Mauá () é um município da Região Metropolitana de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Pertence à região do ABC Paulista, na Zona Sudeste da Grande São Paulo, em conformidade com a lei estadual nº 1.139, de 16 de junho de 2011 e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI). A densidade demográfica é de habitantes por quilômetro quadrado. Porém a densidade urbana é bem maior, já que um terço do município é área industrial e 10% pertence à área rural e ao Parque Estadual da Serra do Mar. Em 2014, era o 20° município do estado em produto interno bruto. Com 418.261 habitantes (Censo 2022), Mauá é o 15° município mais populoso do estado de São Paulo, e o 57° município mais populoso do Brasil.

O município de Mauá recebeu esse nome em homenagem a Irineu Evangelista de Sousa, o "Barão de Mauá", importante empresário e industrial do Império do Brasil. A denominação deriva da Estação Mauá, inaugurada em 1867 pela São Paulo Railway, ferrovia associada ao desenvolvimento industrial e ferroviário impulsionado pelo Barão de Mauá. A estação deu origem ao núcleo urbano que posteriormente se desenvolveu no atual município.

Toponímia

O tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro sugere que o topônimo "Mauá" pode provir de "Magûeá", que era o nome de uma aldeia tamoia que se localizava na baía de Guanabara no Século XVI. Originalmente, o nome "Mauá" designava uma área onde hoje situa-se o bairro de Mauá, em Magé, onde Irineu Evangelista de Souza construiu um grande porto. O imperador dom Pedro II, reconhecendo a importância da obra, nomeou-o barão de Mauá.

Na criação do distrito de Mauá, durante o processo de emancipação, o nome "Mauá" passou a designar a estação local e o povoado que surgiu ao seu redor em substituição ao antigo "Pilar", que fazia referência ao Caminho do Pilar (antigo nome da Avenida Barão de Mauá), que ligava a vila de São Bernardo à Capela de Nossa Senhora do Pilar, em Ribeirão Pires.

História esquerda|miniaturadaimagem|Busto de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá Quando houve, por parte dos portugueses, a primeira expedição a avançar para o interior do continente brasileiro (até então, a exploração se restringia ao litoral), ainda em meados do Século XVI, a qual saiu de São Vicente e chegou até as tribos indígenas de Piratininga, na confluência dos rios Tamanduateí, Anhangabaú e Tietê, o percurso utilizado foi o Caminho do Peabiru: mais exatamente, a Trilha dos Tupiniquins, a qual atravessava o território da atual Mauá, em um traçado ancestral e muito próximo da atual Avenida Barão de Mauá. João Ramalho, o qual fundou a Vila de Santo André original em 1553, tomou posse de muitas terras que hoje fazem parte do território mauaense.

No Século XVIII, a região era conhecida como Cassaquera, um nome indígena que significa "Cercados Velhos" ou "Cercado dos Velhos". Mais tarde, a antiga Trilha dos Tupiniquins tornou-se o Caminho do Pilar, uma vez que levava até a Capela Nossa Senhora do Pilar, fundada em 1714, localizada onde hoje fica Ribeirão Pires. Do nome da estrada, surgiu a nova denominação local: Pilar.

Apesar de haver alguns moradores na região, só houve progresso local relevante a partir da construção, por parte da São Paulo Railway, da Ferrovia Santos-Jundiaí, a qual foi inaugurada em 1867. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, mais tarde elevado a Visconde de Mauá, grande empreendedor no comando desse projeto ferroviário, que chegou a ter grandes propriedades na região, adquirindo a Fazenda Bocaina do capitão João José Barboza Ortiz. O crescimento da agora Vila do Pilar levou a São Paulo Railway a inaugurar a estação de trem Pilar em 1º de abril de 1883. Um núcleo populacional surgiu e cresceu em volta da estação pelas décadas seguintes. Em 1926, a estação ferroviária teve o nome alterado para Mauá em homenagem ao ilustre empreendedor e construtor da ferrovia. Assim, o então bairro de Pilar, pertencente ao antigo município de São Bernardo, foi mudado para Mauá. Com o Decreto-lei Estadual nº 6 780, de 18 de outubro de 1934, Mauá foi elevada a distrito, ainda pertencente a São Bernardo. Com o Decreto-lei Estadual nº 9775, de 30 de novembro de 1938, foi recriado o município de Santo André, passando o distrito de Mauá a pertencer ao novo município.

O distrito cresceu, mas boa parte da população considerava o local quase abandonado pela Prefeitura de Santo André. Surgiu, assim, a partir de 1943, o Movimento Emancipacionista, liderado por Egmont Fink. Em 22 de novembro de 1953, foi realizado um plebiscito com os moradores locais para que eles escolhessem pela emancipação local ou não. A maioria votou a favor, e a Lei Estadual nº 2 456, de 30 de dezembro de 1953, decretou a emancipação e surgimento do Município de Mauá. A instalação de fato do novo município e administração autônoma se deu a partir de 1º de janeiro de 1954. Os vereadores, no entanto, decidiram, por votação na Câmara Municipal, que a Data Magna da cidade de Mauá seria 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, padroeira da cidade,a quem foi consagrado um santuário (Santuário da Imaculada Conceição) pelas mãos do bispo Dom pedro,no bairro matriz de Mauá.

Geografia Hidrografia A cidade tem como característica hidrográfica especial não ser cortada por nenhum curso d'água proveniente de outro município, visto que, devido à altitude elevada, todos os cursos d'água que cortam o território de Mauá nascem na cidade. No município, nasce o Rio Tamanduateí, o terceiro maior afluente do Rio Tietê na Grande São Paulo e ainda o Rio do Oratório e os rios Pinheirinho e Guaió. Os cursos d'água mais importantes em trecho urbano são o Córrego Taboão, o Córrego Corumbé e o Córrego Capitão João (sob o qual está a Praça XXII de Novembro). Devido à ocupação desordenada das várzeas, muitos trechos antes alagadiços que funcionavam como absorvedores do excesso de água das chuvas foram aterrados e a cidade, hoje, tem vários pontos sob forte risco de enchentes. A situação foi amenizada com a construção de quatro piscinões pelo governo do Estado em parceria com a Prefeitura entre os anos de 1998 e 2002. Um no Parque do Paço para o Córrego Taboão, um no Jardim Zaíra para o Córrego Corumbé, um no Jardim Sônia Maria para o Rio Oratório e um no Bairro Capuava para o próprio Rio Tamanduateí (este último é o maior da América Latina). Porém, devido à falta de manutenção, ao excesso de lixo e ao assoreamento, os piscinões não conseguem conter, com eficiência total, o risco de enchentes.

Além da ocupação desordenada, a falta de redes de esgoto e de tratamento de resíduos faz com que os cursos d'água urbanos da cidade estejam completamente poluídos.

A partir de 2017 a cidade de Mauá viveu sua pior crise hídrica. Em janeiro de 2018, o Repórter Diário publicou matéria indicando mais 5 dias sem água na grande maioria dos bairros da cidade. Como motivos para essa crise além da dívida com a SABESP, a rede de Mauá lidera a taxa de perda de água, mas a SAMA (Saneamento Básico do Município de Mauá) não se pronunciou sobre o assunto.

Vegetação O município, devido à grande variação de altitude, possui um vasto espectro de paisagens naturais, embora grande parte tenha sido transformada pela ocupação humana. As encostas dos morros eram, originalmente, ocupadas por uma exuberante vegetação de Mata Atlântica, embora já misturada com espécies do Planalto Paulista e com araucárias típicas do clima de altitude. Na cidade, as áreas de Mata Atlântica mais preservadas são as áreas de mananciais, o Tanque da Paulista, o Parque Ecológico Santa Luzia e as encostas do Guaraciaba. As várzeas eram de modo geral cobertas por juncos e taboas, plantas típicas de áreas alagadiças e pantanosas. Atualmente, apenas o Córrego Taboão possui vegetação original em ambiente urbano, mas deverá perder boa parte dela, devido às obras de retificação para a ligação com o Rodoanel. Os vales dos rios Guaió e Pinheirinho na região de Capiburgo estão ainda com essa vegetação, apesar da crescente favelização local. Os picos dos morros, principalmente os mais elevados, eram cobertos por gramíneas e vegetações ralas. Atualmente, o maior representante é o Morro Pelado, que leva esse nome pela vegetação muito baixa que o cobre.

Clima O município localiza-se a 818 metros acima do nível do mar, no limite entre a Serra do Mar e o planalto. Em decorrência disso, o clima da cidade é considerado subtropical, com temperatura média durante o ano em torno dos 18 graus Celsius, raramente ultrapassando os 30 graus Celsius no verão. No inverno, a média é de 9 a 14 graus Celsius.

Relevo miniaturadaimagem|Vegetação típica da Mata Atlântica na região do Jardim Zaíra.|alt=|273x273px A paisagem mauaense é dominada pela formação de morros e picos íngremes, típicos da Serra do Mar e por profundos vales alagadiços, hoje na grande maioria aterrados e ocupados de forma desordenada, o que justifica a alta incidência de enchentes. Somente a região do vale do Rio Tamanduateí, no bairro Capuava, é tipicamente plana. Relatos históricos descrevem o local como sendo onde os primeiros bandeirantes, vindos de São Vicente, avistaram o planalto paulista e deram à região o nome de Borda do Campo, por fazer transição entre a Serra do Mar e o Planalto Paulista. O ponto mais alto da cidade é o Morro Pelado, com 867 metros de altitude (o terceiro mais alto da Grande São Paulo), porém, a cidade é em média a mais alta da região metropolitana, devido à carência de áreas planas. miniaturadaimagem|496x496px|O Parque Ecológico Gruta Santa Luzia preserva remanescente da mata Atlântica,abriga pequenos mamíferos, aves e répteis,e é lá que se encontra a nascente do Rio Tamanduateí. Demografia População

Composição étnica Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 210.661 brancos (50,37%), 167.697 pardos (40,09%), 37.885 pretos (9,06%), 1.635 amarelos (0,39%) e 374 indígenas (0,09%).

Grande parte da população descende de migrantes do Nordeste, mas também de imigrantes italianos, alemães, ucranianos, espanhóis e japoneses.

Política e administração Historicamente, a esquerda política é bastante influente na política mauaense. Ainda na década de 1940, a população local elegeu o comunista Ennio Brancalion (PCB) como seu representante na Câmara de Vereadores de Santo André e contribuiu para a vitória de Armando Mazzo (PCB) tornando-o o primeiro comunista eleito prefeito na história do Brasil. Na primeira metade do Século XX a população de Mauá era predominantemente operária e pobre, tendo preterido na primeira eleição para Prefeito em 1954 o líder emancipacionista Egmont Fink (PSP), coligado à União Democrática Nacional, de vertente conservadora, para eleger Ennio Brancalion (agora no Partido Trabalhista Brasileiro de Getúlio Vargas), que sequer participara do movimento emancipacionista, e Élio Bernardi, que fora contrário à emancipação, para vice-prefeito.

Durante a Ditadura Militar Brasileira, a Aliança Renovadora Nacional, o partido de apoio ao regime, dominou tanto o Executivo quanto o Legislativo. Amaury Fioravanti (MDB) quebrou a hegemonia da ARENA elegendo-se prefeito em 1972. A partir dessa eleição, e durante todas as décadas de 1970 e 1980, a política mauaense passou a viver uma disputa polarizada em duas correntes principais: os Damistas, de Leonel Damo e seus apoiadores, como José Carlos Grecco; e o grupo de Amaury Fioravanti, com outros grupos menos influentes em paralelo.