Thomas Alva Edison (11 de fevereiro de 1847 – 18 de outubro de 1931) foi um inventor e empresário norte-americano que trabalhou com a lâmpada incandescente, o fonógrafo, a distribuição de energia elétrica e os primeiros filmes. A fusão da Edison General Electric Company com a concorrente Thomson-Houston Electric Company deu origem à General Electric. Edison registrou 1.093 patentes nos Estados Unidos.
Edison nasceu em Milan, no estado de Ohio, e cresceu em Michigan, onde recebeu pouca instrução escolar. Perdeu a audição ainda criança e aprendeu muito por meio da leitura e de experiências práticas. Começou a trabalhar cedo e, como telegrafista ferroviário, dedicou boa parte do tempo a melhorar os sistemas de telégrafo. Aos 22 anos, já havia vendido algumas invenções e se mudou para Nova York para trabalhar com engenharia. Teve três filhos com a primeira esposa, Mary, mas esteve pouco presente na família. Ela morreu aos 28 anos, e suas relações com os filhos continuaram difíceis. Com o apoio de amigos, conseguiu investidores e ampliou os negócios. Aos 29 anos, era dono de uma fábrica de aparelhos telegráficos em Newark, com mais de cem empregados.
Em Menlo Park, Edison instalou o que passou a ser considerado o primeiro laboratório de pesquisa industrial. Chamado de "Mágico de Menlo Park", cobrava jornadas exaustivas da equipe e também trabalhava até o limite. Buscou investimentos e publicidade para suas invenções. O fonógrafo lhe trouxe fama internacional, embora levasse anos para se tornar um produto comercial. Mais tarde, construiu um laboratório maior em West Orange.
Em 1878, Edison começou a desenvolver um sistema de iluminação elétrica para substituir as lâmpadas a gás. A passagem da lâmpada à rede elétrica exigiu décadas de invenções, investimentos e articulação empresarial. Edison e seus colaboradores projetaram lâmpadas, geradores e sistemas de distribuição capazes de lhes render grandes fortunas. A concorrência com o sistema de corrente alternada da Westinghouse Electric o obrigou a ceder espaço e levou à formação da General Electric.
Ao mesmo tempo, Edison criou uma empresa de mineração que nunca deu lucro e quase o levou à falência. Com a diminuição de sua participação no setor de iluminação, fundou uma empresa de cimento e começou a trabalhar numa câmera cinematográfica. Esse projeto se desdobrou num dos primeiros estúdios de produção de filmes. Viajou pelos Estados Unidos e pela Europa para divulgar suas invenções. Em Boston, conheceu Mina, sua segunda esposa. Tiveram três filhos, e ele voltou a ser pouco presente na criação deles. Mais tarde, aproximou-se dos filhos homens, que acabaram trabalhando em suas empresas. Charles assumiu a presidência da empresa do pai em 1926. Edison enfrentou problemas de saúde e conviveu com o diabetes por muitos anos. Continuou a trabalhar intensamente até morrer. Depois do êxito com a iluminação, dirigiu empresas de baterias, filmes, discos fonográficos e fenol. Nos últimos anos, procurou uma fonte de borracha produzida nos Estados Unidos.
direita|miniatura|upright=0.65|alt=Voz de Thomas Edison recitando um verso em inglês.|Nesta gravação de 1929, Edison recita "Mary Had a Little Lamb", verso que já usara ao demonstrar o fonógrafo.
Primeiros anos
esquerda|miniatura|upright=0.75|alt=Retrato em preto e branco do jovem Edison com chapéu e cachecol.|Edison aos catorze anos, quando começava a aprender telegrafia e a fazer experiências por conta própria.
Thomas Edison nasceu em 1847 em Milan, no estado de Ohio. A família se mudou para Port Huron em 1854, e ele cresceu nessa cidade de Michigan. Era o sétimo e último filho de Samuel Ogden Edison Jr. e Nancy Matthews Elliott. Samuel havia morado em Vienna, Ontário, antes de fugir para Ohio após participar da Rebeliões de 1837.
Sua mãe, que havia sido professora, ensinou-lhe a ler, escrever e fazer contas. Edison frequentou a escola por poucos meses e aprendeu grande parte do que sabia lendo por conta própria. Um exemplar de A School Compendium of Natural and Experimental Philosophy, dado pela mãe, despertou seu interesse por experiências com eletricidade. Seus pais também possuíam livros de Thomas Paine, cuja obra continuou a influenciar seu pensamento ao longo da vida.
Edison começou a ter problemas de audição aos 12 anos. O historiador Paul Israel sugeriu que infecções recorrentes do ouvido médio e talvez um episódio de escarlatina contribuíram para sua surdez; a causa exata permanece incerta. Chamado de Alva quando jovem, Edison mais tarde inventou histórias fantasiosas para explicar a perda auditiva. Não ouvia de um ouvido e mal conseguia ouvir do outro. Quando adulto, acreditava que essa condição o ajudava a evitar distrações e a se concentrar no trabalho.
Começou a trabalhar como vendedor de jornais, doces e verduras nos trens entre Port Huron e Detroit. Aos 13 anos, ganhava cerca de 50 dólares por semana e gastava esse dinheiro em materiais para experiências elétricas e químicas. Criou o jornal Grand Trunk Herald, vendido junto com outras publicações. Produziu 24 edições com notícias locais próprias, conquistou quinhentos assinantes e contratou pelo menos dois ajudantes. Guardou em casa, pelo resto da vida, uma cópia emoldurada da primeira edição.
Quando menino, Edison montou com um vizinho uma pequena linha telegráfica. No trabalho ferroviário, acompanhava operadores de telégrafo para aprender o ofício. Tornou-se telegrafista numa loja local e depois passou a trabalhar à noite para a Grand Trunk Railway em Stratford Junction, Ontário. No emprego, estudava análise qualitativa, fazia experiências químicas e dormia durante o expediente. Sua desatenção quase causou uma colisão entre dois trens, e ele pediu demissão.
Telegrafia
direita|miniatura|upright=0.6|alt=Desenho técnico de um registrador de votos, com número de patente.|Sua primeira patente, concedida em 1869, descrevia um aparelho elétrico para registrar votos.
Entre 1863 e 1869, Edison trabalhou como telegrafista no turno da noite em Ontário, Michigan, Kentucky, Ohio e Massachusetts. Empregado da Western Union, transmitia notícias da Associated Press. Em Cincinnati, morou com Ezra Gilliland, de quem foi amigo por 25 anos. Filiou-se à National Telegraph Union e escreveu para sua revista. Os colegas o viam como um jovem engenhoso e disposto a experimentar, embora seus testes por vezes atrapalhassem o serviço.
Em Boston, entre 1867 e 1869, ganhou algum dinheiro com um aparelho que registrava cotações da bolsa para clientes locais. Perdeu o que havia ganho ao tentar expandir o negócio para Nova York. Sua primeira patente, a de um registrador elétrico de votos, foi concedida em 1.º de junho de 1869 sob o número 90.646.
esquerda|miniatura|upright=0.8|alt=Trabalhadores posam diante de uma fábrica; Edison aparece numa janela alta.|A fábrica de Newark já reunia dezenas de empregados em 1873; Edison aparece na janela do quarto andar e escreveu que estava ocupado demais para descer.
Edison se mudou para Nova York em 1869. Um de seus primeiros mentores foi o telegrafista Franklin Leonard Pope, que lhe ofereceu moradia e espaço de trabalho no porão de sua casa em Elizabeth enquanto o jovem trabalhava para Samuel Laws na Gold Indicator Company. Pope e Edison abriram uma empresa de engenharia elétrica em outubro daquele ano. Edison atraiu investidores com dinheiro e contatos. Em poucos meses, contrataram cinquenta pessoas e abriram uma oficina maior em Newark. A empresa alugava linhas telegráficas e fabricava registradores de mensagens e máquinas de escrever capazes de imprimir os sinais recebidos pelo fio. Edison exigia produtividade dos empregados e seguia fazendo experiências sem parar.
Para desenvolver um novo sistema de telegrafia com Charles Batchelor, Edison se matriculou num curso de química da Cooper Union. Foi seu único curso numa instituição de ensino superior. Na fábrica, os dois experimentavam quase continuamente formas de aperfeiçoar o telégrafo. Assinavam juntos os cadernos de trabalho com as iniciais "E&B".
A empresa chegou a ter algumas centenas de empregados. Em 1874, Edison recebeu 30 mil dólares pelo telégrafo quádruplo, primeiro aparelho capaz de transmitir quatro mensagens ao mesmo tempo por um único fio. Até então, tivera dificuldades para pagar suas dívidas e quase perdera os bens por execução de hipoteca em mais de uma ocasião. Com o dinheiro, investiu na ferrovia urbana de Port Huron, pertencente a seu irmão William Pitt. Também ampliou a empresa e contratou o pai e um sobrinho ainda jovem.
Laboratório de Menlo Park
Centro de pesquisa e desenvolvimento
direita|miniatura|upright=0.85|alt=Interior do laboratório com vários homens, bancadas e lâmpadas suspensas.|O laboratório de Menlo Park reunia os equipamentos e trabalhadores necessários às experiências de Edison.
Em Menlo Park, Edison instalou um laboratório industrial voltado à produção de conhecimento e ao controle de suas aplicações. A construção, iniciada em 1876 em Raritan Township, hoje denominada Edison Township em sua homenagem, foi financiada com a venda do telégrafo quádruplo. A equipe trabalhava sob suas orientações e recebia cobranças constantes por resultados.
O nome de Edison consta de 1.093 patentes nos Estados Unidos. Ao longo da vida adulta, isso correspondeu, em média, a uma patente a cada dez ou doze dias. Como chefe do laboratório, recebia crédito por invenções desenvolvidas em boa parte pelos empregados. Trabalhava por muitas horas e esperava o mesmo dos demais. As jornadas chegavam a 18 horas diárias de segunda a sexta-feira, com trabalho também nos fins de semana. Um empregado falou dos "limites da exaustão humana". Edison contratou advogados especializados em patentes e contestou os direitos de propriedade intelectual de muitos contemporâneos.
esquerda|miniatura|upright=0.8|alt=Interior reconstruído com bancadas e numerosos frascos nas prateleiras.|A reconstrução em Greenfield Village permite ver como eram dispostas as bancadas e os materiais do laboratório de Menlo Park.
O crescimento dos negócios trouxe intensa publicidade. Edison restringiu o acesso do público e dos jornalistas ao laboratório de Menlo Park e moldou a imagem que apresentava nas entrevistas. Em pouco mais de dez anos, as instalações passaram a ocupar dois quarteirões. Ele queria manter ali "um estoque de quase todos os materiais imagináveis".
Microfone de carbono
direita|miniatura|upright=0.8|alt=Esquema de um diafragma, contatos e grânulos de carbono ligados por fios.|A pressão das ondas sonoras sobre o diafragma altera a resistência do carbono e permite transmitir a voz pelo circuito.
Em 1876, Edison começou a aperfeiçoar o telefone com um microfone de carbono. A Western Union financiou os experimentos para competir com Alexander Graham Bell. Edison considerava o microfone de Emil Berliner a parte mais fraca do telefone de Bell. Testou muitos modelos à procura de um som claro e forte o bastante para que ele próprio conseguisse ouvi-lo. O transmissor que Edison aperfeiçoou até o início de 1878 usava um pequeno botão de carbono sob o diafragma. A pressão exercida pelas ondas sonoras alterava a resistência elétrica do carbono e, assim, a corrente no circuito. Ao longo dos experimentos, ele testou numerosos materiais e configurações para o diafragma e os contatos.
David Edward Hughes publicou em 1878 um artigo sobre a física dos microfones de carbono com contatos frouxos e recebeu crédito pela descoberta do efeito semicondutor. Edison se irritou, e surgiu uma controvérsia pública, sobretudo porque Hughes reconheceu ter recebido orientação de um colaborador de Edison.
Fonógrafo
esquerda|miniatura|upright=0.75|alt=Edison jovem sentado ao lado de um fonógrafo de cilindro.|O fonógrafo trouxe a Edison notoriedade nacional antes que ele conseguisse vendê-lo em larga escala.