Ana Lila Downs Sánchez, mais conhecida como Lila Downs (19 de setembro de 1968, Tlaxiaco, Oaxaca, México) é uma cantora, intérprete, compositora, produtora musical e atriz mexicana do gênero world music, que canta em diversos idiomas, principalmente em espanhol e muito poucas vezes em inglês, para reivindicar suas raízes paternas. Em seu estilo musical reivindica suas raízes mexicanas bem como outras com origem no folclore de várias culturas mesoamericanas, interpretando melodias em diversas línguas entre as que se destacam sobretudo a mixteco, zapoteca, maia, purépecha e nahua, além das músicas regionais do México baseando-se nos sons do estado de Oaxaca.
Downs ganhou fama depois do lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, La sandunga, em 1999, que obteve uma recepção crítica positiva, mas sua estreia comercial no mercado discográfico hispano-americano aconteceu em 2000 com o álbum Árbol de la vida/Tree of life e o sucesso internacional veio de forma definitiva em 2001 com o disco La línea/Border. É ganhadora de um prêmio Grammy e de dois prêmios Grammy Latino. Inspirada por cantores de trova como Mercedes Sosa e Chabuca Granada, assim como artistas de música folclórica como Totó la Momposina e Susana Baca, Lila é conhecida por seu sentido estético em relação à música, seu peculiar estilo moderno e alternativo, as apresentações ao vivo e os vídeos musicais nos que sempre se ressalta sua presença marcante. Sua contribuição para a indústria musical já lhe rendeu numeroso reconhecimentos. Atualmente Lila Downs é considerada uma das artistas mais importante do seu gênero por seu impacto global claramente consolidado.
Biografia
Filha de Allen Downs, um professor de arte e cinematógrafo de Minnesota, Estados Unidos de origem britânica e de Ana Sanchéz, de origem mixteca, Lila Downs nasceu em 9 de setembro de 1968 na cidade de Tlaxiaco, no estado mexicano de Oaxaca. Desde muito pequena Lila mostrou interesse pela música, começou a cantar aos oito anos de idade interpretando músicas rancheras e tradicionais, tendo os mariachis como primeira referência musical. Aos quatorze anos se mudou com os seus pais para os Estados Unidos e foi ali que decidiu estudar vocalização em Los Angeles e aprender o idioma inglês que seu pai a ajudou melhorar. Quando ela tinha dezesseis morre o seu progenitor e por isso decide regressar com sua mãe à sua cidade natal, Tlaxiaco.
Apesar de Lila ter sempre se mostrado orgulhosa de sua origem indígena houve um momento em que não se sentia identificada com o entorno em que vivia devido à diferença cultural e material do lugar em que havia crescido, então decidiu ir estudar nos Estados Unidos onde obteve a licenciatura em Antropologia na Universidade de Minesota. Foi nessa época que ela conheceu Paul Cohen, um saxofonista norte-americano que a incentivou a retomar a carreira musical. Ela decide regressar a Oaxaca para complementar sua formação na Academia de Belas Artes de Oaxaca para mais tarde culminar seus estudos musicais na cidade de Nova York.
Carreira artística
Início
Aos 25 anos, depois de concluir seus estudos acadêmicos e musicais, Lila Downs decide regressar a Tlaxiaco, desta vez com Paul Cohen - quem sempre a incentivou a incursionar pela carreira artística - e ingressa em um grupo de percussão local chamado Los Cadetes de Yodoyuxi, mas devido a agenda de Paul, que tinha assuntos a tratar nos Estados Unidos, começaram a alternar sua estância entre Minnesota e Oaxaca.
Durante suas temporadas em Minnesota, Downs formou o conjunto La Trova Serrana, conquistando grande popularidade entre o público latino dos Estados Unidos, cantando temas sobre a comunidade zapoteca e seus valores culturais. Quando voltou para o México começou a cantar em bares, restaurantes e clubes da cidade de Oaxaca de Juárez, na Filadélfia e Califórnia (Estados Unidos), contando sempre com o apoio de Paul, obtendo repercussão positiva pela crítica musical, motivo pelo qual decidem fazer um grande turnê pelo México. Lila e Paul acabariam por se envolver romanticamente e atualmente estão casados.
1994-1996: Primeiros álbuns
Em 1994, com somente 26 anos, Lila Downs realizou seu primeiro álbum gravado de forma independente titulado Ofrenda, as canções incluídos neste material são um coleção de músicas tradicionais oaxaquenhas e mexicanas, este álbum também contém músicas escritas pela cantora, que datam desde de o início de sua fase compositora, com letras interpretadas em espanhol, mixteco e zapoteca que são línguas nativas do estado de Oaxaca. Este material foi produzido de forma independente e contou com o apoio do Instituito Oaxaquenho das Culturas. Prevendo que não seria um sucesso comercial este álbum foi lançado apenas em LP e cassete, nunca foi editado uma versão para CD.
Em 1996 Downs gravou um álbum acústico em uma apresentação ao vivo de um famoso café da cidade de Oaxaca. Neste disco Lila foi acompanhada por um conjunto de reconhecidos músicos que apoiaram e colaboraram em sua interpretação de temas tradicionais, assim como músicas rancheras e jazz. Com este trabalho Lila Downs se fez conhecer em diferentes partes da República Mexicana e foi seu primeiro álbum editado em compact disc, mas ainda não conseguiria um grande impacto já que foi diretamente divulgado nas apresentações. Foi lançado poucas cópias do disco, tanto que ele nem figura entre os trabalhos relacionados na discografia da cantora, mas ainda é possível encontrá-lo à venda em formato digital.
thumb|left|220px|Lila Downs cantando em Oaxaca de Juárez, México. 1997-1999: Trazos - La sandunga
Em 1997 Lila Downs concluiu seu segundo disco de estúdio, Trazos (1998), prévio a sua carreira internacional. A realização deste material foi como uma maqueta prévia de canções que se incluiriam em seus álbuns posteriores, como “La sandunga”, “Árbol de la vida” e “La línea”. Neste disco a cantora incluiu uma extensão compilação de músicas do repertório tradicional mexicano, mas, assim como em seus álbuns anteriores, não teve grande repercussão comercial nem se difundiu de forma massiva, razão pela qual atualmente este disco não se encontra no catálogo da artista.
Foi somente em 1999 que Downs, depois de assinar com a gravadora Narada World, conseguiu fazer sucesso comercial e se tornar conhecida no cenário internacional com o álbum La Sandunga (gravado no ano anterior). Com este material começou a se destacar dentro do cenário musical mexicano, já que este disco foi um dos primeiros de música tradicional mexicana em se fusionou sons modernos e ritmos como jazz, blues e bolero. Este disco é interpretado em espanhol e mixteco, e foi produzido por Paul Cohen e Lila Downs, contando com o apoio da Associação Cultural Xquenda. Graças a este trabalho Lila participou da trilha sonora do filme Piedras Verdes e alcançou grande popularidade em países como Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Alemanha, vendendo cerca de 500.000 cópias em todo o mundo.
1999-2000: Árbol de la vida
Lila Downs grava Árbol de la vida, disco que foi lançado em 2000. Com este material a cantora foi estendendo sua fama a outros mercados e países como Inglaterra, Suíça, Canadá e, especialmente, Estados Unidos retomando neste trabalho sons e instrumentos pré-hispânicos como como o cutinti (tambor ritual de barro, com graduação tonal por níveis de água), percussão autóctones, flautas de carrizo, sonajas, tambores da região do Istmo, percussões eletrônicas, violoncelos, trompetas, bandoneón, flauta transversal, violões e guitarras interpretando sons tradicionais e composições de Lila Downs e Paul Cohen.
Este disco fez com que Lila começasse a introduzir-se dentro do gosto musical do público estadunidense e europeu já que várias das músicas incluídas neste material foram interpretadas em mixteco, zapoteco e nahuátil o que causou grande sensação para o público estrangeiro, pois foi um dos primeiros álbuns em que se interpretou canções em línguas indígenas e que se fusionou sons pré-hispânicos e modernos. Em outubro de 2000 iniciou uma turnê de dois meses denominada Árbol de la vida/Tree of life que incluiu shows na América Latina, Europa e Estados Unidos. A turnê começou no México e foi finalizada na Espanha.
2001-2003: La línea
La línea foi o primeiro disco em inglês da intérprete depois de assinar com o selo EMI Music. Este disco saiu à venda de forma simultânea, em agosto de 2001, nos Estados Unidos e México. Este álbum mesclou música tradicional, folk, hip hop e rock com elementos do ritmo mexicano chilena. Nele foi incluído quinze canções das quais onze são em espanhol, entre elas "El feo" e "La martiniana", três em inglês e uma em maia. Este disco recebeu boas críticas e chegou a alcançar os primeiros lugares nas paradas musicais dos Estados Unidos, México, Espanha, Reino Unido, França e Áustria. Por outro lado, também causou controvérsias devido as canções do álbum que falam de migração, a exclusão indígena e o massacre de Acteal, temas que para diversas organizações, em especial aos políticos e à igreja, não lhes pareceram adequados e qualificaram a cantora como agitadora e comunista.
O primeiro single que foi lançado no México foi "Mi Corazón me recuerda" do poeta Jaime Sabines, alcançando um sucesso moderado nas listas musicais mexicanas. Para a Espanha foi escolhido o single "La llorona" e na França foi lançada a canção "Corazoncito tirano", que não teve grande repercussão, enquanto que nos Estados Unidos foi selecionada a música "Medley: Pastures of Plenty/This Land Is Your Land" obtendo um resultado positivo com esta última.
2004-2006: Una sangre
Una sangre foi sem dúvida um dos álbuns de maior sucesso de Lila Downs. Saiu à venda de forma simultânea, em abril de 2004, nos Estados Unidos, Espanha e México. As letras deste álbum versam sobre a imigração, a discriminação e o caso da defensora mexicana de direitos humano Digna Ochoa, além de sons tradicionais em músicas como "La bamba" e "Viborita de la mar", abarcando sons com son jarocho, chilena, jazz, rock e folk.
Este disco contém treze canções das quais três são interpretadas em inglês, uma em triqui, uma em perépecha e oito em espanhol. As letras são de autoria de Lila Downs, Paul Cohen, Celso Duarte e José Martí, com este material a cantora ganhou o Grammy latino, em 2005, na categoria de "melhor álbum de música world" e alcançou os primeiros lugares de popularidade os Estados Unidos, México, Espanha, França, Reino Unido e Alemanha.
2006-2008: La cantina
Lila Downs demorou aproximadamente um ano e meio para preparar este projeto que veio à luz em abril de 2006. Este disco se baseia em canções rancheras mexicanas e no gênero musical corrido, misturando com os estilos pop, rock, música norteña, cumbia e hip hop. Neste disco consta quinze músicas dos quais doze são do repertório tradicional mexicano, três são de autoria da cantora e inclui uma versão em inglês de "La cumbia del mole", canção que deu fama a Downs e é a carta de apresentação da artista.
A faixa mais conhecida deste último álbum foi “La cumbia del mole”, canção que faz alusão à preparação deste prato mexicano e às festividades e tradições do Estado de Oaxaca, esta música conseguiu alcançar os primeiros lugares nas paradas musicais no México, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.
Em 2007 Downs lançou um disco com seus maiores sucessos em espanhol até o momento, que continha canções de seus álbuns anteriores "La sandunga", "Árbol de la vida", "La línea", "Una sangre" e "La cantina" cujo título foi simplesmente El alma de Lila Downs, este álbum veio acompanhado de um DVD com treze músicas gravadas ao vivo em um show em Madrid (Espanha).
2008-2009: Ojo de culebra