"Rain" é uma canção da cantora estadunidense Madonna, contida em seu quinto álbum de estúdio Erotica (1992). Foi composta e produzida pela própria em conjunto com Shep Pettibone. A sua gravação ocorreu em 1992, no Sound Works Studio em Nova Iorque. Após fundar a sua própria empresa de entretenimento multimídia e concluir as gravações do filme A League of Their Own, a intérprete deu início às sessões de gravação de Erotica. Para o disco, ela trabalhou principalmente com Pettibone, com o qual havia colaborado anteriormente na produção de remixes de suas faixas. Antes de a artista começar a filmar A League of Their Own em Chicago, o produtor havia desenvolvido uma fita com quatro obras instrumentais para que Madonna ouvisse. A partir destas, eles conceberam quatro canções, dentre as quais estava "Rain", com Madonna se encarregando das letras e Pettibone da música.

"Rain" foi lançada como o quinto single de Erotica em 6 de julho de 1992, através das gravadoras Maverick e Warner Bros., sendo disponibilizada em CD single, fita cassete, maxi single e vinil. Musicalmente, é uma balada pop de andamento moderado estilizada no formato adult contemporary, apresentando influências do trip hop e do new-age e instrumentação que inclui bateria e teclados. Liricamente, a canção compara a chuva ao efeito empoderador do amor, e com a habilidade da água para limpar e afastar a dor. Assim como as outras faixas do disco, o contato sexual também serve como uma possível interpretação da canção. "Rain" foi bem recebida por críticos musicais, que elogiaram sua produção os vocais de Madonna e sua composição suave em comparação com as outras músicas de Erotica, selecionando-a como um destaques do disco.

Em termos comerciais, "Rain" atingiu a vice-liderança no Canadá e as vinte melhores posições na Austrália, na Irlanda, na Itália, na Nova Zelândia, no Reino Unido, na Suécia e na Suíça. Nos Estados Unidos, obteve a 14.ª colocação como melhor na Billboard Hot 100 e a sétima na Pop Songs e na Adult Contemporary. O vídeo musical correspondente foi dirigido por Mark Romanek e estreou em 21 de junho de 1993 na MTV. Colorizado manualmente com tons azuis, retrata Madonna interpretando a canção na frente de diferentes cenários. A produção foi apreciada criticamente por sua inovação e cinematografia, vencendo os troféus de Best Art Direction e Best Cinematography nos MTV Video Music Awards de 1993. Madonna apresentou a faixa na turnê The Girlie Show World Tour (1993), com uma versão remixada sendo usada em um interlúdio da Sticky & Sweet Tour (2008-09). Vários artistas regravaram a obra, incluindo as vocalistas de apoio de Madonna, Niki Haris e Donna De Lory.

Antecedentes e lançamento thumb|left|O interlúdio em vídeo de "Rain" durante a Sticky & Sweet Tour (2008-09), apresentando o duo de dança japonês Hamutsun Serve. Em 1992, Madonna fundou sua própria empresa de entretenimento multimídia, a Maverick, constituída de uma gravadora Maverick Records, uma produtora de cinema (Maverick Films), e publicação de música associada, transmissão televisiva, publicação de livros e divisões de merchandising. Os primeiros projetos da empresa foram o quinto álbum de estúdio da cantora, Erotica, e um livro de fotografias apresentando Madonna, intitulado Sex. Para o álbum, a intérprete trabalhou principalmente com o produtor Shep Pettibone. Pettibone começou a trabalhar com a artista na década de 1980, realizando remixes de várias de suas faixas. Além dele, Madonna selecionou o produtor André Betts, que havia co-produzido "Justify My Love", de seu álbum de grandes sucessos The Immaculate Collection. A musicista disse que se interessou em trabalhar com os produtores devido à habilidade deles de permanecerem conectados ao submundo da dança, comentando: "Eles vieram de extremos opostos do espectro, em termos de estilo musical e abordagem à música, mas ambos estão conectados às ruas e ainda são jovens e famintos".

De acordo com Pettibone, em um artigo intitulado "Erotica Diaries", publicado na revista Icon de Madonna, ele produziu uma fita com quatro músicas, para que a intérprete as ouvissem antes de viajar para Chicago, onde ela estaria filmando A League of Their Own. Ela ouviu as canções e aprovou todas. Após a conclusão das filmagens, eles se encontraram em Nova Iorque, e começaram a trabalhar juntos no álbum em novembro de 1991, dando início às gravações. Inicialmente, a agenda deles estava esporádica. A dupla estava no estúdio por uma semana, e Madonna viria a trabalhar com Steven Meisel nas sessões fotográficas de Sex, por duas semanas. Ocasionalmente, ela também se reunia com Betts. O primeiro conjunto de faixas trabalhada por Madonna e Pettibone foi "Erotica", "Deeper and Deeper", "Rain" e "Theif of Hearts"; ela se responsabilizava pelas letras, e ele trabalhava na música. Segundo o produtor, a cantora preferia estar no controle do processo de composição porque "as músicas dela são as histórias dela. São coisas que ela quer dizer". "Rain" foi inicialmente escrita por Madonna para uma versão musical dirigida por Alek Keshishian baseada no filme Wuthering Heights (1939).

"Rain" foi lançada como o quinto single de Erotica em 6 de julho de 1993. Nos Estados Unidos e no Canadá, serviu como a quarta faixa de trabalho, uma vez que a anterior, "Fever", não foi lançada comercialmente nesses países. O lançamento apresentou uma faixa inédita, "Up Down Suite", que é uma versão dub de 12 minutos de "Goodbye to Innocence", uma canção descartada das gravações do disco. Esta versão do single também inclui um remix feito por Danny Saber da faixa "Waiting", presente no álbum e que apresenta um rap de Everlast. No Reino Unido, sua distribuição incluiu como lado B "Open Your Heart", lançada por Madonna como single de True Blue em 1986, que estava sendo usada em um comercial de carros da Peugeot na época. "Rain" foi posteriormente incluída na coletânea de baladas de Madonna Something to Remember (1995), não estando em presente em qualquer outra compilação desde então.

Gravação e composição

Composta por Madonna e Shep Pettibone, "Rain" foi gravada entre 1991 e 1992 nos Sound Works Studio, em Nova Iorque, juntamente com "Erotica", "Deeper and Deeper" e "Thief of Hearts". Pettibone também encarregou-se do sequenciamento e da programação da faixa, além de ter tocado teclados. P. Dennis Mitchell e Robin Hancock se responsabilizaram pela engenharia de gravação, Goh Hotoda trabalhou na engenharia de mixagem e Tony Shimkin — que também colaborou em outras faixas do disco — forneceu a programação de bateria.

Com duração de cinco minutos e vinte e quatro segundos (5:24), "Rain" é uma balada pop com influências do trip hop e da música new age. Estilizada no formato adult contemporary, é sonoramente mais "gentil" do que os outros singles de Erotica. De acordo com a bateria publicada no Musicnotes.com pela Alfred Music Publishing, a canção foi composta no tom de mi bemol maior e possui um ritmo moderado de 92 batidas por minuto. Inicia-se com Madonna proferindo "Eu sinto, está vindo", seguida pela progressão harmônica de mi sustenido maior2, lá bemol maior6/9 e si sustenido maior no refrão e de lá bemol, si sustenido e mi sustenido nos versos. Uma corda em dó menor com som obscuro e um chimbau acompanham os vocais de Madonna, que são interpretados em seu registro mais baixo. O arranjo da obra captura elementos turbulentos associados à chuva (como o trovão), facadas orquestrais que invocam raios nítidos e uma ponte ascendente guiada por rosnados de guitarra elétrica. Uma mudança de tom ocorre perto do fim, de si bemol maior para dó maior, seguida por duas partes palavras e uma harmonia acompanhando-as. A coda possui outra melodia a acompanhando, e a canção termina em um refrão grupal sem as harmonias.

Liricamente, Madonna compara a chuva com sentimentos do amor. Assim como a chuva limpa a sujeira, o amor lava as tristezas do passado, deixando uma pessoa e sua parceira focando em seus sentimentos do presente. Rhciard Harrington, do The Washington Post, descreveu "Rain" como "uma balada otimista similar às de Peter Gabriel na qual a água é uma metáfora para o amor ('Limpe minha tristeza, leve minha dor embora'". De acordo com Stephen Sears, do portal Idolator, "os sintetizadores se turbo-comprimem em 2:46 em meio a um middle eight elegante que apresenta Madonnas duelantes recitando linhas de poesia dos canais esquerdos e direitos [toque-a em fones de ouvido]. "Pela pura força de vontade / Eu lhe levantarei do chã", ela diz levemente, "E sem nenhum barulho, você aparecerá e se renderá para mim, para amar". Sal Cinquemani, da Slant Magazine, opinou que em termos líricos as baladas de Erotica estão principalmente conectadas ao sexo, argumentando que alguns possam até mesmo perceber "Rain" como uma metáfora estendida para a ejaculação.

Análise da crítica Após o lançamento, "Rain" recebeu um feedback geralmente positivo. Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, chamou "Rain" entre "as melhores e mais realizadas músicas de Madonna". Jose F. Promis, da mesma mídia, creditou a música por ter "aberto o caminho para a Madonna" mais suave "surgir em meados dos anos 90". Arion Berger, da Rolling Stone, descreveu a música como uma "balada ansiosa". Tony Power, do Blender, a escolheu como uma das faixas de destaque do Erotica. Sal Cinquemani, da Slant Magazine, escreveu: "As harmonias raramente reconhecidas de Madonna deslizam sobre as batidas geladas, trovões de percussão e o zumbido no céu da sonora 'Rain'". Richard Labeau, da Medium, considerou 'uma das melhores baladas da carreira de Madonna que nunca teve a atenção ou respeito que merecia (provavelmente porque ele foi lançada em meio a etapa mais controversa de sua carreira)'. Annie Zaleski, do The A.V. Club, afirmou que "Rain" estabeleceu Madonna como "uma deusa sensual da Nova Era". Stephen Holden, do The New York Times, descreveu como "uma canção de amor feliz e de coração aberto". Paul Verna, da Billboard, chamou a música de "uma adorável balada pop". Em uma crítica separada do single na revista, Larry Flick escreveu:

Um momento lindo e romântico [de Madonna], muito subestimada, Erotica opus. Uma base rima lenta e sedutora, cercada por sintetizadores em cascata e brilhantes, inspira um vocal doce e encantador. Embora não seja tão liricamente ousada quanto a anterior "Bad Girl", esta é uma música maravilhosamente construída e memorável, que merece tanta atenção (e airplay) quanto pode atrair.

Escrevendo para o The Huffington Post, Matthew Jacobs colocou a faixa no número 43 de sua lista "O Ranking Definitivo de Singes de Madonna" e sentiu que a faixa era um desvio dos lançamentos "carnais" anteriores de Erotica; "Não é muito distinto das outras baladas lançadas por Madonna no início dos anos 90, mas há o refrão sensual com o tom edificante 'Aqui vem o sol'". Stephen Sears, do site de música Idolator, chamou a música como "a única expressão de puro amor do álbum", que "revisita a paisagem sonora oceânica de sua épica balada de 1986, "Live To Tell". Charles Aaron, da Spin, escreveu que a música "funciona em um cenário atemporal e doloroso: nossa heroína espera no topo de uma montanha por amor para lavar sua tristeza". Scott Kearnan, do site Boston.com, sentiu que a música é um exemplo de "o que ela não tem na técnica [de cantar] que ela sempre tentou compensar com seriedade". Ele também elogiou o fraseado dela, dizendo que "Madonna canta como se ela acreditasse em todas as palavras".