Guarapuava é um Município brasileiro localizado na região centro-sul do Estado do Paraná. É o maior município em extensão territorial do estado, e o nono mais populoso, com uma população de 189.630 habitantes, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2025. É considerado um polo regional de desenvolvimento, exercendo significativa influência sobre os municípios vizinhos. Situa-se em um importante entroncamento rodoferroviário no país, denominado “Corredor do Mercosul”, que conecta os municípios de Foz do Iguaçu e Curitiba. A cidade atualmente vive em um momento de expansão econômica, ela se posiciona como a 10° maior economia do Paraná, registrando em 2025 um Produto Interno Bruto (PIB) expressivo de R$ 8,3 bilhões.

Sua localização no alto do Terceiro Planalto Paranaense faz de Guarapuava um dos municípios mais frios do estado, com ocasionais registros de neve. Guarapuava tem sua paisagem marcada por araucárias com um clima frio e acolhedor. A identidade da cidade une tradições de heranças culturais de imigrantes europeus sendo muito visto na sua gastronomia e arquiteturas. A cidade possui parques urbanos, lagoas tranquilas e cachoeiras na região, assim destacando a cidade pela sua natureza e ambientação. O bioma predominante é a floresta subtropical, com vastas áreas de mata de araucárias.

Guarapuava é considerada a cidade da Cevada e do Malte, é referência nacional na cafeicultura de grãos de inverno. No distrito de Entre Rios é localizada a Cooperativa Agrária, responsável por abastecer grande parte do mercado cervejeiro do país. A cidade se destaca como principal município do agronegócio no estado do Paraná, sendo o maior produtor de cevada do Brasil, produzindo sozinha cerca de 30% da produção nacional.

Etimologia

"Guarapuava" deriva do termo da língua geral paulista agûarápuaba, que significa "lugar do barulho dos lobos-guarás" (gûará, lobo-guará + pu, barulho + aba, lugar).NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Ática. 2013. p. 563.

"Pérola do Oeste", como é conhecida atualmente, e que não se confunde com o município de mesmo nome, é alcunha forjada pelo jornalista Luiz Daniel Cleve, quando, por meio do jornal O Guayra, mandava notícias da cidade para a Europa exaltando que "o pôr-do-sol de Guarapuava, a Pérola do Oeste, é o mais bonito do mundo".

História Já habitada por milhares de anos pelos índígenas caingangues, a ocupação europeia dos campos de Guarapuava remonta às grandes questões da expansão territorial ibérica na América no século XVI, pois, segundo o Tratado de Tordesilhas, toda a porção centro-oeste do atual estado do Paraná deveria ser de comando espanhol. Entretanto, durante a União Ibérica (1580-1640) (período em que a coroa espanhola dominou o território português), houve um grande número de incursões rumo ao interior do continente a partir da capitania de São Paulo, através de expedições denominadas "bandeiras".

Após a dissolução da União Ibérica, com o fim da Dinastia Filipina, a expansão portuguesa na América do Sul continuou até chegar às margens do rio da Prata, onde ocorreu a fundação da Colônia do Sacramento, no atual território do Uruguai. Sob efeito desta ameaça expansionista portuguesa é que houve a reformulação do acordo entre os dois países, através do Tratado de Madrid, redefinindo as fronteiras das colônias vinculadas às duas potências da época.

Contudo, a região de Guarapuava continuou sem a presença do domínio europeu até o início do século XIX. A fim de consolidar a posse estratégica deste território, que já havia recebido expedições de reconhecimento no século XVIII, a coroa portuguesa, então sediada no Rio de Janeiro, determinou a organização de uma expedição para ocupar a região através de seu povoamento e garantir a nova fronteira com a Espanha.

A Real Expedição de Conquista e Povoamento dos Campos de Guarapuava, comandada por Diogo Pinto de Azevedo Portugal, chegou à região em 1810 e fez construir o Fortim Atalaia, que abrigou as primeiras tropas, seus familiares e povoadores que dela fizeram parte: cerca de 300 famílias. O Fortim Atalaia, construído na região atualmente denominada Palmeirinha, protegeu os componentes da Expedição dos frequentes ataques dos indígenas, pertencentes às três grupos que habitavam a região (Camés, Votorões e Cayeres ou Dorins).

Ao contrário das expedições anteriores que se fizeram por monções, deslocando-se pelo rio Iguaçu, as de Diogo Pinto foram executadas de forma mais ampla, porque abriram estradas, derrubaram matas, construíram pontes, o que justificou, de maneira geral, a demora da marcha.

Em 1810, os caingangues da região foram vencidos pelas tropas de Diogo Pinto de Azevedo. Assim, os "campos de Koran-bang-rê", termo pelo qual os caingangues designavam a região, se transformaram na atual cidade de Guarapuava.Kaingang Povos indígenas no Brasil. Acesso em 18 de março de 2014

Entre 1812 e 1859, Guarapuava foi a primeira localidade brasileira a receber condenados ao degredo pela justiça como forma de ocupar a região com população branca, pois os indígenas dominavam as matas do interior paranaense.Interior do Paraná recebia condenados do Brasil Império Folha de 30 de dezembro de 2010

Oficialmente, a cidade surgiu com a assinatura do Formal de Instalação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém, em 9 de dezembro de 1819, momento em que o Padre Francisco das Chagas Lima em concordância com Antônio de Rocha Loures, tenente comandante interino da Real Expedição, determinaram a transferência da freguesia e da Igreja Nossa Senhora de Belém para o local, que, segundo o padre, era o mais adequado para a construção da igreja, a atual sede do município.

Padre Chagas foi uma personagem importante na fase inicial do povoamento europeu, pois procurou iniciar a ocupação baseado em alguns critérios de estética, observando as prescrições contidas na carta régia de 1 de abril de 1809, do Conde Linhares, que já determinava os padrões a serem seguidos pelas edificações. Como ponto gerador do núcleo, cita-se a Catedral de Nossa Senhora de Belém, que era um ponto referencial importante para a sociedade da época. O primeiro prefeito de Guarapuava foi o coronel Pedro Lustosa de Siqueira. miniaturadaimagem|Igreja Matriz de Guarapuava no século XIX No ano de 1852, no dia 17 de julho, a freguesia de Nossa Senhora de Belém foi elevada à categoria de vila, ainda pertencente à província de São Paulo. Em 2 de maio de 1859, foi criada a comarca de Guarapuava, sendo José Antônio Araújo de Vasconcelos o seu primeiro juiz de direito. A Vila Nossa Senhora de Belém recebeu foros de município no dia 12 de abril de 1871, pela Lei Provincial 271, sendo desmembrada do município de Castro.

Geografia AnoÁrea municipal1810175 000,00 km²196011 796,23 km²197010 825,92 km²19809 825,92 km²19908 874,02 km²19925 575,25 km²19974 125,85 km²Atual3 178,659 km²

Localização e área O município está localizado a 25°23'36" latitude sul, e 51°27'19" longitude oeste, na região centro-sul do estado do Paraná e no Terceiro Planalto Paranaense, também conhecido como Planalto de Guarapuava. Limita-se ao norte com os municípios de Campina do Simão e Turvo, ao sul com o município de Pinhão, e a oeste com Candói, Cantagalo e Goioxim e a leste com Prudentópolis, Inácio Martins e Irati (esta última divisa, ignorada erroneamente por muitos livros)

O município possui atualmente uma área de 3.168,087 km². Localiza-se a 252 km da capital Curitiba, 361 km do porto de Paranaguá e 389 km da tríplice fronteira em Foz do Iguaçu. O território de Guarapuava representa 19,34% de sua microrregião, 11,78% da região centro-sul do Paraná, 1,56% do Paraná e 0,037% do Brasil.

Guarapuava já foi um dos maiores municípios do Brasil em extensão territorial, ocupando mais da metade de todo o estado do Paraná, a partir da região central até o oeste, além de todo oeste de Santa Catarina. Fazia fronteira com o Paraguai, pelas barrancas do rio Paraná e com a Argentina, através do rio Iguaçu, além do Rio Grande do Sul. Apesar de Guarapuava ter perdido grande parte de seu território, ainda é o maior município por área no Paraná.

Hidrografia O principal rio que cruza o município é o Rio Jordão. Contudo, o município também é banhado por diversos outros rios, como o Rio Cascavelzinho, Girassol, Coutinho, Banana, Pinhão, Kailane, Cavernoso, São Francisco e São João (nascente principal do Ivaí, junto com o Rio dos Patos).

A rede de drenagem compreende os rios que percorrem as terras do município que correm para oeste, sendo direta ou indiretamente tributários do rio Paraná através de três bacias hidrográficas: a do rio Piquiri, a do rio Iguaçu e a do rio Ivaí.

Relevo Guarapuava está localizada no Terceiro Planalto Paranaense, com a altitude variando entre 1 030 a 1 130 metros na sede do município. Em média, 850 metros, na divisa com Prudentópolis, e 1 300 metros, no alto do vale do Rio Pinhão, em Entre Rios.

O Terceiro Planalto Paranaense, ou Planalto Basáltico, ou ainda Planalto de Guarapuava, é a mais extensa das unidades de relevo do estado. É formado por rochas ígneas eruptivas, principalmente basaltos, cuja alteração formou a famosa terra vermelha, a partir da Era Mesozoica.

Já na transição do Terceiro para o Segundo Planalto, na divisa com o município de Prudentópolis, a variação brusca de altitude do relevo propícia a formação de várias quedas d'água, como o Salto São Francisco, com 196 metros, é a maior queda d'água da Região Sul do Brasil.

Clima O clima de Guarapuava pode ser classificado como clima subtropical úmido mesotérmico (Cfb, na Classificação climática de Köppen-Geiger) apresentando verões frescos (temperatura média inferior a 21 °C), invernos frios com ocorrências de geadas severas e frequentes. As chuvas bem distribuídas ao longo do ano, sem ocorrência de longas estações secas. Devido ao controle do relevo, a maior quantidade de precipitação se situa à nordeste do município, se tornando mais heterogêneo a distribuição espacial das chuvas através das convecções.

A altitude, que varia entre 1 030 a 1 350 metros, combinada com a latitude de 25 graus garante um clima ameno para Guarapuava a maior parte do ano. Entretanto, no inverno, podem ocorrer dias muito frios, a temperatura pode cair abaixo do ponto de congelamento, muitas vezes com geada e até mesmo neve, o que garante à cidade a condição de uma das cidades mais frias do país. Registros de neve na cidade acontecem, em média, de sete em sete anos, com ocorrências de intensas precipitações em alguns anos. Desde 1950 nevou nas seguintes datas: 4 de julho de 1953 30 de julho de 1955 20 de julho de 1957 19, 20 e 21 de agosto de 1965 8 de julho de 1972 17 de julho de 1975 25 de agosto de 1984 9 de julho de 1994 12 de julho de 2000 22 e 23 de julho de 2013

Já os verões são amenos, sendo comum que as temperaturas mínimas fiquem abaixo dos 14 °C e as temperaturas máximas, em torno dos 28 °C. Nessa época as chuvas são formadas principalmente pelo frio associado à umidade, com temporais de fim de tarde, ou ainda, associada à chegada de frentes frias.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), entre 1925 e 1977 a menor temperatura registrada em Guarapuava foi de em 18 de julho de 1975 e a maior atingiu em 2 de novembro de 1968. Os maiores acumulados de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 3 de setembro de 1957.

thumb|Estátua do Tenente Coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal, na Avenida Manoel Ribas, em Guarapuava thumb|Praça da Fé, em Guarapuava thumb|Colônia Samambaia, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava thumb|Colônia Vitória, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava thumb|Sinalização em português e em alemão no distrito de Entre Rios, em Guarapuava

Vegetação