O América Futebol Clube, mais conhecido como América, é um clube de futebol da cidade de Joinville em Santa Catarina, Brasil. Fundado em 14 de julho de 1914, possui como cores o vermelho e o branco. A equipe manda as suas partidas no Estádio Olímpico Doutor Sadalla Amin Ghanem.
Em 1976, o departamento de futebol profissional do clube fundiu-se ao do rival Caxias. Feito esse que deu origem ao JEC, uma das equipes mais vitoriosas do estado.
História
Fundação e o início
O América Futebol Clube foi fundado no dia 14 de julho de 1914, por um grupo de jovens entusiastas do futebol, modalidade de esporte já conhecida e praticada em outras cidades do Brasil. A fundação ocorreu na sala de espera do então Cinema Floresta, localizado na principal artéria de Joinville, a histórica Rua do Príncipe, em frente à lateral da Catedral Diocesana e ao lado da conhecida Farmácia Vieira. A história do clube oficializa como fundadores quatorze cidadãos, a saber: Pedro Firmino de Menezes, Lázaro Bastos, José Bonifácio da Silva, Jorge Mayerle, Domingos Grassani, Otto Stein, Manoel Miranda, Manoel Soares, Casimiro Silveira, Aristides Bechara, Willy Schaever, Frederico Corrêa Lenz, Rodolfo Zimmer, Bernado Wolff. A primeira Diretoria oficialmente eleita era formada por cinco dos quatorze fundadores e mais dois novos sócios do clube, a saber: Pedro Firmino de Menezes, Presidente; Lázaro Bastos, Vice-Presidente; José Bonifácio da Silva, 1º Secretário; Gerson de Menezes, 2º Secretário; Jorge Mayerle, 1º Tesoureiro; Casimiro Silveira, 2º Tesoureiro; Edgard Schnaider, Capitão Geral. As reuniões da Diretoria eram realizadas na sala de espera do Cinema Floresta, de propriedade de Austergílio de Menezes, irmão de Pedro Firmino de Menezes, o primeiro Presidente do clube curiosamente, dois pernambucanos da cidade de Floresta, que chegaram a Joinville atraídos pelo progresso industrial e crescimento do então jovem município, de apenas 63 anos, que fora fundado no dia 9 de março de 1851.
O estatuto do clube foi criado apenas no ano seguinte. De acordo com o documento, o América estava sendo criado para desenvolver o físico dos sócios por meio dos esportes em geral e particularmente pelo futebol; proporcionar aos sócios festas esportivas como jogos de futebol, saltos e corridas; organizar grupos de sócios do clube, formando diversos times; e realizar jogos estaduais e interestaduais.
Em 1915, foi quando o clube entrou pela primeira vez em campo para jogar futebol. Foram duas partidas contra o Theutônia, e o américa acabou derrotado em um dos confrontos e vitorioso no outro. Como ainda não havia campeonatos parecidos com os de hoje, em que as equipes se reúnem de forma estruturada, a saída para o novo clube era medir forças com os poucos times de Joinville e região.
Em 2 de maio daquele ano, o América recebeu em seu campo o Garibaldino, de São Francisco do Sul. Ao fim dos 90 minutos, a superioridade da recém-nascida equipe joinvilense se evidenciou no placar com a vitória por 4 a 0. No início do futebol na cidade, ainda sem nenhuma rivalidade constituída, as partidas eram tratadas como um evento social, em que parte da população se reunia para ir ao campo dos clubes e assistir ao esporte.
Em 14 de julho de 1915, após um ano em atividade, o clube havia conquistado o carinho de muitos joinvilenses, que compareciam aos finais de semana nos jogos no campo da rua do Mercado, onde hoje está localizado o Senai, na rua Coronel Procópio Gomes. Os jogadores treinavam semanalmente e eram comunicados pelo jornal impresso. A punição para a ausência sem justificativa, na época, era a cobrança de uma multa de 500 réis. Reincidentes eram expulsos do clube.
Expandindo os horizontes
Após três anos de disputa contra times de Joinville e região, o América decidiu expandir os limites e realizar seu primeiro jogo interestadual contra o , em 1918. O confronto terminou com a vitória do clube paranaense por 3–1. Foram diversos amistosos durante os dois anos seguintes até surgir o primeiro campeonato de futebol de Joinville em 1920. A competição não foi organizada por uma associação ou liga de futebol, como ocorre hoje. Naquela ocasião, os patrocinadores e viabilizadores do torneio foram os comerciantes.
Logo em sua primeira competição, o América mostrou sua força e conquistou o primeiro de muitos títulos que venceria nos anos seguintes de sua história centenária. A conquista veio após a vitória sobre o Operário por 3 a 1, no dia 29 de maio. Assim como no primeiro campeonato, os comerciantes locais ainda patrocinaram a competição joinvilense nos anos de 1922, 1923, 1926 e 1928. Em todas essas edições, o América saiu campeão.
O Campeonato Catarinense, que havia nascido em 1924 e era disputado apenas por equipes da Capital, abriu espaço para clubes do interior três anos depois. O América solicitou a filiação na Federação Catarinense de Desportos no mesmo ano, mas desistiu de participar.
Em 1925, com mais equipes do interior filiadas, a Federação criou etapas municipais para o torneio estadual. Com o título do citadino de 1928, o América poderia ter disputado a competição, mas assim como no ano anterior decidiu ficar de fora. Em 1930, América e Caxias decidiram o título municipal, mas por causa de confusões com a arbitragem entraram em campo em apenas uma das três partidas marcadas para a disputa da final.
A dupla desistiu de entrar na etapa estadual do Campeonato Catarinense, assim como outras equipes de cidades da região Norte de Santa Catarina. Ainda assim, a Federação declarou os americanos campeões de Joinville e os confirmou na terceira colocação na classificação final mesmo sem o time entrar em campo pela etapa estadual. O clube voltou a disputar o Campeonato Catarinense apenas em 1942, depois de 12 anos fora do torneio - nos anos anteriores, repetidas derrotas do título citadino para o Caxias deixaram o América fora da etapa estadual.
Naquele ano, o alvirrubro estreou no estadual com uma goleada por 5–1 sobre o Pery Ferroviário, que classificou o time para a semifinal. No jogo seguinte, derrotou o Brusquense por 3–1 e, pela primeira vez em 20 anos de fundação, garantiu vaga na grande decisão do Campeonato Catarinense.
O jogo que poderia render ao clube o seu primeiro título estadual não foi realizado porque o América desistiu da partida. Quatro jogadores serviam ao Exército e não puderam comparecer ao duelo. Sem aparecer, o América teve que acatar a decisão da Federação em homologar o campeão catarinense. No ano seguinte, as duas equipes se enfrentaram novamente na final do torneio e, pela segunda vez, o Leão da Ilha faturou o troféu.
Finalmente campeões
Em 1947, o América chegou novamente à final do campeonato catarinense após ser duas vezes vice-campeão quatro anos antes. O clube venceu o Operário de Mafra na semifinal e decidiu o campeonato contra o Palmeiras de Blumenau. A primeira partida foi disputada no campo do Caxias e terminou com a vitória dos joinvilenses por 3–1. Na partida de volta, em Blumenau, a vitória americana por 4–3 garantiu o título estadual para o América. Feito esse que igualou em número de títulos ao do rival Caxias, vencedor do torneio em 1929.
O América já havia se consagrado como um clube tradicional do Estado, mas a força do time e o respeito dos adversários cresceu ainda mais em 1948, com a conquista do bicampeonato estadual. Naquele ano, o regulamento mudou e a fase estadual foi disputada por quatro equipes no formato de quadrangular com turno e returno.
A estreia americana foi em janeiro de 1949, com uma derrota para a equipe da capital por 3–2. A recuperação começou no jogo seguinte com uma goleada por 8–2 sobre o Ipiranga. O resultado embalou o clube, que disputou outros quatro jogos, somando três vitórias e um empate.
Na decisão, América e Paula Ramos fizeram três partidas para definir o campeão estadual. No primeiro embate, derrota americana por 5–3, dentro de seus domínios. No confronto seguinte, o time joinvilense buscou a vitória na capital por 2–1.
Na terceira e última partida, os dois times empataram em 1–1, forçando a prorrogação. Por falta de iluminação no estádio, em Florianópolis, o jogo teve que ser concluído apenas no dia seguinte. Ao apito final do árbitro o placar mostrava 0–0 e a decisão do troféu de campeão teve que ser definida nos pênaltis, o resultado foi uma vitória americana por 4–3.
A fase era boa para a equipe da zona Norte de Joinville. No ano seguinte, conquistou o campeonato citadino e garantiu vaga para a fase estadual do Campeonato Catarinense. Para chegar à decisão, o time joinvilense teve que eliminar o Dom Pedro II, o Ipiranga e o Grêmio Araranguaense. Na grande final, o América defendia o bi-campeonato contra o Carlos Renaux. O time joinvilense venceu a primeira partida por 4–2, fora de casa. Na partida decisiva, no estádio Duque de Caxias, em Joinville, o América conquistou o empate em 2–2, resultado suficiente para levantar a taça de campeão.
O último título profissional
Foram 19 anos de espera para que os torcedores do América vissem o time levantar novamente a taça de campeão catarinense - o Caxias havia sido o último time da cidade a conquistar o bicampeonato, feito esse que aconteceu entre 1954 e 1955.
Em um formato totalmente diferente dos campeonatos estaduais dos quais havia se sagrado campeão anteriormente, o América realizou 24 jogos no Campeonato Catarinense de 1971. Foram 13 equipes em um sistema de pontos corridos em que todos se enfrentaram em turno e returno. A estreia agradou a torcida alvirrubra. Em Brusque, venceu o Carlos Renaux por 2–0. Na sequência, emplacou uma vitória pelo placar mínimo sobre o , na Capital. Foi a segunda de outras 15 vitórias que viriam nos próximos jogos.
Até a vigésima partida no torneio, o time joinvilense ainda não havia sido derrotado. O primeiro revés veio contra o , em Tubarão, onde fora derrotado por 1–0. Na partida seguinte, no dia 5 de setembro, a vitória sobre o por 4–1 no estádio Olímpico construíram o resultado que deu o título ao Galo da Zona Norte com duas rodadas de antecedência.
Nos anos seguintes, o clube joinvilense oscilou no campeonato estadual, alcançando a terceira colocação nas edições de 1973 e 1975, essa última sendo a despedida do Campeonato Catarinense.
A fusão de 1976
Em Joinville, a situação não era diferente do restante do Estado. Caxias e América não viviam uma boa fase nem dentro de campo e muito menos fora dele. Os dirigentes de América e Caxias, que passavam por crise financeira, reuniram-se com o apoio da imprensa e de parte dos torcedores para discutir uma solução.
A reunião definitiva ocorreu no Bar Palmeira, em frente à rua das Palmeiras, no centro de Joinville. Ali ficou decidida a junção dos departamentos de futebol dos dois clubes, que se concretizou em 29 de janeiro de 1976, com a criação da nova agremiação com a personalidade jurídica de Joinville e constituída também a sua primeira diretoria sob a presidência de Waldomiro Schützler. Surgia ali, o JEC.
O espírito de união em torno do novo time resultou em um início mais do que satisfatório para os torcedores, que viram o Joinville ser campeão catarinense já no seu primeiro ano de vida. Desde a fusão com o rival, o América construiu uma nova história, desta vez no futebol amador da cidade e do Estado. Uma história que já acumula um relevante número de títulos municipais e estaduais, e que mantém vivo o nome de um dos maiores vencedores do futebol de Santa Catarina.
Títulos ESTADUAIS Campetição Títulos Temporadas 30px Campeonato Catarinense 5 1947, 1948, 1951, 1952 e 1971 30px Campeonato Catarinense de Amadores 2 1995 e 1996REGIONAIS ESTADUAIS Campetição Títulos Temporadas 30px Copa Regional Norte Catarinense 4 2004, 2005, 2011 e 2013 MUNICIPAIS Campetição Títulos Temporadas border|20px Liga Joinvilense de Futebol 15 1942, 1943, 1947, 1948, 1951, 1952, 1953, 1989, 1993, 1994, 1995, 1997, 1999, 2011 e 2014
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