Praia Grande é um município na Região Metropolitana da Baixada Santista, litoral sul do estado brasileiro de São Paulo. Integra a Região Imediata de Santos e sua população aferida na revisão censitária do IBGE em 2010 era de habitantes. No censo do IBGE de 2022, a população de Praia Grande era de habitantes, sendo a cidade da Baixada Santista que mais cresceu no período 2010-2022. É a segunda cidade mais populosa do litoral paulista, atrás apenas de Santos. Com uma área de km², a densidade demográfica em 2022 era de habitantes/km². O município é formado pela sede e pelo distrito de Solemar.
A cidade de Praia Grande tem uma das praias mais movimentadas do Brasil, tendo sido eleita, em 2016, pelo Ministério do Turismo como a quarta cidade que mais recebe turistas no país durante a temporada de verão, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Na alta temporada recebe cerca de 1,86 milhão de turistashttp://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/praia-grande-e-guaruja-estao-entre-as-cidades-mais-procuradas-pelos-turistas-em-todo-o-pais/?cHash=8e26f26a45d8c0f36f9c81da1c97f8d2 (mais de cinco vezes a sua população fixa). A cidade também teve uma rápida expansão, com crescimento de 56 000 habitantes entre 2000 e 2009, recebendo, em 2015, o título de "a cidade que mais cresce no Brasil".
Turismo
O turismo constitui um dos principais setores da economia de Praia Grande, destacando-se pela extensa faixa litorânea de aproximadamente 22,5 quilômetros de praias urbanizadas, infraestrutura turística consolidada e intensa movimentação sazonal de visitantes. O município é classificado pelo Ministério do Turismo como Município Turístico e recebe um significativo aumento de visitantes durante a alta temporada, impulsionado pela proximidade com a Região Metropolitana de São Paulo e pela oferta de equipamentos de lazer, ciclovias, praças temáticas, eventos esportivos e culturais, além de uma ampla rede de hospedagem e serviços.
Entre os principais atrativos turísticos encontram-se a orla marítima, a Fortaleza de Itaipu, o Complexo Cultural Palácio das Artes, a Área de Lazer Ézio Dall'Acqua (Portinho), as feiras permanentes de artesanato, as praças temáticas e os monumentos distribuídos ao longo da orla. Publicações especializadas também destacam Praia Grande como um dos principais destinos de lazer do litoral paulista, reunindo informações sobre praias, hospedagem e infraestrutura voltadas aos visitantes.
Estância balneária Praia Grande é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo governo estadual, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Existem outros municípios, que não sendo estâncias balneárias, ainda assim são estâncias turísticas. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado, através do Departamento de Apoio às Estâncias do Estado de São Paulo, para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar, junto a seu nome, o título de "estância balneária", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
História Antecedentes thumb|esquerda|Entrada da Fortaleza de Itaipu, construída no início do século XX.|215x215px thumb|esquerda|Forte de Jurubatuba, inaugurado em 1919.|214x214px
Até a chegada dos portugueses, no século XVI, as terras do atual município eram habitadas pelos índios tupiniquins.BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18-19. A região foi uma das primeiras colonizadas pelos portugueses no Brasil, quando da chegada de Martim Afonso de Sousa no litoral de São Paulo em 1532. Martim Afonso fundou, naquele ano, a primeira vila brasileira, São Vicente, da qual o território que pertenceria a Praia Grande foi parte até 1967.
No século XVI, Praia Grande, que estava estrategicamente localizada entre São Vicente e Itanhaém, foi caminho do padre José de Anchieta, quando este viajava para Itanhaém. Nessa época, a região do município era conhecida como "Praia da Conceição".
No século XVII, na região em que hoje se situam os bairros do Boqueirão e do Canto do Forte, formou-se um núcleo populacional de caráter essencialmente agrícola e surgiram a partir dessa época vários sítios ao longo da atual orla de Praia Grande e no núcleo populacional anteriormente citado. Estes sítios produziam produtos agrícolas e artesanais, vendidos nas vilas de Santos e São Vicente. O transporte da produção era feito ou em canoas que percorriam o Rio Piaçabuçu até o Porto do Piaçabuçu, no atual bairro de Caieiras, ou saindo de São Vicente e chegando a um porto, hoje localizado na atual região do Portinho.
No início do século XX, com a abertura da Fortaleza de Itaipu (1902), da Estrada de Ferro Santos-Juquiá (1912) e, principalmente, da Ponte Pênsil (1914), investidores imobiliários começaram a se interessar pela faixa de 22,5 km de praias contínuas, que mais tarde seria a cidade de Praia Grande, e os sítios começaram a ceder lugar aos primeiros loteamentos. Nessa época, os banhos de mar em Praia Grande eram recomendados com fins terapêuticos, para tratar da saúde, por conta da concentração de iodo, mas, com o passar do tempo, o banho de mar com fins terapêuticos foi perdendo importância.
Emancipação O movimento pela emancipação política de Praia Grande se iniciou na década de 1950, devido à infraestrutura precária da região, com falta de saneamento básico, escolas, transporte, hospitais, abastecimento de água, luz e vias de acesso, mas houve resistência por parte de São Vicente. Em 1963, foi realizado um plebiscito sobre a emancipação de Praia Grande, no qual a grande maioria da população votou a favor da emancipação.
Em 19 de janeiro de 1967, Praia Grande se desmembrou de São Vicente, tornando-se um município, e o engenheiro Nicolau Paal foi nomeado interventor federal no município, com a instalação provisória da prefeitura no Ocian Praia Clube. A primeira eleição municipal em Praia Grande foi realizada em 15 de novembro de 1968, tendo como prefeito eleito Dorivaldo Loria Júnior.
Desde a década de 1960, Praia Grande recebia o turista de um dia, que vinha à praia para se divertir no mar. Não havia infraestrutura turística para atender o número de turistas. Vários ônibus chegavam e ficavam ao longo da praia. As famílias traziam o que comer e não se importavam com o lixo que produziam, sujando a areia, o mar, as ruas e as praças.
Depois da emancipação, a cidade acelerou levemente o ritmo de crescimento experimentado desde a década de 1950, ganhando maior qualidade em seus serviços públicos, dada a proximidade do poder municipal com a realidade da população local. Na década de 1980, a cidade ganhou novo impulso para seu crescimento, com a inauguração da Ponte do Mar Pequeno (no trecho final da Rodovia dos Imigrantes), ligando a ilha de São Vicente à cidade, e resolvendo dois problemas de uma só vez: além de desafogar o trânsito na saturada Ponte Pênsil, a cidade ganhava uma ligação direta à capital, sem a necessidade de se passar pelas cidades de Santos e São Vicente, a fim de acessar a Via Anchieta, então a única opção para se chegar à capital. Assim, Praia Grande passou a ser o balneário mais próximo da capital.
No entanto, esta facilidade de acesso trouxe grandes inconvenientes, que viriam a ser solucionados a partir de 1993, quando a cidade iniciou uma verdadeira revolução: o sistema de transportes foi totalmente remodelado, mais de 90% das ruas foram pavimentadas, o esgoto iniciou uma expansão em coleta (que começou com 60% dos domicílios, com previsão de chegar a 100% até 2012), sendo tratado e arremessado a mais de 3 km da costa, a orla da praia e os principais pontos turísticos foram totalmente reurbanizados, proibiu-se a entrada de ônibus de excursões sem prévia licença da prefeitura, o sistema viário foi totalmente revisto e readequado (foi construída a Via Expressa Sul) e foi incentivado o turismo, o comércio e, principalmente, a construção civil, em intervenções que ocorreram até 2006.
Geografia thumb|esquerda|Praia do Caiçara.
Praia Grande faz divisa com os municípios de São Vicente (nordeste) e Mongaguá (oeste). Existem ainda limites marítimos com os municípios de Santos (Nordeste) e Guarujá (Leste), nas águas da Baía de Santos, que banha o extremo leste da cidade e se une ao Mar Pequeno através do Estreito do Morro dos Barbosas, onde fica a Ponte Pênsil.
O Rio Piaçabuçu, que nasce no centro geográfico da cidade (e serve de divisa com o município de São Vicente) desemboca no Mar Pequeno, transformando toda a Zona Leste de Praia Grande em uma península. O norte, noroeste e parte do oeste da cidade é serrano, onde a altura aumenta em direção ao norte, onde fica o planalto da capital. O restante da cidade é planície litorânea.
Praia Grande forma, junto com os municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Santos e São Vicente, a Região Metropolitana da Baixada Santista, criada pela Lei Complementar 815, de 30 de junho de 1996, tornando-se, assim, a primeira Região Metropolitana brasileira criada sem status de capital estadual. A região possui 1 765 927 habitantes, conforme atualização do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgado em 2013.
Praias Com 22,5 quilômetros de extensão, a costa de Praia Grande é dividida em 12 praias: Forte, Canto do Forte, Boqueirão, Guilhermina, Aviação, Tupi, Ocian, Vila Mirim, Vila Caiçara, Jardim Real, Balneário Florida e Solemar, sendo o centro da cidade no Boqueirão. Seu interior contém alguns mangues.Praia Grande agora tem 32 bairros
+PraiaExtensão da orlaInícioFimCanto do Forte 1 km Base militar Fortaleza de Itaipu Avenida ParisBoqueirão 670 m Avenida Paris Avenida São PauloGuilhermina 1,7 km Avenida São Paulo Rua Alberto Santos DumontAviação 1,85 km Rua Alberto Santos Dumont Rua CaribasTupi 1,55 km Rua Caribas Avenida OsascoOcian 1,7 km Avenida Osasco Avenida dos SindicatosMirim 1,56 km Avenida dos Sindicatos Rua Manoel F. OliveiraMaracanã 1,8 km Rua Manoel F. Oliveira Rua Santa Rita de CássiaCaiçara 3,25 km Rua Santa Rita de Cássia Rua Visconde de CairuReal 2,76 km Rua Visconde de Cairu Rua dos AlecrinsBalneário Flórida 2,28 km Rua dos Alecrins Rua Benedito LacerdaSolemar 2,5 km Rua Benedito Lacerda Divisa Praia Grande/Mongaguá
Clima O clima de Praia Grande é tropical úmido, sem meses secos, com verões quentes e invernos brandos, sendo o mês mais quente janeiro, com uma média de 25 graus Celsius e o mais frio é julho, com uma média de 19 graus Celsius.
Demografia thumb|Bairro Vila Guilhermina Até o início da década de 1990, a maior parte dos habitantes de Praia Grande morava junto à praia, concentrada principalmente na região compreendida entre a praia do Boqueirão, onde está localizado o centro da cidade, e a praia do Ocian. No entanto, a partir do meio dos anos 1990, o boom da construção civil, ocorrido graças a uma série de obras de infraestrutura, paisagismo e urbanização, que até então eram demasiadamente precários, acabou atraindo milhares de famílias para o município, em busca dos empregos oferecidos pelas empreiteiras e construtoras, causando um imenso inchaço populacional na região compreendida entre a atual Via Expressa Sul, a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega e a Serra do Mar, criando bairros periféricos, como Jardim Quietude, Ribeirópolis, Jardim Samambaia, entre outros. Hoje, já estão todos em via de urbanização, com escolas, creches, transporte público e pavimentação em grande parte de suas ruas, além de futuros investimentos de porte feitos pela prefeitura nesses locais, como os 16 milhões de reais que serão investidos no bairro periférico Glória, em sua completa reurbanização.
Em 2024, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estimou a população de Praia Grande em habitantes.
Evolução demográfica da cidade de Praia Grande
Dados populacionais - censo 2010 Fonte: IBGE População total: 262.051 hab.