Tyrrell Racing foi uma equipe de Fórmula 1 criada por Ken Tyrrell. A equipe teve grande sucesso no início dos anos 70, quando ganhou três campeonatos e um campeonato de construtores com Jackie Stewart. A equipe nunca alcançou resultados tão bons novamente após a aposentadoria do escocês voador, embora tenha continuado a ganhar corridas ao longo dos anos 70 e no início dos anos 80, tendo sua última vitória pelo motor Ford Cosworth DFV em Detroit em 1983. A equipe foi comprada pela em 1997 e completou sua última temporada como Tyrrell em 1998. Em 25 de agosto de 2001, aos 77 anos de idade, Ken Tyrrell morre vitimado pelo câncer.

História 1970–1973: Tempos gloriosos de Jackie Stewart A Tyrrell começou quando houve uma quebra de acordo entre Ken Tyrrell e a equipe Matra. Ken construiu o Tyrrell 001 com motores para correr as três últimas corridas do Campeonato de pilotado por Jackie Stewart conquistando uma pole position no , mas sem terminar nenhuma etapa. O modelo foi usado ainda em duas corridas do Campeonato de 71 por Stewart e uma única vez por Peter Revson, na única corrida do estadunidense pela equipe.

1971: A Melhor temporada - título de construtores e pilotos thumb|esquerda|A Tyrrell de Jackie Stewart, que venceu o campeonato de 1971. No histórico campeonato de , vencido nos contrutores pela Tyrrell com 72 pontos, Jackie Stewart - o campeão desse ano - pilotando o Tyrrell 003, conquistou seis vitórias e seu parceiro, o francês François Cévert, conquistou uma com o Tyrrell 002. No Campeonato de , a Tyrrell manteve os mesmos pilotos e foi vice tanto nos construtores como nos pilotos, com Stewart. No ano de , a dupla continuou e a equipe foi novamente vice-campeã de construtores, mas Jackie Stewart foi campeão mundial pela terceira e última vez, com 71 pontos e 5 vitórias.

A tragédia de 1973 Mas, nesse mesmo ano, o episódio mais negro da história da equipe aconteceu, no último GP, o dos Estados Unidos em Watkins Glen. Emerson Fittipaldi anuncia que sairá da e vai para a , e surgem os boatos que Jackie Stewart se aposentaria. O escocês brincava, dizendo que quem plantou esses boatos foi seu companheiro, François Cévert, pois "seria sua única chance de ganhar alguma coisa". O francês respondia que seria campeão na ano seguinte, com ou sem Stewart. Porém, nos treinos livres do Grande Prêmio, Cévert abriu sua volta rápida e após a perna dos esses, seu carro decolou e bateu no guard-rail a cerca de 250 km/h. O choque jogou a Tyrrell para o guard-rail oposto onde o carro se arrastou por 100 metros. François Cévert estava morto, e no dia seguinte, Jackie Stewart anuncia que não correria mais na F-1, e não disputou o GP.

Segunda metade da década de 1970 Em , sem seus dois grandes pilotos, a Tyrrell contrata o sul-africano Jody Scheckter e o francês Patrick Depailler. Scheckter conquistou duas vitórias, na e na , e a equipe termina em 3º lugar. Em , a dupla é a mesma, e a equipe é a 5ª colocada com uma vitória do sul-africano em casa. foi o terceiro ano da dupla - Jody faz a pole e vence na Suécia, e o time termina após uma temporada regular na 3ª colocação no Campeonato de Construtores.thumb|250px|direita|A Tyrrell de 1976, com 6 rodas. Em , Scheckter deixa a equipe e vai para a novata equipe , e em seu lugar entra o sueco Ronnie Peterson para fazer dupla com Depailler. Foi um ano muito inconstante, com a equipe abandonando mais corridas do que completou, o que a deixou em 5º lugar, empatada com a . Para o campeonato de , Peterson vai para a e a Tyrrell traz o também francês e estreante Didier Pironi. Depailler, em seu 5º ano no time, conquista uma vitória em , além de uma série de pódios, mas deixou de pontuar em outras várias corridas, o que resultou em uma 5ª colocação para o piloto e a 4ª para a equipe.

No ano de , Depailler deixa a equipe e vai para a . Pironi continua, agora com o experiente compatriota Jean-Pierre Jarier a seu lado. Foi uma temporada sem brilho, mas com pódios. A Tyrrell fica com o 5º lugar, e Jody Scheckter, ex-piloto da equipe, conquista seu único campeonato pela .

Na virada da década, Jarier tem um novo companheiro de time, o irlandês Derek Daly, mas pela primeira vez, desde 1971, a Tyrrell terminou uma temporada, em , sem ao menos conseguir um pódio.

Início da década de 1980: As últimas vitórias thumb|250px|Com o Tyrrell 011, utilizado entre 1981 e 1983, foram conquistadas as últimas vitórias da equipe. O ano de começou com o estadunidense Eddie Cheever e o argentino Ricardo Zunino. Porém, o sul-americano não dura mais que 2 GPs e é substituído pelo estreante Michele Alboreto. A dupla pouco pontua e a Tyrrell termina o campeonato na 8ª colocação, empatada com outras duas equipes: e , a pior colocação - até então - da sua história.

Para , a temporada da Tyrrell começa com Alboreto e com o sueco Slim Borgudd, que foi substituído, após três GP's, pelo britânico Brian Henton. Foi uma temporada indiscutivelmente melhor que a anterior, resultando na primeira das cinco vitórias de Michele Alboreto, no . Apesar disso, a equipe não passa de um 6º lugar, com 25 pontos. O italiano foi convidado para substituir Gilles Villeneuve, que havia morrido em um acidente em nessa temporada, após grave acidente com sua Ferrari, mas decide por permanecer com a Tyrrell (embora Ken Tyrrell tenha proposto uma troca do piloto por motores ).

A última vitória Em , Alboreto parte para seu terceiro ano seguido na equipe reforçado pelo veterano estadunidense Danny Sullivan (vindo da CART), que faz sua única temporada na categoria. Novamente uma temporada inconstante, com muitas quebras, deixa o time no 7º lugar. No entanto, em Detroit, Alboreto conquista a última das 23 vitórias da história da Tyrrell, depois que Nelson Piquet, o líder da corrida, teve o pneu traseiro direito furado na parte final da prova.

Primeiros tempos negros: 1984–1988 A desclassificação de 1984 thumb|250px|Stefan Bellof pilotando o Tyrrell 012, em Dallas, de 1984. Em , a Tyrrell era a única equipe daquela temporada a ainda utilizar os motores V8 aspirado, enquanto que as demais tinham motores turbo. Após a corrida de Detroit, nos Estados Unidos, na vistoria do Tyrrell 012 #3 do 2º colocado, o inglês Martin Brundle, havia esferas de chumbo no tanque de gasolina após a corrida para assim atingir o peso mínimo necessário de fim de prova (uso de lastro), além de suspeitas de modificação de combustível com substâncias proibidas. Conclusão: verificaram que o carro dele corria com peso abaixo do permitido pelo regulamento.

No dia 18 de Julho, uma semana antes do Grande Prêmio da , a FISA (Federação Internacional de Automobilismo Esportivo) decidiu aplicar a decisão mais radical de todas: desclassificar e banir a Tyrrell da Fórmula 1 nesse ano e retirar os 13 pontos que tinha conquistado até então: acompanhados de dois pódios dos estreantes (Brundle e o alemão Stefan Bellof - que tinha feito uma corrida brilhante em , saindo da última colocação e, sob forte chuva, alcançando o 3º lugar). Ken Tyrrell decidiu apelar da decisão, e enquanto esperava pela sentença do Tribunal de apelo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), foi-lhe permitido correr em Brands Hatch. Foi aí que apresentou o substituto de Brundle, contundido nos treinos pro GP de Dallas: o sueco Stefan Johansson,Tyrrell na berlinda - Folha de S.Paulo, 22 de julho de 1984 que alinharia ao lado de Bellof. A equipe participaria em mais três provas, até que se retirou definitivamente do circo.

Na temporada de , Brundle e Bellof continuam na escuderia. Não conquista nenhum pódio e, finalmente no meio do campeonato troca o motor Ford Cosworth pelo Turbo. Ainda com o ultrapassado motor aspirado, apenas Bellof pontua em duas provas: é 6º em e 4º em Detroit. Com o motor Turbo, a dupla não pontua.

Em 1º de setembro daquele ano, correndo pela categoria Esporte Protótipo nos 1000 km de Spa-Francorchamps, Bellof sofre um acidente numa tentativa arriscada de ultrapassar o belga Jacky Ickx na curva Eau Rouge, em descida para a zona do Radillon. O Porsche de Bellof choca frontalmente no muro de proteção e incendeia-se. Ao chegar no hospital, ele não resiste aos ferimentos e morre uma hora após o acidente fatal.Bellof morre em acidente na Bélgica - Folha de S.Paulo, 2 de setembro de 1985

A Tyrrell participa de duas corridas apenas com o carro de Brundle, mas dois novatos ocuparam a vaga deixada pelo alemão nas corridas finais do campeonato: o italiano Ivan Capelli, então com 22 anos, vindo da Fórmula 3000 - fez a sua estreia na Fórmula 1 no GP da , e foi o primeiro piloto que pontuou quando o time passou a utilizar o motor Turbo e também pela primeira vez pontuou na carreira na última etapa, a primeira prova na Oceania, o GP da , com o 4º lugar (3 pontos) e um francês de 30 anos, Philippe Streiff, fez apenas o GP da , em função do boicote da equipes francesas na corrida sul-africana. O time consegue terminar ao mesmo tempo em 9º (com o motor aspirado) e 10º (com o turbo) no campeonato, as piores colocações da história até então.

Na temporada de , a Tyrrell participa de todas as etapas com o britânico Martin Brundle (pela 3ª vez seguida) e com Streiff, sem nenhum tipo de brilho. O time fica na 7ª colocação, o que se repete em - mas agora de volta com os motores Ford Cosworth aspirado - com o também inglês Jonathan Palmer e novamente Streiff, destacando-se apenas que a equipe conseguiu terminar a grande maioria das provas, o que não ocorreu em , quando teve Palmer e seu compatriota Julian Bailey como pilotos. A equipe termina o campeonato como a 9ª colocada nos construtores.

Voltando a figurar: 1989–1992 O ano de começou para a Tyrrell com a volta de Alboreto (que obteve a última vitória do time 6 anos atrás), e Palmer segue no time inglês pelo terceiro ano seguido. Alboreto faz jus ao nome que tem na equipe e conquista depois de anos novamente um pódio para a Tyrrell no , mas divergências com Ken Tyrrell fazem com que ele saísse no meio do campeonato para a equipe Larrousse, e em seu lugar é contratado uma promessa francesa, Jean Alesi, que corre a Fórmula 1 e a Fórmula 3000 ao mesmo tempo. A Tyrrell é a melhor colocada das pequenas no campeonato desse ano, com mais um 5º lugar.

Para a temporada de , Alesi continua, desta vez com o veterano japonês Satoru Nakajima, ex-companheiro de Ayrton Senna e Nelson Piquet na Lotus. O francês conquista dois segundos lugares, nos GP dos , onde foi a sensação, liderando a prova por 30 voltas à frente de Senna, e em . Depois disso, os dois pouco fizeram e a Tyrrell terminou novamente na 5ª colocação - a sexta da história do time.

Com a mudança para os motores V10, começou a temporada de para a Tyrrell. Sem Alesi, que foi para a Ferrari, para o seu lugar chegou o experiente italiano Stefano Modena, vindo da para fazer companhia a Nakajima. Com o modelo 020 equipado com o propulsor japonês, o 2º lugar de Modena no foi o melhor que a equipe conseguiu. Com muita expectativa, mas poucos resultados expressivos, a escuderia fecha mais uma vez em 5º lugar.

Em , com a contratação do valorizado italiano Andrea De Cesaris, que tinha feito boa temporada anterior com a , e do endinheirado francês Olivier Grouillard (ex- e Fondmetal), também veterano (33 anos, mesma idade de De Cesaris), que completou o orçamento da equipe, depois de perder a maioria de seus patrocinadores que estavam no ano anterior, como a Braun e a Honda. A equipe perde os motores da Honda, substituída pelos propulsores da . A Tyrrell fez um campeonato regular, ficando na 6ª colocação nos construtores com 8 pontos, todos com De Cesaris.

Agonia: 1993–1998 A pior temporada