteve tanto sucesso que garantiu a Holmes um longo tempo de publicações na Strand Magazine. Contos adicionais surgiram desde então, até 1927, totalizando quatro romances e 56 contos.
Todas as histórias, exceto uma, acontecem nas eras vitorianas ou eduardianas, entre 1880 e 1914. As histórias do detetive se passam entre vários cartões-postais da capital inglesa.O Cão dos Baskervilles, Editora Melhoramentos, 2005, ISBN 85-06-2995-3 Quando a investigação era em Londres, Holmes não deixava de passar pelas ruas Fleet Street, Oxford Street, Strand, Pall Mall e Tottenham Court. Página visitada em 29 de janeiro de 2011
Sherlock Holmes não é o primeiro investigador do romance policial. Contudo, foi e ainda é famoso por utilizar, na resolução dos seus mistérios, o método científico e a lógica dedutiva. Sua habilidade para desvendar crimes aparentemente insolúveis até mesmo para a Scotland Yard transformou seu nome em sinônimo de detetive. Embora não seja o primeiro detetive de ficção, Sherlock Holmes é indiscutivelmente o mais conhecido, sendo listado no Guinness World Records como o "personagem de filme mais retratado" da história. A popularidade e a fama de Holmes são tais que muitos acreditavam que ele não era um personagem fictício, mas um indivíduo real. Considerado amplamente como um ícone cultural britânico, o personagem e as histórias tiveram um efeito profundo e duradouro sobre a escrita do mistério e a cultura popular como um todo, com os contos originais e milhares escritos por autores diferentes de Conan Doyle sendo adaptados para palcos e peças de rádio, televisão, filmes, videogames e outras mídias há mais de cem anos. O personagem Sherlock Holmes tornou-se tão grande que chegou a obscurecer seu criador: raramente, ouve-se falar em Sherlock Holmes como "o personagem criado por Conan Doyle", mas sim de Conan Doyle como "o homem que criou Sherlock Holmes".
Um dos endereços mais famosos de Londres, 221B Baker Street, endereço fictício de Sherlock Holmes, abriga um museu com o nome do personagem.
Biografia do personagem Família e juventude Os detalhes sobre a vida de Sherlock Holmes, exceto as aventuras narradas nos livros, são escassos nas histórias originais de Conan Doyle. No entanto, as breves menções de sua vida antes de conhecer Dr. Watson e sobre sua família pintam uma imagem biográfica razoável do detetive.
Segundo alguns indícios, Holmes nasceu em 6 de Janeiro de 1854, filho de um agricultor e de uma mãe de origem francesa, e sua avó era irmã do pintor Horace Vernet.
O seu irmão sete anos mais velho, Mycroft Holmes, trabalha para o serviço Secreto britânico. Mycroft passa a maior parte do seu tempo livre no Diogenes Club. Segundo Holmes, seu irmão Mycroft não somente é mais brilhante do que ele próprio, como também possui um senso de observação e de dedução muitas vezes superior ao seu, embora seja preguiçoso demais para ir aos locais das investigações para analisá-las quando faltam fatos. Na investigação de Holmes chamada por Watson de "o intérprete grego", Watson descreve um encontro entre Sherlock e Mycroft, onde os dois se encontram no Diogenes Club, de que Mycroft é um dos fundadores. Os dois mantêm um diálogo recheado de deduções sobre um transeunte que deixam Watson completamente atônito.
A vida com Watson Watson considerou Holmes como o homem que acima de todos os outros, melhor e mais sábio homem que ele já conheceu. Nas primeiras semanas como colegas de quarto, os hábitos de Holmes despertaram a curiosidade de Watson e ele tentou desvendar qual era a profissão do seu colega.
Em março de 1882, a amizade entre os dois já era clara e Holmes pediu-lhe para acompanhá-lo na cena do crime do que se tornaria a primeira história Um Estudo em Vermelho. Holmes trabalhou como detetive por vinte e três anos, com o Dr. John Watson ajudando-o por dezessete. Eles eram companheiros de quarto antes do casamento de Watson em 1887 e novamente após a morte de sua esposa. A sua residência é mantida por sua senhoria, a Sra. Hudson. A maioria das histórias são narrativas específicas, escritas do ponto de vista de Watson como resumos dos casos mais interessantes do detetive. Holmes frequentemente chama a escrita de Watson sensacionalista e populista, sugerindo que não lida com precisão e objetividade a "ciência" de seu ofício:A Investigação é, ou deveria ser, uma ciência exata e, portanto, deve ser tratada da mesma forma fria, sem emoção. [Em Um Estudo em Vermelho] Você tentou dar-lhe um sabor romântico, e o efeito é o mesmo que transformar uma história de amor, [...] Alguns fatos deveriam ter sido suprimidos, ou, pelo menos, devia ter observado um sentido correto de proporção ao tratar deles. O único ponta da questão que merecia ser mencionado era o curioso raciocínio analítico dos efeitos para as causas, por meio do qual consegui desvendar tudo.
No entanto, a amizade de Holmes com Watson é a sua relação mais significativa. Quando Watson é ferido por uma bala, embora a ferida seja superficial, Watson é comovido pela reação de Holmes:Valia um ferimento - valia muitos ferimentos - conhecer a dimensão da lealdade e do amor que estavam por trás daquela máscara fria. Os olhos claros e duros ficaram sombrios por um instante, e os lábios firmes estavam tremendo. Durante um minuto, o único, vislumbrei um grande coração, bem como uma grande inteligência. Todos os meus anos de serviço humildes sinceros culminaram naquele momento de revelação.
O Grande Hiato thumb|Professor Moriarty, por Sidney Paget. O primeiro conjunto de histórias de Holmes foi publicado entre 1887 e 1893. Desejando dedicar mais tempo a seus romances históricos, Conan Doyle matou Holmes em uma batalha final com o criminoso professor James Moriarty em "O Problema Final" (The Final Problem, publicado em 1893, mas a história ocorre em 1891), os Holmes e Moriarty acabam morrendo, caindo nas Cataratas de Reichenbach. Conan Doyle ficou surpreso com as reações negativas dos leitores, ele recebeu diversas cartas de repúdio a decisão de matar o personagem, e até mesmo, era ameaçado nas ruas de Londres. Depois de resistir à pressão pública por oito anos, o autor escreveu O Cão dos Baskervilles (The Hound of the Baskervilles, serializado em 1901-1902, com um cenário implícito antes da morte de Holmes). Em 1903, Conan Doyle escreveu "A Aventura da Casa Vazia" (The Adventure of the Empty House, ambientada em 1894), Holmes reaparece, explicando a um atordoado Watson que ele fingiu sua morte em "O Problema Final" para enganar seus inimigos. "A Aventura da Casa Vazia" marca o início do segundo conjunto de histórias, que Conan Doyle escreveu até 1927.
Os fãs das aventuras de Holmes referem-se ao período de 1891 a 1894 - entre o seu desaparecimento e a sua presumida morte em "O Problema Final" e o seu reaparecimento em "A Aventura da Casa Vazia" - como O Grande Hiato (embora a "O Caso da Vila Glicínia" de 1908 é descrito como ocorrendo em 1892 devido a um erro na parte de Conan Doyle). O primeiro uso conhecido desta expressão está no artigo "Sherlock Holmes and the Great Hiatus" de Edgar W. Smith, publicado na edição de julho de 1946 do The Baker Street Journal.
Aposentadoria No conto "O Último Adeus de Sherlock Holmes", Holmes se aposentou em uma pequena fazenda em Sussex Downs e aceitou a apicultura como sua principal ocupação. A mudança não é datada precisamente, mas pode ser presumida como anterior a 1904 (já que é referida retrospectivamente em "A Aventura da Segunda Mancha", publicado pela primeira vez naquele ano). A história apresenta Holmes e Watson saindo da aposentadoria para ajudar o esforço da guerra. Apenas um outro conto, "A Aventura da Juba do Leão" (narrado por Holmes), ocorre durante a aposentadoria do detetive.
Personalidade, trabalho e hábitos esquerda|thumb|274x274px|Um retrato de Sherlock Holmes na revista The Strand, em 1891, por Sidney Paget Watson descreve Holmes como "boêmio" em seus hábitos e estilo de vida. Descrito por Watson em O Cão dos Baskervilles como tendo "aquele amor felino pela limpeza pessoal", Holmes é um excêntrico, sem qualquer consideração pelos padrões contemporâneos de arrumação ou boa ordem.
Em muitas das histórias, Holmes mergulha em uma bagunça aparente para encontrar um item mais relevante para um mistério. O detetive não se alimenta em momentos de intensa atividade intelectual. Maria Konnikova salienta em uma entrevista com D. J. Grothe que Holmes pratica o que agora se chama "atenção plena", concentrando-se em uma coisa por vez e quase nunca em "multitarefas". Ela acrescenta que, nisso, ele antecede a ciência mostrando o quanto isso é útil para o cérebro.
Embora Watson não considere o uso habitual de um cachimbo (ou seu uso menos frequente de cigarros e charutos) por Holmes, ocasionalmente critica o detetive por criar uma "atmosfera envenenada" de fumaça de tabaco. Holmes reconhece a desaprovação de Watson em "O Caso do Pé do Diabo": "Eu acho, Watson, que devo voltar a me envenenar de fumo, coisa que você tem condenado tão frequentemente e com razão".
Watson tolera a vontade do detetive de dobrar a verdade (ou quebrar a lei) em nome de um cliente - mentir para a polícia, ocultar evidências ou entrar em casas - quando ele a sente moralmente justificável, mas condena a manipulação de Holmes de pessoas inocentes em "A Aventura de Charles Augustus Milverton".
direita|thumb|Sherlock Holmes (direita) e o Dr. John H. Watson, por Sidney Paget. Holmes obtém o prazer em frustrar os inspetores da polícia com suas deduções e tem confiança suprema - beirando a arrogância - em suas habilidades intelectuais. Contudo, o detetive não procura ativamente a fama e geralmente se mostra satisfeito em permitir que a polícia aproveite o crédito por seu trabalho, Holmes fica satisfeito quando suas habilidades são reconhecidas e responde a lisonjas. A polícia fora de Londres pede ajuda a Holmes se ele estiver nas proximidades, mesmo durante as férias. As histórias de Watson e artigos de jornal revelam o papel de Holmes nos casos, e ele se torna bem conhecido como detetive; tantos clientes pedem sua ajuda em vez de (ou, além disso) do da políciaOs contos "Os Senhores de Reigate" e "A Aventura do Cliente Ilustre" são exemplos disso. que, Watson escreve, até 1895, Holmes tem "uma prática imensa".
Enquanto o detetive é geralmente desapaixonado e frio, durante uma investigação ele é animado e excitável. Ele tem um dom para exibicionismo, preparando armadilhas elaboradas para capturar e expor um culpado (muitas vezes para impressionar os observadores).
Com exceção da de Watson, Holmes evita a companhia casual. Em "Gloria Scott", ele diz ao médico que, durante dois anos na faculdade, ele criou apenas um amigo, Victor Trevor: "Nunca fui muito sociável, Watson, preferindo ficar sempre nos meus aposentos elaborando métodos de raciocínio e nunca me envolvi muito com meus colegas. [...] Além disso, minha linha de estudos era bem diferente da dos meus colegas, de modo que não tínhamos pontos de contato".
Holmes relaxa com música em "A Liga dos Ruivos", tirando a noite de folga de um caso para ouvir o violinista de Pablo de Sarasate. Sua diversão de música vocal, particularmente a de Wagner, é evidente em "O Caso do Círculo Vermelho".
Uso de drogas