Resumo do Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1 realizado em Montreal em 12 de junho de 1988. Quinta etapa do campeonato, foi vencido pelo brasileiro Ayrton Senna, que subiu ao pódio junto a Alain Prost numa dobradinha da McLaren-Honda, com Thierry Boutsen em terceiro pela Benetton-Ford.

Resumo Canadá retorna ao calendário Realizado por seis vezes (1961 a 1966) antes de integrar-se ao calendário da Fórmula 1 em 1967, o Grande Prêmio do Canadá viu a Brabham sagrar-se bicampeã de construtores naquele ano, foi agraciado com a primeira vitória na carreira de Gilles Villeneuve em 1978 e viu Alan Jones tornar-se campeão mundial numa decisão contra Nelson Piquet em 1980. Tantas credenciais não impediram o cancelamento da etapa canadense em 1975 por divergências quanto ao valor exigido pela FOCA para realizar a prova, assim como a edição de 1987 não foi realizada por causa de uma disputa por patrocínio entre as cervejarias Labatt e Molson. Neste último caso os esforços de Roger Doré, representante do Grande Prêmio do Canadá, malograram diante da negativa irredutível de Bernie Ecclestone em firmar um acordo. Soube-se então que a "guerra do patrocínio" começou quando o Automóvel Clube do Canadá assinou com a Labatt enquanto a FOCA preferia a Molson, marca mais conhecida na província de Quebec, e no fim o todo-poderoso Bernie Ecclestone fez valer sua vontade. Mesmo com data reservada no calendário, o retorno do Canadá foi confirmado apenas em 27 de janeiro de 1988 no lugar do Grande Prêmio da Áustria sob a alegação de insegurança no circuito de Österreichring, embora membros da FISA digam, reservadamente, que Jean-Marie Balestre inseriu outra pista de baixa velocidade no certame a fim de contrabalancear o poderio dos motores turbo.

Surge o "muro dos campeões" O retorno do Canadá foi precedido por uma elogiada reforma nos boxes, mas o mesmo cuidado não foi observado na hora de cuidar da pista. Neste último caso a opinião de Nelson Piquet foi certeiraː "O problema principal foi que construíram um muro ao lado de uma das curvas mais velozes, na entrada da reta, onde você passa a uns 280 quilômetros por hora. Ficou muito mais perigoso", disse ele, vencedor em Montreal em 1982 e 1984. "Além disso, a largada também ficou mais perigosa, pois o trecho para os carros se dispersarem antes da primeira curva ficou menor, e a nova entrada dos boxes também tem grandes chances de provocar um acidente", finalizou o tricampeão. Corroborando as palavras de seu colega de profissão, Alain Prost disse que transitar pelo trecho exigirá atenção redobrada, pois será difícil saber se os carros reduzirão a marcha para entrar nos boxes ou para fazer a curva.

Efeito colateral das reformas no circuito, a poeira tornou a pista de Montreal escorregadia no treino de sexta-feira, interrompido por uma batida entre a Osella de Nicola Larini e a EuroBrun de Oscar Larrauri, forçando uma bandeira vermelha seis minutos antes de finda a sessão. Reiniciado o treino, Ayrton Senna superou o melhor tempo de Alain Prost em sua última volta, apesar do tráfego intenso. Mesmo garantindo a primeira fila, a McLaren foi surpreendida com a Ferrari a curta distância graças a uma série de três voltas rápidas de Gerhard Berger onde o austríaco ficou em terceiro lugar, deixou Michele Alboreto em quarto e ficou a dois décimos da equipe de Ron Dennis. Mesmo gripado, Nelson Piquet colocou a Lotus em quinto adiante de Eddie Cheever, da Arrows, com Nigel Mansell e Riccardo Patrese na quarta fila, firmando a Williams como a melhor equipe com propulsores aspirados. No outro extremo da tabela, Adrián Campos deixou a Fórmula 1 sem conseguir classificar sua Minardi para a corrida.

Quando o treino terminou, as conversas giravam em torno do consumo de combustível e o quanto isso influenciará o resultado da prova. Nelson Piquet chegou a apostar na vitória de um bólido com motor aspirado. No dia seguinte, contudo, Ayrton Senna e Alain Prost alternavam-se como o mais rápido da pista, com o brasileiro assegurando sua quinta pole position no campeonato com um décimo de vantagem sobre o seu "rival de equipe", tendo Gerhard Berger e Michele Alboreto na fila seguinte. Valendo-se do melhor equilíbrio de seu carro, Alessandro Nannini pôs sua Benetton em quinto superando a Lotus de Nelson Piquet. Mesmo largando em segundo, Prost não tinha motivos para lastimar, afinal sua McLaren partiria do lado mais limpo e emborrachado da pista, mas o sábado também foi de sustos, pois os vaticínios de Piquet e Prost tornaram-se reais quando Derek Warwick derrapou na entrada da reta ao subir numa zebra e sua Arrows bateu contra o muro deixando o carro retorcido e o britânico com dores pelo corpo, mas nada além disso. Naquele momento não se sabia, mas este foi o primeiro acidente no local que seria conhecido no futuro como "muro dos campeões".

Confronto direto pela vitória Aproveitando que as características da pista favoreciam a sua posição, Alain Prost aproveitou uma curva à esquerda depois da largada e tomou a liderança deixando Ayrton Senna atrás de si com as Ferrari de Gerhard Berger e Michele Alboreto e as Benetton de Thierry Boutsen e Alessandro Nanini a segui-los, numa visão simétrica para o espectador. No entanto, a vantagem de Prost não era grande a ponto de garantir ao francês uma vitória tranquila; na nova volta, por exemplo, era inferior a um segundo em relação a Senna. Por outro lado, o domingo da Benetton parecia auspicioso, pois entre as voltas onze e quatorze Boutsen e Nanini estavam em terceiro e quarto deixando para trás os bólidos da Ferrari. Na volta quinze, Nanini parou por falhas na ignição enquanto Senna reduzia a vantagem de Prost de maneira gradual e negociou melhor as ultrapassagens sobre os retardatários até alcançá-lo na curva que antecede a reta dos boxes e fazer a ultrapassagem na freada do hairpin, trecho mais lento da pista, na volta dezenove. "Toda vez que aparecia um retardatário, eu tentava me aproximar o máximo dele para me aproveitar de qualquer problema. Naquele momento senti que dava para passar e felizmente tudo saiu bem", afirmou Senna.

Mesmo em primeiro lugar, a vantagem de Senna em relação a Prost variava entre três e quatro segundos, patamar mínimo devido à necessidade de reduzir o consumo de combustível a fim de terminar a prova. Essa variável, aliás, foi citada por Prost ao falar sobre a manobra de ultrapassagem feita por seu companheiro de equipeː "Ele veio com mais pressão e eu não quis fechar a porta, primeiro porque não é o meu estilo e depois porque tinha certeza de que a decisão só aconteceria perto do fim, quando o problema do consumo apertasse". Entretanto, os cálculos do francês não resistiram ao imponderável, pois na vigésima nona passagem ele e Senna tiveram que ultrapassar três retardatários, a Ligier de René Arnoux e as Arrows de Derek Warwick e Eddie Cheever, situação da qual Senna desvencilhou-se mais rapidamente mantendo Alain Prost sob controle com Thierry Boutsen firmado em terceiro, enquanto Gerhard Berger abandonou a disputa por pane elétrica quando era o quarto colocado, algo que deixou Michele Alboreto, Nigel Mansell e Nelson Piquet na zona de pontuação adiante de Philippe Streiff, da AGS. Mansell (volta 28) e Alboreto (volta 33) ficaram pelo caminho por quebra de motor e assim as posições remanescentes na zona dos seis foram ocupadas por Nelson Piquet, Philippe Streiff e pela Rial de Andrea de Cesaris.

Num último esforço, Prost marcou a volta mais rápida da corrida obrigando Senna a cravar o novo recorde do circuito na volta cinquenta e três. A partir de então o brasileiro foi obrigado a defender sua posição elevando sua vantagem de cinco para onze segundos entre as voltas cinquenta e oito e sessenta e quatro, reduzindo o ritmo nos cinco giros finais vencendo a corrida com seis segundos sobre Alain Prost. Tão logo cruzaram a linha de chegada, os pilotos da McLaren estacionaram seus carros e somente 51 segundos depois Thierry Boutsen confirmou o terceiro lugar com sua Benetton, o único carro a cruzar na mesma volta que o dueto de Woking. Completaram a zona de pontuação a Lotus de Nelson Piquet, a March de Ivan Capelli e a Tyrrell de Jonathan Palmer, este beneficiado pela falta de combustível na Rial de Andrea de Cesaris na penúltima volta.

Vencedor do primeiro duelo direto pelo título mundial, Ayrton Senna dirigiu-se ao pódio enquanto conversava com Alain Prost e durante a premiação uma série de números vieram à tonaː 60 vitórias da McLaren e 70 pódios da Honda, além de 60 pódios na carreira de Alain Prost, efusivamente banhado em champanhe por Ayrton Senna, o vencedor do dia. Também merece destaque o terceiro lugar de Thierry Boutsen cuja Benetton tornou-se o primeiro carro com motor aspirado a subir ao pódio desde o terceiro lugar da McLaren de John Watson no Grande Prêmio dos Países Baixos de 1983. De volta ao presente temos Alain Prost liderando o mundial de pilotos com 39 pontos, enquanto Ayrton Senna soma 24 pontos, números que tornam a McLaren a primeira entre os construtores com 63 pontos.

Classificação da prova Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif. 1 33 Stefano Modena EuroBrun-Ford 1:27.274 — 2 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 1:27.426 + 0.152 3 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford 1:27.912 + 0.638 4 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford 1:28.709 + 1.435 DNPQ 36 Alex Caffi Dallara-Ford 1:29.103 + 1.829

Treinos oficiais Pos. Nº Piloto Equipe Q1 Q2 Diferença 1 12 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:22.392 1:21.681 — 2 11 Alain Prost McLaren-Honda 1:22.499 1:21.863 + 0.182 3 28 Gerhard Berger Ferrari 1:22.719 1:22.785 + 1.038 4 27 Michele Alboreto Ferrari 1:23.976 1:23.296 + 1.615 5 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:25.561 1:23.968 + 2.287 6 1 Nelson Piquet Lotus-Honda 1:24.166 1:23.995 + 2.314 7 20 Thierry Boutsen Benetton-Ford 1:25.173 1:24.115 + 2.434 8 18 Eddie Cheever Arrows-Megatron 1:24.679 1:25.068 + 2.998 9 5 Nigel Mansell Williams-Judd 1:24.844 1:25.251 + 3.163 10 14 Philippe Streiff AGS-Ford 1:25.878 1:24.968 + 3.287 11 6 Riccardo Patrese Williams-Judd 1:24.971 1:25.471 + 3.290 12 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 1:26.039 1:24.988 + 3.307 13 2 Satoru Nakajima Lotus-Honda 1:25.373 1:26.650 + 3.692 14 16 Ivan Capelli March-Judd 1:25.609 1:26.815 + 3.928 15 33 Stefano Modena EuroBrun-Ford 1:26.652 1:25.713 + 4.032 16 17 Derek Warwick Arrows-Megatron 1:26.052 1:25.740 + 4.059 17 30 Philippe Alliot Lola-Ford 1:27.543 1:25.765 + 4.084 18 15 Maurício Gugelmin March-Judd 1:25.910 1:25.982 + 4.229 19 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 1:27.230 1:26.092 + 4.411 20 25 René Arnoux Ligier-Judd 1:26.716 1:26.327 + 4.646 21 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 1:26.822 1:26.437 + 4.756 22 9 Piercarlo Ghinzani Zakspeed 1:28.400 1:26.786 + 5.105 23 4 Julian Bailey Tyrrell-Ford 1:28.737 1:27.139 + 5.458 24 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford 1:27.676 1:27.321 + 5.640 25 26 Stefan Johansson Ligier-Judd 1:28.614 1:27.637 + 5.956 26 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford s/ tempo 1:27.655 + 5.974 DNQ 23 Adrián Campos Minardi-Ford 1:27.885 1:27.979 + 6.204 DNQ 21 Nicola Larini Osella 1:39.782 1:27.981 + 6.300 DNQ 29 Yannick Dalmas Lola-Ford s/ tempo 1:28.012 + 6.331 DNQ 10 Bernd Schneider Zakspeed 1:29.110 1:28.215 + 6.534Fonte:

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