O Bacacheri é um bairro do município brasileiro de Curitiba, capital do Paraná. Localiza-se na subprefeitura do Boa Vista, sendo que está situado na região nordeste do município. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2010 era de 23 734 habitantes, cujo valor representava 1,4% do total do município e estava distribuído em uma área de 6,98 km². É famoso por abrigar o Aeroporto de Bacacheri, que realiza vôos domésticos para outros estados brasileiros.
Os primórdios do bairro estão associados ao estabelecimento, nessa região, da Colônia Argelina de imigrantes, em 1869. A colônia ganhou essa denominação porque a maior parte dos seus membros era formada por franceses oriundos da Argélia, havendo também alemães, suíços, suecos, ingleses e, mais tarde, italianos. O bairro cresceu e se desenvolveu, e isso teve ligação, nos princípios, com o trânsito em direção à estrada da Graciosa, que originou os inúmeros estabelecimentos comerciais e os serviços públicos. O Parque dos Ingleses é atração principal na história do bairro.
No bairro se localiza a Ordem Rosa Cruz e nele o museu egípcio o qual tem objetos da cultura egípcia antiga e uma múmia. Muitas pessoas confundem a Ordem Rosa Cruz com a Maçonaria, porque essas duas sociedades secretas têm filosofias semelhantes.
O bairro é sede de importantes pontos de referência, conforme já citados anteriormente, são eles o Aeroporto do Bacacheri, o Parque General Iberê de Mattos, o Cindacta II e a Ordem Rosa Cruz. As mais importantes vias públicas do bairro são a Avenida Prefeito Erasto Gaertner, a Avenida Francisco Albizu, a Rua Cláudio Chatagnier, a Rua Fagundes Varela, a Rua Paulo Ildefonso Assumpção, a Rua México, a Rua Nicarágua, a Rua Marcelino Nogueira e a Rodovia Régis Bittencourt.
Etimologia
Segundo o historiador e urbenauta Eduardo Emílio Fenianos (2000, p. 9), da editora UniverCidade, a primeira menção à denominação do bairro Bacacheri se encontra em um documento de 1778, o qual se refere a uma escritura pública de cessão de um terreno na paragem da Vila Velha, no Atuba. Já em 1820, em um registro do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, se diz o seguinte: “… e parei num pequeno sítio denominado Bacacheri, nome derivado das palavras guaranis vaca e ciri, “vaca que escorregou”..
Segundo o historiador Ermelino de Leão, o termo vem da língua tupi e tem o significado de rio pequeno, em alusão ao rio Bacacheri, que atravessa o bairro. Mas, a história conhecida pela maior parte das pessoas, é uma referência aos imigrantes que chegaram a Curitiba em meados do século XIX. Naquela época, se falavam diversos vernáculos na cidade. Na experiência de adquirir domínio da língua do novo país, esses imigrantes produziram situações irônicas as quais começaram a pertencer ao folclore da cidade. Uma delas relata que um dos antigos imigrantes e colonizadores franceses da região possuía uma vaca de estimação denominada Chèrie (querida, em francês), que, em algum momento, sumiu. O dono partiu em busca de seu animal e teria perguntado a todos caso não tenham avistado sua “Vaca Chèrie”. O sotaque possibilitou que vaca fosse compreendida como “baca” e o “Chèrie” “cheri”, fazendo com que o local fosse chamado o da “baca cheri”, isto é, Bacacheri.
Outra versão, parecida com a primeira, que também envolvia imigrantes, alude ao mesmo animal. Essa versão se refere à denominação do bairro Bacacheri ao apreço de um produtor rural francês por sua vaquinha. Quando se referia ao animal, o homem teria dito minha “baca cherri”. Num linguajar confuso, “baca” significaria “vaca” e “chèrie” é o termo francês que quer dizer “querida”. A combinação de fonemas teria criado o nome Bacacheri.
Essas versões, embora fossem preservadas e passadas de geração em geração, são comprovadas com embasamento em fatos históricos. Em conformidade com a documentação, a denominação Bacacheri foi elaborada quase um século anterior à chegada desses imigrantes e certamente o que deve ter acontecido é uma forma afrancesada de “vacaciri” para Bacacheri, porque os imigrantes franceses colonizaram o bairro.
História
left|thumb|Portal da Estrada da Graciosa.
Conforme o IPPUC (1975), a então estrada da Graciosa (atual avenida Prefeito Erasto Gaertner), tradicional trilha que conectava Curitiba ao litoral do Paraná, já atingia o tradicional Bacacheri no século XVIII. Muitos viajantes trafegavam em direção a Paranaguá, e isso possibilitou a instalação do comércio e de serviços, que conduziu ao crescimento, e o estabelecimento de residentes nessa região. Há uma ata da Câmara Municipal, com data de 1858, que menciona a solicitação de uma área de cinquenta braças de terra no caminho que interliga Bacachery a Cajuru. A estrada da Graciosa passou a receber melhoramentos desde meados do século XIX de maneira a facilitar o tráfego. Os primórdios do bairro estão relacionados com a criação, em 1869, da Colônia Argelina, constituída, em boa parte, por imigrantes franceses oriundos da Argélia, que se estabeleceram perto da estrada da Graciosa. Mas a colônia não se desenvolveu.
right|thumb|280px|Antigo quartel do 5.° Regimento de Aviação, sede atual do CINDACTA II.
No princípio do século XX, no Bacacheri, prevaleciam chácaras e propriedades rurais conquistadas com a pecuária. Em 1932, foi criado o Aeroclube do Paraná e em 1937, um complexo militar foi erguido para comportar o 5.º Regimento de Aviação, que estava subordinado, nesse momento, ao Ministério da Guerra. Em 1941, foi fundado o Ministério da Aeronáutica e o 5.º Regimento de Aviação se tornou o destacamento da Base Aérea de Curitiba, situado no Bacacheri. Em 1947, o bairro Bacacheri foi demarcado pelo Decreto n.º 175 da prefeitura de Curitiba, com a autorização do Conselho Administrativo do Estado. O tradicional Bacacheri se estendia até a superfície dos atuais bairros Jardim Social e Bairro Alto. Por intervenção de uma lei municipal de número 5541, datada de 1967, foi estabelecido o distrito do Bacacheri.
Geografia
O Bacacheri é o vigésimo-segundo maior bairro em extensão territorial de Curitiba e está localizado no nordeste do município, mais precisamente na subprefeitura do Boa Vista. A área do bairro, segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), é de 6,98 km², 698,10 hectares e 6 981 000 m². Situa-se a 25°24'03" de latitude sul e 49°13'41" de longitude oeste e está a uma distância de 3 140 metros a nordeste do marco zero de Curitiba. Seus bairros limítrofes são Tingui e Santa Cândida, a norte; Jardim Social e Hugo Lange a sul; Bairro Alto a leste; Boa Vista e Cabral, a oeste.
O bairro é demarcado pelo decreto municipal nº 774, de 1975 da seguinte forma: começa no ponto de encontro da Rua Cel. Romão R. O. Branco com a Av. Nossa Sra. da Luz. Continua na Av. Nossa Sra. da Luz, Estrada de Ferro Curitiba - Rio Branco do Sul, Av. Paraná, Ruas Fernando de Noronha, 29 de Junho, Miguel Jorge, rua sem nome, ponto inicial da Avenida Prefeito Erasto Gaertner. final da Av. Monteiro Tourinho paralela ao Rio Bacacheri, rua sem nome do conjunto Solar, Marginal da BR-116, Av. Edegard Stelfeld, Ruas Osório Duque Estrada, Langue de Morretes, Cel. Temístocles de Souza Brasil, Cel. Romão R. O. Branco, até onde começa.miniaturadaimagem|Rio Bacacheri.|left
No Bacacheri há grande variação de altitude, sendo que o bairro é cercado por altos morros na metade sul, nos extremos norte e leste, e as maiores altitudes estão no extremo oeste. A altitude máxima chega aos 950 metros e a altitude mínima se encontra no Conjunto Residencial Solar, com 895 metros. A leste e norte da localidade passa o Rio Bacacheri, que pertence à Bacia do Atuba-Bacacheri, onde o principal acidente geográfico empresta seu nome ao bairro. O Bacacheri é banhado pelo rio do mesmo nome que nasce no bairro de Cachoeira e desagua no Rio Atuba. Passando por vários outros bairros de Curitiba, como o Tarumã, o Bairro Alto, o Tingui, o Boa Vista, o Santa Cândida, o Barreirinha e o Cachoeira. Os afluentes do rio Bacacheri existentes no território do bairro do mesmo nome são o Córrego Duque de Caxias, o Córrego do Material Bélico e o Rio Tarumã. Atualmente o rio Bacacheri sofre com muitos resíduos, na maioria de origem residencial. Exemplificando, no ano de 2007 se realizaram três limpezas no rio Bacacheri e se retiraram ao todo 1500 quilos de resíduos, entre os mais importantes: sacolas plásticas, madeira, embalagens, garrafas pet, resto de comida, etc.
Demografia
miniaturadaimagem|direita|Vista parcial do Bairro Bacacheri com a zona residencial.
Em 2010, a população do bairro foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes, sendo comparável a cidades paranaenses como Itaperuçu, Cambará, Piraí do Sul, Santa Helena e Ortigueira. Dentre os 75 bairros que Curitiba se subdivide, o Bacacheri não estava sequer entre os 10 mais populosos, englobando 1,46% da população municipal. A área ocupada pelo Bacacheri era de 6,98 km², sendo então a densidade demográfica de habitantes por km².
Dos habitantes, eram homens (46,5% do total) e mulheres (53,5%). A razão de sexo era de 86,85. Dentre os homens, a faixa etária predominante era a de pessoas que tinham entre 25 e 29 anos, que envolvia 4,2% do total. Entre as mulheres esta também é a que predomina, reunindo 4,58% do total da população do sexo feminino. Ainda segundo o IBGE, no ano de 2010 havia no total domicílios.
miniaturadaimagem|esquerda|Sede da Grande Loja de Jurisdição de Língua Portuguesa da AMORC.
Segundo divisão feita pela Igreja Católica, o bairro, assim como o distrito e município, está situado na Arquidiocese de Curitiba. Curitiba é a sede da arquidiocese do mesmo nome, que compreende outros onze municípios e 136 paróquias. O Bacacheri é atendido por três paróquias e um santuário: a Paróquia de São Pedro e São Paulo, no Tingüi; a Paróquia de Santo Antônio, no Boa Vista; a Paróquia do Senhor Bom Jesus, no Cabral; e o Santuário Nossa Senhora da Salette, no Jardim Social.Arquidiocese de Curitiba
Também há os mais diversos credos protestantes, reformados e outros, como a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, o Espiritismo, a Igreja Congregacional, a Igreja Messiânica Mundial, a Seicho-No-Ie, a Igreja Evangélica Avivamento Bíblico, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Igreja Presbiteriana Independente, a Igreja Batista, e a Igreja Metodista, entre outras. Existem ainda cristãos de várias outras denominações, tais como as Testemunhas de Jeová e os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecida como Igreja Mórmon.
Infraestrutura
Saúde e educação
miniaturadaimagem|direita|Escola Municipal Jaguariaíva, localizada no Conjunto Residencial Solar.
Não há nenhum hospital localizado no bairro, existindo apenas cinco unidades de saúde, dentre as quais podemos citar a Unidade Municipal de Saúde do Bacacheri e a Unidade de Saúde Boa Vista, assim como todas as existentes em todo o município de Curitiba, são administradas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), oferecendo atendimentos e consultas básicas à população e serviços de enfermagem, além de servirem como posto de vacina durante campanhas de vacinação. Eventualmente as unidades organizam palestras e campanhas educativas com foco à área da saúde. Na área da educação, o bairro conta com apenas cinco instituições de ensino: um colégio público estadual, um colégio particular, uma escola pública estadual e duas escolas municipais: o Colégio Estadual Leôncio Correia, o Colégio Nossa Senhora do Rosário, a Escola Municipal Jaguariaíva e a Escola Municipal Eny Caldeira.
Serviços, comunicações e segurança pública
miniaturadaimagem|esquerda|20º Batalhão de Infantaria Blindado.