Resultados do Grande Prêmio de San Marino de Fórmula 1 realizado em Imola em 13 de maio de 1990. Terceira etapa do campeonato, foi vencido pelo italiano Riccardo Patrese, piloto da Williams-Renault, com Gerhard Berger em segundo pela McLaren-Honda e Alessandro Nannini em terceiro pela Benetton-Ford.
Resumo Máquinas e pilotos na pista Aproveitando a abertura da temporada europeia, sete equipes de Fórmula 1 apresentam novos bólidos no Autódromo de Ímola, sendo que a maioria deles traz modificações no bico, nas asas e na suspensão, além de um novo motor. Neste grupo encontram-se Ferrari, Benetton, Tyrrell, Brabham, Minardi, Lola e AGS, esta a única a falhar na pré-classificação, enquanto Brabham e Minardi teriam apenas um piloto no grid. No caso da Brabham uma ironia: o responsável pelo desfalque do time foi o estrante David Brabham, filho caçula do tricampeão Jack Brabham, fundador da equipe. Para a Minardi o motivo de sua ausência foi o forte acidente sofrido por Pierluigi Martini na sexta-feira ao bater forte na saída da Acqua Minerali, motivado, segundo ele, pela sujeira na pista. Diagnosticado com fissuras no calcanhar, foi atendido pelo serviço médico e a seguir deixou o autódromo, desfalcando a Minardi.
Substituído por David Brabham, o suíço Gregor Foitek foi contratado para o lugar de Stefan Johansson na Onyx enquanto Emanuele Pirro retornou à Dallara após recuperar-se de uma hepatite virótica. Menos sorte teve Gary Brabham (irmão de David Brabham), dispensado pela equipe Life em prol do veterano Bruno Giacomelli, ausente da Fórmula 1 desde o Grande Prêmio da África do Sul de 1983. Quanto ao acidente envolvendo Pierluigi Martini ocorreu num momento onde Gerhard Berger e Ayrton Senna alternavam-se em primeiro lugar nos treinos e nessa contenda o austríaco foi mais veloz. Por outro lado, a sexta-feira em Ímola foi de sustos para a Ferrari de Nigel Mansell, o qual foi atrapalhado por Olivier Grouillard em sua Osella e teve que subir numa zebra para não atingir o piloto e francês e algum tempo depois viu a Minardi de Paolo Barilla atravessar a pista de forma descontrolada à sua frente na Piratella.
Um acidente envolvendo Roberto Moreno no treino livre de sábado atrasou a derradeira sessão de classificação em quase meia hora. O piloto estava a 280 km/h, rodou num ponto de freada e perdeu o controle de sua Eurobrun na curva Tamburello, bateu, girou e viu o carro despedaçar-se a cada pancada que sofria. Mesmo com dores de cabeça e o ligamento do joelho esquerdo machucado, ele retornou à pista, mas não melhorou o tempo do dia anterior, razão pela qual largou em vigésimo quarto. Na parte dianteira do grid, Senna e Berger foram os únicos a rodar abaixo de um minuto e vinte e quatro, mas o dono da pole position só foi conhecido quando Ayrton Senna cravou 1:23.220 deixando Berger em segundo lugar. Dono de mais um recorde, pois tornou-se o único piloto a marcar o maior número de poles num mesmo circuito (seis desde 1985), o brasileiro duvidou do próprio feito. "Quando o pessoal nos boxes me sinalizou com 1:23., eu pensei que havia algum erro, que eles tinham cronometrado mina passagem por ali e não na linha de chegada, cem metros adiante. Mas era pra valer".
Quem observou o grid de largada ao final do treino pode ter pensado que o mesmo não foi definido pelo cronômetro, mas sim feito a mão, pois nele Ayrton Senna e Gerhard Berger estavam na primeira fila representado a McLaren, com as Williams de Riccardo Patrese e Thierry Boutsen vindo a seguir enquanto a Ferrari amargou a terceira fila com Nigel Mansell e Alain Prost. Tal simetria foi quebrada pelo sétimo lugar de Jean Alesi em sua Tyrrell "nariz de tubarão", atrás de quem ficaram as Benetton de Nelson Piquet e Alessandro Nanini, assim como as Lotus de Derek Warwick e Martin Donnelly.
O fim de um longo jejum Ayrton Senna manteve-se na liderança com sua McLaren à frente da Williams de Thierry Boutsen na hora da largada enquanto Gerhard Berger conservou Riccardo Patrese atrás de si, mas tal configuração mudou após três voltas quando, na Rivazza, o carro do piloto brasileiro travou, perdeu o controle e saiu da pista. Quem acompanhou pela televisão teve a impressão de um pneu furado, contudo Senna levantou a hipótese de uma roda quebrada, algo que foi confirmado pela McLaren. "Logo na largada, senti que alguma coisa estava errada. Deu para pegar a liderança, mas o carro estava estranho, estava se mexendo, sem estabilidade", afirmou Senna. A essa altura Emanuele Pirro já havia rodado rodou com a Dallara pouco depois de Satoru Nakajima sair da pista e bater sua Tyrrell no muro de proteção, mas não sem antes atingir a Leyton House de Ivan Capelli e em meio ao caos Roberto Moreno abandonou, pois a tomada de ar de sua Eurobrun foi obstruída pela poeira levantada após os incidentes descritos.
Com a quebra do líder, o primeiro lugar caiu no colo de Boutsen, com Berger e Patrese vindo a seguir. No quinto giro um toque entre Alesi e Piquet, causado por um erro do francês ao calcular o ponto de freada, afetou a Benetton do tricampeão e assim os dois carros da Ferrari atingiram a zona dos pontos enquanto Piquet e Alesi dela saíram entregando o sexto lugar a Alessandro Nanini. Tal panorama quedou-se inalterado até Boutsen ir aos boxes e abandonar por falha no motor, circunstância favorável a Berger, líder da prova a contar do décimo oitavo giro. Segundo colocado, Patrese seria ultrapassado por Mansell na volta vinte e dois e cinco passagens mais tarde, o "leão" estava no vácuo de Gerhard Berger lançando-se ao ataque de maneira destemida pois o ferrarista, autor de uma mal-sucedida tentativa de ultrapassagem sobre Patrese no início da prova, tentou superar a McLaren na saída da Tamburello e Berger fechou a porta; como resultado, Mansell pôs duas rodas na grama, perdeu aderência e deu um giro de 360 graus na volta trinta e seis e manteve-se na frente de Patrese, mas como a Ferrari quebrou o motor na volta trinta e oito, o britânico abandonou a luta. "O Mansell chegou perto demais e não tinha como passar. Eu o vi tirando as rodas para a grama e achei que estava correndo risco demais. Ainda bem que não nos tocamos, pois aquele local é de alta velocidade e muito perigoso", disse Berger ao final da prova com a autoridade de quem sobreviveu a um acidente nessa pista em 1989.
Neste instante entrou em cena o fator Patrese, alguém que andou próximo a Berger durante as primeiras vinte e uma voltas da prova até sujar os pneus numa saída de pista nas cercanias da Rivazza, forçando o italiano a abdicar da perseguição. Contudo, o embate entre Mansell e Berger fez o britânico a abandonar a disputa por quebra do motor de sua Ferrari e comprometeu a McLaren de Berger, cujos pneus desgastaram também por questões de acerto do carro e assim Riccardo Patrese assumiu a liderança na volta sessenta e um. A aparente facilidade da manobra, entretanto, não correspondia aos sentimentos do piloto da Williams. "Quando passei a McLaren, tentei cuidar ao máximo do carro, principalmente dos freios, para não cometer o mesmo erro de 1983. Fiz a curva com o máximo de suavidade, decidido até a perder alguns décimo de segundo. E saí dela aliviado". Quanto ao alegado "erro", Patrese referia-se ao Grande Prêmio de San Marino de 1983 quando ele liderava a prova com a Brabham, mas ao chegar na Acqua Minerale, saiu da pista, bateu e abandonou a prova. No entanto, o pior estava por virː a torcida italiana comemorou efusivamente a desgraça de seu compatriota, pois quem herdou a liderança e venceu foi Patrick Tambay, piloto da Ferrari.
Decorrida uma hora e meia de prova, a Williams Riccardo Patrese cruzou a linha de chegada cinco segundos adiante da McLaren de Gerhard Berger e seis na frente da Benetton de Alessandro Nannini. Para a sorte de Ayrton Senna, a Ferrari de Alain Prost terminou em quarto lugar enquanto Nelson Piquet conseguiu uma honrosa quinta posição apesar dos danos sofridos por sua Benetton após o choque com Jean Alesi, aliás o sexto em sua Tyrrell. A presença de Gerhard Berger no pódio chegou a ser contestada por uma acusação de "queima de largada", mas os comissários da FISA avaliaram o episódio e isentaram o austríaco de qualquer punição. Os resultados da etapa samarinesa mantiveram Ayrton Senna na liderança do mundial de pilotos com 13 pontos enquanto Alain Prost e Gerhard Berger somavam 12 pontos cada um. Entre os construtores a liderança da McLaren era de 25 pontos ante os 15 pontos de Williams e Ferrari.
40 anos de Fórmula 1 Esta prova aconteceu no dia que a Fórmula 1 completou 40 anos, sendo que Riccardo Patrese não vencia uma corrida há seis anos, seis meses e vinte e oito dias, desde o Grande Prêmio da África do Sul de 1983. Foi a última vitória de um italiano em seu próprio país, marca ainda vigente em 2025.
Classificação da prova Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif. 1 29 Eric Bernard Lola-Lamborghini 1:26.475 — 2 30 Aguri Suzuki Lola-Lamborghini 1:27.344 + 0.869 3 14 Olivier Grouillard Osella-Ford 1:28.155 + 1.680 4 33 Roberto Moreno EuroBrun-Judd 1:28.178 + 1.703 5 31 Bertrand Gachot Coloni-Subaru 1:33.554 + 7.079 6 34 Claudio Langes EuroBrun-Judd 1:34.272 + 7.797 7 39 Bruno Giacomelli Life 7:16.212 + 5:49.737 8 17 Gabriele Tarquini AGS-Ford s/ tempo — 9 18 Yannick Dalmas AGS-Ford s/ tempo —
Treinos oficiais Pos. Nº Piloto Construtor Q1 Q2 Dif. 1 27 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:24.079 1:23.220 — 2 28 Gerhard Berger McLaren-Honda 1:24.027 1:23.781 + 0.561 3 6 Riccardo Patrese Williams-Renault 1:24.486 1:24.444 + 1.224 4 5 Thierry Boutsen Williams-Renault 1:25.832 1:25.039 + 1.819 5 2 Nigel Mansell Ferrari 1:25.539 1:25.095 + 1.875 6 1 Alain Prost Ferrari 1:26.080 1:25.179 + 1.959 7 4 Jean Alesi Tyrrell-Ford 1:26.138 1:25.230 + 2.010 8 20 Nelson Piquet Benetton-Ford 1:26.316 1:25.761 + 2.541 9 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:26.889 1:26.042 + 2.822 10 11 Derek Warwick Lotus-Lamborghini 1:28.055 1:26.682 + 3.462 11 12 Martin Donnelly Lotus-Lamborghini 1:27.151 1:26.714 + 3.494 12 15 Maurício Gugelmin Leyton House-Judd 1:29.339 1:26.836 + 3.616 13 29 Eric Bernard Lola-Lamborghini 1:26.988 1:26.838 + 3.618 14 8 Stefano Modena Brabham-Judd 1:28.763 1:27.008 + 3.788 15 30 Aguri Suzuki Lola-Lamborghini 1:27.211 1:27.068 + 3.848 16 26 Philippe Alliot Ligier-Ford 1:27.533 1:27.214 + 3.994 17 22 Andrea de Cesaris Dallara-Ford 1:27.570 1:27.217 + 3.997 18 16 Ivan Capelli Leyton House-Judd 1:29.904 1:27.521 + 4.301 19 3 Satoru Nakajima Tyrrell-Ford 1:27.746 1:27.532 + 4.312 20 25 Nicola Larini Ligier-Ford 1:27.642 1:27.564 + 4.344 21 21 Emanuele Pirro Dallara-Ford 1:27.849 1:27.613 + 4.393 22 14 Olivier Grouillard Osella-Ford 1:28.590 1:28.009 + 4.789 23 35 Gregor Foitek Onyx-Ford 1:28.111 1:28.435 + 4.891 24 33 Roberto Moreno EuroBrun-Judd 1:28.603 1:31.653 + 5.383 25 36 J. J. Lehto Onyx-Ford 1:28.625 s/ tempo + 5.405 26 24 Paolo Barilla Minardi-Ford 1:29.566 1:28.667 + 5.447 27 10 Alex Caffi Arrows-Ford 1:29.242 1:28.699 + 5.479 28 9 Michele Alboreto Arrows-Ford 1:29.615 1:28.797 + 5.577 29 7 David Brabham Brabham-Judd 1:31.282 1:28.927 + 5.707 DNS 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 1:26.466 s/ tempo + 3.246Fontes:
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