O ácido láctico, ou lático (do latim lac, lactis, leite), é um composto orgânico de função mista ácido carboxílico - álcool que apresenta fórmula molecular C3H6O3 e estrutural CH3 - CH ( OH ) - COOH. Participa de vários processos bioquímicos, e o lactato é a forma ionizada deste ácido. Foi descoberto pelo químico sueco Carl Wilhelm Scheele, no leite coalhado.

Pela nomenclatura IUPAC é conhecido como ácido 2-hidroxipropanóico ou ácido α-hidroxipropanóico.

O lactato proporciona uma valiosa fonte de energia química que se acumula como resultado de exercícios físicos intensos, quando a respiração aeróbia não da conta da demanda para geração de energia. Normalmente, o organismo degrada a glicose presente no nosso corpo juntamente com o oxigênio proveniente da respiração, produzindo energia. Entretanto, se o esforço desempenhado pela pessoa está acima da sua condição física,o organismo começa a quebrar glicose sozinha e produzir ácido lático. Quando essa molécula se encontra em excesso nos músculos (na qual ela é muito mais formada do que eliminada) causa cansaço e dores musculares.

Propriedades O ácido láctico apresenta isomeria óptica:

Dextrógiro: d-ácido lático Levógiro: ℓ-ácido lático Racêmico: d,ℓ-ácido lático

Físicas Os isômeros d e ℓ desviam o plano de vibração da luz polarizada. Densidade = 1,206 g/mL Ponto de fusão: O racêmico funde a 18 °C e os d e ℓ fundem a 28 °C. Ponto de ebulição: O racêmico entra em ebulição a 122 °C.

Obtenção Fermentação láctica A partir do açúcar do leite (lactose) com o Bacillus lactis acidi. A partir do amido, açúcar da uva (glicose) ou açúcar da cana (sacarose) utilizando o Bacillus Delbrücki. A partir do melaço, geralmente utilizando bactérias do gênero Lactobacillus sp.

A obtenção de ácido lático com enzimas ou micro-organismos vivos pode produzir os isômeros destrógiro ou levógiro, dependendo da enzima envolvida no processo.

Agentes As bactérias láticas são os microrganismos utilizados na produção dessa moléculas e podem ser classificadas em dois tipos a partir do produto formado: Homofermentativas e Heterofermentativas.

Além do mais, possuem características marcantes como sendo Gram-positivas, não sintetizam ATP por vias respiratórias (microaerofílicas), são incapazes de sintetizar hemeproteínas, não esporulam e apresentam colônias pequenas e apigmentadas.

Homofermentativas Classificada assim por produzir somente ácido lático, sendo os primeiros estágios da via metabólica da fermentação lática os mesmo da fermentação alcoólica. Forma o ácido pirúvico como intermediário e rende 2 moles de ATP (adenosina trifosfato) por cada mol de glicose.

Heterofermentativas A fermentação da glicose resulta em vários produtos (como ácido lático, oxalacético e fórmico), degradando o açúcar pela via oxidativa das pentoses fosfato. Forma o ácido pirúvico e o aldeído acético como intermediários e produz 1 ATP por mol de glicose.

Reação química em laboratório Reagindo o etanal com uma mistura de cianeto de sódio e ácido sulfúrico:

CH3 - COH + HCN ( NaCN + H2SO4 ) → CH3 - CH ( OH ) - COOH

A obtenção que não envolve enzimas produz, geralmente, o ácido lático racêmico.

Ocorrência É encontrado no suco de carne, leite azedo, nos músculos e em alguns órgãos de algumas plantas ou animais.

Aplicações e usos Alimentação de crianças, como Yakult. Como purgante, na forma de lactobacilos de cálcio ou lactato de magnésio. Removedor de sais de cálcio. Como mordente. Curtimento de peles. Matéria-prima em sínteses orgânicas. Como monômero do poliácido láctico. Fabricação de polímeros (biodegradáveis, termoplásticos e transparentes). Acidulante em produtos alimentícios. Na forma de lactato, muito utilizado na indústria farmacêutica e de cosméticos,.

Ligações externas

Como controlar o Ácido Láctico: combatendo a fadiga muscular

Acido lactico Lactico Categoria:Aditivos de número E Categoria:Conservantes