thumb|250px|halterofilismo é uma demonstração de força, potência e técnica O halterofilismo ou a halterofilia, levantamento de peso(s), ou ainda, levantamento de peso olímpico (LPO) é um desporto em que o atleta tenta levantar o maior peso possível, do chão até sobre a cabeça, num haltere ou numa barra em que são fixados pesos, em competição ou como forma de exercício.

Compete-se em duas modalidades: o arranco e o arremesso. Seu objetivo é desenvolver a força e potência muscular e também exige flexibilidade, coordenação, equilíbrio, concentração e precisão na execução técnica, com esforço sincronizado.

As primeiras competições organizadas de levantamento de peso começaram no final do século XIX; a Federação Internacional de Halterofilismo foi fundada em 1905 e instituiu as primeiras classes de peso.

O levantamento de peso é um dos esportes de força, cuja prática pode ser voltada para competição, diversão ou melhoria da saúde física, e o termo "halterofilismo" tem origem no grego haltēres, que se refere a "massas de chumbo usadas para exercícios em ginásios", combinada com o sufixo francês -philie (em português, -filia), derivado do grego phílos, que significa "amigo" ou "afinidade".Cunha, Antônio Geraldo da. Haltere. In: Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2. ed. rev. e acres. de um suplemento. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994, p. 403.Halterofilismo. In: ENCICLOPÉDIA Mirador Internacional. São Paulo: Encyclopædia Britannica do Brasil, 1994. v. 11, p. 5649.

História A prática do levantamento de peso remonta a civilizações antigas, com registros em diversas culturas. Pinturas no Egito Antigo, como as do túmulo do príncipe Bagti III (Império Médio, XI dinastia, 2040 a.C.), mostram exercícios semelhantes ao levantamento de pesos, enquanto gravuras sugerem o uso de sacos de areia em movimentos comparáveis ao "arremesso" moderno.

Na China, práticas de levantamento de peso datam de 3600 a.C., com destaque para o Período dos Estados Combatentes (770–221 a.C.). Nessa época, competições como o qiao guan e o kang ding eram populares. O qiao guan envolvia erguer uma pesada tranca de porta com uma mão, enquanto no kang ding levantava-se um recipiente de cozimento pelas alças.

A Grécia Antiga desempenhou um papel central no desenvolvimento do esporte e do halterofilismo. Por volta do século VIII a.C., as pólis, cidades-estado gregas, estabeleceram ginásios onde aristocratas buscavam a perfeição física, além de educação intelectual. Festivais atléticos anuais eram realizados em honra a deuses e heróis, atraindo competidores de diversas regiões.

Os gregos desenvolveram métodos organizados de treinamento com pesos, inicialmente utilizando pedras e, mais tarde, barras com sinos e esferas de metal, precursores dos halteres modernos. Levantamento de peso, embora não incluído nos Jogos Olímpicos, era praticado como exercício de força e terapia física. Atletas frequentemente competiam informalmente antes das competições olímpicas.

Roma Antiga herdou e adaptou essas práticas. Homens e mulheres treinavam com pesos, e arenas como o Coliseu exibiam feitos de força extraordinária. Galeno, um renomado médico romano, usava exercícios com pesos para terapia física. Essa tradição de valorizar a força física influenciou profundamente o desenvolvimento do halterofilismo moderno.

O levantamento de peso prosperou na Grécia e Roma antigas, mas perdeu destaque após a queda do Império Romano do Ocidente, sendo utilizado principalmente por guerreiros e como entretenimento. O escritor romano Flávio Vegécio descreveu o treinamento dos jovens legionários, que utilizavam espadas e escudos de peso dobrado para golpear estacas. Isso os preparava para manusear armas reais mais leves com maior segurança e rapidez. No século XIV, Gil de Roma enfatizou a importância do treinamento individual, afirmando que soldados sem prática e força física eram inúteis no combate. Ele destacou a prática regular como essencial para fortalecer o corpo, endurecê-lo contra dificuldades e promover a resistência necessária para a guerra. Durante o Renascimento, práticas de condicionamento físico e competições de levantamento de pedras ganharam popularidade, especialmente em países como Islândia e Escócia.

Outro exercício com pesos que remonta à Idade Média é o stone put na Escócia. Semelhante ao arremesso de peso, utiliza uma pedra redonda e áspera de 16 a 30 libras. O objetivo é lançar (ou arremessar) a pedra o mais longe possível. A variante suíça do stone put, conhecida como steinstossen, utiliza uma pedra muito mais pesada – 184 libras (83,5 kg). Um texto inglês de 1184 mencionou que cavaleiros "competiam no arremesso de pedras pesadas".

A palavra “dumbbells” originou-se na Inglaterra Tudor, onde atletas utilizavam badalos de sinos de igreja, que variavam em peso de algumas onças a muitos quilos, para desenvolver a parte superior do corpo e os braços. Os atletas removiam os badalos dos sinos, daí o termo “dumb”, no sentido de “silencioso”, e “bell” — formando “dumbbell”. Quando os homens fortes começaram a fabricar seus próprios equipamentos, mantiveram o nome, embora o formato tenha mudado. No século XVIII, o interesse pela força física e bem-estar ressurgiu, levando à reintrodução da educação física e ao desenvolvimento de aparelhos de exercícios. O treinamento focava força muscular e resistência. Homens fortes profissionais ganharam popularidade, realizando feitos impressionantes como dobrar ferro, levantar objetos pesados e quebrar correntes. Em meados de 1800, o halterofilismo, como o conhecemos hoje, começou a se desenvolver paralelamente em vários países da Europa Central e nos Estados Unidos. Esse período pode ser considerado o início do halterofilismo moderno.

As primeiras competições organizadas de levantamento de peso surgiram na Europa no final do século XIX. Em 1891, Londres sediou o primeiro Campeonato Mundial de Halterofilismo, com a participação de sete atletas de seis países. , da Inglaterra, foi o vencedor. Naquela época, ainda não existiam divisões por divisão de peso.

O levantamento de peso estreou nos Jogos Olímpicos modernos em 1896, em Atenas, como parte do programa desportivo. Na competição, seis atletas de cinco países disputaram duas modalidades: levantamento com uma mão e levantamento com duas mãos. Contudo, o esporte foi excluído dos Jogos Olímpicos de 1900, retornando em 1904 com novas provas, incluindo o levantamento com duas mãos e o haltere geral. Após essa edição, foi novamente retirado do programa.

thumb|180px|arranque com uma mão (1933)

Em 1905, a fundação da Amateur-Athleten-Weltunion, em Duisburgo, representou um marco importante. Essa organização, predecessora da Federação Internacional de Halterofilismo (FIH), regulamentava tanto o levantamento de peso quanto as lutas olímpicas (livre e greco-romana). Três categorias de peso foram estabelecidas, com variações ao longo do tempo. As competições internacionais passaram a incluir quatro provas: arranco com a mão esquerda, arranco com a mão direita, desenvolvimento com as duas mãos e arremesso com as duas mãos.

Em 1920, o halterofilismo foi reinserido nos Jogos Olímpicos de Verão e permaneceu no programa desde então. Inicialmente, as competições incluíam o arranco com uma mão e o arremesso com uma e duas mãos. Nos Jogos Olímpicos de 1924, o programa foi expandido para cinco provas: arranco com uma e duas mãos, arremesso com uma e duas mãos, e desenvolvimento com as duas mãos. Em 1928, nos Jogos de Amsterdã, foi introduzido o triplo levantamento, composto por desenvolvimento, arranco e arremesso, todos com as duas mãos.

thumb|180px|Desenvolvimento (1965)

O reconhecimento oficial de recordes mundiais no triplo levantamento ocorreu no Congresso da FIH em 1946, em Paris. Em 1969, durante o Campeonato Mundial em Varsóvia, foi introduzida a premiação com medalhas individuais para as provas de desenvolvimento, arranco e arremesso, prática que não se aplica aos Jogos Olímpicos. Ainda em 1969, a federação internacional adotou o nome Fédération Haltérophile International (FHI), e a Federação Europeia de Halterofilismo foi fundada.

Em 1972, a federação foi renomeada para International Weightlifting Federation (IWF), e o desenvolvimento foi excluído das competições devido a dificuldades de julgamento e questões de saúde. Desde então, o arranco e o arremesso tornaram-se os únicos movimentos oficiais do esporte.

O reconhecimento do halterofilismo feminino pela IWF ocorreu em 1983, com a criação de nove categorias de peso. Em 1986, em Budapeste, foi realizado o primeiro torneio internacional feminino, com 23 atletas de cinco países. No ano seguinte, Daytona Beach sediou o primeiro Campeonato Mundial de halterofilismo feminino.

Em 1989, o controle antidoping foi formalizado como requisito para validação de recordes mundiais. Em 1993, as categorias de peso foram reestruturadas, e todos os recordes anteriores foram anulados. Em 1996, o Comitê Olímpico Internacional aprovou a inclusão do halterofilismo feminino nos Jogos Olímpicos de 2000, com a condição de limitar o número total de atletas a 250. Em 1998, as categorias foram novamente reorganizadas, e foi realizado o primeiro Campeonato Mundial Universitário de Halterofilismo.

A inclusão das mulheres nos Jogos Olímpicos ocorreu em Sydney 2000; em 2009, o Campeonato Mundial Juvenil de Halterofilismo foi realizado pela primeira vez em Chiang Mai, e, no ano seguinte, o esporte foi integrado aos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura.

Organização estrutural

O esporte é regulado pela Federação Internacional de Halterofilismo, sediada em Lausanne. Afiliam-se à FIH cinco federações continentais, na África, América, Ásia, Europa e Oceania, e mais de 190 associações nacionais.

Competição As competições são organizadas para homens e mulheres. thumb|150px|Ilustração do arranco As competições são constituídas de três disciplinas, com dois movimentos-padrão: o arranque (ou arranco) e o arremesso, com as duas mãos; o somatório dos maiores pesos levantados, em cada uma das duas provas, determina o total combinado ou total olímpico e quem levantar mais peso, ganha. O total é mais importante do que as disciplinas individuais; o arranco é mais difícil do que o arremesso e neste é possível levantar mais peso do que no arranco.

Arranque O arranque é a primeira prova da competição e consiste em levantar a barra do solo até acima da cabeça em um único movimento contínuo e fluido. A barra é colocada horizontalmente à frente das pernas do levantador e é agarrada com as palmas das mãos voltadas para baixo, utilizando uma pegada ampla. O levantador puxa a barra da plataforma em um único movimento, dobrando rapidamente os joelhos novamente para posicionar-se sob a barra (geralmente entrando em uma posição de agachamento profundo com a barra acima da cabeça), de modo que ela fique sustentada sobre a cabeça com os braços completamente estendidos.

Em seguida, o levantador deve se erguer até a posição de pé, estabilizar-se por dois segundos e aguardar o sinal de "abaixar" dos árbitros. O sinal é dado assim que o levantador permanece imóvel em todas as partes do corpo. O arranco exige equilíbrio preciso, força e técnica apurada para ser executado corretamente.

thumb|150px|Ilustração do arremesso Arremesso O arremesso é um levantamento combinado realizado em duas etapas. Na primeira, o atleta levanta a barra do solo até apoiá-la na parte frontal dos ombros. A barra é posicionada horizontalmente à frente das pernas e segurada com as palmas das mãos voltadas para baixo, utilizando uma pegada com largura equivalente à dos ombros. O levantador puxa a barra do chão e, em seguida, dobra rapidamente os joelhos e os braços para posicionar o corpo sob a barra, "recebendo-a" na parte frontal dos ombros, geralmente em uma posição de agachamento frontal profundo. O movimento é finalizado quando o atleta se ergue até uma posição ereta, mantendo a barra apoiada nos ombros.