Cluj-Napoca (pronúncia em : ; , aportuguesado para Clausemburgo; ; ; ), até 1974 Cluj, nome ainda usado atualmente, é a terceira maior cidade da Romênia, capital do județ (distrito) de Cluj, no noroeste da Transilvânia. Geograficamente, está situada a uma distância igual das três principais capitais nacionais da região, Bucareste (498 km), Budapeste (354 km), e Belgrado (327 km). A cidade se localiza no vale do rio Someșul Mic e também é a capital da província histórica da Transilvânia.

A cidade se estende a partir da Igreja de São Miguel, na Piața Unirii ("Praça União"), construída no e que recebeu o nome de São Miguel Arcanjo, padroeiro da cidade. O município tem de área e segundo o censo de 2011 tinha habitantes. Em 2016 estimava-se que tivesse habitantes. A tem e em 2015 tinha habitantes. Uma análise realizada por uma agência imobiliária romena em 2007 indicou que, devido ao desenvolvimento da infraestrutura, comunas como Feleacu, Mărtinești, Jucu e Baciu ou a aldeia de Mărtinești eventualmente se tornarão bairros da cidade, o que ampliará ainda mais a sua área.

Hoje em dia a cidade é um dos principais centros acadêmicos, culturais, industriais e comerciais da Romênia. Entre outras instituições, ela hospeda a maior universidade do país, a Universidade Babeș-Bolyai, com o seu famoso jardim botânico; instituições culturais de renome nacional, assim como o maior banco privado romeno. Em 2008, de acordo com a revista americana InformationWeek, Cluj-Napoca estava se tornando rapidamente o "tecnopolo" da Romênia.

Etimologia thumb|292px|Inscrição em romeno de livro religioso: "Tiperit en Klus en Anul Domnului 1703" ("Impresso em Klus AD 1703")

A primeira menção escrita do nome — como um Distrito Real — foi data de 1213, sob o nome latino Castrum Clus. No entanto, apesar do fato de Clus, como nome do condado, ter sido registrado anteriormente, no documento Thomas comes Clusiensis, de 1173, acredita-se que o nome do condado venha do nome do castrum - que poderia ter existido já antes de sua primeira menção, em 1213 - e não vice-versa. Quanto ao nome do campo, já há um certo consenso de que é uma derivação do termo latino clausa – clusa, com o significado de "lugar fechado", "estreito", "ravina". Significados similares são atribuídos ao termo eslavo kluč e ao alemão Klause – Kluse ("desfiladeiro"). Uma hipótese alternativa relaciona o nome da cidade ao seu primeiro magistrado, Miklus – Miklós / Kolos.

A forma em húngaro do nome da cidade, registrado pela primeira vez em 1246, como Kulusuar, passou por diversas mudanças fonéticas ao longo dos anos (uar/vár significa "castelo" em húngaro); a variante Koloswar apareceu pela primeira vez num documento de 1332. O nome da cidade, Clusenburg/Clusenbvrg, apareceu em 1348, e em 1408 a forma Clausenburg foi usada. O nome romeno da cidade costumava ser grafado de maneira alternada, tanto como Cluj como Cluș – esta última tendo sido utilizada por Mihai Eminescu em sua obra Poesis. O nome da cidade foi mudado oficialmente para Cluj-Napoca em 1974 pelas autoridades comunistas romenas. Entre as possíveis etimologias de Napoca ou Napuca estariam o nome de algumas tribos dácias, como os Naparis ou Napaei, o termo grego napos (νάπος), que significa "vale arborizado", ou ainda da raiz indo-europeia *snā-p- (Pokorny 971-2), "fluir", "nadar", "molhar". Independentemente destas hipóteses, os acadêmicos concordam que o nome do assentamento é anterior à conquista romana, ocorrida no ano de 106.

Em eslovaco a cidade é conhecida como Kluž. Em iídiche é conhecida como (Klazin) ou (Kloyznburg).

História left|thumb|„Clavdiopolis, Coloswar vulgo Clavsenbvrg, Transiluaniæ ciuitas primaria". Gravura da Cluj medieval, de Georg Houfnagel (1617)

O Império Romano conquistou a região da Dácia em 101 e 106, durante o reinado do imperador Trajano, e Napoca, o povoado romano fundado pouco depois, foi registrado num marco miliário descoberto em 1758 nas vizinhanças da cidade. O sucessor de Trajano, Adriano, garantiu a Napoca o estatuto de município, e deu-a o nome de Município Élio Adriano Napocense (). Mais tarde, no , a cidade ganhou o estatuto de colônia, e passou a se chamar Colônia Aurélia Napoca (. Napoca tornou-se a capital da província da Dácia Porolissense, e passou a ser a sede do procurador romano. A colônia foi abandonada em 274 pelos romanos, e não existem mais referências a quaisquer assentamentos urbanos na região por boa parte do milênio seguinte.

No início da Idade Média, dois grupos de edifícios existiam no local ocupado pela cidade hoje em dia: a fortaleza de madeira em Cluj-Mănăștur (Kolozsmonostor), e o povoado civil que se desenvolveu em torno da atual Piața Muzeului ("Praça do Museu"), no centro da cidade. Embora a data precisa da conquista da Transilvânia pelos magiares não seja conhecida, os primeiros artefatos deste povo encontrados na região datam da primeira metade do . De qualquer maneira, depois deste período, a cidade passou a fazer parte do Reino da Hungria. O rei fez da cidade a sede do condado-castelo de Kolosz, e o rei-santo Ladislau fundou a abadia de Cluj-Mănăștur (Kolozsmonostor), destruída durante as invasões tártaras de 1241 e 1285. Um castelo e uma aldeia foram construídos a noroeste da antiga Napoca no fim do ; esta nova vila foi colonizada por numerosos grupos de saxões transilvanos, encorajados a fazê-lo durante o reinado do príncipe-herdeiro Estevão, Duque da Transilvânia. As primeiras menções confiáveis ao povoado datam de 1275, num documento do rei Ladislau IV, quando a vila (Villa Kulusvar) foi doada ao Bispo da Transilvânia. Em 19 de agosto de 1316, já durante o reinado de , Cluj recebeu o status de cidade (em latim: civitas), como recompensa pela contribuição dos saxões à derrota do voivode rebelde da Transilvânia, László Kán.

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Muitas corporações de ofício foram estabelecidas na cidade, na segunda metade do , e um substrato burguês, baseado no comércio e na produção de artefatos retirou a liderança da cidade das mãos da elite mais antiga, proprietária de terras. Através dos privilégios concedidos por imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Sigismundo de Luxemburgo, em 1405, a cidade optou por ficar fora da jurisdição dos voivodes, vice-voivodes e juízes reais, obtendo o direito de eleger um júri de doze membros todo ano. Em 1488 o rei Matias Corvino (nascido em Klausenburg, em 1440) ordenou que o centunvirato—o conselho da cidade, que consistia de cem homens—tivesse uma de suas metades composta por homines bone conditiones ("homens de boas condições", os ricos), e a outra composta por artesãos e comerciantes; juntos, elegeriam o presidente do júri e o próprio júri. Enquanto isso, um acordo foi assinado que estabeleceu que metade dos representantes do conselho da cidade deveriam ser escolhidos entre os húngaros, metade da população saxã, enquanto os cargos judiciais seriam ocupados em sistema de rodízio. Em 1541, Klausenburg se tornou parte do Principado da Transilvânia, que conquistou a independência depois que os turcos otomanos ocuparam a parte central do Reino da Hungria; seguiu-se um período de relativo florescimento econômico e cultural. Embora Alba Iulia tenha servido como capital política para os príncipes da Transilvânia, Klausenburg pode gozar de muito da atenção destes, que estabeleceram ligações entre a cidade e os principais centros da Europa Oriental na época, como Košice, Cracóvia, Praga e Viena.

Em termos de religião, as ideias reformistas apareceram pela primeira vez no meio do . Durante o serviço de Gáspár Heltai como pregador, a tendência ao luteranismo cresceu em importância, assim como a doutrina suíça do calvinismo. Em 1571 a Dieta de Turda adotou uma religião mais radical, o unitarianismo de Ferenc Dávid, caracterizado pela interpretação livre da Bíblia e pela negação do dogma da Trindade. Estevão Báthory fundou uma academia jesuíta em Klausenburg, para promover o movimento anti-Reforma, sem obter, no entanto, muito sucesso. Por um ano, entre 1600 e 1601, Cluj se tornou parte da união pessoal de Miguel, o Valente. Com o Tratado de Karlowitz, em 1699, Klausenburg passou a fazer parte da Monarquia de Habsburgo.

thumb|Palácio de Nova Iorque

No Cluj sofreu com grandes calamidades, sofrendo com a praga e com incêndios devastadores. O fim do século trouxe o fim da ocupação turca, porém viu a cidade ser esvaziada de muito de sua riqueza, de sua liberdade municipal, de sua posição central em termos de cultura, de sua significância política e até mesmo de sua população. Gradualmente ela reconquistou a sua posição importante dentro da Transilvânia como quartel-general do Gubernium e das Dietas entre 1719 e 1732, e depois de 1790 até a revolução de 1848, quando o Gubernium foi movido para Hermannstadt. Em 1791 um grupo de intelectuais romenos organizou uma petição, conhecida como Supplex Libellus Valachorum, que foi enviada para o imperador, em Viena; a petição exigia a igualdade da nação romena na Transilvânia, com relação às outras nações governadas pelo Unio Trium Nationum, porém acabou sendo rejeitada pela Dieta de Cluj.

A partir de 1830 a cidade se tornou o centro do movimento nacional húngaro dentro do principado. Este movimento teve como consequência a Revolução Húngara de 1848, que explodiu num confronto militar em que os austríacos ganharam o controle da Transilvânia, aprisionando os húngaros entre dois flancos. O exército húngaro, no entanto, comandado pelo general polonês Józef Bem, lançou uma ofensiva que recapturou Klausenburg no Natal daquele ano. Após as revoluções de 1848 um regime absolutista foi estabelecido, sucedido por um regime liberal, em 1860. Foi neste período que a igualdade de direitos foi concedida aos romenos, ainda que apenas brevemente, já que em 1865 a Dieta de Cluj aboliu as leis votadas em Sibiu, e proclamou a Lei de 1848, garantindo a união da Transilvânia com a Hungria. Antes de 1918, as únicas instituições de ensino que lecionavam em romeno na cidade eram duas escolas elementares geridas pela igreja. Os primeiros periódicos no idioma apareceram em 1903.

Depois do Compromisso Austro-Húngaro de 1867, Klausenburg e toda a Transilvânia estavam novamente integrados ao Reino da Hungria. Durante este período, Kolozsvár esteve entre as maiores e mais importantes cidades do reino, e foi a capital do condado de Kolozs. A situação dos romenos na Transilvânia, no entanto, ainda era ruim, devido à opressão e perseguição que sofriam. Esta situação encontrou expressão no Memorando Transilvano, uma petição enviada em 1892 pelos líderes políticos dos romenos transilvanos ao imperador austríaco, Franz Joseph. A petição pedia por igualdade de direitos com os húngaros, e exigia um fim às perseguições e tentativas de magiarização. O imperador repassou o memorando para Budapeste, e seus autores, entre eles Ioan Rațiu e Iuliu Coroianu, foram julgados e condenados a longas sentenças de prisão por "alta traição", em Kolozsvár/Cluj, em maio de 1894. Durante o julgamento, aproximadamente pessoas foram a Cluj demonstrar seu apoio aos réus pelas ruas da cidade.

thumb|Sinagoga Reformista de Cluj-Napoca

Em 26 de setembro de 1895 o imperador Franz Joseph visitou a cidade vizinha de Bánffy-Hunyad (atual Huedin, com o fim das manobras do exército húngaro na Transilvânia, e recebeu entusiásticas boas-vindas do povo local, que construiu um arco decorado com as flores e plantas da região especialmente para a ocasião. Em 1897 o governo húngaro decidiu que apenas topônimos húngaros deveriam ser usados, e passou a proibir o uso de versões alemãs ou romenas do nome da cidade nos documentos oficiais.