Resultados do Grande Prêmio do México de Fórmula 1 realizado na Cidade do México em 22 de março de 1992. Segunda etapa da temporada, teve como vencedor o britânico Nigel Mansell, que subiu ao pódio junto a Riccardo Patrese numa dobradinha da Williams-Renault, com Michael Schumacher em terceiro pela Benetton-Ford.

Em meio ao furor da competição, anunciaram a renovação do contrato da etapa mexicana por mais cinco anos mediante um acordo entre José Abed, presidente do comitê organizador, e a Federação Internacional de Automobilismo Esportivo,GP garantido (online). Jornal do Brasil, 2ª edição, Rio de Janeiro (RJ), 21/03/1992. Primeiro caderno, Esportes, p. 16. Página visitada em 1º de março de 2020. mas em 7 de outubro de 1992, o conselho mundial da FISA excluiu o Grande Prêmio do México do calendário de 1993, reinserindo-o na categoria apenas em 2015.GP da Ásia é a novidade da próxima temporada (online). O Estado de S. Paulo, São Paulo (SP), 08/10/1992. Esportes, p. 23. Página visitada em 1º de março de 2020.

Resumo Prognósticos de Ayrton Senna "Acho difícil lutar pela pole". Pouco antes de embarcar para a Cidade do México, Ayrton Senna foi sincero ao comentar o momento vivido por sua equipe e ao falar sobre a etapa mexicana, completou: "O importante nesta corrida é chegar entre os primeiros, marcar pontos e ganhar tempo até a estreia do novo carro".Senna torce para asfalto atrapalhar Williams (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 19/03/1992. Primeiro caderno, Esportes, p. 18. Página visitada em 1º de março de 2020. Habituado a largar na primeira posição, o brasileiro parecia resignado ao confirmar a impressão tida na África do Sul quando sofreu para subir ao pódio em terceiro lugar: o McLaren MP4/6B concebido por Neil Oatley não era páreo para as Williams FW14B com suspensão ativa desenvolvidas por Adrian Newey, conforme o próprio Senna admitiria algum tempo depois no Grande Prêmio do Brasil.

Diante de tal realidade restava ao tricampeão mundial torcer para que o asfalto ondulado do Autódromo Hermanos Rodríguez reduzisse a eficiência dos carros de Frank Williams e a nova gasolina desenvolvida pela Shell impulsione o motor Honda RA122E V12 da McLaren de modo compensar a perda de potência causada pelos 2.400 metros de altitude do circuito em relação ao nível do marANDRADA E SILVA, Mário. Altitude exige acerto perfeito do carro (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 19/03/1992. Primeiro Caderno, Esportes, p. 18. Página visitada em 1º de março de 2020. a fim de trazer algum equilíbrio à disputa enquanto o piloto de testes, Mark Blundell, ajuda a desenvolver o novo bólido do time de Woking. O referido carro terá uma nova aerodinâmica, acelerador eletrônico e câmbio semiautomático. Por ironia, os comandados de Ron Dennis recorreram à tecnologia para melhorar seu carro, artifícios que, segundo Senna, nivelam os pilotos por baixo compensando a pouca aptidão de alguns e transfere para os engenheiros e técnicos a responsabilidade pelo acerto das máquinas.

Reformas na Peraltada Palco de acidentes envolvendo Ayrton Senna, a curva Peraltada foi recapeada e teve sua inclinação reduzida em 35 graus. Em 1987 o brasileiro guiava para a Lotus e sofreu um acidente durante o treino oficial quando seu carro atingiu a barreira de pneus a 150km/h, resultando em dores no pescoço e incômodo na hora da prova. Em junho do ano anterior, ele passou sobre uma ondulação da pista, girou, bateu na barreira de pneus, capotou e ficou de cabeça para baixo numa área de terra batida durante o primeiro treino oficial para a corrida, mas esgueirou-se e saiu da McLaren sem maiores consequências.A curva que causa pavor (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 19/03/1992. Primeiro Caderno, Esportes, p. 18. Página visitada em 1º de março de 2020.

Sobre as reformas na Peraltada, Senna foi incisivo: "A curva está até mais perigosa, pois a inclinação foi reduzida na parte externa, e não na interna, onde passam os carros". Irônico, o italiano Riccardo Patrese sentenciou: "Está quase igual. Passei por ela e nem notei a diferença".

Senna sofre outro acidente Aos dezoito minutos da primeira sessão de treinos oficiais, o bólido de Ayrton Senna passou em cima de uma ondulação rodou na entrada dos esses e bateu no guard-rail a 220km/h numa colisão que destruiu a parte dianteira da McLaren e causou numa forte contusão na perna esquerda.GOMES, Flávio. Senna sofre acidente e pode ficar fora do GP (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 21/03/1992. Esporte, p. 3-6. Página visitada em 1º de março de 2020. Sofrendo dores intensas, o tricampeão sinalizou para um comissário de pista. Quando o resgate chegou, imobilizaram-lhe o pescoço com um colete ortopédico e puseram uma máscara de oxigênio para facilitar sua respiração. Removido do local após oito minutos, o piloto foi levado ao hospital do circuito e ao examiná-lo constataram alguns hematomas na perna machucada e aplicaram-lhe um sedativo. Alquebrado na véspera de seu aniversário de 32 anos, o piloto afirmou: "Eu nunca senti essa dor antes", segundo artigo publicado no Jornal do Brasil.ANDRADA E SILVA, Mário. Senna pode não correr no México (online). Jornal do Brasil, 2ª edição, Rio de Janeiro (RJ), 21/03/1992. Primeiro caderno, Esportes, p. 16. Página visitada em 1º de março de 2020.

Por conta das dores sofridas, a McLaren deixou a critério de Senna a decisão de participar do segundo treino oficial sendo que o piloto estaria fora da corrida mexicana caso não participasse, afinal o tempo que assinalou antes do acidente não o colocou entre os vinte e seis aptos a largar. Apesar de certo suspense, o brasileiro marcou o sexto tempo e explicou sua decisão: "Por razões humanitárias eu jamais sentaria em um carro aqui, mas, em respeito ao público em geral e a meus fãs, eu tenho que correr".ANDRADA E SILVA, Mário. Senna corre em respeito ao público e fãs (online). Jornal do Brasil, 2ª edição, Rio de Janeiro (RJ), 22/03/1992. Primeiro caderno, Esportes, p. 35. Página visitada em 1º de março de 2020. No tocante ao resto do grid tivemos uma primeira fila da Williams com Nigel Mansell à frente de Riccardo Patrese enquanto a Benetton expôs o mau momento vivido pela McLaren ao colocar Michael Schumacher e Martin Brundle na segunda fila adiante de Gerhard Berger e um fadigado Ayrton Senna.

Pela primeira vez em seus 31 anos de história, os dois carros da Brabham falharam na classificação.

Novo passeio da Williams Nigel Mansell conservou o primeiro lugar após a largada sendo que Riccardo Patrese manteve-se próximo ao companheiro de equipe durante vinte voltas enquanto Ayrton Senna surgiu em terceiro lugar num arranque vigoroso e sem o incômodo da perna machucada no acidente de sexta-feira graças a um forro de espuma inserido no cockpit por seus mecânicos. Chegar a essa posição foi possível porque o brasileiro soube combinar oportunidade e experiência, pois aproveitou a freada no fim da reta, inseriu-se no lado externo da pista e ultrapassou os carros à sua frente.ANDRADA E SILVA, Mário. Para Senna, temporada começa no Brasil (online). Jornal do Brasil, 2ª edição, Rio de Janeiro (RJ), 22/03/1992. Esportes, p. 02. Página visitada em 1º de março de 2020. No sentido inverso, três pilotos abandonaram a porfia antes de completada a primeira volta: Karl Wendlinger bateu sua March na Ferrari de Ivan Capelli, ao passo que o motor da Jordan deixou Maurício Gugelmin a pé. Graças à suspensão ativa, os carros da Williams mal sofriam com as ondulações da pista mexicana dada a sua altura constante em relação ao solo por conta da impulsão hidráulica dos amortecedores e assim Mansell ampliou sua vantagem e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, quase treze segundos adiante de Patrese.

Mais veloz que a Benetton de Michael Schumacher nas retas, Ayrton Senna manteve o terceiro posto até a volta onze quando quebrou a transmissão da McLaren. Contudo, o duelo entre as equipes rivais continuou graças a Gerhard Berger e Martin Brundle: na 41ª volta Berger superou o rival, mas tomou o troco logo depois; somente duas voltas mais tarde o austríaco da McLaren garantiu o quarto lugar enquanto o motor de Brundle foi pelos ares na volta 47. Graças ao surpreendente ritmo de sua Tyrrell, Andrea de Cesaris assegurou o quinto lugar mesmo a uma volta de Mansell, o vencedor, enquanto Mika Häkkinen terminou em sexto lugar com a Lotus.O "leão" continua indomável (online). Jornal do Brasil, 2ª edição, Rio de Janeiro (RJ), 22/03/1992. Esportes, p. 02. Página visitada em 1º de março de 2020.

Invicta graças à segunda dobradinha entre Nigel Mansell e Riccardo Patrese em duas provas disputadas, a Williams liderava com folga os mundiais de pilotos e construtores enquanto Michael Schumacher saboreava seu primeiro pódio.

Classificação da prova Treinos Pos. Nº Piloto Chassi/Motor Q1 Q2 1 5 Nigel MansellWilliams-Renault 1:16.346 1:16.648 2 6 Riccardo PatreseWilliams-Renault 1:17.908 1:16.362 3 19 Michael SchumacherBenetton-Ford 1:17:554 1:17.292 4 20 Martin BrundleBenetton-Ford 1:18.937 1:18.588 5 2 Gerhard BergerMcLaren-Honda 1:18.604 1:18.589 6 1 Ayrton SennaMcLaren-Honda 1:23.063 1:18.791 7 21 J. J. LehtoDallara-Ferrari 1:19.982 1:19.111 8 33 Maurício GugelminJordan-Yamaha 1:20.246 1:19.355 9 22 Pierluigi MartiniDallara-Ferrari 1:19.767 1:19.378 10 27 Jean AlesiFerrari 1:21.434 1:19.417 11 4 Andrea de CesarisTyrrell-Ilmor 1:19.423 1:24.117 12 12 Johnny HerbertLotus-Ford 1:20.450 1:19.509 13 29 Bertrand GachotVenturi-Lamborghini 1:21.656 1:19.743 14 15 Gabriele TarquiniFondmetal-Ford 1:20.386 1:19.769 15 32 Stefano ModenaJordan-Yamaha 1:19.957 1:20.469 16 3 Olivier GrouillardTyrrell-Ilmor 1:20.709 1:19.961 17 23 Christian FittipaldiMinardi-Lamborghini 1:20.042 1:20.202 18 11 Mika HäkkinenLotus-Ford 1:20.145 1:20.390 19 16 Karl WendlingerMarch-Ilmor 47:56.613 1:20.200 20 28 Ivan CapelliFerrari 1:20.223 1:21.120 21 24 Gianni MorbidelliMinardi-Lamborghini 1:21.019 1:20.227 22 25 Thierry BoutsenLigier-Renault 1:20.709 1:20.395 23 14 Andrea ChiesaFondmetal-Ford 1:21.902 1:20.845 24 30 Ukyo KatayamaVenturi-Lamborghini 1:22.188 1:20.935 25 9 Michele AlboretoFootwork-Mugen/Honda 1:21.396 1:21.064 26 26 Erik ComasLigier-Renault 1:21.122 1:21.963 DNQ 10 Aguri SuzukiFootwork-Mugen/Honda 1:21.617 1:21.187 DNQ 17 Paul BelmondoMarch-Ilmor 1:23.508 1:21.504 DNQ 7 Eric van de PoeleBrabham-Judd 1:22.937 1:22.197 DNQ 8 Giovanna AmatiBrabham-Judd — 1:25.052 Fontes:

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