Tarcisio Pietro Evasio Bertone, (Romano Canavese, 2 de dezembro de 1934) é um cardeal italiano e foi camerlengo da Igreja Católica até o dia 20 de dezembro de 2014. Foi secretário de Estado do Vaticano, entre 15 de setembro de 2006 e 15 de outubro de 2013.
O cardeal está envolvido em vários escândalos e polêmicas, incluindo o seu luxuoso estilo de vida e declarações públicas.
Vida Quinto de oito filhos, Tarcisio ingressou na Sociedade de São Francisco de Sales de São João Bosco, os Salesianos. Seus estudos médios foram realizados no Oratório de Valdocco, Turim. Continuou no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo. Sua profissão religiosa ocorreu aos 3 de dezembro de 1950. Mais tarde, obtém sua licenciatura em teologia (com uma dissertação sobre tolerância e liberdade religiosa) na Faculdade Salesiana de Teologia em Turim. Logo consegue sua licenciatura em teologia e um doutorado em direito canônico no Pontifício Ateneu Salesiano após sua dissertação intitulada "O Governo da Igreja no pensamento de Bento XIV – Papa Lambertini (1740 – 1758)".
Além da sua língua nativa, o italiano, Bertone fala fluentemente francês, espanhol, alemão e português. Tem ainda um conhecimento bom de inglês e conhecimento regular de polaco, latim, grego e hebraico.
Sacerdócio Foi ordenado sacerdote em Ivrea, em 1 de julho de 1960, por Albino Mensa, Bispo de Ivrea. A partir de 1967, foi professor de Teologia Moral Especial no Pontifício Ateneu Salesiano de Roma, que em 1973 se converteu na Pontifícia Universidade Salesiana. Em 1976, tornou-se diretor da Faculdade de Direito Canônico da Salesiana e professor de "Direito Eclesiástico Público" até 1991, entre outras disciplinas. Sustentou o cargo de diretor de Teologia da Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, de 1974 a 1976, de decano da Faculdade de Direito Canônico entre 1979 e 1985, e vice-reitor da mesma instituição entre 1987 e 1989. Foi também professor convidado de Lei Eclesiástica Publica no Institute Utriusque Iuris da Pontifícia Universidade Lateranense em 1978.
Realizou atividades jornalísticas, trabalho pastoral em diversas paróquias de Roma e trabalhou na promoção do laicado nos Centros de Formação Teológica e Apostólica, especialmente com suas intervenções sobre moral social e a relação entre fé e política. Colaborou na fase final da revisão do Código de Direito Canônico e impulsionou sua recepção nas Igrejas locais. Adicionalmente, dirigiu grupos de trabalho que traduziram o Código ao italiano para a Conferência Episcopal Italiana e visitou centenas de dioceses italianas e estrangeiras para apresentar a “grande disciplina da Igreja”. Desde a década de 1980, era consultor para diversos dicastérios da Cúria Romana, em especial para a Congregação para a Doutrina da Fé em temas teológico-jurídicos.
Foi reitor da Pontifícia Universidade Salesiana, eleito em 1 de junho de 1989.
Episcopado left|250px|thumb|Bertone ao lado de Bento XVI em sua visita ao Brasil, 2007.Foi eleito arcebispo de Vercelli em 4 de junho de 1991. Foi sagrado bispo em 1 de agosto de 1991, na Catedral de Vercelli, por Albino Mensa, arcebispo emérito de Vercelli, acompanhado de Luigi Bettazzi, bispo de Ivrea, e Carlo Cavalla, bispo de Casale Monferrato.
Desenvolveu a comunhão com os sacerdotes do presbitério diocesano, se dedicou às áreas de fé e cultura (relação entre a Igreja e a Universidade do Piemonte Oriental); educação (paternidade juvenil e catequese em escolas de todos os níveis); e pastoral vocacional. Em 28 de janeiro de 1993, foi nomeado pela Conferência Episcopal Italiana como Presidente da Comissão Eclesial para a Justiça e a Paz.
Renunciou ao governo pastoral da arquidiocese em 13 de junho de 1995, quando foi nomeado secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. Encarregado pelo Cardeal Ratzinger, chefe da Congregação, Monsenhor Bertone realizou viagens e tarefas difíceis, como no caso do arcebispo afastado Emmanuel Milingo, as ordenações clandestinas de homens casados que ocorreram durante o período da perseguição comunista na República Tcheca, e esteve ao lado do cardeal na divulgação da terceira parte do “segredo” de Fátima em 2000.
Em 10 de dezembro de 2002, foi nomeado arcebispo metropolitano de Génova.
Cardinalato miniaturadaimagem|O brasão do Cardeal Bertone (à esquerda) ao lado do brasão do Papa Bento XVI (ao centro) no portal da Catedral de San Pietro em Frascati.
Bertone foi anunciado como cardeal por João Paulo II no Angelus de 28 de setembro de 2003. Recebeu o barrete cardinalício, com o título da Igreja de Santa Maria Ausiliatrice in via Tuscolana e seu diaconato foi elevado a pro hac vice ao título cardinalício, no consistório de 21 de outubro de 2003.
Em 15 de setembro de 2006, o Papa Bento XVI o nomeou Secretário de Estado do Vaticano. As queixas sobre o desempenho de Bertone como secretário de Estado começaram no início do seu mandato. Ele não tinha experiência prévia no corpo diplomático do Vaticano.
No dia 4 de abril de 2007, foi nomeado Camerlengo. O mesmo Papa nomeou-o Cardeal-bispo de Frascati em 10 de maio de 2008.
Bento XVI não aceitou a renúncia canônica exigida do Cardeal Bertone em seu 75º aniversário e o confirmou em seus cargos em 15 de janeiro de 2010. Nesse contexto, o Papa demonstrou apoio ao seu confidente em uma carta aberta transmitida pela Rádio Vaticano e agradeceu-lhe por décadas de valiosa colaboração.Quando o Papa Bento XVI renunciou em 28 de fevereiro de 2013, Bertone, como camerlengo, atuou como soberano interino do Estado da Cidade do Vaticano e administrador da Santa Sé até a eleição de um novo papa. Em 13 de fevereiro de 2013, na última missa pública do Papa Bento XVI antes de sua renúncia entrar em vigor, Bertone elogiou o Papa Bento.
Bertone era o segundo cardeal-eleitor mais antigo em ordem de precedência entre os cardeais-eleitores que participaram do conclave de 2013, depois de Giovanni Battista Re. O próprio Bertone era visto como um possível sucessor ao papado, embora suas chances como papável fossem consideradas diminuídas pela percepção de que ele era um "escândalo em potencial". Na posse do Papa Francisco, Bertone foi um dos seis cardeais que fizeram o ato público de obediência em nome do Colégio Cardinalício. Em seguida, o novo papa confirmou-o provisoriamente nesta mesma função, bem como todos os funcionários da Cúria Romana.
A aposentadoria de Bertone como Secretário de Estado foi anunciada em 31 de agosto de 2013 e entrou em vigor em 15 de outubro. O Papa Francisco designou Pietro Parolin como seu sucessor. Algumas semanas depois de Bertone completar 80 anos, Francisco nomeou o Cardeal Jean-Louis Tauran para substituí-lo como Camerlengo da Santa Igreja Romana em 20 de dezembro de 2014.
Opiniões e controvérsias
O Código Da Vinci Em 15 de março de 2005, Bertone foi notícia por "quebrar o silêncio da Igreja" e criticar o romance de Dan Brown de 2003, O Código Da Vinci, dizendo que o livro era "vergonhoso e cheio de mentiras infundadas" e que os fiéis deveriam boicotá-lo. O livro seria um "castelo de mentiras": "Não se pode escrever um romance que deforma os fatos históricos, maldizendo ou difamando personagens que devem seu prestígio e sua fama justamente à história da igreja e da humanidade", disse Bertone.
Tanto Bertone quanto porta-vozes oficiais do Vaticano insistiram que ele não estava falando como representante oficial da Igreja Católica, mas também foi observado que a alta posição de Bertone na hierarquia da Igreja e o fato de ele ser frequentemente citado como um potencial candidato ao papado conferiam considerável peso às suas palavras, de modo que seus comentários eram frequentemente noticiados por vários meios de comunicação como uma declaração oficial do Vaticano.
O cardeal realizou um seminário chamado Storia Senza Storia (História Sem História) para enfrentar as alegações de Brown. Ele disse que queria "desmascarar as mentiras" para que os leitores pudessem ver o quão "vergonhoso e infundado" era o livro.
A controvérsia em torno da ficção do Papa Luciani Em uma entrevista publicada no jornal diário Avvenire, em 26 de outubro de 2006, Bertone expressou sua decepção com a ficção da Rai 1, Papa Luciani - Il sorriso di Dio, acusando-a de parcialidade na forma como a Cúria Romana e as hipóteses sobre a morte do Papa João Paulo I foram apresentadas, com estas declarações: "Entendo que em todo bom filme a figura do bem deve sempre ser contrastada com a do vilão e dos vilões, [...] e infelizmente esta lei não escrita também não escapou a esta ficção. E assim, entre os vilões, encontramos o inevitável Arcebispo Paulo Marcinkus , vários cardeais e um pouco de toda a Cúria".
Igreja e esportes Bertone sugeriu em dezembro de 2006 que a Santa Sé "poderia, no futuro, formar uma equipe que jogasse no mais alto nível, com Roma, Internazionale, Genoa e Sampdoria". Ele continuou: "Se recrutássemos apenas os estudantes brasileiros de nossas universidades pontifícias, poderíamos ter um elenco magnífico". Horas depois, ele disse: "Tenho muito mais o que fazer do que formar um time de futebol para o Vaticano" e explicou que sua observação anterior não deveria ser levada a sério.
Defesa de Pio XII Em 5 de junho de 2007, numa conferência que anunciava o lançamento de uma nova biografia do Papa Pio XII, Bertone defendeu Pio contra as acusações de indiferença para com os judeus durante o Holocausto. Bertone condenou esta acusação como uma "lenda negra" e "um ataque ao bom senso e à racionalidade", que "se tornou tão firmemente estabelecida que mesmo arranhá-la é uma tarefa árdua". Embora tenha admitido que Pio XII tinha sido "cauteloso" na condenação da Alemanha Nazi, Bertone afirmou que as forças nazis teriam intensificado o seu programa de genocídio se o Papa tivesse sido mais franco.
Controvérsia islâmica entre o Papa Bento XVI
Em 16 de setembro de 2006, Bertone, após um dia como Cardeal Secretário de Estado, divulgou uma declaração explicando que a "posição do Papa em relação ao Islã é inequivocamente aquela expressa no documento conciliar Nostra aetate" e que "a opção do Papa em favor do diálogo inter-religioso e intercultural é igualmente inequívoca". Ele disse: Quanto à opinião do imperador bizantino Manuel II Paleólogo, que ele citou durante seu discurso em Regensburg, o Santo Padre não quis, nem quer, fazer dessa opinião sua de forma alguma. Ele simplesmente a utilizou como um meio para empreender — em um contexto acadêmico, e como se evidencia numa leitura completa e atenta do texto — certas reflexões sobre o tema da relação entre religião e violência em geral, e para concluir com uma rejeição clara e radical da motivação religiosa para a violência, seja qual for sua origem. [O Papa] lamenta sinceramente que certas passagens de seu discurso possam ter soado ofensivas à sensibilidade dos fiéis muçulmanos e tenham sido interpretadas de uma maneira que em nada corresponde às suas intenções.
Comentários do Patriarca Aleixo II Em 5 de dezembro de 2006, o Patriarca Aleixo II da Igreja Ortodoxa Russa acusou a Santa Sé de uma "política extremamente hostil" quando disse que a Igreja Católica estava aliciando convertidos em terras ortodoxas na Rússia e em outras ex-repúblicas soviéticas. Bertone respondeu: "Não queremos fazer proselitismo na Rússia".
Mídia Em 2007, Bertone “criticou duramente a mídia por destacar as visões do Vaticano sobre sexo, enquanto mantinha um ‘silêncio ensurdecedor’ sobre o trabalho de caridade realizado por milhares de organizações católicas em todo o mundo”. Ele continuou: “Vejo uma fixação por parte de alguns jornalistas em temas morais, como aborto e uniões homossexuais, que são certamente questões importantes, mas que absolutamente não constituem o pensamento e o trabalho da Igreja”.
Proposta de excomunhão de traficantes de drogas